Edificações no entorno da Lagoa da Pampulha tornam-se cartões-postais da Cidade de Belo Horizonte. Área de lazer é frequentada por banhistas, desportistas e famílias. Crescem poluição na água e congestionamentos de veículos. Falta de manutenção leva a rompimento da barragem.

 

Sucesso da Pampulha acaba contribuindo para a degradação ambiental e urbana

 

Pampulha torna-se sinônimo de moradia de alta renda e turismo

 

A partir do início dos anos 1940, a região da Pampulha tornou-se sinônimo de moradia de alta renda, local de lazer de qualidade e ponto de visitação dos turistas chegados à Cidade de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais. O Conjunto Arquitetônico Moderno às margens do espelho d’água da Lagoa da Pampulha dava forma a muitos cartões-postais, imagens traduzindo paisagens agradáveis e bonitas, admiradas em toda as partes do mundo.

Registros fotográficos indicam o ano de 1943 como o do início da construção de uma linha de bondes ligando o Centro da cidade até a Pampulha. Ela teria sido inaugurada em 1947. A Lagoa da Pampulha tornou-se rapidamente uma grande área pública de lazer, frequentada por banhistas, desportistas e famílias. Começava naquele momento, também, a circulação de diversas histórias em relação aos muitos dos patrimônios ali à disposição das pessoas.

A Igreja de São Francisco de Assis, rebatizada popularmente como Igrejinha da Pampulha, teve de aguardar 16 anos por sua consagração pela Igreja Católica. Para alguns, devido ao projeto moderno; para outros, por ter sido projetada e decorada por comunistas: Alfredo Ceschiatti, Cândido Portinari, Oscar Niemeyer e Roberto Burle Marx. E surgiam histórias sobre a presença constante do prefeito Juscelino Kubitschek nas festas na Casa do Baile.

 

Sucesso da Pampulha acaba contribuindo para a degradação ambiental e urbana

Imagem da Estação de Tratamento de Águas localizada às margens da Lagoa da Pampulha, já desativada. Em seu início, o represamento do Ribeirão Pampulha tinha como um dos objetivos ampliar e melhorar o fornecimento de água tratada na Cidade de Belo Horizonte

 

Fim do jogo, saída de JK da Prefeitura e início da degradação

 

O clima de otimismo começa a desaparecer cinco anos após a inauguração do Conjunto, com a proibição do jogo em todo o Brasil, em 1948. O fechamento do Cassino, somado à saída de Juscelino Kubitschek da Prefeitura, e eleição, primeiro, para o Governo do Estado, e, depois, à Presidência da República, deram fim às animadas noites da Casa do Baile. E começava-se a perder o controle da urbanização das áreas situadas no entorno da Pampulha.

Outros equipamentos esportivos e de visitação foram sendo construídos nas proximidades: vários parques, Jardim Botânico, Jardim Zoológico, estádio de futebol Mineirão, ginásio Mineirinho e Centro de Preparação Equestre. A orla foi tomada por uma imensa estrutura de lazer. Assim, o trânsito de veículos ultrapassou a capacidade de absorção projetada para as vias existentes, tornando rotina congestionamentos e falta de vagas para estacionamento.

Cresceu significativamente o despejo de esgoto in natura nos vários córregos alimentadores da Lagoa da Pampulha. Suas correntezas passaram a levar lixo sólido para a superfície do espelho d’água. O desmatamento aumentou o depósito de sedimentos. Em 1954, com suas cinco comportas de controle do nível de enchimento emperradas por falta de manutenção, a barragem se rompeu. Em poucas horas, perdeu-se 18 milhões de metros cúbicos de água.

Era o mês de abril quando, 11 anos depois de inaugurada, surgiu um pequeno vazamento e a cidade entrou em alerta. Aos primeiros sinais de possível rompimento da estrutura, toda a área abaixo do espelho d’água, inclusive o aeroporto, foi evacuada. O tráfego de aviões foi desviado para a Base da Força Aérea, no Município de Lagoa Santa. O desastre aconteceu e a enorme inundação atingiu desde a pista de pouso e decolagens até localidades distantes.

 

Sucesso da Pampulha acaba contribuindo para a degradação ambiental e urbana

Vista aérea da região no entorno da Lagoa da Pampulha. A pista do Aeroporto de Belo Horizonte, mais conhecido como Aeroporto da Pampulha, está situada logo abaixo da barragem que formou a grande lagoa artificial, e foi inundada com o rompimento desta

 

Sujeira leva espelho d’água ser coberto por aguapés

 

Na investigação sobre as causas do acidente, descobriu-se também imperfeição na execução do projeto. A reconstrução, apesar de iniciada imediatamente, demorou quatro anos, com a nova lagoa ficando pronta somente em 1958. Apesar do tempo decorrido, não se aproveitou o esvaziamento para uma limpeza do fundo, já bastante degradado. Logo após reenchida e reinaugurada, a forte presença de sujeira em suas águas levou à proliferação de aguapés.

A primeira dragagem ocorreu no fim de 1960, depois da desativação de uma estação de tratamento de água mantida ao lado da lagoa. Mas, veja só que decisão sem pé nem cabeça: os detritos sendo retirados, em vez de transportados para outro espaço, foram amontoados em um local dentro da própria Lagoa — formando a denominada Ilha Um. Aquele perfil do espelho d’água que encantava a todos estava definitivamente maculado com uma aberração.

Nos anos de 1979 e 1996, isso se repetiu. Outra dragagem retirou toneladas de sedimentos, mas levou à perda de boa parte do espelho d’água original. O material, acumulado junto às desembocaduras do Córrego Ressaca e do Córrego Sarandi, formou outra enorme ilha. O tempo foi passando e, sem ter condições deste processo ser revertido, no ano 2000, aquele aterro acabou sendo transformado no Parque Ecológico Promotor Francisco Lins do Rego.

 

Sucesso da Pampulha acaba contribuindo para a degradação ambiental e urbana

No espaço delimitado pelo quadrado, e nos pontos ressaltados pelos algarismos 1, 2 e 3, áreas do espelho d´água original da Lagoa da Pampulha ocupadas por aterros oriundos do assoreamento e sujeira dragados ao longo de anos e não levados para outra localização

 

Recuperação combate assoreamento e contaminação por esgoto

 

Em 1985, 15 milhões de metros cúbicos de lodo e sujeira foram retirados da lagoa — mas, dessa vez, levados embora! Em 1994, a Prefeitura da Cidade de Belo Horizonte iniciou um programa para melhorar as condições ambientais da bacia hidrográfica relacionada à Lagoa da Pampulha. O trabalho combate assoreamento e contaminação por esgotos, mantém em dia a manutenção da orla e foca em limpeza urbana, com a conscientização dos moradores.

Em julho de 2001, a Prefeitura passou a realizar diversas obras de recuperação da Lagoa e entorno. Em 2002, foi inaugurado vertedouro para tratamento das águas vindo do Córrego Ressaca e do Córrego Sarandi. A recuperação completa até antes da Copa do Mundo Fifa 2014 não foi possível. Entraves envolvendo o Córrego Xangrilá, recebendo esgotos de uma ocupação formada por quase 4 mil famílias, impediram a conclusão dos serviços previstos.

Agora, alcançado o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, os compromissos com a preservação do patrimônio físico e do patrimônio natural são bem mais rígidos. Caso isso não seja cumprido, corre-se o risco desta láurea ser revogada. Povo, sociedade, Prefeitura, Estado e o próprio País não podem passar essa vergonha frente à comunidade internacional. Então, não há volta! É cuidar para não perder. O turismo pode contribuir bastante para isso.

 

Sucesso da Pampulha acaba contribuindo para a degradação ambiental e urbana

População, sociedade organizada, Prefeitura, Estado e o próprio País não podem perder mais esta oportunidade de preservar e proteger o patrimônio representado pela Lagoa da Pampulha e todos os seus monumentos. E o turismo pode contribuir bastante para isso

 

Imagens do rompimento da barragem da Lagoa da Pampulha

 

Sucesso da Pampulha acaba contribuindo para a degradação ambiental e urbana

 

Sucesso da Pampulha acaba contribuindo para a degradação ambiental e urbana

 

Sucesso da Pampulha acaba contribuindo para a degradação ambiental e urbana

 

Sucesso da Pampulha acaba contribuindo para a degradação ambiental e urbana

 

Sucesso da Pampulha acaba contribuindo para a degradação ambiental e urbana

 

Sucesso da Pampulha acaba contribuindo para a degradação ambiental e urbana

 


 

Esta é a matéria 3 de 5, sendo que as outras complementam o assunto aqui iniciado. Então, se puder, leia também:

 

Matéria 1

Ocupação da região da Pampulha remonta aos primórdios do século XVII, anos 1600

Matéria 2

Margens da Lagoa da Pampulha ganham edificações com arquitetura inovadora

Matéria 4

Título de Patrimônio Mundial amplia as possibilidades de preservação e proteção

Matéria 5

Obra-prima da genialidade de brasileiros reconhecida pela comunidade internacional

 


 

Clique nos trechos em colorido ao longo do texto para abrir novas guias, com informações complementares ao aqui sendo tratado. Eles guardam links levando para a versão digital do documento “Conjunto Moderna da Pampulha — Patrimônio Cultural da Humanidade”, verbetes da Wikipedia e sites de empresas, entidades, Governos estaduais, Prefeituras etc.

A repetição da expressão “Conjunto Moderno da Pampulha” é intencional. Ela é a principal palavra-chave dos conteúdos. Colocá-la várias vezes na postagem faz parte das técnicas de Search Engine Optimization — SEO, ou otimização para ferramentas de busca. Ajuda a destacar o trabalho na lista apresentada quando se pesquisa com Bing, Google ou Yahoo.

Nos meus textos de divulgação de turismo, adotei o critério de, ao citar uma cidade, fazê-lo em conjunto com seus apelidos. Exemplos: Cidade Atenas Brasileira de São Luís, Cidade das Mangueiras de Belém, Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, Cidade Presépio de Vitória etc. E, também, Estado de Santa e Bela Catarina e Estado do Espírito Belo e Santo.

Produzido a partir de conhecimentos gerais do autor e pesquisas na Internet, principalmente Wikipedia e sites do Governo do Estado de Minas Gerais, Município de Belo Horizonte e entidades ligadas à história e ao turismo do território mineiro. Não é um trabalho científico, podendo apresentar erros. Se eles forem apontados, reeditarei o material com as correções.