Os grupos de Bumba Meu Boi são, praticamente, os donos das noites mais frias de junho na Cidade de São Luís, capital do Estado do Maranhão. Mas não mandam em tudo. Outras manifestações impõem sua presença, com ritmos variados e bastante interessante de serem acompanhados.

 

São João do Maranhão: indo além do Bumba Meu Boi

 

As festas juninas do Estado do Maranhão, conhecidas como São João do Maranhão ou São João de São Luís, são, realmente, diferenciadas. Podem até ter fogueiras, paus-de-sebo e quadrilha, como acontece nos outros Estados do Nordeste e por todo o Brasil.

Mas, por lá, os senhores das noites mais frias do mês de junho são mesmo os grupos de Bumba Meu Boi. Em torno de 500, apresentam-se pelos diversos arraiais montados na área urbana da capital e nas cidades do seu entorno, cada um externando o seu sotaque.

Atualmente, existem cinco: Baixada, Costa de Mão, Matraca, Orquestra e Zabumba. A variação se dá, principalmente, pela forma de apresentar os personagens, composição melodiosa das toadas, criatividade nas indumentárias e maneira de tocar instrumentos.

Dentre estes últimos, os principais são chocalho maracá, matracas — dois pedaços de madeira, batidos e atritados um contra outro —, pandeiros, tambores, tambor onça e uma cuíca da região, com som grave. Algumas vezes, a presença de saxofones e banjos.

Entretanto, mesmo com a preponderância quase total do Bumba Meu Boi, o São João de São Luís abre espaço para outras manifestações de cultura popular, todas elas em forma de danças, resultado do encontro e mistura de tradições europeias, indígenas e africanas.

Elas estão resumidas a seguir, organizadas por ordem alfabética da denominação:

 

  • Bambaê de Caixa

 

São João do Maranhão, São João de São Luís, não só Bumba Meu Boi nas festas juninas

O Bambaê de Caixa é uma dança de roda, acompanhada por instrumentos de percussão. No centro, um ou dois pares de brincantes executam coreografia bastante complexa, de reviravoltas bruscas, cobrando muita agilidade de todos os componentes da brincadeira.

Na roda, os casais dançam ora frente a frente, ora costas a costas, com passos rápidos e variados, em ritmo alegre, contagiante. Tem forte presença na Baixada Leste do Estado do Maranhão, principalmente no Município de Cajapió e no Município de São Bento.

 

  • Cacuriá

 

São João do Maranhão, São João de São Luís, não só Bumba Meu Boi nas festas juninas

O Cacuriá é outra dança de roda com instrumentos de percussão: caixas ou pequenos tambores. Tem origem na Festa do Divino Espírito Santo. Após o ato da derrubada do mastro, as tocadoras de caixas, mulheres vestindo saias rodadas, reúnem-se para brincar

Animadas por cantador ou cantadora especializado em criar versos de improviso, estes precisam ser imediatamente respondidos pelo coro formado por brincantes. Fazem isso enquanto gingam seus corpos, acompanhando o ritmo de batidas enérgicas e constantes.

Seguindo marcações bem definidas, as dançarinas de Cacuriá alcançam o ponto alto da manifestação, conhecida como Punga, ou Umbigada. Elas lançam o ventre uma contra a outra, convite para nova mulher assumir o centro da roda e o controle da apresentação.

 

  • Dança de São Gonçalo

 

São João do Maranhão, São João de São Luís, não só Bumba Meu Boi nas festas juninas

A Dança de São Gonçalo é baile popular de caráter religioso, com origem portuguesa. Ela acontece em louvor ao santo português São Gonçalo do Amarante, que viveu no século XIII, anos 1700. Geralmente, é motivada por uma promessa ou voto de devoção.

A tradição do povo considera São Gonçalo um santo dançador e casamenteiro. Em vida, além de tocador de viola, usava a dança para converter mulheres às melhores práticas da religião. Entretanto, fazia isso tendo pregos nas solas dos seus sapatos, ferindo seus pés.

Na frente do altar com a imagem do santo tendo na mão sua viola, são formados dois cordões de seis mulheres. As dançarinas alternam-se, ora cantando a uma só voz, ora em movimentos para direita e esquerda. Os cantos são decorados ou tirados de improviso.

 

  • Dança do Boiadeiro

 

São João do Maranhão, São João de São Luís, não só Bumba Meu Boi nas festas juninas

A Dança do Boiadeiro acontece em pares, tendo como inspiração o homem do campo e o peão das vaquejadas. Grupos com muitos casais apresentam-se com movimentações sincronizadas, embaladas por repertório formado por música sertaneja e música country.

 

  • Dança do Caroço

 

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A Dança do Caroço, de origem indígena, concentra-se na região do Delta do Parnaíba, principalmente Município de Tutoia. Brincantes de qualquer sexo ou idade, vestindo roupas simples e folgadas, dançam individualmente, formando uma roda ou cordão.

Mulheres vestem blusas brancas de gola e mangas e saia estampada, franzida e curta. Acompanhados por instrumentos como caixas, ou tambores, cuíca e cabaça, cantadores improvisam os versos das toadas, e os participantes respondem repetindo o refrão.

 

  • Dança do Coco

 

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A Dança do Coco é originária do canto dos colhedores dos cocos de babaçu, no interior do Estado do Maranhão. Acontece em roda cantada, com o acompanhamento de cuícas, ganzás e pandeiros, além do bater das palmas ritmado de participantes e expectadores.

Desenvolvida em coreografia sem complexidade, geralmente apenas balançando-se os corpos para um lado e outro, os brincantes carregam, como adereços, presos aos corpos, pequenos cofos e machadinhas, lembrando os instrumentos de trabalho nos babaçuais.

 

  • Dança do Lelê ou Dança do Pela Porco

 

São João do Maranhão, São João de São Luís, não só Bumba Meu Boi nas festas juninas

A Dança do Lelê, ou Dança do Pela Porco, tem origem nos salões da Europa. Vinda provavelmente da França, e traços da Península Ibérica, de Espanha e Portugal, é forte no Município de Rosário e no Município de Axixá, isso desde o século XIX, anos 1800.

Mesmo profana, acontece louvando santos. Sem data fixa, é apresentada em janeiro, no Dia de Reis; maio, na Festa do Divino Espírito Santo; junho, na Festa de Santo Antônio; agosto, na Festa de São Benedito; e, dezembro, na Festa de Nossa Senhora da Conceição.

Também pode ser executada a qualquer momento, para o pagamento de promessas. Os brincantes, em pares, se dispõem em filas de homens de um lado e mulheres do outro, sendo liderados por um Mandante, pessoa responsável pela coordenação da brincadeira.

O primeiro par da fila é denominado Cabeceira de Cima, podendo este ser, também o Mandante; o último, Cabeceira de Baixo. O acompanhamento é feito por instrumentos diversos: banjo ou cavaquinho, castanholas, flauta ou pífano, pandeiro, rabeca e violão.

Os cantos podem ser decorados ou tirados de improviso, se um Mandante individual, ou um ou os dois do casal Cabeceira de Cima tiverem talento para isto. Seguem de acordo com a dança, dividida em quatro partes: Chorado, Dança Grande, Talavera e Cajueiro.

O Chorado é o momento inicial da festa, quando Mandante e tocadores convidam todos para dançar. Nesta hora, acontece a formação dos pares, geralmente homens e mulheres, alternadamente, gerando cordões de brincantes, ficando os mesmos até a dança acabar.

Durante a Dança Grande, segundo momento da apresentação e parte mais longa, quando homens e mulheres se cortejam, exibindo coreografias diversificadas. Na Talavera, uma das partes principais, e já durante a madrugada, os brincantes dançam de braços dados.

No Cajueiro, última parte da dança, devendo acontecer apenas quando amanhece o dia, os brincantes saúdam dono da casa, músicos, e pessoas presentes. E, mesmo já bastante cansados, fazem evoluções, conhecidas como “Juntar Castanhas” e “Entregar o Caju”.

 

  • Dança Portuguesa

 

São João do Maranhão, São João de São Luís, não só Bumba Meu Boi nas festas juninas

A Dança Portuguesa é herança deixada pelos colonizadores. Presente nos arraiais do Estado do Maranhão, os casais dançam ao som de fados e viras, trajando roupas típicas de Portugal: mulheres usam leques e lenços; homens exibem bengalas, chapéus e luvas.

 

  • Tambor de Crioula

 

São João do Maranhão, São João de São Luís, não só Bumba Meu Boi nas festas juninas

O Tambor de Crioula tem origem africana e ritmo derivado do carimbó do Estado do Maranhão. Excitante, sensual, casais formam círculo, dançando acompanhados por instrumentos de percussão e um coro de brincantes declamando versos improvisados.

Embora sem calendário fixo, é praticada especialmente em louvor a São Benedito, com a reverência sendo feita nas letras das toadas. Seu ritmo é cadenciado por três tambores, assim denominados: Grande, ou Roncador, Meião ou Socador e Pequeno ou Crivador.

 

  • Tambor de Mina

 

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A dança do Tambor de Mina é manifestação da religiosidade popular especificamente do Estado do Maranhão, acontecendo em casas de culto conhecidas como terreiros. A denominação vem da religião dos africanos de origem jejê e nagô vindos para o Brasil.

É uma fé de possessão de espíritos pela carne: escolhidos recebem entidades espirituais cultuadas pelo pai de santo, em sessões chamadas “Tambor”. Nestes rituais, também são usados outros instrumentos de percussão, como agogôs, cabaças, tambores e triângulos.

Mediante a batida ritmada, iniciados, em grande parte mulheres, vestidas com roupas específicas para o momento, dançam e incorporam entidades espirituais, denominadas “Voduns”. Até mesmo aqueles descrentes ficam encantados com s beleza das sessões.

Na Cidade de São Luís, dois locais deram origem a esta manifestação: Casa das Minas e Casa de Nagô. A primeira fundada por negras de Daomé, hoje Benim. A segunda, por descendentes africanos, ali sendo recebidas entidades caboclas, até de origem europeia.

 

São João de São Luís: programe visitar e conhecer

 

Vale a pena conhecer o São João de São Luís. Aproveite faltar um ano para a próxima festa e programe a visita à capital do Estado do Maranhão. Planeje com a antecedência necessária, para usufruir de pacotes com preços mais em conta do que em cima da hora.

Pesquise na Internet, informe-se sobre as apresentações dos grupos de Bumba Meu Boi e de outras manifestações culturais. Vá a uma agência de viagens e crie o passeio de das suas possibilidades. Lá, use o dia andando pela cidade, pois há muito para se conhecer.

Só para se ter uma ideia, são cerca de 70 atrativos turísticos apenas na área da Cidade de São Luís. O Centro Histórico é dos mais ricos, tanto em beleza quanto em quantidade de imóveis. Um dos destaques são as fachadas de milhares de casas cobertas com azulejos.

Reserve os inícios das noites para frequentar os muitos arraiais espalhados pela cidade. Há dos mais populares aos mais sofisticados. Uma boa pedida é definir a programação manifestação a manifestação. E retornará à sua casa conhecendo as variações musicais.

 

São João do Maranhão, São João de São Luís, não só Bumba Meu Boi nas festas juninas

A área do Município de São Luís reúne cerca de 70 atrativos turísticos disponíveis para visitação. O Centro Histórico é dos mais ricos, tanto em beleza quanto em quantidade de imóveis. Um dos grandes destaques são as fachadas das casas cobertas com azulejos

 


 

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Texto redigido a partir de conhecimentos gerais do autor e  pesquisas na Internet, principalmente Wikipedia e espaços do Governo do Estado do Maranhão, Prefeitura do Município de São Luís e entidades ligadas à história e ao turismo do território maranhense presentes na Web. Não é um trabalho científico, podendo apresentar erros. Se eles forem apontados, reeditarei o material com as correções.

Todas as fotos têm origem identificada. Se o autor de algumas delas discordar do seu uso, basta avisar que será substituída.

Material produzido a partir da participação na edição 2017 do São João de São Luís, a convite da Revista Maranhão Turismo com apoio da Secretaria de Turismo da Prefeitura da Cidade de São Luís.