Portugueses batizam fazenda com mesmo nome de cercanias da Cidade de Lisboa, capital de Portugal. Termo identifica flor parecida com margarida. Além de fazendas, local sediou um arraial no qual viviam escravos. Criação da Cidade de Belo Horizonte impulsionou crescimento.

 

Ocupação da região da Pampulha remonta aos primórdios do século XVII, anos 1600

Latifundiário vende parte das terras e surge a Fazenda Pampulha

 

Entre o final do século XVII, anos 1600, e início do século XVIII, anos 1700, a região onde atualmente está a maior parte da área urbanizada do Município de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, pertencia a um dono: Bento Pires. Com o passar dos tempos, por diversas razões, esse proprietário e seus familiares foram fragmentando aquele extenso latifúndio em diversas glebas menores, imediatamente repassadas a diferentes interessados.

Um dos compradores, recém-chegado de Portugal, batizou suas terras com o nome do local onde vivia, nas cercanias na capital daquele país, Cidade de Lisboa: Fazenda Pampulha. O surgimento do termo “Pampulha” tem duas versões. Primeira, vindo do latim “Pampanus”, como os romanos referiam-se aos caules das videiras cobertas de flores ou de seus frutos, as uvas. Tanto que, em português, “pâmpano” é o mesmo que grinalda ou ramalhete de flores.

Mais tarde, “pampanus” passou também a denominar uma flor amarela, bem semelhante às margaridas, e uma espécie muito comum naquele subúrbio lisboeta. Como o diminutivo de “pampanus” é “pampanuculum”, esta, no expressar do povo inculto, mudou, primeiro, para “pampanuclu” e, depois, “pampulha”. Na segunda versão, baseada na etimologia, o estudo da origem, história e modificações das palavras, tem como significado “campo de pedra”.

“Pampulha” foi formada pela união de duas referências: “pampa”, uma grande planície, coberta de vegetação rasteira, muito comum na parte mais ao Sul da América do Sul; e, “hulha”, sinônimo de carvão mineral. Como a formação de “pampa” não é característica do solo do Estado de Minas Gerais, e também não há indícios de reservas de carvão mineral no território mineiro, o mais provável mesmo é que Pampulha seja uma herança portuguesa.

 

Ribeirão Pampulha fornece água para gado e produção agrícola

 

Dentro do terreno da Fazenda Pampulha, havia uma nascente e esta gerava um riacho que acabou batizado com o nome de Ribeirão Pampulha. Ao longo deste curso d’água foram sendo instaladas outras fazendas, todas voltados à criação de gado de corte e gado de leite, além de plantios como batata, feijão, hortaliças, mandioca e milho. Produziam também farinha, açúcar e aguardente — estas duas últimas provenientes de pequenos engenhos.

Na virada do século XVIII para o século XIX, anos 1800, uma pequena parte das terras estava ocupada pelo Arraial de Santo Antônio da Pampulha Velha, povoado por escravos. Dentre os ofícios aos quais aquela população se dedicava, além de obrigações ligadas a agricultura e pecuária, destacavam-se carpintaria, fiação, selaria e tecelagem, atividades estas favorecendo o contato com povoações próximas, como Contagem e Santa Luzia.

A realidade do Arraial de Santo Antônio da Pampulha Velha muda radicalmente a partir do final do século XIX. Primeiro, com a Abolição da Escravatura, em 23 de maio de 1888. Depois, com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. E, finalmente, em 12 de dezembro de 1897, data da fundação da nova capital do Estado de Minas Gerais, transferida da Cidade de Ouro Preto para um núcleo urbano a ser construído ali ao lado.

Era a Cidade de Belo Horizonte, e seu forte crescimento populacional transformou as propriedades agrícolas situadas no entorno do Ribeirão Pampulha, a Fazenda Pampulha incluída, em grandes fornecedoras de hortifrutigranjeiros para os moradores. Nem bem o século XX, anos 1900, havia começado, a Fazenda Pampulha muda de dono. Em 1904, um outro casal português, formado por Ana Moraes e Manoel do Reis, compra a propriedade.

 

Portuguesa de grande fervor católico é a “Madona da Pampulha”

 

Daí em diante, o grande fervor católico da senhora Ana Moraes, conhecida como “Madona da Pampulha”, teve forte influência no perfil religioso da região. A fazenda tornou-se sede para a realização de comemorações religiosas, assim como ponto de partida de procissões. Na década de 1930, Ana e Manoel assumiram, sozinhos, a construção da Capela de Santo Antônio de Pádua, onde passaram a ser celebradas as festas de São João e Santo Antônio.

Esse momento coincidiu com um surto de grande desenvolvimento econômico, tanto da Cidade de Belo Horizonte quanto de seus arredores. Ele era proveniente do surgimento de um polo de metalurgia, com a instalações de siderúrgicas e indústrias de bens de consumo. A novas fontes de riqueza somavam-se aos lucros da produção cafeeira, em crescimento na Zona da Mata, região montanhosa ao longo dos limites a Leste do Estado de Minas Gerais.

Com a ocupação urbana da capital avançando rapidamente, há muito transpondo os limites estabelecidos quando de seu projeto, a Avenida do Contorno, a região da Pampulha perde suas características rurais. Mesmo bem distante do Centro da Cidade de Belo Horizonte, as áreas das fazendas são transformadas em loteamentos, os terrenos são murados e começam a ser ocupados por grandes residências. Nessa época, algumas ruas recebem pavimentação.

 

Represamento do Ribeirão Pampulha cria grande lagoa artificial

 

As dificuldades de deslocamento eram enormes, com o acesso se dando por uma estrada de terra: na época de seca, a poeira mostrava-se insuportável; nos períodos chuvosos, a lama tornava diversos trechos intransitáveis. Mesmo enfrentando muitas dificuldades, é crescente o número de famílias mudando-se para lá. E decisão surpreendente do Governo impulsiona mais ainda o desenvolvimento local: lá será construído o tão esperado aeroporto da cidade.

O espaço escolhido para a obra não é dos melhores: uma várzea bem ao lado do Ribeirão Pampulha, sujeita a inundações periódicas. Em 1933, é inaugurado o Aeroporto de Belo Horizonte, rebatizado popularmente como Aeroporto da Pampulha. Logo a seguir, para controlar a vazão do Ribeirão Pampulha, e aumentar a reserva de água para abastecimento da população, decide-se construir uma represa bem próxima à pista de decolagem e pouso.

Com projeto elaborado pelo engenheiro Henrique de Novais, o então prefeito da Cidade de Belo Horizonte, Otacílio Negrão de Lima, dá início às obras em 1936. Elas são tocadas pela Construtora Ajax Rabello e, construída com terra, a barragem fica pronta em 1938. Começa então o enchimento do reservatório com a retenção de águas do Ribeirão Pampulha e vários outros córregos afluentes dele. Em pouco tempo, surge ali a belíssima Lagoa da Pampulha.

A vasta superfície líquida começa a ser utilizada para esportes como natação, remo e vela, assim como para o pouso de hidroaviões, ainda muito utilizado no transporte de passageiros naquela época. Definidos os limites do espelho d’água, projeta-se para o entorno do lago uma avenida, ao longo da qual serão liberados loteamentos, cujas unidades serão ocupadas apenas por casas. No entanto, este projeto somente se tornará realidade na década de 1940.

 

Calçamento de ruas no Arraial de Santo Antônio da Pampulha Velha

 

Ocupação da região da Pampulha remonta aos primórdios do século XVII, anos 1600

 

Ocupação da região da Pampulha remonta aos primórdios do século XVII, anos 1600

 

Ocupação da região da Pampulha remonta aos primórdios do século XVII, anos 1600

 

Ocupação da região da Pampulha remonta aos primórdios do século XVII, anos 1600

 

Melhoria do acesso ao Arraial de Santo Antônio da Pampulha Velha

 

Ocupação da região da Pampulha remonta aos primórdios do século XVII, anos 1600

 

Ocupação da região da Pampulha remonta aos primórdios do século XVII, anos 1600

 

Construção da barragem para formar a Lagoa da Pampulha

 

Ocupação da região da Pampulha remonta aos primórdios do século XVII, anos 1600

 

Ocupação da região da Pampulha remonta aos primórdios do século XVII, anos 1600

 

Ocupação da região da Pampulha remonta aos primórdios do século XVII, anos 1600

 

Ocupação da região da Pampulha remonta aos primórdios do século XVII, anos 1600

 

Ocupação da região da Pampulha remonta aos primórdios do século XVII, anos 1600

 


 

Matéria 1 de 5. As outras complementam o assunto aqui iniciado. Então, se puder, leia também:

 

Matéria 2

Margens da Lagoa da Pampulha ganham edificações com arquitetura inovadora

Matéria 3

Sucesso da Pampulha acaba contribuindo para a degradação ambiental e urbana

Matéria 4

Título de Patrimônio Mundial amplia as possibilidades de preservação e proteção

Matéria 5

Obra-prima da genialidade de brasileiros reconhecida pela comunidade internacional

 


 

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A repetição da expressão “Conjunto Moderno da Pampulha” é intencional. Ela é a principal palavra-chave dos conteúdos. Colocá-la várias vezes na postagem faz parte das técnicas de Search Engine Optimization — SEO, ou otimização para ferramentas de busca. Ajuda a destacar o trabalho na lista apresentada quando se pesquisa com Bing, Google ou Yahoo.

Nos meus textos de divulgação de turismo, adotei o critério de, ao citar uma cidade, fazê-lo em conjunto com seus apelidos. Exemplos: Cidade Atenas Brasileira de São Luís, Cidade das Mangueiras de Belém, Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, Cidade Presépio de Vitória etc. E, também, Estado de Santa e Bela Catarina e Estado do Espírito Belo e Santo.

Produzido a partir de conhecimentos gerais do autor e pesquisas na Internet, principalmente Wikipedia e sites do Governo do Estado de Minas Gerais, Município de Belo Horizonte e entidades ligadas à história e ao turismo do território mineiro. Não é um trabalho científico, podendo apresentar erros. Se eles forem apontados, reeditarei o material com as correções.