Integração arquitetura, azulejaria, escultura, mosaico, paisagismo e pintura confere ao Conjunto Moderno da Pampulha caráter de obra-prima. Título de Patrimônio Cultural da Humanidade amplia divulgação mundial positiva do Brasil, Estado de Minas Gerais e Cidade de Belo Horizonte.

 

Obra-prima da genialidade de brasileiros reconhecida pela comunidade internacional

 

Espelho d’água da Lagoa da Pampulha é o integrador das edificações

 

O Conjunto Moderno da Pampulha, obra-prima com a assinatura de importantes nomes da arquitetura e arte brasileiras —Alfredo Ceschiatti, Cândido Portinari, Oscar Niemeyer e Roberto Burle Marx —, e o principal cartão-postal da Cidade de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, tornou-se Patrimônio Cultural da Humanidade, título concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura — Unesco.

Concebido de forma a integrar obras de artes aos edifícios e estes à paisagem, a união de arquitetura, azulejaria, escultura, mosaico, paisagismo e pintura conferiu ao resultado assim alcançado caráter único. Por sua forma e tratamento paisagístico, o grande espelho d’água da Lagoa da Pampulha funciona como elemento articulador dos prédios e seus jardins, reforçando as relações visuais entre eles, base sob as quais foram posicionados e criados.

A escolha do local no qual cada um dos edifícios foi construído, em posições adjacentes ao Lago, tinha como objetivo garantir às edificações o papel de âncoras necessárias às atrações do novo espaço. Como Roberto Burle Marx buscou sempre fazer uso das espécies nativas ali encontradas como fundamento das concepções paisagísticas, os jardins integram-se à paisagem, também repleta de vegetação, reforçando, mais uma vez, a sensação de unidade.

Assim, vieram à luz a Casa do Baile, atual Centro de Referência em Arquitetura, Design e Urbanismo de Belo Horizonte; o Cassino, agora Museu de Arte da Pampulha; o Iate Golfe Clube, hoje Iate Tênis Clube; e a Igreja de São Francisco de Assis, mais conhecida como a Igrejinha da Pampulha. Construídos simultaneamente a partir de 1942, e inaugurados em 1943, logo depois a eles foi acrescentada a Casa de Juscelino Kubitschek, agora Casa JK.

 

Obra-prima da genialidade de brasileiros reconhecida pela comunidade internacional

O Conjunto Moderno da Pampulha espalha-se por cinco pontos ao redor do espelho d’água da Lagoa da Pampulha. Nascida de barragem sobre o leito do Ribeirão Pampulha, gerou a oportunidade de se criar grupo de edificações marcantes na Arquitetura brasileira e mundial

 

Título da Unesco amplia proteção e preservação dos patrimônios

 

Também então contempladas a Praça Dino Barbieri, em frente à Igreja de São Francisco de Assis, e a Praça Alberto Dalva Simão, próxima à Casa do Baile, projetadas pelo paisagista Roberto Burle Marx. As edificações têm grande significado, marcos autênticos, íntegros e vivos da evolução da Arquitetura mundial, da trajetória da Nação brasileira e da história das Américas, segundo justificativa da Unesco na concessão do título de Patrimônio Mundial.

O título de Patrimônio Cultural da Humanidade só é referendado a ambientes naturais, áreas urbanas, edificações, monumentos e outros bens materiais de valor paisagístico e importâncias arqueológica, antropológica, científica, etnológica, estética ou histórica. Tem como objetivo não apenas catalogar esses bens de grande valor, mas contribuir para maior identificação, melhor proteção e a ampliação das opções para a preservação dos mesmos.

A inscrição como Patrimônio Cultural da Humanidade significa que o Conjunto Moderno da Pampulha passa a contar com os compromissos de proteção da Unesco e dos 190 países integrantes daquela organização internacional. Também impacta bastante o turismo, com o crescimento do número de visitantes, gerando novos investimentos na economia local, com o consequente crescimento da oferta de empregos e distribuição de renda para a população.

O título contribui de forma significativa para divulgar o Brasil, o Estado de Minas Gerais e a Cidade de Belo Horizonte em todo o mundo. Idealizado por Juscelino Kubistchek e sendo materializado pelas criações de Alfredo Ceschiatti, Burle Marx, Cândido Portinari e Oscar Niemeyer, tornou-se lugar único no planeta e sonho de consumo de visitantes de todos os continentes. Suas riquezas estão descritas e detalhadas resumidamente nos textos a seguir.

 

Obra-prima da genialidade de brasileiros reconhecida pela comunidade internacional

Conjunto Moderno da Pampulha é o quarto Patrimônio Mundial em terras do Estado de Minas Gerais. Receber este título representa oportunidade para se ampliar as opções de preservação e proteção de riquezas, naturais ou não, heranças para as futuras gerações

 

Casa do Baile — Centro Referência Arquitetura Design Urbanismo

 

Destacando-se pela graça, simplicidade e singeleza, a Casa do Baile foi concebida como local para bailes e shows, capaz de receber de entreter o público vivenciando a nova região da Cidade de Belo Horizonte. Seu funcionamento estava intimamente ligado ao do Cassino do outro lado da Lagoa, e a circulação entre um e outra se dava através de balsa. Edificada em ilha artificial, tem dimensões reduzidas, com 300 metros quadrados de área construída.

O acesso a partir da avenida passando ao lado se dá através de ponte sinuosa, com vão de 11 metros de extensão. Estruturada em duas circunferências tangenciando-se internamente, estende-se em uma marquise sinuosa, suportada por colunas expressivas. Esta segue até um pequeno volume na forma de ameba, revestido por azulejos decorados. Logo à frente desse espaço destaca-se palco circular, cercado por espelho d’água também em forma de ameba.

Piso em pedra portuguesa por toda a área externa reforça o caráter público do espaço. O paisagismo de Roberto Burle Marx também prestigiou espécies da floral local. O espaço também foi fechado em 1946, com a proibição do jogo no País. Reaberta em 1986, como anexa do Museu de Arte da Pampulha, sofreu reforma em 1990, passando a abrigar scotch bar e restaurante. Foi também permitida a promoção de jantares dançantes, sem sucesso.

Estas atividades foram interrompidas em 30 de setembro de 1996 e, depois de intervenções com o objetivo de recuperar toda as suas características originais, passou a sediar o Centro de Referência em Arquitetura, Design e Urbanismo de Belo Horizonte. Painéis fotográficos recobrindo partes de suas paredes relembram as festas ali celebradas. Considerada também como obra-prima de Oscar Niemeyer, é tombada nas esferas municipal, estadual e federal.

 

Obra-prima da genialidade de brasileiros reconhecida pela comunidade internacional

A Casa do Baile foi estruturada em circunferências encontrando-se internamente. Marquise sinuosa, suportada por colunas expressivas, segue até pequeno volume em forma de ameba. Pedra portuguesa cobrindo todo o piso da área externa reforça o caráter público do espaço

 

Casa Kubitschek

 

Projetada em 1943 por Oscar Niemeyer, como residência de finais de semana do então prefeito da Cidade de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, a casa apresenta as variadas características que tornam o Conjunto Moderno da Pampulha singular. Jardins do paisagista Roberto Burle Marx ocupam a frente e os fundos do imóvel. E o telhado, lembrando asas de borboletas, com seus dois planos inclinados, bases da arquitetura brasileira do modernismo.

Fechada durante muitos anos, a Casa JK precisou passar por processo de restauração, antes de ser reaberta para a visitação. O projeto original foi preservado, com os trabalhos sendo supervisionados por Oscar Niemeyer. Ele também contribuiu decisivamente na estruturação do novo conceito dado ao espaço, de contar a história de uma casa modernista dos anos 1940, 1940 e 1960. Ela também é tombada nas instâncias municipal, estadual e federal.

 

Obra-prima da genialidade de brasileiros reconhecida pela comunidade internacional

A Casa JK apresenta várias características que tornaram o Conjunto Moderno da Pampulha singular. Jardins do paisagista Roberto Burle Marx ocupam a frente e os fundos do imóvel. E o telhado, como asas de borboleta, exibe bases da arquitetura brasileira do modernismo

 

Cassino  Museu de Arte da Pampulha

 

Primeiro projeto do arquiteto Oscar Niemeyer para o Conjunto Moderno da Pampulha, foi concebido como âncora, responsável pela atração de visitantes para a região, objetivando dinamizar o turismo. Além do destaque dado pela sua localização em terreno elevado, é o edifício de mais clara relação com os princípios da arquitetura moderna formulados pelo arquiteto Le Corbusier: estrutura independente em concreto, modulando fachadas livres.

Fachadas envidraçadas proporcionam integração entre interior e exterior, característica presente em todas as edificações do conjunto. Erguido como prisma regular, explora a liberdade dos espaços internos proporcionada pelos pilotis. Apresenta-se como caixa de vidro, com rampas ligando o térreo ao segundo pavimento. Paredes revestidas de ônix, colunas cobertas por aço inoxidável e espelhos cenográficos foram inovações para a época.

Os jardins circundando o prédio, criados pelo paisagista Roberto Burle Marx, em formas sinuosas, foram formados apenas por espécies da flora local. Estátuas de Alfredo Ceschiatti e José Pedrosa fecham o paisagismo. Atraindo jogadores de todo o Brasil, transformou a vida noturna da Cidade de Belo Horizonte e deu vida àquela região ainda não povoada. Viveu noites de grande esplendor em seu pequeno período de existência, até o ano de 1946.

Desativado pela proibição de jogos de azar no Brasil, fechado ao longo de uma década, foi reaberto como Museu de Arte da Pampulha em 1957. Datam daquele momento as primeiras doações das obras compondo o acervo da instituição. Destacam-se trabalhos de Alberto da Veiga Guignard, Amílcar de Castro, Emiliano di Cavalcanti, Franz Weissman, Ivan Serpa e Tomie Ohtake, e coleção de gravuras brasileiras, com grande produção de Oswaldo Goeldi.

Outra parte da rica coleção, já somando 1.500 itens, é proveniente dos Prêmios dos Salões de Arte, de grande influência e repercussão nas décadas de 1960 e 1970. Ela é exibida ao público periodicamente, em exposições no próprio Museu e em outros espaços da Capital e de cidades mineiras. Tombado nas esferas municipal, estadual e federal e aberto a visitas, oferece atividades como oficinas de criação e oficinas e encontros com artistas renomados.

 

Obra-prima da genialidade de brasileiros reconhecida pela comunidade internacional

O Cassino foi o primeiro projeto dos cinco formando o Conjunto Moderno da Pampulha. Além do destaque da localização elevada, é o edifício de mais clara relação com princípios da arquitetura moderna: estrutura independente em concreto, modulando fachadas livres.

 

Iate Golfe Clube — Iate Tênis Clube

 

Projetado como clube público de lazer e esportes, incluía piscinas, quadras esportivas e o acesso à lagoa para a prática de atividades náuticas, como remo e vela. O complexo, parte do Plano Geral de Urbanização e Ocupação da Pampulha, é harmônico com o ambiente ao redor. Inaugurado em 1943, foi responsável por introduzir e popularizar, em todo o Brasil, coberturas de casas e prédios com inclinação em V, logo apelidado de “telhado borboleta”.

Suas águas do telhado invertidas dão a impressão de barco atracado às margens da lagoa. Brise-bises metálicos sobre as fachadas envidraçadas impõem ritmo às fachadas e reduzem a incidência da luz do Sol nas partes internas. O Salão Portinari é ornamentado com enorme painel do artista que o denomina. O Salão Espelho d’Água apresenta obras de Estergilda Meniccuci. Os jardins ressaltam a imensa criatividade do paisagista Roberto Burle Marx.

 

Obra-prima da genialidade de brasileiros reconhecida pela comunidade internacional

O prédio do Iate Golfe Clube, concebido dentro do Plano Geral de Urbanização e Ocupação da Pampulha, é harmônico com o ambiente ao redor. Foi responsável por popularizar no País coberturas de casas e prédios com inclinação em V, apelidado de “telhado borboleta”.

 

Igreja São Francisco de Assis

 

A Igreja de São Francisco de Assis é a primeira capela em estilo moderno construída no Brasil. Foi a obra Conjunto Moderno da Pampulha a gerar mais polêmicas e a que melhor representa o casamento entre arquitetura e estrutura. Conhecida popularmente como a Igrejinha da Pampulha, é considerada a obra-prima do conjunto. Sua maior atração vem de uma composição única, em sequência de cinco “cascas” articuladas, com diferentes alturas.

Na edificação, em que as curvas de Oscar Niemeyer tornaram-se evidentes, a entrada da luz destaca a pintura de Portinari, no altar-mor. A fachada voltada para a Praça Dino Barbieri apresenta belíssimo painel em azulejos, também de Portinari. Elementos da composição arquitetônica fazem alusão às tradições das arquiteturas religiosas franciscana e mineira, num contraste entre o despojamento da primeira com o excesso de requintes da segunda.

 

Obra-prima da genialidade de brasileiros reconhecida pela comunidade internacional

A Igreja de São Francisco de Assis é a obra-prima de Oscar Niemeyer. Pode-se dizer sem medo de errar: tudo feito por ele depois tem um pouco do feito lá antes: curvas, elegância, leveza, ousadia, simplicidade… Todo projetista de igreja no mundo parte do ali alcançado

 

Zona de Amortecimento

 

No entorno do Conjunto Moderno da Pampulha, foi estabelecida e limitada uma Zona de Amortecimento, com a finalidade de garantir a unidade paisagística que confere referência cultural ao lugar. Dentro deste espaço, está garantido o controle sobre a ocupação das áreas públicas de uso coletivo, assegurando também o compromisso de futuras construções não impedirem a visão de qualquer das edificações, seja qual for a direção de visualização.

 


 

Esta é a matéria 5 de 5, sendo que as outras complementam o assunto aqui tratado. Então, se puder, leia também:

 

Matéria 1

Ocupação da região da Pampulha remonta aos primórdios do século XVII, anos 1600

Matéria 2

Margens da Lagoa da Pampulha ganham edificações com arquitetura inovadora

Matéria 3

Sucesso da Pampulha acaba contribuindo para a degradação ambiental e urbana

Matéria 4

Título de Patrimônio Mundial amplia as possibilidades de preservação e proteção

 


 

Clique nos trechos em colorido ao longo do texto para abrir novas guias, com informações complementares ao aqui sendo tratado. Eles guardam links levando para a versão digital do documento “Conjunto Moderna da Pampulha — Patrimônio Cultural da Humanidade”, verbetes da Wikipedia e sites de empresas, entidades, Governos estaduais, Prefeituras etc.

A repetição da expressão “Conjunto Moderno da Pampulha” é intencional. Ela é a principal palavra-chave dos conteúdos. Colocá-la várias vezes na postagem faz parte das técnicas deSearch Engine Optimization — SEO, ou otimização para ferramentas de busca. Ajuda a destacar o trabalho na lista apresentada quando se pesquisa com Bing, Google ou Yahoo.

Nos meus textos de divulgação de turismo, adotei o critério de, ao citar uma cidade, fazê-lo em conjunto com seus apelidos. Exemplos: Cidade Atenas Brasileira de São Luís, Cidade das Mangueiras de Belém, Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, Cidade Presépio de Vitória etc. E, também, Estado de Santa e Bela Catarina e Estado do Espírito Belo e Santo.

Produzido a partir de conhecimentos gerais do autor e pesquisas na Internet, principalmente Wikipedia e sites do Governo do Estado de Minas Gerais, Município de Belo Horizonte e entidades ligadas à história e ao turismo do território mineiro. Não é um trabalho científico, podendo apresentar erros. Se eles forem apontados, reeditarei o material com as correções.