Desde o início da colonização europeia do Brasil, a região do Município de Torres destacou-se pela facilidade para deslocamento a pé. Em vez de enfrentar a Serra Gaúcha, era bem mais simples cruzar pelas planícies, de Norte a Sul, e vice-versa. Região torna-se grande polo de Turismo de Lazer a partir do início do século XX.

 

Cidade de Torres: diferenciais no Estado do Rio Grande do Sul

 

O Município de Torres, situado no litoral Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, se destaca por duas características marcantes. Isso, considerando apenas seus diferenciais capazes de dinamizar suas vocações inigualáveis para o Turismo em toda a terra gaúcha.

E ambos guardam total singularidade na imensidão das riquezas dos Pampas: é a única praia na qual sobressaem paredões rochosos à beira-mar e, bem à sua frente, a Ilha dos Lobos, acidente geográfico ímpar num litoral com mais de 600 quilômetros de extensão.

Mas cidade e entorno têm a oferecer a visitantes, em crescimento contínuo, diversidade de opções em Agroturismo, Ecoturismo, Turismo de Aventura, Turismo de Esportes, Turismo de Eventos, Turismo de Gastronomia, Turismo de Lazer, Turismo Náutico.

Também é polo para segmentos mais especializados neste setor, tendo como oferecer diferenciais bem interessantes àqueles buscando Turismo de Arqueologia, Turismo de Enologia, Turismo de Etnias, Turismo LGBT, Turismo Histórico e muitos outros mais.

 

A Cidade de Torres e seu entorno têm a oferecer a visitantes, em crescimento contínuo, boas opções em Agroturismo, Ecoturismo, Turismo de Aventura, Turismo de Esportes, Turismo de Eventos, Turismo de Gastronomia, Turismo de Lazer, Turismo Náutico etc.

 

Cidade de Torres: nômades desde 10 mil anos antes de Cristo

 

A região onde agora está o Município de Torres vem sendo habitada por humanos desde eras imemoriais. A presença dos nativos, estudada há tempos, é comprovada a partir dos muitos vestígios arqueológicos e sambaquis dispostos ao longo da grande faixa de areia.

Os primeiros atestam presença constante de nômades caçadores, coletores e pescadores. Chegaram à região vindos do Norte da América do Sul, do início até quase ao final do Período Neolítico, ou Período da Pedra Polida, de 10 mil e 3.000 anos antes de Cristo.

Com o crescimento dos grupos, simplesmente sair pela Natureza em busca de comida aqui, ali e acolá não atendia mais suas necessidades alimentares cada vez maiores, pois havia mais bocas para serem atendidas e cuidadas. E isso os levou a mudanças radicais.

Lentamente, foram fixando-se à terra, adaptando-se ao modelo sedentário. Com o passar do tempo, tornaram-se agricultores — aprendendo a domar e cultivar plantas e vegetais, como amendoim, batata, milho, pimenta, tabaco… —, além de caçadores e pescadores.

 

Os vestígios da presença humana na região da Cidade de Torres atestam a atividade constante de nômades. Vêm do Norte da América do Sul, do início até quase ao final do Período Neolítico, ou Período da Pedra Polida, de 10 mil e 3.000 anos antes de Cristo

 

Cidade de Torres: visitas dos nativos da Cultura Taquara

 

Não se sabe a razão, mas estes povos primitivos desapareceram daquela terra, deixando-a livre para ser ocupada por novas levas de indivíduos. Isso não ocorreu de imediato. Ela voltou a ser buscada por grupos vindos atrás apenas de coletar moluscos e pescar.

Fatos ocorridos entre 3.000 anos antes de Cristo e o início da Era Cristã, com vestígios atestando a presença de nativos da Cultura Taquara. Agricultores do planalto, desciam ao litoral periodicamente. E montavam seus acampamentos entre a restinga e as dunas.

Mais ou menos nesse mesmo período, a região do Município de Torres sofreu invasão de nova onda migratória. Ela trouxe os Guaranis, etnia originária do centro da América do Sul, expandindo-se fortemente para os amplos territórios meridionais do continente.

 

Entre 3.000 anos antes de Cristo e até o início da Era Cristão, a região do Município de Torres sofreu nova invasão, desta vez, dos Guaranis, etnia originária do centro da América do Sul, expandindo-se fortemente aos territórios do Sul da América do Sul

 

Cidade de Torres: herança atestada pelos sambaquis

 

Apesentando uma cultura mais avançada, incluindo produção cerâmica e confecção de objetos rituais, e já tendo desenvolvido, também, arte plumária, cestaria e tecelagem, logo sobrepuseram-se e dominaram com facilidade os primitivos integrantes Taquaras.

Os maiores testemunhos da presença destes últimos na área do Município de Torres, antes da chegada do homem branco, são os sambaquis. Mostram-se como elevações artificiais dos terrenos, pequenos montes cobertos por conchas e vegetação rasteira.

Em seus interiores, ocultam sepulturas humanas e objetos de cerâmica ou esculpidos em ossos e pedras: anzóis, machados, pesos para redes, pontas de flechas etc. Também há esculturas representando aves, cetáceos, peixes, quadrúpedes e outros tipos de animais.

 

Os maiores testemunhos da presença destes últimos na área do Município de Torres, antes da chegada do homem branco, são os sambaquis. Mostram-se como elevações artificiais dos terrenos, pequenos montes cobertos por conchas e vegetação rasteira

 

Cidade de Torres: brancos usam picadas abertas por nativos

 

Os nativos já haviam percebido ser bem fácil cruzar pelo território onde hoje situa-se o Município de Torres, principalmente nas direções entre o Norte e o Sul. E, mesmo em direção às montanhas, haviam aberto picadas por lá antes de os europeus ali chegarem.

Estas começaram a ser usadas por portugueses não muito após a Descoberta do Brasil, em 1500. Desrespeitando o Tratado de Tordesilhas, ao longo do século XVI, anos 1501 a 1590, e XVII, anos 1601 a 1690, foram se apossando de áreas pertencentes à Espanha.

Aquele documento, de 1492, estabelecia o ponto onde hoje fica a Cidade de Laguna, no litoral Sul do atual Estado de Santa Catarina, como limite final da possessão lusitana. Os bandeirantes, caçando índios para escravizar, não prestavam atenção a este detalhe.

 

O Tratado de Tordesilhas estabelecia o ponto onde hoje fica a Cidade de Laguna, no litoral Sul do atual Estado de Santa Catarina, como limite final da possessão lusitana. Os bandeirantes, caçando índios para escravizar, não prestavam atenção a este detalhe

 

Cidade de Torres: espanhóis atentos à invasão portuguesa

 

Passados mais de um século e meio da chegada de Pedro Álvares Cabral às costas do Brasil, a situação, de tão insustentável, foi abordada em documento de 1639. É uma carta enviada pelo rei Filipe IV, da Espanha, ao vice-rei do Peru, Marquês de Mancera.

Nela, o mandatário relata sobre os paulistas, desde muito tempo, avançando em direção ao litoral Norte das terras espanholas. Já naquele momento, além dos caçadores de escravos, tropeiros chegavam para arrebanhar o gado, multiplicando-se livres no Pampa.

Uma crônica da época, assinada por Jerônimo Rodrigues, narra estar ali a fronteira da nação indígena Ibirajara, dominando do Sul para o Norte, até o Rio Mampituba. Seus vizinhos eram Carijós e Patos, mas sempre uns incursionando aos domínios dos outros.

 

Em correspondência de 1639, mandatário espanhol relata sobre os paulistas avançando em direção ao litoral Norte das, então, terras espanholas. Além dos muito caçadores de escravos, tropeiros chegavam para arrebanhar o gado, multiplicando-se livres no Pampa

 

Cidade de Torres: passagem para todo tipo de aventureiro

 

Aquele estreitamento da planície costeira gaúcha tornou-se a rota de passagem mais fácil para os aventureiros: bandeirantes, caçadores, tropeiros e outros desbravadores. Caso contrário, tinham de enfrentar as muitas dificuldades impostas pelas montanhas.

Os morros na praia tinham grande valor estratégico. Serviam de ponto de observação, facilitando vigiar a passagem de navios na costa e movimentos de pessoas e produtos em terra. Isso dava mais segurança à crescente expansão da Colônia em direção ao Sul.

Após oficializarem a Capitania do Rio Grande de São Pedro, em 1760, na barra da Lagoa dos Patos, no litoral Sul, no ano seguinte, os portugueses instalam um registro militar —  um posto de fiscalização — onde agora situa-se o atual Município de Imbé.

 

Após oficializarem a Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, em 1737, na barra da Lagoa dos Patos, no litoral Sul, no ano seguinte, os portugueses instalam um registro militar —  um posto de fiscalização — onde agora situa-se o atual Município de Imbé

 

Cidade de Torres: fortificação garante posse das terras

 

Entretanto, aquele posto não tinha como controlar toda a costa, principalmente a ponta Nordeste, assim como a região da Serra Gaúcha. Era necessário construir-se pelo menos mais um — e o local escolhido para sediá-lo ficava junto às pedras da Praia de Itapeva.

Distante apenas 60 quilômetros ao Norte do primeiro, esta segunda guarnição também se mostrou insuficiente para controlar a extremidade Norte. Sem fiscalização, aquela área tornou-se paraíso para contrabandistas de gado, passando por lá sem serem vistos.

Cruzando os baixios, indo e vindo, por diversas vezes, muitos pioneiros acabaram por se fixar na região, tornando-se agricultores, comerciantes e estancieiros. No final do século XVIII, anos 1701 a 1790, uma fortificação ajudou a garantir a posse das terras.

Essa segurança também era dada pela crescente presença de residentes, principalmente brasileiros e portugueses, apesar de ainda dispersos naquelas extensões ainda cobertas de Mata de Restinga, entre montanha e mar, cortadas por rios, entremeadas por lagoas.

 

A partir de 1761, são concedidas sesmarias na área defronte à Praia de Itapeva até o Rio Mampituba, fixando novos colonos. Em 1777, é instalada bateria com dois canhões no lado Leste do Morro das Furnas, bela elevação situada ao Sul da atual Cidade de Torres

 

Cidade de Torres: surge o Forte de São Diogo das Torres

 

Batizada como Forte de São Diogo das Torres, tinha o objetivo de evitar o desembarque de espanhóis. Eles dominaram a Ilha de Santa Catarina, onde hoje situa-se a Cidade de Florianópolis, ameaçando reimpor os limites estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas.

O local foi escolhido por proporcionar visão elevada e desobstruída, em largo círculo. Porém, diante de um armistício, a fortaleza foi deixada de lado, sendo abandonada. Entretanto, o valor estratégico deste ponto continuou sendo reconhecido e aproveitado.

Em 1797, Sebastião Xavier da Veiga Cabral da Câmara, governador da Capitania do Rio Grande de São Pedro, mandou o engenheiro José de Saldanha instalar nova guarda e registro militar, para controlar e cobrar pedágio quando do uso das passagem terrestre.

Apesar de contar com um destacamento de soldados e duas peças de artilharia de grande calibre, as instalações da guarnição resumiam-se a um galpão de madeira, coberto por palha, e uma casa pequena, paredes de pedra e telhado de telhas, para guardar a pólvora.

 

Apesar de contar com um destacamento de soldados e duas peças de artilharia de grande calibre, o Forte de São Diogo das Torres resumia-se a galpão de madeira, coberto por palha, e uma casa pequena, paredes de pedra e telhado de telhas, para guardar a pólvora

 

Cidade de Torres: instalação militar atrai novas famílias

 

A segurança dada pela presença da instalação militar atraiu famílias e pessoas para suas proximidades. O assentamento ficou sob responsabilidade do alferes Manuel Ferreira Porto, logo após assumir o comando daquela guarnição e do registro militar, em 1801.

Por esta razão, ele passou a ser considerado o fundador da Cidade de Torres, apesar de, naquela época, as poucas moradias existentes estarem bastante dispersas, não formando um núcleo urbano capaz de ser referenciado como povoação, povoado, vila ou vilarejo.

Uma reorganização da divisão política do território da Colônia do Brasil acaba com a Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul e cria a Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, em 19 de setembro de 1807, com domínio maior sobre as terras do Sul.

Além disso, torna-se independente, pois, na situação anterior, mantinha-se subordinada à Capitania do Rio de Janeiro. A capital é estabelecida na Cidade de Rio Grande. E a região das Torres acaba sob a jurisdição do Município de Santo Antônio da Patrulha.

Em 1815, ocorre a visita do bispo da Capitania do Rio de Janeiro, dom José Caetano da Silva Coutinho, cuja diocese se estendia até o extremo Sul do Brasil. Um contingente de rancheiros pede ao representante da Igreja Católica autorização para erguer uma capela.

 

Em 1815, o bispo da Província do Rio de Janeiro, dom José Caetano da Silva Coutinho, cuja diocese se estendia até o extremo Sul do Brasil, visita a região da Cidade de Torres. Contingente de rancheiros lá vivendo pede ao religioso autorização para erguer capela

 

Cidade de Torres: iniciadas obras da Igreja de São Domingos

 

O bispo dom José Caetano da Silva Coutinho autoriza, mas os trâmites burocráticos duram três anos. Em 1818, despacho do administrador português Luís Teles da Silva Caminha e Meneses, o Marquês de Alegrete, finalmente acaba com os impedimentos.

Pelo documento, é concedida uma área para a construção de um novo povoado e, dentro dele, o templo religioso tão sonhado pelos moradores, há muito tempo. O espaço, todo ele em terreno plano, tem medidas generosas, correspondendo a 150 braças quadradas.

Um parêntesis, antes de prosseguir. A braça é uma medida de comprimento bem antiga. Como ela equivale a 2,2 metros, o espaço a ser ocupado alcançava em torno de 110 mil metros quadrados. Isso corresponde a cerca 100 campos de futebol de medidas oficiais.

Os trabalhos, iniciados com discursos, fanfarra e pompa, logo foram interrompidos e só retomados tempos depois. Contribuíram para o fracasso duas condicionantes: a extrema pobreza dos proprietários vivendo pelas redondezas e, principalmente, a desunião deles.

 

Em 1818, é concedida área para a construção de novo povoado e, dentro dele, o templo religioso tão sonhado pelos moradores, há muito tempo. O espaço, todo ele em terreno plano, bem generoso, corresponde a cerca 100 campos de futebol de medidas oficiais

 

Cidade de Torres: preocupação com invasão espanhola

 

Em 1819, José Maria Rita de Castelo Branco Correia da Cunha Vasconcelos e Sousa, o Conde da Figueira, governador da Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, envia o brigadeiro Francisco de Paula Soares de Gusmão para algumas providências urgentes.

Ele chega à região do atual Município de Torres com duas missões bastante específicas, ambas relacionadas à melhoria da defesa local. Uma delas era, o mais imediato possível, reformar e reforçar a estrutura do Forte de São Diogo das Torres, novamente em ruínas.

A outra, inspecionar as proximidades da Barra do Rio Mampituba e todo o litoral Norte, e verificar as condições de, por ali, desembarcarem invasores, principalmente espanhóis. Continuava o temor de ataques para restabelecer os limites do Tratado de Tordesilhas.

Francisco de Paula Soares de Gusmão fez como ordenado e concluiu se impossível uma invasão devido a dois fatores: ausência de porto natural e litoral perigoso à navegação. Como essa ameaça espanhola não se materializou, o forte nunca mostrou sua utilidade.

 

Francisco de Paula Soares de Gusmão chegou à região da Cidade de Torres para inspecionar as proximidades da Barra do Rio Mampituba e todo o litoral Norte, e verificar as condições de, por ali, desembarcarem invasores, principalmente espanhóis

 

Cidade de Torres: intenção de construir capela e povoado

 

Francisco de Paula Soares de Gusmão recebeu ordens para retornar à capital. Mas, como havia percebido a boa posição geográfica do lugar, e seu potencial econômico como passagem muito frequentada para a Capitania de Santa Catarina, pediu para ficar.

Assim, teria condições de assentar o povoado e construir a capela; esta, para socorro espiritual de muitos, em uma área de 40 léguas de raio — como a légua equivale a 3.000 braças, e a braça a 2,2 metros, temos 264 mil metros, ou 264 quilômetros, de extensão.

Até ali, os mais fiéis, interessados em participar dos cultos religiosos, precisavam se deslocar ou para o Distrito de Osório ou até mesmo para o Município de Laguna, este situado no extremo Sul da Capitania de Santa Catarina. Para alguns, viagem de dias.

 

Francisco de Paula Soares de Gusmão pede para ficar, assentar o povoado e construir a capela. Afinal, para participar dos cultos religiosos, os moradores precisavam ir para o Distrito de Osório ou para o Município de Laguna, Sul da Capitania de Santa Catarina

 

Cidade de Torres: visita do naturalista Auguste de Saint-Hilaire

 

José Maria Rita de Castelo Branco Correia da Cunha Vasconcelos e Sousa, o Conde da Figueira, governador da Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, concorda com a solicitação e dá sua autorização para as obras da igreja e da nova Povoação das Torres.

Para acelerar a ocupação dos terrenos com moradias, ordenou usar índias Taquarembó, uma etnia da região central da Capitania. Francisco de Paula Soares de Gusmão obriga brancos a se casarem com nativas e a ir morar às margens da, agora, Lagoa do Violão.

Iniciada a construção da capela, mandou vir o padre Marcelino Lopes Falcão, para já ir atendendo a população crescente. Em meados de 1820, recebeu a visita de Auguste de Saint-Hilaire, naturalista francês viajando pelo País e relatando a realidade encontrada.

 

Iniciada a construção da capela, mandou vir o padre Marcelino Lopes Falcão, para já ir atendendo a população crescente. Em meados de 1820, recebeu a visita de Auguste de Saint-Hilaire, naturalista francês viajando pelo País e relatando a realidade encontrada

 

Cidade de Torres: naturalista revela detalhes do dia a dia

 

Auguste de Saint-Hilaire descreve natureza, paisagem e dia a dia dos residentes vivendo na Povoação das Torres. Logo na chegada, encontrou o alferes Manuel Ferreira Porto, comandando cerca de 30 escravos índios nos trabalhos de reforma da estrutura do forte.

Em Pedras da Itapeva, pernoitou num casebre com paredes externas de treliça de estacas finas e coberto por folhas de palmeira. Não tinha porta e, dentro, apenas um cômodo, sem janelas e mobília. Toda a roupa da família estava estendida sobre traves de madeira.

Impressionou o contraste entre a pobreza da habitação e a elegância da esposa do dono, trajada de modo cuidado e cabelos bem penteados. Quatro léguas, ou 25 quilômetros, ao Sul, na Estância do Meio, encontrou apenas uma aglomeração de choupanas miseráveis.

— Como não possuíam móveis, camas, cadeiras e mesas, para as refeições, estendiam uma esteira pelo chão, a família reunia-se ao redor e servia-se de sopa em recipientes feitos de barro, ingerindo o alimento com colheres de pau — detalhou o pesquisador.

 

Auguste de Saint-Hilaire descreve natureza, paisagem e dia a dia dos residentes vivendo na Povoação das Torres. Ficou impressionado com a pobreza. Nenhuma casa possuía móveis: camas, cadeiras e mesas — para as refeições, estendiam uma esteira pelo chão.

 

Cidade de Torres: igreja, em obras, recebe missa de Natal

 

No Natal de 1820, ainda com o templo em construção, o padre Marcelino Lopes Falcão celebrou a primeira missa na Povoação das Torres. Mesmo sem estar pronta, a futura Igreja de São Domingos atraia mais residentes, consolidando a ocupação do povoado.

Com a Proclamação da Independência, por dom Pedro I, em 7 de setembro de 1822, nasce a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. E o imperador nomeia José Feliciano Fernandes Pinheiro, o Visconde de São Leopoldo, seu primeiro governante.

Este, em 1824, visitando a Povoação das Torres, percebendo as potencialidades do sítio e reconhecendo o trabalho de Francisco de Paula Soares de Gusmão, volta a encarregá-lo da administração do povoamento e reafirma-o responsável pela conclusão da igreja.

 

Com a Proclamação da Independência, por dom Pedro I, nasce a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. José Feliciano Fernandes Pinheiro, o Visconde de São Leopoldo, aqui retratado em dois momentos da longa vida, é nomeado seu primeiro governador

 

Cidade de Torres: povoação promovida a Capela Curada

 

A Igreja de São Domingos fica pronta em 1825, a Igreja Católica promove a Povoação das Torres a Capela Curada — também chamado de Curato. Tratava-se de um título oficial dado às vilas já exibindo determinada importância econômica e populacional.

No Brasil, entre final do século XIX, anos 1800 a 1890, e início do século XX, anos 1900 a 1990, a obtenção daquele diploma era fundamental para o desenvolvimento das aglomerações urbanas, ficando essas liberadas para serem transformadas em Freguesia.

Portentosa, a Igreja de São Domingos, transformou-se em forte chamariz para várias outras famílias já arranchadas pelas cercanias. Com isso, acelerou o crescimento da população do povoado. Em apenas quatro anos, já abrigava para mais de mil almas.

 

Portentosa, a Igreja de São Domingos, transformou-se em forte chamariz para várias famílias mudarem para a Freguesia das Torres. Com isso, acelerou o crescimento da população do povoado. Em apenas quatro anos, já abrigava para mais de mil almas

 

Cidade de Torres: administrador revela seu entusiamos

 

O gestor Francisco de Paula Soares de Gusmão, em textos de próprio punho, revela seu entusiasmo pelo trabalho sob sua direção: abriu ruas, construiu presídio, definiu o local para o cemitério, ergueu a casa paroquial, instalou fontes e realizou muitas outras obras.

Algumas vezes, às suas custas, até o Governo da Província enviar recursos humanos e materiais para atender as necessidades locais. Outra das atividades das quais muito se orgulhava de cuidar estava em ajudar no possível os novos moradores ali se fixando.

Imaginava regularizar a navegação pela Barra do Rio Mampituba e construir um porto. Em 1826, o Município de Santo Antônio da Patrulha começou a fazer parte do projeto do Governo Imperial, de povoamento de áreas ermas com imigrantes vindos da Europa.

As primeiras cerca de 100 famílias de alemães a chegar foram assentadas no Distrito de São Pedro de Alcântara, católicos, e Distrito de Três Forquilhas, protestantes. Ambos, situados a bem poucas léguas, para o interior, do núcleo inicial do Povoado das Torres.

 

Francisco de Paula Soares de Gusmão era entusiasmado: abriu ruas, construiu presídio, definiu local do cemitério, ergueu casa paroquial, instalou fontes e muitas outras obras. Imaginava regularizar a navegação pela Barra do Rio Mampituba e construir um porto

 

Cidade de Torres: viajante alemão relata problemas

 

Carl Seidler, viajante alemão passando pelo Nordeste da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, criticou a distribuição dos lotes para os imigrantes. Para ele, os católicos ganharam as melhores terras, levando a conflitos com protestantes, mais prejudicados.

Disse mais: a região ainda era assolada por índios, com estes matando gente e causando destruições. Esses problemas fizeram muitos colonos deixar os lotes, procurando outras paragens, mesmo tendo de voltar a trabalhar de empregado, como acontecia na Europa.

Em consequência deste êxodo, a população decresceu. Mesmo enfrentando problemas como esse, Francisco de Paula Soares de Gusmão dirigiu o povoado por cerca de mais 10 anos. Ao sair, deixou relatos de próprio punho sobre as condições de vida na época:

— Abundância de peixe de água doce ou salgada, unida à enorme produção de gêneros da primeira necessidade no Distrito, bem favorecido pela Natureza, permite afiançar: na Província, não há, certamente, lugar como a Povoação das Torres para a pobreza viver.

— Ali, a cultura da banana, parte do alimento de crianças e escravos, é efetiva todo o tempo. A batata inglesa, pão dos colonos na falta do milho, abunda por toda parte, com colheitas duplas a cada 365 dias. É fecundíssimo o Distrito das Torres. Ali, não há seca.

— Todo ano são duas colheitas de feijão e milho. Há mandioca com generosidade, de modo a se vender farinha a baixo preço. As terras são boas para a agricultura. Muita dela, própria para o arroz, agricultura na qual desejava ver os habitantes empenhados.

— Riquíssimo em madeira de construção. Por isso, há comércio efetivo com Distrito de Palmares e Distrito de Mostarda. Trazem bois, cavalos, vacas para vender; compram carretas e as levam carregadas de centeio, feijão, milho e trigo, além da farinha, é claro!

— Também levam charque, couros para curtir, graxa, peles de carneiro e tecidos de lã. Isso se repete com os serranos. Todo dia, há enorme tráfego entre localidades vizinhas, nas franjas dos morros, e o Distrito das Torres, gerando negócios de compra e venda.

 

Francisco de Paula Soares de Gusmão era só elogios para a Povoação das Torres: peixe em abundância e enorme produção de gêneros da primeira necessidade; favorecido pela Natureza, não havia, certamente, lugar melhor para os pobres viverem com dignidade

 

Cidade de Torres: Revolução Farroupilha piora situação

 

Apesar das visões positivas de Francisco de Paula Soares de Gusmão, a sobrevivência no povoado era precária, agravada por frequentes desentendimentos entre os locais e a Câmara de Vereadores de Santo Antônio da Patrulha, por causa de impostos excessivos.

Outros problemas eram interdições arbitrárias sobre pesca e divisão irregular de terras. A eclosão da Guerra dos Farrapos, ou Revolução Farroupilha, em 1835 e 1845, piorou a situação: a área ora estava ocupada por forças imperiais, ora pelos rebeldes farroupilhas.

Mesmo com o conflito ocorrendo, no ano de 1837, elevou seu status político: tornou-se Freguesia de São Domingos das Torres. Mas nada mudou. Relatórios oficiais da época trazem queixas pelas más condições gerais e de súplicas por envio de ajuda da capital.

 

A Guerra dos Farrapos, ou Revolução Farroupilha, 1835 e 1845, piorou a situação: a área ora estava ocupada por forças imperiais, ora pelos rebeldes farroupilhas. Mesmo com o conflito ocorrendo, em 1837, foi elevada Freguesia de São Domingos das Torres

 

Cidade de Torres: muitos esforços em prol do progresso

 

O declínio parecia ser irreversível. Em 1846, o Distrito das Torres apresentava apenas 187 proprietários registrados e menos de 150 eleitores. Progredindo mais, o Distrito de Conceição do Arroio separou-se do Município de Santo Antônio da Patrulha, em 1857.

Nascia o Município de Osório, incorporando o Distrito das Torres. Contribuiu para essa emancipação o crescimento da navegação pela rede de canais e lagoas ali existente. Ela criou uma ligação entre litoral Norte e a capital da Capitania, a Cidade de Porto Alegre.

Administradores locais, deputados estaduais, deputados federais e senadores tentaram promover o progresso na região do Distrito das Torres. Havia consenso sobre grande potencial, mas as melhorias conseguidas não se mostravam capazes de impulsioná-lo.

Como a própria Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul também não era rica, e tinha de se dividir por todo o imenso território sob sua jurisdição, pouco podia fazer para melhorar a situação existente. As queixas sobre pobreza se mantinham crescentes.

 

Administradores locais, deputados estaduais, deputados federais e senadores tentaram promover o progresso na região do Distrito das Torres. Havia consenso sobre grande potencial, mas as melhorias conseguidas não se mostravam capazes de impulsioná-lo

 

Cidade de Torres: estagnação econômica até século XX

 

Outro alemão, Heinrich Handelmann, estando por lá em 1860, deplorou o estado da Colônia de Três Forquilhas e do Distrito das Torres. Segundo suas palavras, “as cerca de mil almas ali vivendo mal têm o necessário para a própria e simples subsistência.”

— A impossibilidade de exportação regular dos produtos tira o estímulo para incitá-los a serem ativos trabalhadores de lavoura e indústria. Sem comunicação com a resto da Capitania e a Pátria, permanecem enterradas no mato, degenerando espiritualmente.

A estagnação cultural, econômica, social e urbana se prolongou até o início do século XX. Mesmo assim, em 1878, o Distrito das Torres conseguiu ascender como Vila e, em seguida, como Município. Mas logo voltou a ser reanexado ao Município de Osório.

 

A estagnação cultural, econômica, social e urbana se prolongou até o início do século XX. Mesmo assim, em 1878, o Distrito das Torres conseguiu ascender como Vila e, em seguida, como Município. Mas logo voltou a ser reanexado ao Município de Osório

 

Cidade de Torres: nada muda com chegada da República

 

A Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, não modificou a situação, trazendo apenas agitação e instabilidade políticas. Em virtude disso, o reativado Distrito das Torres teve vários administradores, sucedendo um outro em curto espaço de tempo.

Conseguiu nova emancipação em 1890, voltando a ser Município das Torres. Em 1892, a ideia do porto ganha novo alento. Inicia-se a construção de molhe na Praia da Guarita. Iria servir para abrigar navios trazendo material de construção para o cais verdadeiro.

As pedras para a obra saíram de morros vizinhos, extraídas com explosões de dinamite. Passados mais de um século, os rombos causados pela exploração ainda são visíveis. O projeto não foi adiante, logo abandonado, com apenas 50 metros avançando para o mar.

 

Após conseguir nova emancipação em 1890, volta a ser Município das Torres. Em 1892, a ideia do porto ganha alento. Inicia-se a construção de molhe na Praia da Guarita. Iria servir para abrigar navios trazendo material de construção para o cais verdadeiro

 

Cidade de Torres: novos problemas, com a Revolução Federalista

 

A situação econômica não entrava mesmo nos eixos e surgem novos sobressaltos. Desta vez, a Revolução Federalista, iniciada em 1893. O Município de Torres torna-se via de passagem de tropas; as do Governo Federal, para o Sul; e dos revoltosos, para o Norte.

Mesmo com os conflitos acontecendo, no mesmo ano, começam a aparecer famílias de imigrantes italianos, vindos da Serra Gaúcha. Elas não haviam conseguido se adaptar aos projetos de colonização criados no entorno do atual Município de Caxias do Sul.

Estavam correndo riscos outra vez, vindo se estabelecer em local no qual riqueza para a população era coisa desconhecida. Inventários deixados por falecidos entre 1896 e 1898 mostram 50% das famílias não dispondo de simples mesa para refeições em suas casas.

 

Líderes do Estado do Rio Grande do Sul na Revolução Federalista, iniciada em 1893. O Município de Torres torna-se passagem de tropas; as do Governo Federal, para o Sul; e dos revoltosos, para o Norte. Assim, a situação só econômica piorava cada vez mais

 

Cidade de Torres: canais e lagoas, para navegação interna

 

Na virada para o século XX, o Município de Torres vira notícia frequente nos jornais da Cidade de Porto Alegre. São mais de 300 textos, entre 1895 e 1912. A tônica era o uso dos canais e lagoas para a navegação interna e a velha ideia de construção de um porto.

Falava-se também na implantação de uma ferrovia. Essas obras, certamente, acelerariam seu crescimento. Mas não se realizaram como havia muito era sonhado. A solução para os atrasos cultural, econômico e social iria surgir de outra vertente, quase casualmente.

Naquela época, o Brasil, procurando se modernizar, mirava para a Europa, em busca de modelos de civilização. Assim, dentre outras tendências aqui imitadas, elites adotaram o conceito de férias anuais e a moda dos banhos de mar, considerados como terapêuticos.

Então, a partir de 1910, começaram a aparecer na Cidade de Torres veranistas, vindos tanto a capital do Estado quanto do Planalto Gaúcho e da Serra Gaúcha. Para chegar, uma aventura: não havia estradas e era uma viagem trabalhosa, três, quatro, cinco dias.

 

A partir de 1910, começaram a aparecer na Cidade de Torres veranistas, vindos tanto a capital do Estado quanto do Planalto Gaúcho e da Serra Gaúcha. Para chegar, uma aventura. Não havia boas estradas, enfrentando viagem trabalhosa, de três a quatro dias

 

Cidade de Torres: banhos de mar como tratamento médico

 

Os percursos eram vencidos sobre carretas ou lombo de mulas. Traziam alimentos e outros bens, para um conforto mínimo. Não havia estrutura para receber visitantes. Eles acampavam à beira-mar ou hospedavam-se em pensões ou casas de moradores locais.

Tudo era bem simples: ao chegar, homens providenciavam par de tamancos, chapéu de palha, bengala de madeira entalhada típica da região e um pijama; as mulheres, chinelos ou sandálias e robe de chitão ou opalina, protegendo-se do Sol com sombrinhas comuns.

Os banhos de mar seguiam um ritual próprio, de acordo com ideias médicas em voga. Aconteciam sempre bem cedo, com as pessoas enfrentando um número de ondas pré-determinado. Isso era repetido por noves vezes, quando o “tratamento” era encerrado.

 

Os banhos de mar seguiam um ritual próprio, de acordo com ideias médicas em voga. Aconteciam sempre bem cedo, com as pessoas enfrentando um número de ondas pré-determinado. Isso era repetido por noves vezes, quando o “tratamento” era encerrado

 

Cidade de Torres: surge o embrião do Turismo de Lazer

 

Com o passar dos anos, a disciplina foi sendo abandonada. As areias eram tomadas por gente de todas as classes, durante bem mais tempo. E as águas eram usadas para boiar, mergulhar, nadar ou, aproveitando a força das ondas, vir flutuando até chegar à praia.

Apesar de tudo estar associado à saúde, deixou de lado o aspecto médico. Tornou-se diversão a ser aproveitada por toda a família. Logo, o período do verão era esperado com ansiedade durante a primavera, outono e inverno, especialmente pelas crianças.

Estava lançado o embrião do Turismo de Lazer, como o conhecemos agora. Algumas pessoas perceberam o potencial daquela atividade. Mesmo bem rudimentar, e apenas uma vez a cada ano, movimentava com muita força a economia da Cidade de Torres.

Trazia renda em forma de hospedagem, locação e consumos diversos; criava postos de trabalho, geralmente para pessoas de baixa qualificação; e, impactando praticamente todos os setores de atividade, distribuía riqueza, sem concentrá-la nas mãos de poucos.

 

Estava lançado o embrião do Turismo de Lazer, como o conhecemos agora. Algumas pessoas perceberam o potencial daquela atividade. Mesmo bem rudimentar, e apenas uma vez a cada ano, movimentava com muita força a economia da Cidade de Torres

 

Cidade de Torres: pioneirismo de José Antõnio Picoral

 

Um dos primeiros a explorar o novo filão foi o empreendedor José Antônio Picoral. Ele, nascido na Colônia de São Pedro de Alcântara, com muito esforço pessoal, tornou-se um próspero comerciante na Cidade de Porto Alegre, sem desligar-se de suas origens.

Decepcionando-se com um verão passado na Cidade de Tramandaí, no litoral ao Sul da Cidade de Torres, imaginou fazer dessa última moderno ponto de veraneio, tanto para o morador da capital e arredores quanto de todo o resto do Estado do Rio Grande do Sul.

Assim, em 1915, após entendimentos com os, também, empreendedores Carlos Voges, João Pacheco de Freitas e Luiz André Maggi, e outros vivendo na Cidade de Torres, criou o Balneário Picoral, com sede no Hotel Voges — logo rebatizado Hotel Picoral.

Era o maior empreendimento do gênero em toda a terra gaúcha, e considerado o marco zero da introdução do Turismo como negócio no Município de Torres. Ele reunia chalés organizados em grupos e pavilhões para atividades coletivas, como festas e refeições.

 

Em 1915, após entendimentos com os empreendedores Carlos Voges, João Pacheco de Freitas e Luiz André Maggi, e outros na Cidade de Torres, o visionário José Antônio Picoral cria o Balneário Picoral, com sede no Hotel Voges — rebatizado Hotel Picoral

 

Cidade de Torres: verão à beira-mar entra em moda

 

O Balneário Picoral logo centralizou a movimentação social e criou ao seu redor a Zona Nobre da cidade. E deu partida ao promissor caminho a ser trilhado por interessados em avançar, crescer, progredir, sem necessidade de investimentos faraônicos do Estado.

O hábito do verão à beira-mar difundiu-se pouco a pouco. A partir da década de 1920, a Cidade de Torres acabou conhecida como o melhor local para se aproveitar o período, no Estado do Rio Grande do Sul e nos Municípios do Sul do Estado de Santa Catarina.

O início das operações da ligação por ônibus entre Cidade de Porto Alegre e Cidade de Torres tornou as coisas mais fáceis para os veranistas. Isso, apesar das estradas ainda continuarem como verdadeiras picadas, tomadas por buracos e sujeitas a alagamentos.

Era bem comum passageiros terem de deixar o “conforto” do interior dos veículos para ajudar a tirá-los de atoleiros, empurrando o carro, correndo o risco de escorregar e cair com a cara na lama. Algumas vezes, recebiam o socorro de juntas de bois ou mulas,

Esse problema — ou a poeira, em tempos de seca — pareciam não incomodar. Relatos dão conta de tudo ser encarado como divertida aventura, a ser contada e recontada mais tarde, no desfrute dos momentos de descontração, na praia, junto a amigos e parentes.

 

O Balneário Picoral logo centralizou a movimentação social e criou ao seu redor a Zona Nobre da Cidade de Torres, dando partida ao caminho a ser trilhado por interessados em avançar, crescer, progredir, sem necessidade de investimentos faraônicos do Estado

 

Cidade de Torres: qualidades atraem personalidades ilustres

 

Com a propaganda boca-a-boca, a cada ano mais e mais visitantes apareciam na cidade. Assim, a todo momento, surgiam novos empreendimentos para aproveitar o movimento: hotéis, lojas, mercados, pensões… — e, principalmente, as chamadas casas de veraneio.

O Balneário Picoral torna-se o centro de encontro de empresários, famosos, lideranças, políticos e outros mais do Estado do Rio Grande do Sul. A cada estação, organizava rica programação de atividades sociais: bailes elegantes, recitais de música, saraus literários.

Personalidades ilustres da época compraram terrenos e ergueram casas requintadas, para serem utilizadas três, quatros meses a cada ano. Nomes como Antônio Augusto Borges de Medeiros, Possidônio Cunha, Firmino Torely, Protásio Antônio Alves e outros mais.

Esta fase consolidou a vocação turística da Cidade de Torres. Ela passou a ser olhada como local civilizado, de natureza posta a serviço do homem. E médicos famosos da época, como Protásio Antônio Alves, atestavam os benefícios do contato com o mar.

 

Aos poucos, consolidou-se a vocação turística da Cidade de Torres. Ela passou a ser olhada como local civilizado, de natureza a serviço do homem. E médicos famosos da época, como Protásio Antônio Alves, atestavam os benefícios do contato com o mar

 

Cidade de Torres: começa a popularização do veraneio

 

Nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, a cidade era ocupada por gente de fora. Os locais aproveitavam para acumular o mais possível em dinheiro, fazendo uma poupança a ser utilizada durante o resto do ano ou permitir investimentos em melhoria de vida.

Quem podia, deixava seus trabalhos habituais e se dedicava a servir aos visitantes, como babás, cavalariços, cozinheiros, faxineiros, jardineiros e outras atividades domésticas. Uma boa parte reforçava equipes dos bares, restaurantes, hotéis, pensões, pousadas etc.

Apesar do movimento crescente a cada verão, com a Cidade de Torres ainda pequena, desconhecidos tornando-se conhecidos, o perfil era familiar. Todos demonstravam um carinho especial por aquele lugar recebendo-os tão bem, como se fossem filhos da terra.

Em 1936, no Salão Nobre do Balneário Picoral, foi criada a Sociedade dos Amigos da Praia de Torres — SAPT, visando promover iniciativas voltadas ao bem-estar, conforto e segurança para a população, tanto de moradores quanto, principalmente, de visitantes.

Com o passar dos anos, a entidade mostrou-se decisiva na determinação de novos rumos para a Cidade de Torres. Na década de 1950, vieram as melhorias nas estradas. E houve a popularização do veraneio por todo o extenso litoral do Estado do Rio Grande do Sul.

 

Com o passar dos anos, a entidade mostrou-se decisiva na determinação de novos rumos para a Cidade de Torres. Na década de 1950, vieram as melhorias nas estradas. E houve a popularização do veraneio por todo o extenso litoral do Estado do Rio Grande do Sul

 

Cidade de Torres: anos 1950 e 1960 consolidam o Turismo

 

Tudo mudou da água para o vinho. A viagem, mais rápida e mais confortável. Instalou-se serviço de tratamento e distribuição de água. Avenida e ruas receberam pavimentação e iluminação. O serviço de fornecimento de energia elétrica expandia-se em velocidade.

As décadas seguintes reafirmaram o polo de Turismo no Município de Torres, mesmo ainda estacionado em apenas um período do ano. Aos poucos, o progresso econômico expandiu-se do Centro, atingindo periferias, espraiando-se para todos os seus Distritos.

Como resultado, esse movimento levou diversos deles à emancipação. Em 1988, nascia o Município de Arroio do Sal e o Município de Três Cachoeiras. Quatro anos depois, em 1992, surgem o Município de Morrinhos do Sul e o Município de Três Forquilhas.

 

Os anos 1950 e 1960 reafirmaram o polo de Turismo no Município de Torres, mesmo ainda estacionado em apenas um período do ano. Aos poucos, o progresso econômico expandiu-se do Centro, atingindo periferias, espraiando-se para todos os seus Distritos

 

Cidade de Torres: polo de competições esportivas e eventos

 

A Cidade de Torres possui, hoje, cerca de 40 mil habitantes e recebe em torno de 200 mil visitantes no verão, boa parte deles, estrangeiros. Está consolidada como o melhor destino de praia do Estado do Rio Grande do Sul e um dos melhores de todo o Brasil.

A forte expansão econômica, social e urbana, promovida pelo Turismo, consolidou-se no final do século XX, em vista de diferenciais como clima ameno, excelentes praias, belas paisagens, gastronomia qualificada, segurança pública, qualidade de vida etc.

Além disso, fácil acesso por rodovias asfaltadas e duplicadas tornou a Cidade de Torres polo de competições esportivas, eventos públicos, espetáculos diversos, festas populares e outras atrações, desenvolvidas ao longo de todo o ano, e não só durante a alta estação.

Essas condicionantes levaram ao desenvolvimento de consistente infraestrutura para atender às demandas dos visitantes, principal fonte de renda da cidade, bem à frente da Agricultura, por exemplo. Bom exemplo é a rica e diversificada oferta de hospedagem.

Ela vai de áreas para camping, edículas erguidas em terrenos de casas comuns, cômodos para aluguel, hostels, pousadas das mais simples até bem luxuosas e uma rede de hotéis de todos os níveis — além da presença dos aplicativos de compartilhamento de imóveis.

 

A forte expansão econômica, social e urbana, promovida pelo Turismo na Cidade de Torres consolidou-se no final do século XX devido ao clima ameno, excelentes praias, belas paisagens, gastronomia qualificada, segurança pública, qualidade de vida etc.

 

Cidade de Torres: muito além do simples destino de praia

 

 

 

 

 

 

 

 


 

O post “Município de Torres, desde seus primórdios, sempre teve vocação para receber viajantes” foi produzido por João Zuccaratto, jornalista especializado em Turismo baseado na Cidade de Vitória, a capital do Estado do Espírito Santo, com apoio da Rede Ficare de Hotéis, através da sua unidade Guarita Park Hotel, situada na Cidade de Torres, localizada no litoral Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul.

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