O Município de Ouro Preto nasceu de simples acampamento montado no início da noite de 24 de junho de 1698. De lá para cá, são três séculos de existência e, além de Patrimônio Mundial da Humanidade, é a cidade com o maior número de fatos ligados à história do Brasil.

 

Origem da cidade foi acampamento de bandeirantes

 

Cidade com o maior conjunto homogêneo de arquitetura barroca do Brasil, Ouro Preto é uma joia encravada nas montanhas do Estado de Minas Gerais. Nascida durante o auge do Ciclo do Ouro, foi erguida pela força dos braços de escravos e embelezada por mãos de artistas. Estes, a partir de modelos da Europa, acabaram criando um estilo brasileiro de arquitetura e decoração, hoje eternizado em casas, chafarizes, igrejas, prédios, ruas…

Tudo começou há três séculos. No início da noite de 24 de junho de 1698, Dia de São João na tradição do catolicismo, uma expedição de bandeirantes vinda da Capitania de São Vicente — atual Estado de São Paulo —, varando o interior da Colônia Portuguesa à procura de ouro e pedras preciosas, acampou às margens de um córrego desconhecido. O grupo viajava sob a liderança e comando do já experiente Antônio Dias de Oliveira.

 

A bandeira comandada por Antônio Dias de Oliveira, vinda da Capitania de São Vicente — atual Estado de São Paulo —, varando o interior da Colônia Portuguesa à procura de ouro e pedras preciosas, montou um acampamento semelhante a este, no início da noite de 24 de junho de 1698, Dia de São João na tradição do catolicismo. Ali, nasceu o Arraial do Padre Faria, depois a Vila Rica e, por fim, a cidade de Ouro Preto

A bandeira comandada por Antônio Dias de Oliveira, vinda da Capitania de São Vicente — atual Estado de São Paulo —, varando o interior da Colônia Portuguesa à procura de ouro e pedras preciosas, montou um acampamento semelhante a este, no início da noite de 24 de junho de 1698, Dia de São João na tradição do catolicismo. Ali, nasceu o Arraial do Padre Faria, depois a Vila Rica e, por fim, a cidade de Ouro Preto

 

Pico do Itacolomi era referência do local com ouro

 

Faziam parte também daquela expedição um capelão, o padre João de Faria Fialho, e Tomás Lopes de Camargo, ostentando uma patente de coronel — além de um irmão deste, cuja identidade perdeu-se ao longo dos anos. Todos sabiam o que buscavam, mas, naquele momento, desconheciam onde estavam. Haviam viajado dias e dias para o Norte, mas a intensidade da vegetação e ausência de luz impediam ter mais referências.

Ao acordarem, em meio à névoa do amanhecer, viram desenhar-se acima deles, pouco a pouco, o alvo procurado: uma montanha exibindo na sua parte mais alta um rochedo encurvado — o Pico do Itacolomi: em tupi, filho da montanha grande. Aquela formação característica vinha sendo mencionada há muito como referência do local no qual um mulato achou algo bem especial. Uma descoberta capaz de mudar em definitivo a história da Colônia.

 

O agora Pico do Itacolomi, aquela rocha proeminente, inclinada para a esquerda, foi a referência do local onde o mulato, cujo nome perdeu-se pelos tempos, encontrou seixo rolados com a superfície negra. Quando quebrados, exibiu um interior brilhante como a luz do Sol, pois era de ouro puro

O agora Pico do Itacolomi — em tupi, filho da montanha grande —, aquela rocha proeminente, inclinada para a esquerda, foi a referência do local onde o mulato, cujo nome perdeu-se pelos tempos, encontrou seixos rolados com a superfície negra. Quando quebrados, exibiu um interior brilhante como a luz do Sol, pois era de ouro puro

 

Cruzando aquela região num dia de Sol escaldante, este personagem cujo nome deveria ser sempre lembrado, agachou-se para matar a sede com águas cristalinas e geladas de um riacho. E notou, sob a correnteza, grande quantidade de pedras tão negras como o tom de sua pele. Trabalhadas pela natureza, eram seixos rolados, com formato oval e superfícies lisas. Pegou a mais próxima e sentiu seu peso bem maior do que imaginava.

Encantado com a beleza das mesmas, resolveu levar algumas de recordação. Jogou-as no embornal pendurado aos ombros e seguiu viagem. Seu destino era a Vila de Taubaté, no interior da Capitania de São Vicente. Lá chegando, entre goles de aguardente, relatou as aventuras da travessia. Inocentemente, exibiu aos ouvintes as belas rochas lapidadas pelo tempo, sem esquecer de mencionar os detalhes do local onde as havia conseguido.

Aos olhos de conhecedores, aquilo era mais do que simples pedaços de granito alisados pelo atrito com água e areia. O achado foi confiscado e enviado para análise na cidade do Rio de Janeiro, capital da Colônia. Recebido pelo governador Artur de Sá Menezes, este acompanhou atentamente os trabalhos dos peritos. Ficou radiante ao constatar que, ao serem quebradas, o interior das pedras exibia ouro puro, brilhante como a luz do Sol.

Estava para se completar dois séculos a procura pelo metal naquelas terras. Finalmente, havia sido encontrado um local pondo fim à busca angustiante. Esta foi também a conclusão de Antônio Dias de Oliveira, capelão padre João de Faria Fialho, coronel Tomás Lopes de Camargo, o irmão deste e todos homens. Haviam chegado ao eldorado. Não havendo tempo a perder, bateias à mão, começaram a garimpar nas areias dos rios.

 

Escravos utilizando bateias para separar o ouro da areia. Esta foi a maneira como os pioneiros retiraram a riqueza dos córregos, riachos e rios presentes na área do que é agora o Município de Ouro Preto, interior do Estado de Minas Gerais

Escravos utilizando bateias para separar o ouro da areia. Esta foi a maneira como os pioneiros retiraram a riqueza dos córregos, riachos e rios presentes na área do que é agora o Município de Ouro Preto, interior do Estado de Minas Gerais

 

Foram só as primeiras pepitas aparecerem para Antônio Dias de Oliveira destacar um pequeno grupo para retornar à Capitania de São Vicente. Deveriam viajar o mais rápido possível para, além de narrar as boas-novas, trazer mais homens, novos equipamentos e a maior quantidade de alimentos que pudessem carregar. Afinal, havia ouro por ali em quantidade capaz de deixar todos ricos. Era só chegar, escolher um local e trabalhar.

 

Acampamento torna-se o Arraial do Padre Faria

 

Enquanto os homens dedicavam-se dia e noite a separar o ouro de aluvião presente por todo lado, o padre João de Faria Filho, dedicado às coisas de Deus, tinha tempo de sobra para organizar o acampamento. Assim, deu início ao planejamento e à construção de um pequeno conjunto de habitações, logo batizado com seu nome: Arraial do Padre Faria. Esta foi a célula-mater da formação do que conhecemos como Município de Ouro Preto.

A notícia de que era só arribar àquela região para enriquecer correu todo o território da Colônia como fogo em rastilho de pólvora. Levas de forasteiros chegando todos os dias obrigaram à formação de novos arraiais, uns próximos aos outros. Isto levou a Coroa Portuguesa a reunir todas aquelas povoações sob uma denominação. Assim, em 1711, nascia a Vila Rica. Esta, em 1720, tornou-se sede da Capitania das Minas Gerais.

 

Primeira foto conhecida do trabalho no interior de uma mina. Depois de esgotado o ouro de aluvião nas areias dos córregos, riachos e rios, e da camada de terra nas encostas dos morros, a solução foi seguir os veios rocha adentro

Primeira foto conhecida do trabalho no interior de uma mina. Depois de esgotado o ouro de aluvião nas areias dos córregos, riachos e rios, e da camada de terra nas encostas dos morros, a solução foi seguir os veios rocha adentro

 

Denominação de Ouro Preto é de 1823

 

Em meados dos anos 1700, passou a ser denominada por Vila Rica de Albuquerque, numa deferência ao capitão-general Antônio de Albuquerque Coelho Carvalho, então governador da Capitania das Minas Gerais e da Capitania de São Paulo. Isso durou pouco tempo, até dom João V, rei de Portugal, mandar retirar o Albuquerque do nome e adotar Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar, para homenagear a padroeira da cidade.

Em 1823, após a Independência do Brasil, Vila Rica ganhou o título de Imperial Cidade, conferido por dom Pedro I. Mantendo o status de capital, agora da Província das Minas Gerais, passou a ser designada como Ouro Preto. Esta denominação remete aos seixos rolados encontrados pelo mulato cruzando aquelas montanhas no final dos anos 1600. A cor escura, externa, é dada pelo óxido de ferro, elemento bem comum em toda a região.

 

O metal encontrado na região do que é agora o Município de Ouro Preto era levado à Casa de Fundição para ser transformado em barras como estas da imagem. A de cima traz gravado o ano de 1800; a segunda, abaixo, 1796; a terceira, 1810; e a última, 1800

O metal encontrado na região do que é agora o Município de Ouro Preto era levado à Casa de Fundição para ser transformado em barras como estas da imagem. A de cima traz gravado o ano de 1800; a segunda, abaixo, 1796; a terceira, 1810; e a última, 1800

 

Em 1897, o Município de Ouro Preto perde o status de capital do agora Estado de Minas Gerais. Isso, em decorrência de não apresentar alternativas viáveis ao desenvolvimento urbano, devido a ter nascido e crescido praticamente pendurada em paredões rochosos. O que, naquele momento, parecia ser algo ruim, contribui para criar o diferencial maior da cidade. Ela como que acaba parada no tempo, preservando seu patrimônio colonial.

O ano de 1923 marca a perda de parte do território do Município, com a emancipação de Itabira do Campo, atual Itabirito. Tendo conservado a maior parte das edificações remontando as origens do local, toda a sua área urbana é tombada como Patrimônio Histórico Brasileiro, em 1938. Em 1953, sobre nova redução de seus limites, cedendo uma outra grande área, desta vez para a criação do novo Município de Ouro Branco.

 

Patrimônio Cultural da Humanidade em 1980

 

Já encantando visitantes de todas as partes do planeta, torna-se Patrimônio Cultural da Humanidade em 5 de setembro de 1980. E sua população pode sentir-se orgulhosa de mais um título de grande valor: nenhuma outra cidade brasileira ostenta tantos fatos históricos relevantes à construção da memória nacional como o Município de Ouro Preto: Ciclo do Ouro, Guerra dos Emboabas, Inconfidência Mineira, Escola de Minas

Em 1938, depois de perambular por suas ruas calçadas com pedras irregulares, o poeta Manuel Bandeira sentenciou: “Não se pode dizer de Ouro Preto que seja uma cidade morta. (…) Ouro Preto é a cidade que não mudou, e nisso reside seu incomparável encanto.” Entretanto, daquela visita até os dias atuais, muita coisa foi modificada. Há uma batalha continuada para evitar a descaracterização de todo aquele acervo sem igual.

Entretanto, tais mudanças não alteraram a principal característica desta cidade ímpar em toda a Terra: a impossibilidade de passar por suas ruas sem experimentar a emoção de viagem no tempo, de volta ao passado. São vias, estátuas, imagens, muros, paredes e telhados materializados por uma mistura de muita ambição, dor, esforço, exploração, fé, força, luta, opressão, suor, trabalho e vigor de milhões de almas ainda vivendo por ali.

 

Atualmente, Município de Ouro Preto tem 13 Distritos

 

Atualmente, além da Sede, são os seguintes os 12 Distritos formadores do Município de Ouro Preto, apresentados em ordem alfabética:

  • Amarantina
  • Antônio Pereira
  • Cachoeira do Campo
  • Engenheiro Correia
  • Glaura
  • Lavras Novas
  • Miguel Burnier
  • Rodrigo Silva
  • Santa Rita de Ouro Preto
  • Santo Antônio do Leite
  • Santo Antônio do Salto
  • São Bartolomeu

Os de origem na Colônia são Amarantina, Antônio Pereira, Cachoeira do Campo, Glaura, Lavras Novas e São Bartolomeu. Nascidos no século XVIII, tomando vulto no início do XIX devido às atividades de comércio, são Santa Rita do Ouro Preto, Santo Antônio do Leite e Santo Antônio do Salto. E aqueles surgidos no final do século XIX, após a construção de ferrovia, Engenheiro Corrêa, Miguel Burnier e Rodrigo Silva.

 

Atuais Distritos formadores do Município de Ouro Preto. Os de origem na Colônia são Amarantina, Antônio Pereira, Cachoeira do Campo, Glaura, Lavras Novas e São Bartolomeu. Nascidos no século XVIII, tomando vulto no início do XIX devido às atividades de comércio, são Santa Rita do Ouro Preto, Santo Antônio do Leite e Santo Antônio do Salto. E aqueles surgidos no final do século XIX, após a construção de ferrovia, Engenheiro Corrêa, Miguel Burnier e Rodrigo Silva

Atuais Distritos formadores do Município de Ouro Preto. Os de origem na Colônia são Amarantina, Antônio Pereira, Cachoeira do Campo, Glaura, Lavras Novas e São Bartolomeu. Nascidos no século XVIII, tomando vulto no início do XIX devido às atividades de comércio, são Santa Rita do Ouro Preto, Santo Antônio do Leite e Santo Antônio do Salto. E aqueles surgidos no final do século XIX, após a construção de ferrovia, Engenheiro Corrêa, Miguel Burnier e Rodrigo Silva

 

Cidade reúne coleção ímpar de atrativos turísticos

 

Apesar do Município de Ouro Preto ser conhecido mais pelo Patrimônio Histórico, a cidade tem outros atrativos, classificados em entretenimento, civis, culturais, lazer, naturais e religiosos no site oficial da Prefeitura, acessado a partir do endereço digital www.ouropreto.mg.gov.br. Listados a seguir, em ordem alfabética, basta colocar o mouse sobre suas identificações para acessar informações e fotos oficiais dos mesmos.

 

Cachoeiras

 

 

Capelas

 

 

Centros Culturais

 

 

Chafarizes

 

 

Igrejas

 

 

Feiras

 

 

Galerias de Arte

 

 

Largos

 

 

Lazer

 

 

Minas de Ouro

 

 

Mirantes

 

 

Monumentos Históricos

 

 

Museus

 

 

Parques Ecológicos

 

 

Passeios

 

 

Paços

 

 

Praças

 

 

Teatros

 

 


 

 

Matéria produzida a partir da participação na edição 2015 do Festival de Turismo de Ouro Preto, realizada de 15 a 17 de outubro deste ano, no Município de Ouro Preto, conforme pode ser visto aqui.