Sedimentação forma grande extensão de várzea. Imponente curso d’água impõe-se no meio do terreno. Homem está ali há dezenas de milênios de anos. Colonizadores transformam região em polo econômico do Brasil. Pesca e comércio exterior criam um dos maiores portos do País.

 

Município de Itajaí: separação de continentes e povo do sambaqui

 

Nos milhões de anos após a separação dos continentes em nosso planeta, sedimentos varridos pelas chuvas formaram imensa várzea junto ao litoral Nordeste do atual Estado da Santa e Bela Catarina. Enquanto o oceano era tomado lentamente, formava-se um grande curso d’água por entre o terreno.

A extensa área plana assim criada foi sendo coberta por vegetação. Primeiro, espécies de Mata de Restinga; mais tarde, da Mata Atlântica. E, assim, tornou-se habitat para diversidades de animais, pássaros e répteis, criando também condições perfeitas para a proliferação de crustáceos e peixes.

Abundância de alimentos, facilidade para locomoção e fartura de água doce atraíram para ali grupos dos primitivos habitantes da América do Sul. Milênios se passaram até o estabelecimento definitivo daqueles conhecidos como Homens de Sambaquis. E viveram naquelas praias durante oito mil anos.

 

Município de Itajaí, abrigo do Homem do Sambaqui, lar dos carijós, orgulho brasileiro

O Homem do Sambaqui povoou praticamente toda a costa brasileira entre 8 mil e o ano zero da Era Cristã. Conforme foram desaparecendo, os territórios deixados livres foram sendo ocupados por nativos Guaranis e Tupis. Foram estes últimos que os europeus encontraram ao chegaram ao Brasil

 

Município de Itajaí: sambaquis achados em Cabeçudas e Itaipava

 

Provas da presença desta população pré-colombiana na região do Vale do Rio Itajaí-Açu foram encontrados acidentalmente. Foram dois sambaquis, ambos achados em terra do Município de Itajaí. O primeiro, em 1970, na Praia de Cabeçudas; o outro, em 1988, onde é o Bairro de Itaipava.

Um pequeno parêntesis: sambaqui, numa explicação simples, são entendidos como os “lixões” daquelas tribos. Eram os locais nos quais descartavam invólucros de ostras, ferramentas quebradas, ossos de animais, utensílios danificados e tudo o mais que perdia utilidade para uso no dia a dia.

Com o passar do tempo, o acúmulo de coisas ali jogadas ia formando pequenas elevações. E elas passavam a ser utilizadas também para o enterro dos mortos. É bastante comum encontrar ossadas fossilizadas no interior dos sambaquis, permitindo conhecer sobre os hábitos daqueles humanos.

 

Município de Itajaí, abrigo do Homem do Sambaqui, lar dos carijós, orgulho brasileiro

Os sambaquis eram os depósitos de resíduos sólidos das tribos. Lá, eles descartavam invólucros de ostras, ferramentas quebradas, ossos de animais, utensílios danificados e tudo o mais que perdia utilidade para uso no dia a dia. Com o passar dos anos, formavam pequenas elevações no terreno

 

Município de Itajaí: Carijó, Botocudo, Caigangue, Guarani, Xokleng

 

Desaparecidos os Homens de Sambaqui, os espaços foram sendo ocupados por novas populações. Primeiro, nativos oriundos do povo Guarani, identificados como Carijós. Mais tarde, Botocudos e Caigangues, pertencentes ao grupo Tapuia, denominação recentemente modificada para Xokleng.

Foram os botocudos que os colonizadores europeus encontraram quando lá aportaram em meados do século XVI, anos 1500. Momento em que descobriram o nome pelo qual era identificado um grande rio desaguando com força, imponência e liberdade dentro do Oceano Atlântico: Itajaí-Açu.

A busca pela definição correta do significado vem atravessando os séculos, envolvendo estudiosos brasileiros e estrangeiros. Seja ela qual for, por associação, um dos maiores afluentes da margem direita do Rio Itajaí-Açu acabou sendo batizado de Rio Itajaí-Mirim — mirim, em tupi, é pequeno.

 

Município de Itajaí, abrigo do Homem do Sambaqui, lar dos carijós, orgulho brasileiro

Um significado de Itajaí-Açu é “pedra na forma de pássaro grande”: ita é pedra; jaí, pássaro; e, açu, grande. Faz referência à formação rochosa Bico de Papagaio, ponto dos mais visitados na Praia de Cabeçudas, atrativo turístico do Município de Itajaí. Especialistas mostram outras interpretações

 

Município de Itajaí: indecisão quanto ao significado do nome

 

Termos oriundos das línguas daqueles nativos, há divergências para seus significados em Português. Um é “pedra na forma de pássaro grande”, como referência à formação rochosa Bico de Papagaio, atrativo dos mais visitados na vizinha Praia de Cabeçudas: ita é pedra; jaí, pássaro; e, açu, grande.

Ou “água do grande senhor da pedra”: ita, pedra; iara, senhor, y, água; e, açu, grande. Ou “grande rio cheio de pedras”: ita, pedra; iá, cheio; y, rio; e, açu, grande. Ou “rio das taiás”, planta então comum no entorno. Ou “taiá” em alusão a “taió”, de Morro do Taió, do período dos bandeirantes.

Em termos de turismo, acho que a melhor definição é aquela relacionada à formação rochosa do Bico de Papagaio. Isso porque ela tem existência real, podendo ser visitada, tocada, fotografada, filmada. As demais ficam apenas na imaginação das pessoas, como ocorre em muitos outros locais.

 

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Os colonizadores espanhóis e portugueses caçaram sem piedade os carijós vivendo no litoral do atual Estado da Santa e Bela Catarina. Capturados, eram transformados em escravos nas fazendas de cana de açúcar. Em poucos anos, todas as populações de nativos foram praticamente dizimadas

 

Município de Itajaí: parte da Capitania Hereditária de Sant’Ana

 

Com o Tratado de Tordesilhas ainda vigorando, o território português no atual litoral do Estado da Santa e Bela Catarina compreendia estreita faixa de terra, afunilando em direção ao Sul, até à atual Cidade de Laguna. E, em 1532, aquela área passou a pertencer à Capitania Hereditária de Sant’Ana.

Doada a Pero Lopes de Souza, este, sem nunca ter lá colocado os pés, gerenciava sua exploração a partir da Cidade de Lisboa, a capital de Portugal. Seus interesses imediatos confundiam-se com os da Coroa: disputa com a Espanha pela ampliação do território e busca por ouro e pedras preciosas.

Com a chegada de espanhóis e portugueses, os carijós passaram a sofrer ataques, sendo caçados e perseguidos. Capturados, tornavam-se escravos em roças de cana de açúcar. Estas, em sua maioria, situadas nas proximidades da Cidade de São Vicente, no litoral Norte do atual Estado de São Paulo.

 

Município de Itajaí, abrigo do Homem do Sambaqui, lar dos carijós, orgulho brasileiro

Com o Tratado de Tordesilhas ainda vigorando, o território português no atual litoral do Estado da Santa e Bela Catarina compreendia estreita faixa de terra, afunilando em direção ao Sul, até à atual Cidade de Laguna. E, em 1532, aquela área passou a pertencer à Capitania Hereditária de Sant’Ana

 

Município de Itajaí: Governo incentiva crescimento da população

 

Se, antes, os carijós ocupavam o litoral brasileiro desde o Estado de São Paulo até o Sul do atual Estado do Rio Grande do Sul, em pouco tempo estavam praticamente extintos. Assim, as grandes extensões cortadas pelo Rio Itajaí-Açu perderam as populações, tornando-se praticamente desertas.

A antiga presença daqueles nativos é pouco lembrada atualmente. Na maioria das vezes, apenas por topônimos batizados por eles há muito tempo. Alguns dos mais conhecidos são Araribá, Biguaçu, Camboriú, Canhanduba, Guaraponga, Imbituba, Indaial, Itaipava, Itapema, Itapoá, Ituporanga

A partir do final do século XVI e início do século XVII, anos 1600, o Governo de Portugal passou a recomendar à Administração da Colônia ações efetivas para ocupar as terras do Vale do Itajaí-Açu. Além de férteis, era estratégico como prova de posse na discussão sobre domínios com a Espanha.

 

Município de Itajaí, abrigo do Homem do Sambaqui, lar dos carijós, orgulho brasileiro

João Dias Arzão é considerado o primeiro morador da região. Ergueu moradia à beira do rio, mas não tinha meios nem intenção de construir povoação. Seu interesse era achar ouro. Como não teve sucesso, abandonou o local, indo para o Norte, onde ajudou a fundar a Vila de São Francisco do Sul

 

Município de Itajaí: bandeirantes criam primeiras povoações

 

Os bandeirantes paulistas, dando a mínima aos limites do Tratado de Tordesilhas, avançavam tanto para Oeste quanto Sul. Assim, abriram o caminho para a ocupação do Vale do Rio Itajaí-Açu pelos colonizadores. Um deles, João Dias Arzão, é hoje considerado o primeiro morador daquela região.

Em 1658, conseguiu a posse de imensa sesmaria. Situada em frente à barra do Rio Itajaí-Mirim, na margem esquerda do Rio Itajaí-Açu, correspondia à área do atual Município de Navegantes. Ergueu apenas sua moradia à beira do rio, pois não tinha meios nem a intenção de construir uma povoação.

Seu interesse principal era a busca por ouro. Como não teve sucesso nesta empreitada, abandonou o local, indo para mais ao Norte. Lá, com outros bandeirantes, fundou um dos núcleos habitacionais iniciais do litoral do atual Estado da Santa e Bela Catarina: Vila de São Francisco do Sul, em 1672.

 

Município de Itajaí, abrigo do Homem do Sambaqui, lar dos carijós, orgulho brasileiro

Por volta de 1750, buscando gente com conhecimento em carpintaria, atraiu-se famílias sem muito futuro nos limitados espaços da Ilha dos Açores e da Ilha da Madeira. Os açorianos, espalhando-se pelo litoral, criaram a primeira vocação econômica do Município de Itajaí: a construção de barcos

 

Município de Itajaí: chegada de imigrantes vindos da Ilha dos Açores

 

Mais tarde, os bandeirantes também fundaram a Vila de Laguna, em 1684. Estava definitivamente aberto o caminho para a ocupação pelos colonizadores. Por volta de 50 anos, foi crescendo de forma gradual, bastante lenta. A partir do início do século XVIII, anos 1700, aumentou significativamente.

O avanço na exploração desordenada de madeira passou a exigir mais mão de obra. Os braços dos escravos negros já não davam conta da derrubada e beneficiamento em serrarias manuais. As toras, em vez de imediatamente exportadas em estado bruto, transformavam-se em caibros, ripas e tábuas.

Por volta de 1750, buscando gente com conhecimento em carpintaria, atraiu-se famílias sem muito futuro nos limitados espaços da Ilha dos Açores e da Ilha da Madeira. Os açorianos, espalhando-se pelo litoral, criaram a primeira vocação econômica do Município de Itajaí: a construção de barcos.

 

Município de Itajaí, abrigo do Homem do Sambaqui, lar dos carijós, orgulho brasileiro

A destruição das florestas, feita de modo indiscriminado e depredador, levou o Governo da Colônia a impor limites à atividade. Assim, no final dos anos 1700, foi estabelecido que o corte e exploração das espécies de melhor qualidade só poderia acontecer mediante autorização da Coroa Portuguesa

 

Município de Itajaí: limites para reduzir devastação das florestas

 

A destruição das florestas, feita de modo indiscriminado e depredador, levou o Governo da Colônia a impor limites à atividade. Assim, no final dos anos 1700, foi estabelecido que o corte e exploração das espécies de melhor qualidade só poderia acontecer mediante autorização da Coroa Portuguesa.

Com pesca abundante, solo fértil, florestas ricas e fiscalização ínfima, houve uma corrida em busca de propriedades ao longo do Vale do Rio Itajaí-Açu. E as classes mais favorecidas — comerciantes abastados, funcionários públicos, oficiais militares, representantes do Clero — levaram vantagem.

Burlando leis vinculando o direito de posse a trabalhos de colonização e construção de benfeitorias, requeriam sesmarias. E passavam por cima dos direitos de moradores já estabelecidos, expulsando-os das propriedades. Também era comum vencerem as brigas levadas à Justiça pelos prejudicados.

 

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Antônio Vasconcelos Drummond solicitou apoio para fundar vila próximo à foz do Rio Itajaí-Açu. Em 5 de janeiro de 1820, dom João VI o autorizou estabelecer a colônia em duas sesmarias reais, junto ao Rio Itajaí-Mirim, onde hoje situa-se o Bairro de Itaipava. Ele não concluiu esta missão

 

Município de Itajaí: autorização para erguer primeira cidade

 

Mal havia sido iniciado o século XIX, anos 1800, e as terras às margens do Rio Itajaí-Açu, indo do litoral em direção ao interior, estavam todas tomadas. A movimentação econômica crescia, mas de modo esparso, pois não havia uma povoação para concentrar principalmente o Poder do Governo.

Nem mesmo a vinda da família real de Portugal para o Brasil, em 1808, alterou aquela situação de abandono e desorganização. Cerca de uma década depois, um carioca de 25 anos, ali trabalhando como controlador dos cortes autorizados pela Coroa, tomou a decisão de mudar aquela realidade.

Seu nome: Antônio Vasconcelos Drummond. Solicitou apoio oficial para fundar uma vila próximo à foz do Rio Itajaí-Açu. Em 5 de janeiro de 1820, dom João VI o autorizava a estabelecer a colônia em duas sesmarias reais, junto ao Rio Itajaí-Mirim, espaço onde hoje situa-se o Bairro de Itaipava.

 

Município de Itajaí, abrigo do Homem do Sambaqui, lar dos carijós, orgulho brasileiro

Para acelerar a ocupação da nova colônia no Vale do Itajaí-Açu, dom João VI convidou famílias de tradicionais pescadores da cidade portuguesa de Ericeira a mudarem para o litoral da Província de Santa Catarina. Sua atitude acabou induzindo a segunda vocação econômica local: pesca comercial

 

Município de Itajaí: dom João VI induz nova atividade econômica

 

Além disso, para acelerar a ocupação do novo núcleo habitacional, o monarca convidou famílias de tradicionais pescadores da cidade portuguesa de Ericeira a mudarem para o litoral da Província de Santa Catarina. Sua atitude acabou induzindo a segunda vocação econômica local: pesca comercial.

Enquanto os portugueses viajavam para o Brasil, Antônio Vasconcelos Drummond, usando a força de trabalho de um batalhão de soldados sediados na Capitania, iniciou a derrubada da mata. Assim que o terreno ficasse limpo, iria construir casas. Mas queria realizar tudo isso com planejamento.

Por isso, contratou o desenho da planta daquela área urbana a um especialista, o coronel português Antônio José Rodrigues. A vila seria batizada de São Tomás de Vilanova, homenagem ao ministro Tomás Antônio de Vilanova Portugal, real protetor de Antônio Vasconcelos Drummond na Corte.

 

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O inesperado retorno de dom João VI para Portugal fez Antônio Vasconcelos Drummond desistir da empreitada de construção da colônia. Imaginando não ter mais o apoio do Governo, suspendeu os trabalhos, viajou à Cidade do Rio de Janeiro e não mais retornou para o Vale do Rio Itajaí-Açu

 

Município de Itajaí: chegada do fundador oficial da cidade

 

Com os serviços caminhando de vento em popa, Antônio Vasconcelos Drummond foi surpreendido pelo retorno de dom João VI a Portugal. Imaginando não ter mais o apoio do Governo, suspendeu os trabalhos, viajou à Cidade do Rio de Janeiro e não mais retornou para o Vale do Rio Itajaí-Açu.

Mesmo sem a cidade, a economia local crescia sem parar. Nas primeiras décadas do século XIX, os negócios entre residentes e comerciantes das vilas ao Norte e ao Sul do litoral intensificaram-se. Era um trânsito contínuo de barcos cruzando pela costa e subindo e descendo o leito do Rio Itajaí-Açu.

Numa dessas viagens, um português, sócio de uma casa comercial na cidade de Desterro — antiga denominação da Cidade de Florianópolis —, chamado Agostinho Alves Ramos, chega pela primeira vez à foz do Rio Itajaí-Açu. Mesmo ficando poucos dias, volta impressionado pela movimentação.

 

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Agostinho Alves Ramos encabeça abaixo-assinado requerendo ao Bispado na Cidade do Rio de Janeiro a criação de curato na foz do Rio Itajaí-Açu. Curato era o termo utilizado para designar aldeias em condições de se tornar freguesia, um dos primeiros passos para se fundar uma povoação

 

Município de Itajaí: nasce o Curato do Santíssimo Sacramento

 

Homem inteligente, bastante culto e de bom tino comercial, percebe um bom ponto para comércio na boca daquele rio. Sem pensar duas vezes, compra terreno, constrói casa, abre sua loja, muda-se para lá com a esposa Ana Maria Rita e dá passos bem mais ousados, visando fundar uma povoação.

De imediato, encabeça um abaixo-assinado, requerendo ao Bispado na Cidade do Rio de Janeiro a criação de um curato naquela região. Curato era o termo utilizado para designar aldeias e povoados já em condições de se tornar freguesia. Era um dos primeiros passos para se fundar uma povoação.

Em 31 de março de 1825 é criado o Curato do Santíssimo Sacramento. E essa é considerada por muitos a data real da fundação do atual Município de Itajaí. Outros não aceitam porque nesta época era parte do Município de Porto Belo, do qual vai se emancipar apenas em 15 de junho de 1860.

 

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Excelente localização geográfica e boas condições para atracação de barcos foram fundamentais para impulsionar o crescimento acelerado da cidade. O Marco Zero da cidade, pequena capela, com cemitério aos fundos, começou a ser rodeada por casas, dando origem à grande área urbana atual

 

Município de Itajaí: começa processo de perda de territórios

 

De todo modo, a pequena capela ali existente, com cemitério aos fundos, começou a ser rodeada por casas, dando origem à grande área urbana atual. Excelente localização geográfica e boas condições para atracação de barcos foram fundamentais para impulsionar o crescimento acelerado da cidade.

Primeiro, veio gente das proximidades. Não demorou muito e chegaram pessoas de toda a Província de Santa Catarina, de diversos pontos do Brasil e até vindos do exterior. A presença de estrangeiros aumentou a partir dos anos 1850, com a vinda de levas de imigrantes alemães, italianos e poloneses.

Depois de sua emancipação, quem começa a perder território é o Município de Itajaí. O primeiro a se separar é o Município de Blumenau, em 4 de fevereiro de 1880. Neste mesmo ano, acontece uma das piores enchentes já registradas na região, desastre ambiental que vai se repetir diversas vezes.

 

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Fruto da distribuição das florestas e ocupação desordenada do solo, além de muitas outras agressões à natureza, o Vale do Rio Itajaí-Açu torna-se refém da força das águas. Basta aproximar-se a época de chuvas para a população alarmar-se e preparar-se para o pior, temendo as grandes inundações

 

Município de Itajaí: rotina desastrosa das grandes enchentes

 

Fruto da distribuição das florestas e ocupação desordenada do solo, além de muitas outras agressões à natureza, o Vale do Rio Itajaí-Açu torna-se refém da força das águas. Basta aproximar-se a época de chuvas para a população alarmar-se e preparar-se para o pior, temendo as grandes inundações.

Em 23 de março de 1881, acontece a emancipação do Município de Brusque; em 5 de abril de 1884, saem o Município de Camboriú e o Município de Ilhota. Em paralelo à perda de territórios, cresce a proeminência daquela atividade econômica que vai marcar a vida da Cidade de Itajaí daí em diante.

Trata-se do movimento portuário, somando-se navegação fluvial, atividades de pesca e exportação e importação de mercadorias e produtos. O fim da Monarquia e início da República, ocorridos em 15 de novembro de 1889, coincidem com o nascer de novo surto de progresso no Município de Itajaí.

 

Município de Itajaí, abrigo do Homem do Sambaqui, lar dos carijós, orgulho brasileiro

Planta baixa mostrando antiga situação da barra do Rio Itajaí-Açu e canal de acesso ao porto. Com o crescimento do comércio internacional, o uso de trapiches não oferecia condições de atender o movimento de mercadorias. A partir de 1905, são feitos os estudos para novas instalações portuárias

 

Município de Itajaí: movimentação portuária impõe-se em definitivo

 

Com o crescimento do comércio internacional, a proliferação de trapiches ao longo das margens do Rio Itajaí-Açu não oferecia mais condições de atender o movimento de mercadorias. Assim, a partir de 1905, são feitos os primeiros estudos para a definição de instalações portuárias para o Município.

Em 1911, nova enchente causa enorme transtornos à população e todos os segmentos da economia. Os tradicionais, agricultura e comércio, e a indústria dando seus primeiros passos, sofrem prejuízos significativos. Em virtude disso, são tomadas as primeiras atitudes para conter a força das águas.

Em 17 de julho de 1912, tem início a construção do molhe na margem Sul da foz do Rio Itajaí-Açu. Ele fica pronto em 1914, tendo 700 metros de extensão. Em 14 de maio de 1938, começam as obras de cais, de 233 metros de comprimento, pátios pavimentados e primeiro armazém para carga geral.

 

Município de Itajaí, abrigo do Homem do Sambaqui, lar dos carijós, orgulho brasileiro

Em maio de 1938, começam as obras de cais, de 233 metros de comprimento, pátios pavimentados e primeiro armazém para carga geral. Isso foi possível depois que o molhe da margem Sul da foz do Rio Itajaí-Açu ficou pronto, permitindo maior controle sobre a profundidade do canal de acesso

 

Município de Itajaí: consolidação do território apenas em 1962

 

O complemento do píer, totalizando 803 metros, acontece em meados de 1956, ano do início das obras do primeiro armazém frigorífico. Em 21 de junho de 1958, emancipam-se o Município de Luiz Alves e o Município de Penha; por fim, o Município de Navegantes, em 30 de maio de 1962.

A partir da década de 1970, o Município de Itajaí passou por processo de dinamização da economia. Sem deixar de lado a pesca comercial, avançou para novos mercados criados pela industrialização. Aos poucos, adentrou áreas inovadoras, assenhorando-se de setores como armazenagem e logística.

Dissabores não foram poucos. Os maiores causados por enchentes catastróficas. A mais lembrada, entre o final de 1983 e início de 1984. Em novembro de 2008, o Município ficou com 98% do seu território debaixo de água. Em setembro de 2011, um pouco menos: 70%. Quando será a próxima?

 

Município de Itajaí, abrigo do Homem do Sambaqui, lar dos carijós, orgulho brasileiro

Vista da Praia de Cabeçudas, em 1966. A partir da década de 1970, o Município de Itajaí dinamizou economia. Sem deixar de lado a pesca comercial, agregou mercados criados pela industrialização. Aos poucos, adentrou áreas inovadoras, assenhorando-se de setores como armazenagem e logística

 

Município de Itajaí: referência em segmentos econômicos de ponta

 

Apesar disso, o Município de Itajaí tornou-se referência em diversas áreas. Seu porto é o maior exportador de frios do Brasil, o principal do Estado da Santa e Bela Catarina, segundo do País na movimentação de contêineres e responsável pela maior parte das exportações de toda a Região Sul.

Polo da indústria naval, conquistou empresas de montagem automobilística e também de vestuário. E aproveita fortemente a expansão da busca por petróleo e gás em alto mar. A cidade, referência em instalação de empresas, é sede internacional da segunda maior empresa do mundo em alimentos.

Multinacionais e brasileiras instalaram-se na cidade, como Azimut, Brasfrigo, Brasil Foods, Dalçoquio, Detroit, Gomes da Costa, Hypermarcas, JBS, Seara, Klabin, Kowalsky, Multilog, Poly Terminais, Pepsico, Petrobrás, Polymport, Arfrio, Teconvi, Teporti, Votorantim, Weg e outras.

 

Município de Itajaí, abrigo do Homem do Sambaqui, lar dos carijós, orgulho brasileiro

Vista do Centro da Cidade de Itajaí no final dos anos 1970. Município se modernizava, dando os primeiros paços para tornar-se, no início do século XXI, polo da indústria naval, atrair empresas do setor automobilístico, sediar indústrias de vestuário e apoiar a busca por petróleo e gás em alto mar

 

Município de Itajaí: terminal exclusivo para navios de cruzeiros

 

Além disso, é um dos poucos portos brasileiros que tem um terminal exclusivo para receber navios de cruzeiro. Com o final dos serviços de dragagem do canal de acesso na foz do Rio Itajaí-Açu, estará habilitado a ancorar os maiores do mundo, dinamizando os serviços de turismo na cidade.

O Município detém o segundo maior Produto Interno Bruto — PIB do Estado da Santa e Bela Catarina. Isso decorre de setores econômicos importantes, como atividades de pesca, complexo portuário, construção civil, especialidades de logística, segmentos industriais e serviços aduaneiros.

Tudo isso vem contribuindo para o Município de Itajaí adentrar o século XXI, anos 2000, exibindo economia sólida e um padrão de qualidade de vida relativamente alto. Patamares alcançados com o esforço e o trabalho de uma população buscando honrar as heranças deixadas pelos seus ancestrais.

 

Município de Itajaí, abrigo do Homem do Sambaqui, lar dos carijós, orgulho brasileiro

Um grande diferencial do Porto de Itajaí é o seu terminal exclusivo para receber navios de cruzeiro. Com o final dos serviços de dragagem do canal de acesso na foz do Rio Itajaí-Açu, estará habilitado a ancorar os maiores do mundo, dinamizando ainda mais os serviços de turismo na cidade e região

 


 

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A repetição das expressões “Cidade de Itajaí” e “Município de Itajaí” é intencional. Elas são as principais palavras-chave dos conteúdos. Colocá-las várias vezes na postagem faz parte das técnicas de Search Engine Optimization — SEO, ou otimização para ferramentas de busca. Ajuda a destacar o trabalho na lista apresentada quando se pesquisa com Bing, Google ou Yahoo.

Nos meus textos de divulgação de turismo, adotei o critério de, ao citar uma cidade, ou de um Estado, fazê-lo em conjunto com seus apelidos. Exemplo:  Estado de Santa e Bela Catarina.

Produzido a partir de conhecimentos gerais do autor e apoiado no trabalho do professor Édson d’Ávila, disponível no site da Prefeitura de Itajaí, além de pesquisas na Internet, principalmente Wikipedia e espaços do Governo do Estado de Santa e Bela Catarina, Município de Itajaí e entidades ligadas à história e ao turismo do território catarinense presentes na Web. Não é um trabalho científico, podendo apresentar erros. Se eles forem apontados, reeditarei o material com as correções.

Todas as fotos têm origem identificada. Se o autor de algumas delas discordar do seu uso, basta avisar que será substituída.

Material produzido a partir da participação na edição 2017 da BNT Mercosul, realizada de 25 a 28 de maio, no Município de Balneário Camboriú, Município de Itajaí e Município de Penha, todos situados na costa Nordeste do Estado da Santa e Bela Catarina.