Cidade foi fundada em 1778 para ajudar proteger fronteira Oeste do Brasil. No início, viveu de economia extrativista, sobreviveu à estagnação e à Guerra do Paraguai. Nos últimos 50 anos, virou polo de pecuária e caminha para dar salto de industrialização.

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

 

Cidade de Cáceres: do isolamento ao crescimento

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

Vista aérea da área urbana da Cidade de Cáceres, a Princesinha do Pantanal, com o Rio Paraguai em primeiro plano, cruzado pela Ponte Marechal Rondon. O Município, forte na pecuária de gado de corte, destaca-se agora mundialmente na criação de jacaré em cativeiro

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

O Município de Cáceres, com cerca de 90 mil habitantes, está situado a Sudoeste, no Estado do Mato Grasso, fazendo fronteira com a Bolívia. O Centro da cidade está distante 220 quilômetros da capital, a Cidade Verde de Cuiabá, percorridos todos eles em estrada asfaltada

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

A Vila Maria do Paraguai, povoação origem da hoje Cidade Princesinha do Pantanal de Cáceres, foi fundada em 6 de outubro de 1778. São quase 230 anos de história, iniciados numa fase de isolamento quase total, pois o acesso se dava apenas navegando pelo Rio Paraguai

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

A ordem para fundar a Vila Maria do Paraguai partiu do quarto governador da Capitania do Mato Grosso, Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres. E tinha por objetivo maior proteger a fronteira Oeste do Brasil, ocupando com população enormes extensões de terra

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

A Guerra da Tríplice Fronteira, ou Guerra do Paraguai, chamou atenção do Governo para a necessidade de ser fazer maiores investimentos na região Oeste do País. Assim, surge um novo surto de progresso, principalmente com a ampliação da navegação pelo Rio Paraguai

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

O incremento da agricultura e da pecuária levou à instalação das primeiras indústrias, como unidades de processamento de carne e usinas de açúcar. Durante o século XIX, anos 1800, destacou-se a Fazenda Jacobina, maior propriedade rural da Província de Mato Grosso

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

O Marco do Jauru, assentado em frente à Igreja Matriz da Cidade Princesinha do Pantanal de Cáceres, chama atenção para o Tratado de Madri, de 1750, acordo diplomático entre Espanha e Portugal, definidor das fronteiras situadas a Oeste do território brasileiro

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

A assinatura da Lei Áurea, pela princesa Isabel, em 23 de maio de 1888, acabando com a escravidão no Brasil, levou à decadência as principais fazendas situadas no atual Município de Cáceres, todas dependentes da mão de obra dos negros cativos para tocar a produção

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

Em 1914, o então Município de São Luís de Cáceres recebeu a visita do ex-presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt. Junto a um grande grupo, ele cruzou o Oeste do Brasil em expedição guiada pelo marechal Cândido Mariano da Silva Rondon.

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

No início de 1927, a região do Município de Cáceres e os arredores da cidade foram cruzadas pelos integrantes da Coluna Prestes, provocando a fuga de muitos moradores. Um dos líderes daqueles revoltosos, seguindo para asilo na Bolívia, Luís Carlos Prestes, está assinalado

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

Também no início do ano de 1927, a Cidade Princesinha do Pantanal de Cáceres assistiu o pouso do hidroavião Santa Maria, assim batizado em homenagem à caravela de Cristóvão Colombo. Um dos seus pilotos era o oficial do Exército da Itália, Francesco de Penedo

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

No início do século XX, anos 1900, as expedições do marechal Cândido Mariano da Silva Rondon reduzem o isolamento do Centro-Oeste brasileiro, com a implantação de linhas de telégrafos. Também são construídas as primeiras ligações rodoviárias em direção à capital

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

Em 1919, começa a construção da Catedral de São Luís, interrompida várias vezes, concluída meio século depois, em 1965. Hoje, a igreja é a edificação mais imponente da Cidade Princesinha do Pantanal de Cáceres, tendo arquitetura simples, sem rebuscamentos

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

No início dos anos 1960, é inaugurada a Ponte Marechal Rondon, sobre o Rio Paraguai, facilitando as viagens em direção ao Noroeste do Estado de Mato Grosso e Sul da Região Amazônica. E levas de imigrantes começam a chegar, para expandir as fronteiras agrícolas

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

A pecuária se mantém como principal atividade econômica, com um dos maiores rebanhos da Nação. O gado leiteiro abastece 15 laticínios; o de corte, o abate diário de cinco mil cabeças em cinco frigoríficos. Três curtumes fazem os primeiros beneficiamentos de couro

 

Município de Cáceres, Estado do Mato Grosso: 230 anos de histórias e vitórias

O surgimento e o crescimento de uma nova atividade econômica têm chamado a atenção: a criação do jacaré-do-Pantanal em cativeiro está projetando de modo positivo o nome do Município de Cáceres no mundo. E o sabor exótico desta carne impacta a gastronomia local

 

 Cidade de Cáceres: Princesinha do Pantanal

 

A cidade de Cáceres, centro de um dos 144 Municípios que compõem o Estado do Mato Grosso, também conhecida como Princesinha do Pantanal. Situado a Sudoeste, e fazendo fronteira com a Bolívia, está distante 220 quilômetros da capital, a cidade de Cuiabá. A população de 90 mil habitantes está concentrada nas áreas urbanas de seus quatro distritos: a sede Cáceres e mais Horizonte d’Oeste, Santo Antônio do Caramujo e Vila Aparecida.

Ela caminha para completar 230 anos, uma vez que a pequena vila que deu origem ao atual Município de Cáceres nasceu em 6 de outubro de 1778, fundada pelo tenente dos Dragões, o Exército do Brasil Colônia, Antônio Pinto Rego e Carvalho. O ato foi por determinação do quarto governador da Capitania de Mato Grosso, Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres. Seu primeiro nome, Vila Maria do Paraguai, era homenagem à rainha de Portugal.

As razões para a criação do povoado foram a necessidade de defesa da fronteira sudoeste do País, através do incremento da ocupação por brasileiros de toda aquela imensa área. O isolamento só era quebrado pela comunicação com a então capital da Capitania, Vila Bela da Santíssima Trindade, e a, naquela época, Vila de Cuiabá, feita apenas pelo Rio Paraguai. Dali, a integração com o resto do território era alcançada a partir da Capitania de São Paulo.

 

Cidade de Cáceres: investimentos final século XIX

 

Nos seus primórdios, era uma aldeia centrada em torno da Igrejinha de São Luiz de França, assim batizada em referência a Luís IX, rei da França. A estagnação da economia local só muda a partir do final da Guerra do Paraguai, ou Guerra da Tríplice Aliança, ocorrida entre 1864 e 1869. O conflito, chamando atenção mais ainda para a importância de se proteger a extensão Oeste brasileira, levou o Governo central a canalizar investimentos para a região.

O progresso é ampliado a partir do início do Século XIX, anos 1800, devido ao crescimento da navegação fluvial, impulsionado pelo surgimento de forte economia extrativista. Esta era baseada na criação de gado, na extração de látex para a produção de borracha e na coleta do “Ouro Negro da Floresta”: raízes de Ipecacuanha, conhecida como “Raiz do Brasil”, das quais eram produzidos extratos medicinais muito populares na Europa naqueles momentos.

Como não havia ligações por terra confiáveis, tudo continuava sendo transportado através do Rio Paraguai e seus afluentes. Mesmo com todas essas dificuldades, o comércio foi se desenvolvendo, principalmente com a Vila de Corumbá e a Vila de Cuiabá. Barcos, lanchas e navios partiam levando borracha, charque, couro e madeira e retornavam carregados de itens vindos do exterior: artigos industrializados e produtos finos: cristais, louças, sedas etc.

 

Cidade de Cáres: auge da Fazenda Jacobina

 

O incremento das atividades na agricultura e na pecuária levou à instalação das primeiras indústrias, como unidades de processamento de carne e usinas de açúcar. Foi por esta época que passou a destacar-se a Fazenda Jacobina, maior propriedade rural da, agora, Província de Mato Grosso, tanto em termos de área quanto de produção. Mesmo distante dos grandes centros de negócios do Brasil, tratava diretamente com clientes do mercado internacional.

Seus proprietários eram tão poderosos que, em 1838, abrigaram Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira Barroso, líder da fracassada Revolta da Sabinada, ocorrida na Província da Bahia, impedindo que fosse recapturado pelas forças do Governo. Lá, ele viveu protegido até à sua morte, no Natal de 1846. Mas, por utilizar mão de obra de negros cativos em larga escala, entrou em decadência a partir de 1888, com a Lei Áurea e a abolição da escravatura.

Em 1860, a Vila Maria do Paraguai contava com Câmara Municipal. Em 1874, foi elevada à categoria de cidade, com o nome de São Luiz de Cáceres, em homenagem ao padroeiro e ao fundador da cidade. Em fevereiro de 1883, foi assentado na Praça da Matriz, atual Praça Barão do Rio Branco, o Marco do Jauru, comemorativo do Tratado de Madrid, de 1750, o acordo assinado com a Espanha definindo praticamente as atuais fronteiras da nossa Nação.

 

Cidade de Cáceres: ex-presidente norte-americano

 

Em 1914, o agora Município de São Luís de Cáceres recebeu a visita do ex-presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt. Ele cruzava o Centro-Oeste do Brasil sendo guiado pelo marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. Relatos dão conta de que Roosevelt ficou encantado com o comércio local, cujo carro-chefe era a loja Ao Anjo da Ventura, de propriedade da firma José Dulce & Cia, também dona de um vapor, o Etrúria.

As expedições empreendidas pelo marechal Cândido Mariano da Silva Rondon reduzem o isolamento do Centro-Oeste brasileiro, com a implantação de linhas de telégrafos. Também são implantadas as primeiras ligações rodoviárias em direção à capital, a cidade de Cuiabá, e outras localidades, e em direção ao Sul do Brasil. Em 1919, é iniciada a construção da Catedral de São Luís, interrompida várias vezes, concluída meio século depois, em 1965.

No início de 1927, a cidade de Cáceres presenciou dois acontecimentos marcantes: primeiro, a passagem da Coluna Prestes por seus arredores, provocando a fuga de muitos moradores; e, depois, o pouso, nas águas do Rio Paraguai, do hidroavião italiano Santa Maria, primeiro a sobrevoar o Estado do Mato Grosso e a cruzar a Floresta Amazônica. Em 1938, muda sua denominação outra vez, agora, para apenas Município de Cáceres.

 

Cidade de Cáceres: Ponte Marechal Rondon, anos 1960

 

A partir dos anos 1940, os avanços passam a ser mais aceleradas. No início dos anos 1960, é inaugurada a Ponte Marechal Rondon, sobre o Rio Paraguai, facilitando a expansão em direção ao Noroeste do Estado de Mato Grosso e Sul da Região Amazônica. Os Governos Militares, entre 1964 e 1985, incentivam a expansão das fronteiras agrícola e pecuária. Uma leva de migrantes vindos de diversas partes do País muda a vida no Município de Cáceres.

De local pacato, quase parado no tempo, é invadido por uma vida acelerada, com suas ruas e vias tomadas por gente sempre apressada. Este crescimento populacional acelerado leva à perda de territórios, com a emancipação dos distritos de Araputanga, Figueirópolis d’Oeste, Jauru, Lambari d’Oeste, Mirassol d’Oeste, Porto Esperidião, Porto Estrela, Reserva do Cabaçal, Rio Branco, Salto do Céu e São José dos Quatro, formando novos Municípios.

A pecuária ainda se mantém como a principal atividade econômica, apresentando um dos maiores rebanhos da Nação. O gado leiteiro abastece 15 laticínios; o de corte atende ao abate diário de cinco mil cabeças em cinco frigoríficos. Três curtumes fornecem produtos às empresas de beneficiamento de couro. Extensas plantações de cana de açúcar produzem matéria prima suficiente para duas usinas gerarem 85 milhões de litros de etanol por ano.

 

Cidade de Cáceres: gastronomia com carne de jacaré

 

Há, ainda, 20 mil hectares de reflorestamentos com teca, tipo de madeira especial para a construção naval. Continuam fortes a extração de látex destinado à indústria de borracha natural e a produção mineral de calcário e brita. Entretanto, o surgimento e o crescimento de uma atividade inusitada têm chamado a atenção: a criação do jacaré-do-Pantanal em cativeiro está projetando de modo positivo o nome do Município de Cáceres no mundo.

Atualmente, além de três criatórios, há um frigorífico especializado — aliás, o único em toda a América Latina, e com o selo do Serviço de Inspeção Federal — SIF, permitindo vender a carne em todo o território nacional e para outros países — e um curtume voltado ao beneficiamento do couro, item de grande procura em todo o mundo. A gastronomia local vive um boom em termos de criação de delícias, todas com o charme do sabor exótico.

Um novo salto de desenvolvimento está iniciado. Trata-se da Zona de Processamento de Exportação — ZPE, área de livre comércio destinada a unidades voltadas à produção de itens a serem comercializados no mercado externo. A ZPE do Município de Cáceres vai atrair investimentos, principalmente dos países vizinhos, situados ao longo da Cordilheira dos Andes, e gerar 10.500 postos de trabalho diretos e indiretos com sua implantação.

 


 

Matéria desenvolvida a partir dos seguintes investimentos do Governo do Estado do Mato Grosso:

• Participação no fampress de jornalistas brasileiros e estrangeiros, dias 16 a 19 de abril de 2016, pelos seguintes destinos do Estado do Mato Grosso: Município de Cáceres, Município de Chapada dos Guimarães, Município de Campo Novo dos Parecis, Município de Cuiabá,Município de Jaciara e Município de Nobres; e,

• Acompanhamento da Feira Internacional de Turismo do Pantanal — FIT Pantanal 2016, dias 20 a 24 de abril, no Centro de Eventos do Pantanal, na cidade de Cuiabá, capital do Estado.