Cidade de Belo Horizonte recebe prefeito fora do comum. Juscelino Kubitschek planeja ocupação ao redor da Lagoa da Pampulha com bairro de alta renda. Concurso de projetos não traz soluções buscadas por ele. Nasce uma nova estrela na Arquitetura mundial: o brasileiro Oscar Niemeyer.

 

Margens da Lagoa da Pampulha ganham edificações com arquitetura inovadora

 

Prefeito Juscelino Kubitschek mantém projetos do antecessor

 

Em 23 de outubro de 1940, assume como prefeito da Cidade de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, um nome que vai marcar a história moderna do Brasil: Juscelino Kubitschek. Ao contrário do usual nos dias atuais, JK, como ficou conhecido, continuou os projetos iniciados pelo antecessor, Otacílio Negrão de Lima. Mas uma de suas principais preocupações no seu início de mandato era organizar a expansão urbana no Município.

Com este objetivo, contratou um dos maiores especialistas da época, o urbanista francês Alfred Agache. Ao final de seus estudos, em seu relatório de trabalho, o profissional listou suas sugestões. Uma delas chamou bastante a atenção de JK, pois estava parcialmente de acordo com sua imaginação: construir uma cidade-satélite na região da Pampulha. Agache sugeria atender a população carente; entretanto, JK via ali um local para a renda mais alta.

O prefeito vislumbrava para a orla da Lagoa da Pampulha um bairro planejado, com uma sofisticada infraestrutura de lazer, capaz de oferecer opções voltadas ao turismo. Enquanto planejava a melhor forma para encontrar um projeto de acordo com seus pensamentos, deu partida às providências para ampliar e melhorar os acessos àquela região, ainda bastantes problemáticos. E também para tirar do papel a grande avenida ao redor do espelho d’água.

 

Margens da Lagoa da Pampulha ganham edificações com arquitetura inovadora

Ao assumir a Prefeitura do Município de Belo Horizonte, o prefeito Juscelino Kubitschek deu partida a um programa de reorganização da ocupação urbana da cidade. Com isso, projetou para o entorno da Lagoa da Pampulha um bairro voltado a famílias de renda alta

 

Oscar Niemeyer torna realidade sonhos de Juscelino Kubitschek

 

Buscando encontrar um ou mais arquitetos capazes para tornar suas idealizações realidade, JK promoveu concurso público para a escolha do melhor projeto. Entretanto, nenhum dos inscritos conseguiu materializar os conceitos modernos que o prefeito intencionava para a Pampulha. Sabedor desse problema, um dos seus diversos amigos da política, o carioca Gustavo Capanema, ministro da Educação durante a Ditadura Vargas, fez uma indicação.

Um jovem arquiteto brasileiro, integrante do grupo liderado pelo francês Charles-Edouard Jenneret-Gris, conhecido como Le Corbusier, autor do belíssimo desenho do Ministério da Educação, construído na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, então Capital Federal da Nação brasileira: Oscar Niemeyer. Diante das descrições feitas por Gustavo Capanema, JK anteviu naquele profissional desconhecido, em início de carreira, a solução dos problemas.

Parece até escritor nas estrelas, mas foi só os dois se encontrarem e conversaram por pouco tempo para encontrar sinergia de pensamentos. JK tinha estabelecido construir na região, de início, apenas cinco equipamentos: cassino, espaço para eventos, iate clube, hotel e templo católico — este último em virtude da força representada por esta denominação religiosa na tradicional família mineira. E, como bom político, não podia desprezar este seu eleitorado

Prontos, principalmente cassino e hotel, seriam chamarizes para turistas; o clube e a igreja, para novos moradores. Nem bem JK explicara suas intenções, Oscar Niemeyer concordou de imediato. E foi colocado contra a parede: “Olha! Preciso do projeto do cassino amanhã” — disse JK. “Eu, jovem, tinha de fazer. Fui para o hotel, trabalhei a noite inteira e entreguei no dia seguinte. Ali realmente foi o início da minha arquitetura — revelou Oscar Niemeyer.

 

Margens da Lagoa da Pampulha ganham edificações com arquitetura inovadora

O arquiteto Oscar Niemeyer e o edifício do Ministério da Educação, projeto no qual, trabalhando ao lado do arquiteto francês Le Corbusier, aprendeu os princípios de uma Arquitetura moderna, e isso influenciou todas as suas criações daí em diante

 

Arquiteto sugere quatro edificações junto às margens da Lagoa

 

Como Oscar Niemeyer não era, e nunca foi, um urbanista, e sim um escultor de edificações, pouco interferiu no planejamento das vias de circulação projetadas para aqueles espaços. Consultando plantas que traduziam os relevos dos terrenos do entorno, e visitando o local, definiu os pontos mais adequados para receber todos os elementos indutores do processo de urbanização então almejado por JK. Quatro deles estavam localizados às margens da lagoa.

Assim, fez uma sugestão, imediatamente entendida e aceita por JK, de posicionar quatro daqueles elementos naquelas posições. Além de gerar uma integração visual, poderiam ser alcançadas cruzando-se a superfície de água de um lado a outro, muito interessante para incrementar o turismo. Completou a ideia definindo o que deveria ficar em cada ponto, ficando fora o hotel, uma vez os espaços não tinham dimensões suficientes para abrigá-lo.

Tendo carta branca para trabalhar, não demorou muito para tudo ser passado para o papel. Assim nasceram Casa de Baile, Cassino e Iate Golfe Clube — todos projetos arrojados e inovadores para a época —, mas nenhum com o impacto de concepção da Igreja de São Francisco de Assis. Usando termo em voga nos dias atuais, tudo nela foi disruptivo em termos de arquitetura de templos religiosos naquele momento: dimensões, forma, visual…

 

Margens da Lagoa da Pampulha ganham edificações com arquitetura inovadora

Croquis de Oscar Niemeyer, apresentado ao prefeito Juscelino Kubitscheck, mostrando o posicionamento de quatro dos cinco prédios a serem erguidos no entorno da Lagoa da Pampulha: Casa do Baile, Cassino, Iate Golfe Clube e Igreja São Francisco de Assis

 

Jardins planejados, painéis decorativos e esculturas modernas

 

Os quatro prédios foram erguidos praticamente ao mesmo tempo, de 1941 a 1943. Prontos, seus interiores eram decorados com painéis de Cândido Portinari. Em volta, jardins criados por Roberto Burle Marx e esculturas de Alfredo Ceschiatti —ainda pouco conhecidos tanto no Brasil quanto no exterior. A expectativa da população da Cidade de Belo Horizonte com o resultado do trabalho era tanta que compareceram mais de 20 mil pessoas à inauguração.

Era o dia 16 de março de 1943, e o destaque dado pela imprensa exibia ao País e ao mundo não só o trabalho de grandes profissionais brasileiros, mas o espírito empreendedor de um homem público sem igual no espectro político da Nação: Juscelino Kubitschek. Dali, ele se tornaria governador do Estado de Minas Gerais e, depois, presidente da República. Em seus cinco anos de mandato, fez o Brasil avançar 50, conforme prometeu durante sua campanha.

Na campanha para a Presidência, discursando no interior do Estado de Goiás, foi desafiado por um eleitor. Este queria saber se, JK eleito, cumpriria fielmente a Constituição. JK disse que sim, sendo retrucado: “Então, vai transferir a Capital Federal para cá, conforme está nas disposições transitórias da Carta?” Percebendo ali a oportunidade de liderar uma grande realização, JK foi incisivo: “Antes do final do meu mandato, a Capital estará transferida.”

Pampulha ganharia prestígio ainda maior, ao ser considerada por Oscar Niemeyer como um ensaio útil para o trabalho feito na nova Capital Federal. “Pampulha foi o início de Brasília, os mesmos problemas, a mesma correria, o mesmo entusiasmo. E seu êxito influiu, com certeza, na determinação com que JK construiu a nova capital”. Esta revelação, manuscrita numa das paredes da Casa do Baile, agora também é parte de toda a riqueza ali preservada.

 

Margens da Lagoa da Pampulha ganham edificações com arquitetura inovadora

O prefeito Juscelino Kubitschek, à frente, à esquerda do senhor vestido de branco, e autoridades inspecionando o vertedouro de controle do nível de água da represa da Lagoa da Pampulha. Logo após ele deixar o cargo, descaso e problemas na construção levam à ruptura da barragem

 

Brasileiros também criadores do Conjunto Moderno da Pampulha

 

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O escultor Alfredo Ceschiatti descobriu sua vocação em viagem pela Itália. Retornando ao Brasil, fixou-se na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro. Suas mulheres abraçadas, nos jardins do Museu de Arte da Pampulha, considerada imoral, ficou guardada muitos anos

 

Margens da Lagoa da Pampulha ganham edificações com arquitetura inovadora

Cândido Torquato Portinari é considerado um dos artistas mais prestigiados do Brasil no exterior, e também aquele a alcançar maior projeção internacional. Dono de uma rica produção, suas quase cinco mil obras vão de pequenos esboços até gigantescos murais

 

Margens da Lagoa da Pampulha ganham edificações com arquitetura inovadora

O arquiteto-paisagista Roberto Burle Marx é outro artista plástico brasileiro renomado em todo o mundo. Morou na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, onde estão localizados seus principais trabalhos, embora sua obra possa ser encontrada ao redor de todo o planeta

 

Detalhes da construção da Casa do Baile

 

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Detalhes da construção do Cassino

 

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Detalhes da construção do Iate Golf Clube

 

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Detalhes da construção da Igreja de São Francisco de Assis

 

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Esta é a matéria 2 de 5. As outras complementam o assunto aqui tratado. Então, se puder, leia também:

 

Matéria 1

Ocupação da região da Pampulha remonta aos primórdios do século XVII, anos 1600

Matéria 3

Sucesso da Pampulha acaba contribuindo para a degradação ambiental e urbana

Matéria 4

Título de Patrimônio Mundial amplia as possibilidades de preservação e proteção

Matéria 5

Obra-prima da genialidade de brasileiros reconhecida pela comunidade internacional

 


 

Clique nos trechos em colorido ao longo do texto para abrir novas guias, com informações complementares ao aqui sendo tratado. Eles guardam links levando para a versão digital do documento “Conjunto Moderna da Pampulha — Patrimônio Cultural da Humanidade”, verbetes da Wikipedia e sites de empresas, entidades, Governos estaduais, Prefeituras etc.

A repetição da expressão “Conjunto Moderno da Pampulha” é intencional. Ela é a principal palavra-chave dos conteúdos. Colocá-la várias vezes na postagem faz parte das técnicas de Search Engine Optimization — SEO, ou otimização para ferramentas de busca. Ajuda a destacar o trabalho na lista apresentada quando se pesquisa com Bing, Google ou Yahoo.

Nos meus textos de divulgação de turismo, adotei o critério de, ao citar uma cidade, fazê-lo em conjunto com seus apelidos. Exemplos: Cidade Atenas Brasileira de São Luís, Cidade das Mangueiras de Belém, Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, Cidade Presépio de Vitória etc. E, também, Estado de Santa e Bela Catarina e Estado do Espírito Belo e Santo.

Produzido a partir de conhecimentos gerais do autor e pesquisas na Internet, principalmente Wikipedia e sites do Governo do Estado de Minas Gerais, Município de Belo Horizonte e entidades ligadas à história e ao turismo do território mineiro. Não é um trabalho científico, podendo apresentar erros. Se eles forem apontados, reeditarei o material com as correções.