Desconhecedores dos 70 anos de vida da montadora de ônibus Marcopolo perguntam: “Como é possível uma empresa brasileira, fora do eixo dos grandes centros, alcançar tanta admiração internacional?” Um pouco dessa trajetória de sete décadas, com enorme sucesso, tanto em texto quanto em imagens, está resumido a seguir.

 

Marcopolo: parte importante da história do ônibus no Brasil

 

Até o final do século XIX, anos 1800, deslocamento terrestre de pessoas, pelo Brasil, no interior ou cidades, era andando pé, sobre lombo de animais, carregadas pelos escravos ou acotovelando-se a bordo de belas carruagens, esbeltas charretes e toscas carroças.

A partir dos anos 1880, somaram-se dois outros meios de locomoção: trem a vapor, nas ligações entre Municípios e de Estado para Estado, e bondes tracionados por animais, primeiro, e eletricidade, logo após — estes últimos, apenas nos grandes centros urbanos.

O transporte público de passageiros por autocarros surgiu em 11 de agosto de 1908, na Cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal. A primeira linha regular a rodar pelas ruas da capital do País usou modelos bem simples, para 10 passageiros, todos sentados.

Os veículos foram batizados como ônibus. Essa denominação veio de termo em Latim “ominibus”, com significado de “para todos”. Afinal, mediante pagamento de trocados, sem nenhuma distinção social, qualquer um podia embarcar e seguir até o seu destino.

 

A partir dos anos 1880, somaram-se dois outros meios de locomoção: trem a vapor, nas ligações entre Municípios e de Estado para Estado, e bondes tracionados por animais, primeiro, e eletricidade, logo após — estes últimos, apenas nos grandes centros urbanos

 

Marcopolo: transporte coletivo fruto da urbanização crescente

 

Logo, ônibus também começou a ser usado em percursos mais longos. Primeiro, rotas intermunicipais; mais tarde, interestaduais. Nestas últimas, passaram a tirar espaço dos paus de arara — caminhões cujas carrocerias dispunham de fileiras bancos de madeira.

No avanço das primeiras décadas do século XX — anos 1910, 1920, 1930… —, alguns fatores foram se sobrepondo e dando prioridade ao ônibus no transporte de passageiros. E isso ocorreu sem interferência de qualquer Lenda Urbana ou Teoria de Conspiração.

O crescimento da urbanização do País foi um. Mesmo lento, acontecia, estendendo os limites das cidades. Ficava difícil atender os novos bairros com extensões das linhas de bondes. Era bem mais rápido, simples e barato fazer isso criando itinerários de ônibus.

A interiorização da ocupação na Nação, outro. Mesmo lenta, acontecia, avançando com a fronteira agrícola. Até dava para atender boa parte dessa demanda com ampliação da malha de ferrovias em operação pelo território nacional. Mas surge aí o terceiro fator.

A falência do sistema de transporte ferroviário de cargas e de passageiros existente. E ela foi materializada a partir do início dos anos 1930, com o vencimento das concessões de exploração do serviço iniciadas em 1880 — todas licitadas sobre prazos de 50 anos.

Ao final dos períodos de meio século, o patrimônio físico — estações, equipamentos, linhas, locomotivas, pontes, vagões etc. — passariam à propriedade dos Governos. E estes deveriam fazer novas concorrências, mantendo particulares à frente das operações.

Em vez disso, assumiram também os empregados, transformando as companhias em empresas estatais, e os colaboradores, em funcionários públicos. No início da década de 1940, a derrocada já instalada, o transporte foi transferindo-se para o modal rodoviário.

 

O crescimento da urbanização do Brasil, a interiorização da ocupação do País e a falência do sistema de transporte ferroviário de cargas e de passageiros existente na Nação impulsionaram o modal rodoviário, incentivando a utilização do ônibus

 

Marcopolo: operador importava ou mandava montar o ônibus

 

Diante da ampliação do número de caminhões rodando pelas péssimas estradas então existentes, cresceu a busca por serviços de manutenção e reparos. Era um bom negócio abrir oficinas para acertar motores, consertar suspensões, reformar veículos e bem mais.

Quatro irmãos, descendentes de italianos, na Cidade de Caxias do Sul, situada na Serra Gaúcha, região de montanhas a Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, aproveitaram isso e montaram uma oficina especializada em reparar e pintar cabines de caminhões.

Logo, Doracy Nicola, Dorval Nicola, João Nicola e Nélson Nicola ficaram conhecidos por toda a região pela maestria dos serviços prestados com qualidade, responsabilidade e, principalmente, no prazo estabelecido — afinal, caminhão parado, prejuízo dobrado.

Naquela época, como não havia empresa especializada na produção de ônibus no Brasil, os operadores de transporte de passageiros tinham duas opções: importar os veículos ou convencer alguém dentro da Nação a montar — solução mais em conta e mais rápida.

 

Até meados do século XX, anos 1900, não havia empresa especializada na produção de ônibus no Brasil. Assim, operadores de transporte de passageiros tinham duas opções: importar os convencer alguém a montar — essa última era a solução bem mais em conta

 

Marcopolo: transformar caminhão velho em ônibus novo

 

Para isso, era preciso encontrar gente especializada, capaz de transformar um caminhão aberto num veículo com teto e laterais fechadas, estas adornadas por janelas corrediças, para controlar entrada de poeira e chuva, e com vidros transparentes, para passar a luz.

O acesso ao interior do mesmo deveria se dar por porta e escada situadas na dianteira. Ao entrar, o passageiro via fileiras de bancos assentados em paralelo, organizados dois a dois, e espaços para se locomover e guardar bolsas, malas, sacolas e outros itens mais.

Assim, não bastava conhecer mecânica profundamente. Era mais útil dominar a arte da funilaria, ter capacidade de construir o invólucro de metal e madeira capaz de acomodar toda aquela estrutura — além de assentá-lo com segurança sobre o chassi de caminhão.

 

Interessado precisava encontrar gente especializada, capaz de transformar um caminhão aberto num veículo com teto e laterais fechadas, estas adornadas por janelas corrediças, para controlar entrada de poeira e chuva, e com vidros transparentes, para passar a luz

 

Marcopolo: interessados procuram a oficina dos irmãos Nicola

 

Como os irmãos Nicola tinham este tipo de expertise, começaram a ser procurados para produzir ônibus. Interessados pela atividade, vendo futuro naquele negócio, fundaram a Carrocerias Nicola, associados a mais oito sócios, descendentes de imigrantes alemães.

Sem seus criadores perceberem, montam uma empresa focada num lema: inovação é caminho para progresso. Lá, perdidos no interior do Brasil, fora dos grandes centros, não se dão conta de terem como opção natural aprimoramento, expansão e tecnologia.

Quando a empresa foi registrada, em 6 de agosto de 1949, já produziam para o primeiro cliente: Empresa Pérola de Transportes Pérola, pioneira na oferta dos serviços de ônibus na Cidade de Caxias do Sul — e, melhor: não queria só um, e sim vários, todos iguais.

 

Quando os irmãos Nicola registraram a empresa, em 6 de agosto de 1949, já produziam para a Empresa Pérola de Transportes, pioneira nos serviços de ônibus da Cidade de Caxias do Sul — e o melhor: não queria apenas um e pronto, mas vários, todos iguais

 

Marcopolo: instalações precárias, em galpão com piso de terra

 

Ou seja: aquela carroceria feita de madeira, assentada sobre chassi de caminhão, toda montada de forma manual, levando tempo enorme para ficar pronta, seria a origem de uma série. Sob hipótese alguma podia-se perder o contrato por falhas de atendimento.

Com instalações em galpão com piso de terra, na Rua 13 de Maio, Centro da Cidade de Caxias do Sul, além dos técnicos tradicionais na atividade — os funileiros, mecânicos, metalúrgicos, pintores, soldadores… —, contrataram mais dois, para funções especiais.

Um, recém-formado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial — Senai, para desenhar projetos. Outro, mestre em Carpintaria, pois boa parte do interior dos veículos era em madeira: piso, forros das laterais, estrutura dos bancos, suportes para bagagens…

 

Com instalações em galpão com piso de terra, na Rua 13 de Maio, Centro da Cidade de Caxias do Sul, trabalho mostrou-se verdadeira aventura; ninguém sabia se iria dar certo ao final. Tudo foi feito no olho, pois não havia ferramentas, gabaritos, padrões etc.

 

Marcopolo: montagem no olho, pois não havia parâmetros

 

O trabalho mostrou-se verdadeira aventura; ninguém sabia se iria dar certo ao final. Pegava-se um caminhão, geralmente usado, tirava tudo de cima do chassi e começava um jogo de montar. Feito no olho, pois não havia ferramentas, gabaritos, padrões etc.

Aos trancos e barrancos, três meses depois, estava pronto. O produto final apresentou-se cheio de defeitos. Mas, por não haver parâmetros de mercado, o comprador não reparou de imediato. Pelo contrário: saiu da oficina dirigindo a trapizonga felicíssimo da vida.

Voltou lá várias vezes, buscando ajustar problemas — situação de muito aprendizado para a equipe das Carrocerias Nicola. As reclamações podiam ser inúmeras, mas sempre eram resolvidas dentro da melhor boa vontade, como num inovador sistema de garantia.

Desalinhamentos dos eixos geravam desgastes excessivos dos pneus; vedações falhas deixavam entrar água de chuva dentro dos carros; bancos não suportavam a trepidação do veículo e peso dos passageiros, quebrando praticamente a cada viagem; e por aí vai.

 

Aos trancos e barrancos, três meses depois, estava pronto. O produto final saía cheio de defeitos. Mas, por não haver parâmetros de mercado, os compradores não reparavam de imediato. Pelo contrário: saiam da oficina dirigindo as trapizongas felicíssimos da vida

 

Marcopolo: benchmarking em concorrentes, na Rodoviária

 

Mesmo diante de todas essas dificuldades, a Carrocerias Nicola fixou-se na atividade. Não demorou para despontar no mercado frente a diversos concorrentes; alguns com mais tempo de atuação e nome respeitado; outros praticamente seus contemporâneos.

Uma era a Carrocerias Elizário, da Cidade de Porto Alegre, a capital do Estado do Rio Grande do Sul. Outra, a Companhia Americana Industrial de Ônibus — Caio, agora batizada por Caio Induscar, da Cidade de São Paulo, capital do Estado de São Paulo.

A mais importante: Carrocerias Ciferal, da Cidade do Rio de Janeiro. Fazia os ônibus mais avançados na época. Era comum ver os irmãos Nicola na Rodoviária da Cidade de Caxias do Sul, quando avisados sobre a chegada de um Ciferal, para estudar o produto.

Deitavam ao chão e insinuavam-se por debaixo dos veículos, observando a fixação da estrutura ao chassi. Pediam licença aos motoristas para ver por dentro: movimentação da porta, escada de acesso, materiais das poltronas, detalhes das janelas, iluminação…

Na verdade, praticavam um benchmarking primitivo, copiando soluções dos melhores. E essa modalidade de captar tecnologia para aprimorar a produção vai ser comum ao longo dos momentos iniciais da empresa. Não era ético, mas todos faziam o mesmo.

 

Os irmãos Nicola corriam à Rodoviária da Cidade de Caxias do Sul, na Rua Sinimbu, quando avisados sobre a chegada de novos ônibus. Tinham preferência pelos da Ciferal, considerados os melhores. Até deitavam no chão para estudar o produto por baixo

 

Marcopolo: Paulo Bellini associa-se aos irmãos Nicola

 

Mesmo com os negócios indo de vento em popa, em 1951, os sócios alemães deixam a empresa. Eles retornaram para a Cidade de Novo Hamburgo, no Vale do Rio dos Sinos, criando um problema para os irmãos Nicola, sem recursos para comprar a parte deles.

Foi quando um jovem de 22 anos, recém-formado em Administração de Empresa, viu ali uma oportunidade para começar sua vida profissional. Com a ajuda do pai, Alberto Bellini, Paulo Bellini reuniu dinheiro suficiente para comprar as quotas dos alemães.

Era aposta no futuro. Apesar de ter encomendas, a Carrocerias Nicola estava longe de se tornar firme no mercado. Sendo aceito, incorporou-se à operação, responsabilizando-se por atividades de gestão: comercial, compras, financeira, pessoal, relações públicas etc.

 

Paulo Bellini apostou no futuro. Apesar de ter encomendas, a Carrocerias Nicola estava longe de se tornar firme no mercado. Aceito na sociedade, incorporou-se às operações, cuidando dos setores comercial, compras, financeiro, pessoal, relações públicas etc.

 

Marcopolo: evolução para o encarroçamento metálico

 

Naquela época, fora do Brasil, usar madeira para construir ônibus era coisa do passado. As unidades importadas pelas grandes operadoras, como Expresso Brasileiro e Viação Cometa, eram totalmente metálicos. Os encarroçadores brasileiros estavam atrasados.

Mesmo dentro do País já havia gente trabalhando com estruturas em aço e chapas de alumínio ou ferro. A General Motors foi uma das pioneiras, ainda no início dos anos 1940. A Carbrasa é outro bom exemplo, colocando um modelo no mercado em 1941.

A Ciferal seguia a mesma trilha, assim como a Caio. Esta, fundada em 1945, na Cidade de São Paulo, usou madeira durante os seus primeiros anos, como as demais. No início dos anos 1950, já dominava por completo a técnica do encarroçamento à base de metal.

Num acerto entre o criador dessa última, José Massa, e Paulo Bellini, equipes técnicas da Carrocerias Nicola tiveram autorização para deslocaram-se ao Estado de São Paulo e, dentro da Caio, aperfeiçoarem-se no uso do aço para construir as estruturas dos ônibus.

Assim, em 1952, entregavam a primeira carroceria totalmente metálica. Em seguida, vieram os chassis zero quilômetro, pois passaram a ser produzidos no Brasil. Ainda eram destinados a caminhões; só no final da década surgiriam específicos para ônibus.

 

Assim, em 1952, a Nicola estregava sua primeira carroceria totalmente metálica. Em seguida, veio chassis zero quilômetro, pois passaram a ser produzidos no Brasil, ainda eram destinados a caminhões; só no final da década surgiriam específicos para ônibus

 

Marcopolo: Carrocerias Nicola Manufaturas Metálicas

 

Dominada a técnica do encarroçamento metálico, a empresa da Cidade de Caxias do Sul expressou isso na Denominação Social, alterada para Carrocerias Nicola Manufaturas Metálicas, em 1954. Essa evolução levou a um forte crescimento na atração de clientes.

Tornou-se necessário aumentar as instalações, comprar mais matéria prima, expandir a linha de produção, modernizar os processos de trabalho, treinar novos colaboradores… Entretanto, como alcançar isso tudo sem impactar o Capital de Giro, já bastante restrito?

A saída foi antecipar receitas, negociando títulos emitidos sobre recebimentos futuros, as famosas Duplicatas, para conseguir dinheiro de modo mais rápido. Não foi suficiente, pois a quantidade de encomendas não se ampliava em ritmo igual ao das necessidades.

A solução estava em ampliar o Capital Social. Mesmo com o sucesso da empresa, não deu certo atrair endinheirados. Convidados não aceitaram colocar muitos recursos num negócio bom no momento, mas sem garantias de continuar assim num futuro próximo.

 

Dominada a técnica do encarroçamento metálico, a empresa da Cidade de Caxias do Sul expressou isso na Denominação Social, alterada para Carrocerias Nicola Manufaturas Metálicas, em 1954. Essa evolução levou a um forte crescimento na atração de clientes

 

Marcopolo: aumento da Capital Social, tornando-se uma S.A.

 

Então, era preciso trazer muitos sócios, cada um com investimento pequeno. O caminho foi aproveitar as repercussões de movimento então existente, naquela época, no Estado do Rio Grande do Sul, fomentando criação de Sociedades Anônimas — as famosas S.A.

E lá foram Dorval Nicola e Paulo Bellini atuar como caixeiros-viajantes: com pastinhas de couro abarrotadas de ações, faziam corpo-a-corpo tanto pela Cidade de Caxias do Sul quanto por todo o território gaúcho e até mesmo fora deste, em outros pontos do Brasil.

Detalhe importante: como era venda direta, e não através da Bolsa de Valores, em sua maioria, as negociações eram fechadas a prazo. Assim, praticamente catando centavos aqui, ali e acolá, foram reunindo recursos suficientes para concluir as novas instalações.

Ajudou o terreno ter sido cedido pelo dono da área, usando a presença da empresa para incentivar a ocupação. Ao final de 1957, foi inaugurada a Unidade Planalto, imensa para a época: 3,1 mil metros quadrados de área construída; a anterior somava apenas 290.

Como ali não havia espaço suficiente, enquanto eram montados, ônibus ocupavam ruas próximas. O barulho gerado pelo trabalho incomodava os moradores de região. Mesmo assim, até o final de uma década de operação, em 1959, foram entregues 600 unidades.

 

Ao final de 1957, foi inaugurada a Unidade Planalto, imensa para a época, com 3,1 mil metros quadrados de área construída; a anterior somava apenas 290. O terreno foi cedido pelo dono da área, usando a presença da empresa para incentivar a ocupação

 

Marcopolo: os “50 Anos em 5” de Juscelino Kubitscheck

 

Também em 1959, como parte do Plano de Metas do Governo Juscelino Kubitscheck, o “50 Anos em 5”, a indústria automotiva para a receber grandes incentivos, com atração de montadoras de diversas outras nações e o estabelecimento de novos padrões técnicos.

Uma das primeiras fabricantes a aproveitar esse novo momento foi a Mercedes-Benz, mas apenas produzindo caminhões. Passou a oferecer chassi específico para ônibus, mas também fazia encarroçamento, entregando modelo 100% montado nas suas instalações.

A aceleração do processo de ampliação das áreas urbanas, e construção e asfaltamento de rodovias por todo o território nacional, levou ao crescimento dos pedidos para novos ônibus. As encarroçadoras atuantes foram obrigadas a se virar para atender o mercado.

 

A aceleração do processo de ampliação das áreas urbanas, e construção e asfaltamento de rodovias por todo o território nacional, levou ao crescimento dos pedidos para novos ônibus. As encarroçadoras atuantes foram obrigadas a se virar para atender o mercado

 

Marcopolo: primeira exportação, de dois ônibus, para o Uruguai

 

A Carrocerias Nicola Manufaturas Metálicas foi uma delas. E, além de satisfazer seus compradores internos, deu seus primeiros passos para fora do Brasil. Representantes da empresa começaram a trabalhar nos países mais próximos, como Argentina e Uruguai.

Em 1960, talvez por desgaste natural do dia a dia na velha sociedade, os irmãos Doracy Nicola e Nélson Nicola saem da empresa, criam a Carrocerias Manufaturadas Furcare e passam a concorrer com aquela ostentando o nome da família na Denominação Social.

Demorou um pouco, mas a primeira exportação ocorreu em dezembro de 1961: duas unidades, capacidade de 27 passageiros sentados cada uma, vendidas para a Compañia de Ominibus Pando, operador de transportes urbanos da Cidade de Pando, no Uruguai.

Eles importavam dos Estados Unidos da América e da Inglaterra, modelos de realidades diferentes. Daí em diante, passaram a comprar do Brasil, no Estado do Rio Grande do Sul, vizinho de fronteira — de empresa capaz de atender suas necessidades específicas.

 

Demorou um pouco, mas a primeira exportação ocorreu em dezembro de 1961: duas unidades, capacidade de 27 passageiros sentados cada uma, vendidas para a Compañia de Ominibus Pando, operador de transportes urbanos da Cidade de Pando, no Uruguai

 

Marcopolo: envio dos ônibus para compradores era uma aventura

 

Era muita pretensão competir com americanos e ingleses, bem mais adiantados. Porém, desafios como esses impulsionavam a empresa, levando-a a evoluir, investir em mão de obra, buscar inovações… E atender mercados externos com bastante similaridade a nós.

Exemplos: Paraguai, Peru e Chile. Neste último, a entrega era verdadeira aventura. Os comboios deixavam o Brasil, cruzavam a Argentina, subiam e desciam a Cordilheira dos Andes, venciam um deserto para, só então, alcançarem as suas cidades de destino.

Algumas vezes, tempestades de neve prendiam o grupo por vários dias em algum ponto da extensa rota. Como a comunicação era difícil, tanto na fábrica quanto no comprador crescia a preocupação sobre a situação dos veículos e, principalmente, dos motoristas.

 

Após Uruguai, vieram Paraguai, Peru e Chile. Neste último, a entrega era uma aventura. Os comboios deixavam o Brasil, cruzavam a Argentina, subiam e desciam a Cordilheira dos Andes, venciam um deserto para, só então, alcançarem as suas cidades de destino

 

Marcopolo: inovações a partir de pedidos dos clientes

 

A empresa foi criando inovações a partir das necessidades apresentadas pelos clientes. Por exemplo: um grande operador sediado no Estado do Espírito Santo, em crescimento no início dos anos 1960, a Viação Itapemirim, solicitou janelas com laterais inclinadas.

Naquela mesma década, o proprietário das gaúchas Viação Bianchi e Viação Minuano pediu instalação de sanitário. Depois, dois: feminino e masculino, mas logo desistiu. Um só era suficiente. Também foi dele a ideia da poltrona-leito — inovação mundial.

Em 1967, Durval Nicola também deixa a sociedade, juntando-se aos irmãos. E mudam a Denominação Social da empresa: Carrocerias Manufaturadas Furcare torna-se Nimbus. Era o momento de Carrocerias Nicola Manufaturas Metálicas tomar a mesma iniciativa.

Aventou-se Bertioga, praia do Estado de São Paulo, associando os produtos a mar e Sol, afastando-os da vinculação com Serra Gaúcha, região provadamente de frio, até mesmo neve. E marcaria forte movimento para aproximação com o maior mercado consumidor.

Com a marca já decidida — um Sol estilizado —, o novo nome continuou em debate, na modalidade brainstorm — a “tempestade cerebral”, quando grupos de pessoas propõem ideias, elas são anotadas e, mais tarde, debatidas, buscando-se consensos ou definições.

 

Em 1967, Durval Nicola também deixa a sociedade, juntando-se aos irmãos. E mudam a Denominação Social da empresa: Carrocerias Manufaturadas Furcare torna-se Nimbus. Era o momento de Carrocerias Nicola Manufaturas Metálicas tomar a mesma iniciativa

 

Marcopolo: ônibus surpreendente no Salão de Automóvel de 1968

 

Durante este período, o segundo semestre de 1968, a Carrocerias Nicola aproveitou o Salão do Automóvel, realizado na Cidade de São Paulo, para trazer a público seu novo modelo de ônibus, apresentando características realmente revolucionárias para a época.

Somava inovações invisíveis e visíveis. Entre as primeiras, ser montado com estrutura de bloco único. Entre as segundas, faróis dianteiros grandes, dois de cada lado; maior área envidraçada; janelas inclinadas; detalhes sofisticados no acabamento interno…

Tudo isso assentado sobre chassis e usando o motor mais potente da Mercedes-Benz. Apresentava três versões: rodoviário comum, rodoviário com toalete e rodoviário carro leito. E tinha sido batizado homenageando um dos mais famosos viajantes: Marco Polo.

Entretanto, chegou ao mercado como Marcopolo. Dentro da fábrica, houve discordância quanto a trazer os dois termos. Muitos sugeriam buscar outra denominação. Nem todos ficaram satisfeitos com a escolha final. Mal sabiam quão importante foi aquela decisão.

 

O inovador modelo de ônibus chegou ao mercado como Marcopolo. Na fábrica, houve discordância quanto a usar dois termos. Muitos sugeriram outras denominações. Nem todos ficaram satisfeitos com a escolha. Mal sabiam quão importante foi aquela decisão

 

Marcopolo: nome do modelo adotado como nome da empresa

 

O sucesso do produto surpreendeu até os otimistas. Seu destaque eclipsou a fabricante. Todos queriam o Marcopolo, aquele da Nicola. O mercado foi o primeiro a abandonar a antiga Denominação Social. Não demorou para a empresa tomar essa mesma decisão.

Depois, alguém pesquisando História, descobriu coincidência interessante. O nome do pai do explorador Marco Polo era Nicola. E, a partir de então, valorizando suas origens, as linhas de ônibus da Marcopolo passaram a trazer associações com termos em italiano.

É bem comum ver pelas ruas e estradas do Brasil, e de diversos outros países, veículos exibindo identificações de Paradiso, Sanremo, Torino, Veneza, Viaggio, Viale e Volare. E, tenham certeza: essa opção de identificar produtos jamais será deixada pela empresa.

 

Depois, alguém pesquisando História, descobriu coincidência interessante. O nome do pai do explorador Marco Polo era Nicola. E, a partir de então, valorizando suas origens, as linhas de ônibus da Marcopolo passaram a trazer associações com termos em italiano

 

Marcopolo: pioneirismo no Sistema de Corredores para Ônibus

 

O início dos anos 1970 apresenta inovação sem igual na oferta de transporte público de passageiros, coletivo, urbano, com qualidade, da história do homem. É o sistema de corredores exclusivos, implantado na Cidade de Curitiba, a capital do Estado do Paraná.

Idealizado e implanta na gestão do prefeito Jaime Lerner, democratiza o uso do espaço público. Basicamente, é uma rede de terminais agregadores situados nas periferias da área urbana da cidade, interligados por corredores exclusivos para circulação de ônibus.

A Marcopolo engajou-se ao projeto, criando modelo especial para ele. Nascia o Veneza Expresso, a partir do consagrado Veneza, com altura do piso em relação ao solo menor, melhor aproveitamento do espaço interno com bancos laterais e maior área envidraçada.

Apesar do motor potente, emitia menos poluentes. Devido ao sucesso, esse sistema de criação essencialmente brasileira rodou o mundo e, recentemente, retornou ao País com denominação em inglês: é o Bus Rapid Transit — BRT, ou “ônibus de trânsito rápido”.

 

A Marcopolo engajou-se no projeto de corredores expressos para ônibus. E cria modelo especial para ele, com veículos articulados, altura do piso em relação ao solo menor, melhor aproveitamento do espaço interno com bancos laterais e maior área envidraçada

 

Marcopolo: compromisso de criar veículos com ar condicionado

 

Outro pioneirismo foi a incorporação do ar condicionado. Em 1972, o Governo Federal organizou grande exposição internacional na Cidade de São Paulo. O objetivo era exibir o potencial industrial do País e convidados estrangeiros, possíveis futuros importadores.

Como não ainda não se fabricava ônibus de interior climatizado em território nacional, a saída seria importar. A Marcopolo, abortando a iniciativa, comprometendo-se a criar os modelos. E os entregou a tempo de transportar com todo conforto os visitantes de fora.

Daí em diante, os veículos com ar condicionado foram sendo incorporados ao dia a dia do brasileiro. Primeiro, nas linhas de longa distância do rodoviário de passageiros; mais tarde, naquelas de percursos menores; e, finalmente, vem sendo incorporado ao urbano.

 

O então presidente da República, Emílio Médici, sendo apresentado ao novo modelo de ônibus com ar condicionado. Ele foi criado para transportar os visitantes estrangeiros de uma grande exposição internacional de produtos brasileiros na Cidade de São Paulo

 

Marcopolo: projetos padronizam ônibus urbanos brasileiros

 

A Crise do Petróleo, a partir do final 1973, começou a impactar o modelo assentado no transporte individual. Com os combustíveis mais caros, além do apelo do Governo para as pessoas optarem por ônibus, muitas pessoas reduziram o uso dos próprios veículos.

Por volta da metade dos anos 1970, auge do Regime Militar, o Governo Federal toma a iniciativa de modernizar o transporte público, urbano, de passageiros. E, bem ao estilo centralizador daqueles tempos, cria mais uma empresa estatal para gerenciar o processo.

Nasce, então, a Empresa Brasileira de Transportes Urbanos — EBTU, com objetivos de equacionar redes de linhas dentro das cidades, investir na infraestrutura e aprimorar os veículos usados na prestação de serviços em termos de conforto, qualidade, segurança…

É contratada uma consultoria especializada para projetar um modelo de ônibus urbano adaptado às realidades do País. O trabalho, batizado de Ônibus Padrão, cobriu todos os níveis de produção: micro, mini, pequeno, médio, grande, articulado, biarticulado etc.

 

A Crise do Petróleo, a partir do final 1973, começou a impactar o modelo assentado no transporte individual. Com os combustíveis mais caros, além do apelo do Governo para as pessoas optarem por ônibus, muitas pessoas reduziram o uso dos próprios veículos

 

Marcopolo: crescimento da presença no mercado internacional

 

Os projetos da EBTU foram dados às encarroçadoras, com recomendação de serem seguidos em termos da estrutura, como largura das portas, quantidade de entradas e saídas, espaço interno, largura dos bancos, quantidade de assentos, posição de roleta…

Todo ônibus urbano produzido em território nacional tornou-se similar. Diferencia-se apenas por detalhes de acabamento, externos e internos. Entretanto, revelando-se como modelo de excelente qualidade, ampliou o mercado externo para o produto brasileiro.

Aliás, a partir da década de 1970, a Marcopolo ampliou sua atuação nos mercados internacionais. E a fez das mais diversas formas: exportava ônibus pronto, vendia as peças para serem montados lá fora, fechava contratos de transferência de tecnologia…

 

A partir da década de 1970, a Marcopolo ampliou sua atuação e presença nos mercados internacionais. E a fez das mais diversas formas: exportava ônibus pronto, vendia as peças para serem montados lá fora, fechava contratos de transferência de tecnologia…

 

Marcopolo: chassi tubular, janelas maiores, motor dianteiro…

 

O crescimento da procura foi impulsionando a empresa. A cada ano, os novos ônibus traziam novidades: chassi tubular, janelas maiores, motor dianteiro, teto plano e por aí vai. Em 1978, veio o primeiro rodoviário articulado, tirado de linha quatro anos depois.

Ao término da década, a Marcopolo tinha crescido bastante, tanto em termos de seus aumentos de produção quanto na compra de concorrentes, como Nimbus, Elizário e Invel, esta, especializada apenas em veículos de pequeno porte, como ambulâncias.

Em 20 de fevereiro de 1981 é inaugurada a unidade fabril sediada em Ana Rech, um dos Distritos do Município de Caxias do Sul. Em março de 1983, engloba seus lançamentos sob um Sistema Tecnológico de Transportes — e Tecnologia passa a ser preponderante.

 

O então presidente João Baptista de Figueiredo, ao centro da imagem, esteve presente na solenidade de inauguração da unidade fabril sediada em Ana Rech, um dos Distritos do Município de Caxias do Sul. Esse evento aconteceu em 20 de fevereiro de 1981

 

Marcopolo: início da identificação das suas linhas por Geração

 

A linha de urbanos surge agrupada na marca Torino, substituindo Sanremo; rodoviários nascem como Viaggio e Paradiso. Este último, inaugura as opções Hi-Deck, ou HD, de piso elevado no salão de passageiros e volume maior para o compartimento para cargas.

Tudo é tratado sob a nova identificação Geração IV. Não usa I, II u III, considerando ter iniciado a série com o primeiro Marcopolo, no Sexto Salão do Automóvel de São Paulo. Com essa atitude, melhora a identificação dos seus modelos junto ao mercado crescente.

Em maio de 1988, é criada a Fundação Marcopolo, objetivando a melhora na qualidade de vida dos funcionários da empresa e seus familiares, como também para colaborar no desenvolvimento social de crianças e adolescentes, nas regiões onde a companhia atua.

 

Em maio de 1988, é criada a Fundação Marcopolo, objetivando a melhora na qualidade de vida dos funcionários da empresa e seus familiares, como também para colaborar no desenvolvimento social de crianças e adolescentes, nas regiões onde a companhia atua

 

Marcopolo: surgem os modelos Low-Driver e Double-Deck

 

A Geração V, em 1992, traz nova estrutura para as carrocerias: uso de perfis tubulares, e não mais abertos, em U. O destaque vai para Low-Driver, ou LD, com o habitáculo para motoristas isolado, abaixo do piso do salão dos passageiros. Inovação de sucesso total!

Em 1995, é a vez do Double-Deck, ou DD — na Marcopolo, Double Decker: salão de passageiros e área envidraçada maiores no piso superior — com para-brisa panorâmico; salão de passageiros do piso inferior menor, no mesmo nível do habitáculo do motorista.

Em julho de 1994, após comprar 49% do Capital Social da Ciferal, a Marcopolo passa fabricar seus produtos também no Estado do Rio de Janeiro. Incrível isso: 40 anos antes, os ônibus dessa encarroçadora eram invejados e estudados a fundo pelos irmãos Nicola.

 

A Geração V, em 1992, traz nova estrutura para as carrocerias: uso de perfis tubulares, e não mais abertos, em U. O destaque vai para Low-Driver, ou LD, com o habitáculo para motoristas isolado, abaixo do piso do salão dos passageiros. Inovação de sucesso total!

 

Marcopolo: fundação da Volare, absorção da Ciferal

 

Em 1998, cria a Volare, voltada a micro-ônibus, modelo padronizado, trazendo para o encarroçamento de ônibus a padronização dos veículos destinados a consumidor final. E lança o Viale, ônibus urbano pesado, um dos maiores sucessos de vendas da empresa.

A Geração VI, em 2000, surpreende com linhas externas mais arredondadas, reduzindo o impacto do vento quando do veículo em movimento. Na estrutura, perfis tubulares, longarinas inteiriças e aço galvanizado, material mais leve, mas resistente à corrosão.

Em março de 2001, absorve 100% da Ciferal. Em julho de 2007, cria sociedade com Woodbridge Foam Corporation, maior produtora de espumas moldadas do mundo. E nasce a WSul Espumas, na Cidade de Caxias do Sul, produzindo assentos dos ônibus.

 

A Geração VI, em 2000, surpreende com linhas externas mais arredondadas, reduzindo o impacto do vento quando do veículo em movimento. Na estrutura, perfis tubulares, longarinas inteiriças e aço galvanizado, material mais leve, mas resistente à corrosão

 

Marcopolo: criação da unidade voltada a transporte ferroviário

 

Mantendo nomes Viaggio, para rodoviários mais simples, e Paradiso, para aprimorados, coloca no mercado a Geração VII, marco mundial na qualidade e conforto de assentos. Em novembro de 2015, assume o controle de outra concorrente, a San Marino Neobus.

Esta companhia, fundada por três ex-diretores da Marcopolo, na Cidade de Caxias do Sul, iniciou produzindo micro-ônibus. Logo, enveredou para outros modelos e, numa trajetória de sucesso, alcançou os 12% do mercado nacional de produção de ônibus.

Em 2019, surge a Marcopolo Rail, fabricante de trens do grupo, apresentando projetos para teleféricos, transporte ferroviário e Veículo Leve de Transporte — VLT. E, com certeza, já trabalha visando uma realidade no qual imperarão os veículos autônomos.

 

Em 2019, surge a Marcopolo Rail, fabricante de trens do grupo, apresentando projetos para teleféricos, transporte ferroviário e Veículo Leve de Transporte — VLT. E, com certeza, já trabalha visando uma realidade no qual imperarão os veículos autônomos

 

Marcopolo: trabalho artesanal, sob encomenda, na medida

 

A Marcopolo faz trabalho artesanal. Produz mais de 100 unidades por dia, somente no Brasil. Depende dos olhos e do coração de pessoas. Se não estiverem motivadas, não sai produto bom. Não é máquina, robô, fazendo ônibus; somente colaboradores preparados.

O produto final praticamente não tem padronização. São tipos, modelos, tamanhos e customizações sob encomenda e sob medida. É um feito à mão desenvolvido em linha industrial. Até há robotização, mas é mínima. A participação humana é fundamental.

É, sem sobra de dúvidas, a encarroçadora mais importante do Ocidente — talvez do mundo. Além do Brasil, atualmente, tem operações em países de todos os Continentes: África do Sul, Argentina, Austrália, China, Colômbia, Egito, Índia, México e Rússia.

Suas linhas de produtos cobrem todas as categorias: mini, micro, urbano, rodoviário, articulado, biarticulado, dois pisos, trólebus. Os pedidos para elétricos crescem dia a dia. Breve, virão também as unidades autônomas, operadas sem presença de motorista.

 

A Marcopolo faz trabalho artesanal. Produz mais de 100 unidades por dia, somente no Brasil. Depende dos olhos e do coração de pessoas. Se não estiverem motivadas, não sai produto bom. Não é máquina, robô, fazendo ônibus; somente colaboradores preparados

 

Marcopolo: empresa tem profundo conhecimento do seu negócio

 

Mais como farmácia de manipulação, e não fabricante de remédios, a Marcopolo vem somando diferenciais invejados pela concorrência, até mesmo internacionalmente. O mais básico de todos, talvez o principal, é o conhecimento profundo sobre o negócio.

Outros: ambientes de trabalho sem estresse desnecessário, operações extremamente simples, processos de fabricação aprimorados, elevadíssima qualificação de pessoal, desenvolvimento de tecnologias próprias, produção adaptável a condições de mercado…

É comum desconhecedores da trajetória de 70 anos da empresa se perguntarem: “Como é possível uma empresa brasileira, fora do eixo dos grandes centros, ter alcançado tanta projeção internacional?” Um pouco dessa história está resumida nos parágrafos a seguir.

 

Mais como farmácia de manipulação, e não fabricante de remédios, a Marcopolo vem somando diferenciais invejados pela concorrência, até mesmo internacionalmente. O mais básico de todos, talvez o principal, é o conhecimento profundo sobre o negócio

 

Marcopolo: diretores conhecem processos industriais no Japão

 

Ao final dos anos 1980, a Marcopolo já se destacava com encarroçadora de ônibus tanto dentro do Brasil quanto no exterior. Mas seus gestores observam entraves permeando os processos e práticas de trabalho — em todos os níveis, em qualquer dos departamentos.

Os ganhos de produtividade eram mínimos, reduzindo, paulatinamente, a lucratividade dos negócios, por ser impossível repassar aumentos de custos imediatamente aos preços finais. Investimentos constantes em equipamentos e pessoal pareciam não mais resolver.

Por essa época, chamava atenção pelo planeta a performance da indústria no Japão. Eles superaram europeus e norte-americanos — comparado a brasileiros, venciam de lavada. Assim, virou moda estudar modelos de negócios vigentes pela Terra do Sol Nascente.

Após assistir apresentações, fazer cursos, participar de treinamentos, vivenciar imersões por aqui, era hora de viajar até lá e comprovar o milagre de perto, pessoalmente. Então, dois diretores da empresa embarcaram nessa aventura: Cláudio Gomes e Paulo Bellini.

 

Após assistir apresentações, fazer cursos, participar de treinamentos, vivenciar imersões por aqui, era hora de viajar até o Japão e comprovar o milagre de perto, pessoalmente. Dois diretores da empresa embarcaram nessa aventura: Cláudio Gomes e Paulo Bellini

 

Marcopolo: Kanban, Just in Time, 5S, Kaizen, Terceirização…

 

Aqueles dias passados na Ásia mudaram a história da Marcopolo da água para o vinho. Cumprindo uma agenda pesada, visitando uma empresa pela manhã e outra à tarde, as convicções pessoais e profissionais dos dois vividas até deixar o Brasil viraram fumaça.

Burocracia: zero; informalidade: mil. Complicação, nenhuma; praticidade, total. Locais de trabalho agradáveis, arrumados, limpos. Processos ágeis, eficientes, de fácil domínio até mesmo por novatos. E, principalmente, harmonia e solidariedade entre as pessoas.

Em paralelo, Cláudio Gomes e Paulo Bellini viam comprovados na prática os efeitos positivos das ações relacionadas a denominações e siglas cada vez mais populares no universo empresarial: Kanban, Just in Time, 5S, Kaizen, Terceirização, Reengenharia

Todos têm foco comum: fazer sempre melhor com custo menor. O objetivo é errar o mínimo, acertar o máximo. Se errar, em vez de se condenar, aprender, além de dividir o aprendizado com quem está ao seu lado. Os seis ali listados podem ser assim resumidos:

  • Kanban: manutenção do fluxo contínuo dos produtos sendo manufaturados ou serviços sendo prestados, reduzindo — ou eliminando — desperdícios de material e tempo.
  • Just in Time: recebimento do material ou serviço necessário à produção no momento certo e na quantidade correta, pondo fim aos estoques e reduzindo custos.
  • 5S: disciplina, higiene, limpeza, ordenamento e utilização. A sigla soma iniciais de cinco termos japoneses: Shitsuke, senso de autodisciplina; Seiketus, senso de higiene; Seis, senso de limpeza; Seiton, senso de ordenação; e, Seiri, senso de utilização.
  • Kaizen: melhoria continua de todas as funções, envolvendo todos os funcionários, desde o Chief Executive Officer — CEO até chão de fábrica. Foi implementado pela primeira vez em empresas japonesas após a Segunda Guerra Mundial. Desde então, espalhou-se pelo mundo.
  • Terceirização: transferência de atividades-meio para outras empresas, proporcionando maior disponibilidade de recursos para atividade-fim, reduzindo estrutura operacional, diminuindo custos, economizando recursos e desburocratizando a administração.
  • Reengenharia: reestruturação da empresa por força de mercado e concorrência, dentre outras, para aumento de competitividade; engloba reciclagem do pessoal interno, terceirização e demissões, utilizando menor de empregados, porém mais capacitados.

 

Os dias passados na Ásia por Cláudio Gomes e Paulo Bellini mudaram a história da Marcopolo. Cumprindo agenda pesada, visitando empresas pela manhã e à tarde, as convicções pessoais e profissionais dos dois vividas até deixar o Brasil viraram fumaça

 

Marcopolo: somente persistência, persistência, persistência…

 

Retornando ao País, Cláudio Gomes e Paulo Bellini deram tratos à bola, atrás de saída para implantar aquela metodologia, identificada como Programa de Qualidade Total, fruto de uma sociedade totalmente diferente, como a japonesa, dentro da Marcopolo.

Na mente, apenas uma determinação aprendida lá: não impor; fazer brotar no chão da fábrica. Começaram exibindo aos funcionários aquela realidade. Eles eram convidados a, voluntariamente, assistir palestras dos dois diretores, após o expediente de trabalho.

A adesão começou pequena mas cresceu ao longo das semanas. Nas avaliações, todos achavam muito interessante; entretanto expressavam como impossível aquilo vingar dentro do Brasil. Cláudio Gomes e Paulo Bellini persistiram, persistiram, persistiram…

Num determinado momento, um grupo dentro da fábrica, por conta própria, resolveu dar uma melhorada no espaço de trabalho deles. Descartaram inservíveis, limparam o chão, arrumaram os armários, distribuíram melhor o mobiliário e pintaram as paredes.

Trouxeram até plantas para decorar um cantinho de descanso. No primeiro momento, foram vítimas de bullying de alguns colegas. No entanto, outros, percebendo o valor da iniciativa, o imitaram. E a coisa se propagou por toda a empresa, inclusive escritórios.

 

Retornando ao País, Cláudio Gomes e Paulo Bellini deram tratos à bola, atrás de saída para implantar aquela metodologia, identificada como Programa de Qualidade Total, fruto de uma sociedade totalmente diferente, como a japonesa, dentro da Marcopolo

 

Marcopolo: ano a ano, um somatório de resultados promissores

 

Ao mesmo tempo, o comportamento foi mudando também. O ambiente de trabalho foi deixando de lado hábitos arraigados — dar ordens, receber ordens, aceitar burocracia, desconfiar de tudo e todos, autorização por escrito, cultura do medo, chefia intocável…

Como do nada, impôs-se uma gestão participativa, com os funcionários contribuindo para melhorar o ambiente a partir do desenvolvimento do potencial criativo de cada um deles. Iniciado este processo, ele não tem fim: a busca por aprimoramento é contínua.

Isso começou em 1987 e, de lá para cá, apenas essa agregação de organização, limpeza, qualidade e respeito, transformou a Marcopolo na empresa brasileira mais admirada e procurada por grandes companhias internacionais em busca de parcerias e tecnologias.

O processo parece ter sido contínuo, linear. Nada disso! Houve e há retrocessos. Ideias são abandonadas a meio caminho. Entretanto, evoluir, agora, integra o DNA de todos. E não só no local de trabalho, impactando também as atividades do lar, escola, igreja…

O somatório de resultados promissores é impressionante. Para exemplo, dois mostram a importância do programa. A unidade Planalto, dimensionada para produzir 1.200 ônibus por ano, alcançou 5 mil; a de Ana Rech, criada para 10 unidades por dia, chegou a 30.

 

As mudanças começaram em 1987. De lá para cá, apenas a agregação de organização, limpeza, qualidade e respeito, transformou a Marcopolo na empresa brasileira mais admirada por companhias internacionais, ávidas em busca de parcerias e tecnologias

 

Marcopolo: resumo das características diferenciadoras mais atuais

 

Sendo das primeiras no Brasil a adotar e adaptar, realmente, todas as ferramentas do revolucionador sistema vigente nas companhias do Japão, foi a única elogiada pelo mais prestigiado consultor em Gestão da Qualidade Total daquele país quando esteve aqui.

Kazuo Tsuchiya, depois de visitar instalações na Cidade de Caxias do Sul — e após conhecer outras firmas pelo País, não gostando de nenhuma delas —, afirmou, convicto: “É! O controle de qualidade da Marcopolo é superior ao de muitas empresas do Japão.”

Para concluir, um resumo da Marcopolo hoje, com as descrições dispostas em ordem alfabética:

  • Customiza conforme desejo do cliente
  • Líder de mercado na América Latina
  • Maior fabricante mundial de ônibus
  • Maior fabricante mundial de poltronas para ônibus
  • Mais de 60% dos acionistas são investidores estrangeiros
  • Nível 2 de Governança Corporativa
  • Produz sobre chassis de qualquer montadora
  • Transparência total de suas atividades
  • Única do setor com ações em bolsa
  • Única do setor com fábrica nas cinco nações do Brics: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul
  • Unidades de produção nos cinco continentes

 

Um dos mais respeitados consultores em Gestão da Qualidade Total do Japão, Kazuo Tsuchiya, ao visitar instalações na Cidade de Caxias do Sul, afirmou, categoricamente: “O controle de qualidade da Marcopolo é superior ao de muitas empresas do Japão.”

 

Marcopolo: seleção de imagens reveladoras da trajetória de 70 anos

 

• Década 1950-1959

 

 

 

 

 

 

 

 

• Década 1960-1969

 

 

 

 

 

 

 

 

• Década 1970-1979

 

 

 

 

 

 

 

 

 

• Década 1980-1989

 

 

 

 

 

 

 

 

 

• Década 1990-1999

 

 

 

 

 

 

 

• Década 2000-2009

 

 

 

 

 

 

 

• Década 2010-2019

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

O post “Marcopolo soma diferenciais invejados pela concorrência, até mesmo a internacional” foi produzido por João Zuccaratto, jornalista especializado em Turismo baseado na Cidade de Vitória, a capital do Estado do Espírito Santo.

O post “Marcopolo soma diferenciais invejados pela concorrência, até mesmo a internacional” foi estruturado a partir de conhecimentos próprios do autor, dados obtidos através de pesquisas no ambiente da Internet e informações expressas no conteúdo do livro Marcopolo: sua viagem começa aqui, de autoria de Paulo Bellini sob ghost writer da psicóloga Marilda Vendrame e da jornalista Suzana Naiditch.

Clique nos trechos em colorido ao longo do post “Marcopolo soma diferenciais invejados pela concorrência, até mesmo a internacional” para abrir novas guias, com informações complementares ao aqui sendo tratado. Eles guardam links levando a conteúdos do próprio Turismoria, verbetes da Wikipedia e sites de empresas, entidades, Governos estaduais, Prefeituras etc.

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