Documento foi produzido pela Força Aérea dos Estados Unidos da América durante Segunda Guerra Mundial. Exemplar pertenceu a Nélson Asdrúbal Carpes, piloto da Força Aérea Brasileira — FAB. Agora digitalizado, está disponível para consulta e leitura em três ambientes da Internet.

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

Documento pertenceu ao piloto da Força Aérea Brasileira — FAB, Nélson Asdrúbal Carpes, que, durante a Segunda Guerra Mundial, além de trazer, voando, aviões dos Estados Unidos da América até o Brasil, participava do patrulhamento do nosso litoral

 

Documento importante para a história da nossa aviação

 

Há alguns anos, um amigo aqui na Cidade Presépio de Vitória, capital do Estado do Espírito Belo e Santo, me trouxe o exemplar de uma publicação antiga, amarelada pelo tempo. Disse achar importante eu a conhecer e, quem sabe, produzir uma matéria para jornal sobre ela. Ao pegá-la para analisar, mal tinha folheado algumas páginas, estava emocionado. Sem sombra de dúvidas, tinha às mãos um documento importantíssimo.

Ali estava um conjunto de dados, fotos e informações relacionado à história da aviação no Brasil. Tratava-se de um Manual de Rotas Aéreas, obra produzida pelo serviço de inteligência da Força Aérea dos Estados Unidos da América. Editado em inglês, a data da edição é de 17 de setembro de 1943, bem no auge da Segunda Guerra Mundial. Chama atenção na capa a classificação de confidencial, disposta em duas oportunidades.

Em formato de livro com lombada quadrada, suas 121 páginas trazem informações para procedimentos de aproximação e pouso em todos os aeroportos importantes situados às margens do Oceano Atlântico, do extremo Sul da América do Norte ao extremo Sul da América do Sul. Inicia na Zona do Canal do Panamá, sob domínio dos Estados Unidos da América, e segue por Colômbia, Venezuela, Guianas, Brasil, Uruguai e Argentina.

Como naquele momento a vitória sobre tropas nazistas na região do Mar Mediterrâneo ainda não se consolidara, havia temor de ser necessário combatê-las em céus e território brasileiros. Ao mesmo tempo, existia o perigo constante da ação dos navios de combate e submarinos alemães. Então, era de fundamental importância antecipar-se ao inimigo, estar preparado. Por isto, a enorme amplitude do trabalho, editado de forma simples.

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

O Manual de Rotas Aéreas traz informações para a aproximação correta em aeroportos desde da antiga Zona do Canal do Panamá até o Sul da América do Sul, com destaque para todos os campos de pouso mais importantes presentes ao longo do litoral do Brasil

 

Pilotos da FAB também receberam exemplares

 

Sua parte inicial, cobrindo desde a América Central até o Nordeste do Brasil, servia também para orientar os aviadores norte-americanos nos voos em direção ao Norte da África, passando pela enorme base aérea operando na Cidade de Natal, a capital do Estado do Rio Grande do Norte. Com nosso País integrando os esforços dos aliados, pilotos da Força Aérea Brasileira — FAB também tiveram acesso e utilizaram a obra.

O exemplar que tive a oportunidade de manusear — um original em perfeito estado de conservação, e que ficou em meu poder vários dias —, pertenceu ao pai daquele meu amigo, o piloto Nélson Asdrúbal Carpes. Além de trazer, voando, aviões de combate dos Estados Unidos da América até o Brasil, ele integrava grupos de patrulhamento aéreo do mar territorial brasileiro. No caso dele, atuava mais pelo Sul do nosso litoral.

Na parte inicial, o Manual de Rotas Aéreas relaciona distâncias, detalha informações e chama atenção para perigos. A seguir, descreve particularidades aeroporto a aeroporto, na sequência de cima para baixo. Também disponibiliza 12 páginas com fotografias de pontos de referências de diversos campos de pouso. Este segmento é encerrado com procedimentos para uso do rádio e resumo sobre as condições preponderantes de clima.

Daí em diante, sempre em duas páginas lado a lado, apresenta o detalhamento de cada aeródromo, com mais precisão. Isso vai de simplesmente mostrar o nome correto com o qual é identificado e suas coordenadas corretas de localização até complementar com mais informações gerais, descrições diversas, novos dados sobre clima e facilidades que o piloto encontra quando em terra. Ao final, uma enorme lista de pistas suplementares.

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

A primeira foto com pontos de referências no Brasil traz o Aeroporto de Val de Cans, na Cidade das Mangueiras de Belém, capital do Estado do Pará. Ele está citado ao pé da imagem, cuja nitidez não é das melhores, assim como todas as demais presentes no livro

 

Obra compilava dados usados pela aviação comercial

 

Apesar do Manual de Rotas Aéreas ter sido produzido para uso estritamente da aviação militar, e da preocupação com sigilo, o mais provável é ele ser resultado da compilação de dados conhecidos e utilizados pelos pilotos tanto da aviação civil quanto da aviação comercial. E evidencia que, há mais de 70 anos, o Brasil já possuía uma infraestrutura aeroportuária respeitável, tanto em termos de quantidade quanto em qualidade da época.

No original, há correções em algumas páginas. O piloto Nélson Asdrúbal Carpes anotou a lápis suas revisões. E acrescentou procedimentos para três aeroportos não constantes no Manual: Arquipélago de Fernando de Noronha, Cidade Igarapé-Assu, no Estado do Pará, e Base Aérea de Santa Cruz, na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro. Os dados estão em folhas de caderno pautado, guardadas com carinho dentro daquele exemplar.

Realmente, meu amigo tinha toda razão: aquilo merecia ser divulgado pela imprensa. Então, preparei um conteúdo e publiquei em uma página tabloide no antigo Jornal de Serviço Capixaba, atual Jornal ES Hoje. Ao devolver o Manual de Rotas Aéreas a ele, sugeri que o doasse à Biblioteca Nacional ou ao Museu da Aeronáutica. Ele retrucou dizendo ser mais seguro para a preservação do mesmo mantê-lo em poder da família.

Tive de concordar, pois sabemos como nossas instituições de preservação da memória cuidam dos seus acervos. De todo modo, não esqueci o assunto. Vez ou outra, buscava uma forma de tornar aquilo público sem ameaçar a integridade do mesmo. A solução apareceu quando fui contratado para assessorar o mais antigo associado do Aeroclube do Espírito Santo a escrever um livro em comemoração aos 75 anos daquela entidade.

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

Outra foto traz pontos de referências para o Aeroporto Santos Dumont, então único campo de pouso na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro. Na época, servia para tudo: aviação civil, aviação comercial nacional, aviação comercial internacional e base aérea

 

Citação incluída no livro dos 75 anos do Aeroclube do Espírito Santo

 

Quando o autor do trabalho, Alfredo César da Silva, revelou que a instituição começou a operar no início dos anos 1940, nas instalações do Aeroporto da Cidade Presépio de Vitória, lembrei dele ser um dos litados no Manual de Rotas Aéreas, mais precisamente, nas páginas 90 e 91. E que havia sido impresso mais ou menos na mesma época. Não precisei de muito esforço para convencê-lo a incluir pequeno trecho abordando o fato.

Procurei o amigo advogado, agora vivendo na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, expliquei o assunto e ele me emprestou o exemplar outra vez. Ao escanear partes para ilustrar o capítulo, percebi que poderia fazer algo bem maior. Digitalizei todas as folhas, arrumei as imagens, recompus o livro num programa de editoração eletrônica, exportei no formato PDF e o coloquei à disposição para consulta ou leitura gratuita na Internet.

Atualmente, está disponível em três ambientes gratuitos oferecidos pelo issuu.com, site para depósito de publicações de alcance mundial. O primeiro, é do próprio Manual de Rotas Aéreas: issuu.com/airroutemanual. O segundo, no Turismoria, no qual coloco materiais relacionados a turismo e outros assuntos: issuu.com/turismoria. Por fim, ele orgulhosamente inaugurou o denominado Livros 0-800, uma identidade autoexplicativa.

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

As páginas do Manual de Rotas Aéreas referentes ao Aeroporto da Cidade Presépio de Vitória, capital do Estado do Espírito Belo e Santo, foram incluídas no livro dos 75 anos do Aeroclube capixaba, permitindo digitalizar o exemplar e sua divulgação pela Web

 

Volume analisado pertenceu ao piloto Nélson Asdrúbal Carpes

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

O major Nélson Asdrúbal Carpes — em destaque — liderando esquadrilha de North American AT-6, avião de treinamento da FAB, em exercício de bombardeio rasante sobre a Cidade Ilha do Mel de Florianópolis, capital do Estado de Santa e Bela Catarina

 

O piloto Nélson Asdrúbal Carpes nasceu em 16 de julho de 1918, na Cidade Ilha do Mel de Florianópolis, capital do Estado de Santa e Bela Catarina. Formado oficial na antiga Escola Militar do Realengo, situada na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro. Fez parte da lendária primeira turma da Escola de Aeronáutica do Campo dos Afonsos, instituição também situada na então Capital Federal — rebatizada como Academia da Força Aérea.

Mal havia se graduado como oficial aviador, em 1942, foi diversas vezes para o Estado da Califórnia, na Costa Oeste dos Estados Unidos da América. Sua missão: trazer aviões de combate para o Brasil — voando, é claro! Logo após, foi indicado para comandar um esquadrão de aeronaves PBY Catalina, do Grupo de Patrulhamento do Atlântico Sul. Faziam voos de busca e, se necessário, combate a submarinos alemães no nosso litoral.

Findo o conflito na Europa, com vitória dos aliados e decisiva participação brasileira nos campos de luta da Itália, Nélson Asdrúbal Carpes foi condecorado com a Cruz de Guerra da Aviação. Seguindo carreira, foi subcomandante na Base Aérea da Cidade Veneza Brasileira de Recife, comandante da Base Aérea da Cidade de Florianópolis e chefiou o Serviço de Prevenção de Acidentes da FAB, na Cidade do Rio de Janeiro.

Era coronel-aviador ao falecer, dia 25 de março de 1961, na Cidade de Natal. Estava a bordo, como copiloto, de um C-47 em voo do Correio Aéreo Nacional — CAN, com destino à Cidade de Manaus, capital do Estado do Amazonas. Talvez aquela fosse sua última viagem pelos próximos três anos. Aprovado no exame de admissão à Escola de Comando do Estado Maior da Aeronáutica — Ecemar, retornaria às salas de instrução.

Preparava-se para ao final do curso, dar seguimento à sua carreira, alçando postos mais elevados na corporação. O destino não quis assim. Um colega pediu que o substituísse naquela missão, pois estava com a esposa adoecida. Partiram da Base Aérea do Galeão, na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, e fizeram escalas na Cidade Presépio de Vitória e na Cidade de Salvador, onde pousaram com pane num motor, nada de muita gravidade.

Após os reparos, no seguimento da viagem, já atrasados, resolveram que iriam pernoitar na capital do Estado do Rio Grande do Norte. Chegando lá de madrugada, com tempo fechado, chuva intensa e ventos fortes, não conseguiram pousar. Foi promovido, post mortem, ao posto de brigadeiro, tanto por sua atuação em combate durante o período da Segunda Guerra Mundial quanto pelos serviços prestados ao País durante toda a vida.

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

A assinatura do piloto Nélson Asdrúbal Carpes, na Folha de Rosto do Manual de Rotas Aéreas, segundo-tenente quando o recebeu, em 1945, com a Segunda Guerra Mundial em andamento na Europa. Ele anotou, a lápis, correções em diversas folhas do trabalho

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

O piloto Nélson Asdrúbal Carpes anotou procedimentos para três aeroportos: o do Arquipélago de Fernando de Noronha; o da Cidade de Igarapé-Assu, no Estado do Pará; e o da Base Aérea de Santa Cruz, situada na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro

 

Aeroportos brasileiros presentes no Manual de Rotas Aéreas

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 

Manual traz procedimentos de aproximação e pouso para aeroportos do Brasil em 1943

 


 

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A repetição de termos  é intencional. Faz parte das técnicas de Search Engine Optimization — SEO, a otimização para ferramentas de busca, destacando o trabalho quando se pesquisa com BingGoogle ou Yahoo.

Nos meus textos de divulgação de turismo — e outros mais, como este, de história —, ao citar uma cidade, faço em conjunto com seus apelidos, desde que o conheça. Por isso, Cidade das Mangueiras de Belém, Cidade Ilha do Mel de Florianópolis, Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro e Cidade Presépio de Vitória. Mais ou menos o mesmo princípio vale para Estado do Espírito Belo e Santo e Estado de Santa e Bela Catarina — aliás, foi essa excelente criação dos catarinenses que me inspirou a adotar o estilo.