Nérleo Caus passou os últimos cinco anos dedicado ao capítulo nacional da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis — ABIH. Fora da representação de categoria, quer dedicar mais tempo ao Estado do Espírito Santo. “Somos o melhor destino do Brasil” — afirma.

 

Hoteleiro Néleo Caus deixa ABIH Nacional e foca o turismo do Estado do Espírito Santo

Nérleo Caus: “O melhor destino nacional é o Estado Espirito Santo! Estamos no tempo médio de uma hora de voo dos maiores polos emissores do Brasil: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Além da charmosa capital Vitória, temos sítios históricos, cultura, lazer, museus, esportes, praias paradisíacas e gastronomia sem igual. Lembre-se: moqueca é capixaba, as outras são peixada! Tudo isso espalhado em 78 Municípios. Vale ressaltar que, em 40 minutos de boa estrada, chegamos à Região de Montanha, verdadeiro parque botânico a céu aberto, com variadíssimos exemplares de nossa flora, excelente infraestrutura e um clima dos melhores do mundo. São estes os diferenciais com os quais podemos definir nosso pequenino e sólido Estado do Espírito Santo em termos de turismo. Uma joia!”

 

 

Nérleo Caus é empreendedor no Estado do Espírito Santo, sendo proprietário de dois postos de combustíveis e do hotel Intercity Pier Vitória, localizado na Praia de Camburi, situada ao Norte da cidade de Vitória, a capital. Durante os últimos cinco anos, ocupou diversos cargos junto à Associação Brasileira da Indústria de Hotéis — ABIH, em seu capítulo Nacional: diretor Jurídico, diretor Administrativo, vice-presidente e presidente no período 2014-2015. Deixando este cargo, nesta breve entrevista fala um pouco sobre os diferenciais de sua gestão à frente da entidade e de seus planos daqui para a frente.

 

Seu mandato na Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, a ABIH Nacional, chega ao fim. Que legado sua gestão deixa ao presidente eleito, Dilson Jatahi Fonseca?

Um legado de choque de transparência. Ante o pouco tempo, decidimos fazer pouco, mas fazer bem feito, fazer com muita verdade. Daí, elegemos atacar três grandes temas cruciais da hotelaria no atualidade: estes sistemas de locação de residências AirBNB e Condhotéis e os problemas gerados pela ação do Escritório Central de Arrecadação de Direito Autoral, o Ecad. Mas não perdemos de vista outros de menor gravidade, porém decisivos para o desenvolvimento da hotelaria brasileira. Cito, como exemplos, abertura de cassinos no Brasil, incentivo ao turismo interno e liberação de vistos de entrada. Nós tratamos estas questões com a maior objetividade e a dose necessária de publicidade.

 

Cumprida a missão à frente da ABIH Nacional, o empresário — especialmente do setor hoteleiro —, retoma as atividades concentradas no seu querido Espírito Santo?

A partir de 2016, pretendo me posicionar e ter como base o Estado do Espírito Santo. Vou incluir na minha agenda a participação em debates, encontros, entrevistas, palestras e demais instâncias do nosso setor. Já dei minha modesta contribuição para a hotelaria nacional, mas sempre contra a ideia de me perpetuar em cargos. Nesse contexto, não posso negar que sou apaixonado pelo meu Estado de origem, do qual muito me orgulho.

 

Fale um pouco do seu envolvimento com o turismo capixaba, notadamente no setor de hospedagem, uma vez que é um dos proprietários do Intercity Pier Vitória.

Sempre tive propensão a receber e acolher, a partir de atividade inicial no comércio e na gestão de postos de combustíveis. A partir daí, o ingresso no ramo de hospedagem foi um pulo. Busquei esse objetivo apesar de toda a malha de dificuldades encontrada no caminho. Criei e desenvolvi o Quality Suites, na cidade de Vila Velha. Ele era minha residência na Praia da Costa, empreendimento apart com 180 unidades. Depois, também criei e desenvolvi o Intercity Pier Vitória, na Praia de Camburi, ambos no Estado do Espírito Santo. Agora, estou desenvolvendo hotéis nos Estados de São Paulo e de Santa Catarina, e participo de uma unidade em construção na região de Brickell, em Miami.

 

Além das praias, o Espírito Santo oferece opções pelo interior, com montanhas e gastronomia singular. Defina, em traços gerais, seu Estado como destino turístico?

O melhor destino nacional é o Estado Espirito Santo! Estamos no tempo médio de uma hora de voo dos maiores polos emissores do Brasil: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Além da charmosa capital Vitória, temos sítios históricos, cultura, lazer, museus, esportes, praias paradisíacas e gastronomia sem igual. Lembre-se: moqueca é capixaba, as outras são peixada! Tudo isso espalhado em 78 Municípios. Vale ressaltar que, em 40 minutos de boa estrada, chegamos à Região de Montanha, verdadeiro parque botânico a céu aberto, com variadíssimos exemplares de nossa flora, excelente infraestrutura e um clima dos melhores do mundo. São estes os diferenciais com os quais podemos definir nosso pequenino e sólido Estado do Espírito Santo em termos de turismo. Uma joia!

 

O desastre na cidade de Mariana, Município do Estado de Minas Gerais, alcançou o Espírito Santo. Qual o impacto disso na indústria do turismo do Estado no seu todo?

Embora se trate de um desastre ambiental de proporções inimagináveis, é preciso deixar claro que ele está restrito a uma pequena região geográfica, e não a todo o território. No calor do evento e da cobertura diária da mídia, o impacto real acaba com uma proporção exagerada. Além disso, estão subestimando, tanto o Espírito Santo quanto seu povo, na capacidade de superar os efeitos nocivos em termos ambientais, econômicos e turísticos.

 

O Executivo do Estado está fazendo a leitura cuidadosa deste acidente? O que espera do Governo para que a imagem do turismo de praia e Sol não ser rasurada?

Nosso Estado, hoje, tem o privilégio de contar com governador reunindo qualidades gerenciais e técnicas aliadas a extrema sensibilidade política. Trata dessa questão e de outras que a circundam com o mais efetivo empenho. Tem os olhos voltados não só para o resgate ambiental e humano, mas também para a exemplar punição aos agentes causadores. Reitero: o Espírito Santo é muito maior que este episódio, localizado em ponto específico. E nosso destino é a melhor oferta da prateleira turística nacional!

 

O senhor disse: “A hotelaria brasileira vai prosperar no darwinismo; não sobreviverá o mais forte, mas aquele de maior capacidade de se adaptar a novos tempos.”

Evocamos o modelo darwiniano por razão simples e objetiva. Com a participação do hotéis independentes ocupando 91% do mercado, são fundamentais ações de gestão renovadoras, com criatividade, inventividade e posicionamento. Só assim lograremos o enfrentamento das grandes redes e do vertical crescimento das plataformas digitais.

 

Quais transformações profundas pode-se esperar na hotelaria, nos próximos anos? Vê a possibilidade de algum processo de ruptura surgir de onde menos se espera?

Creio que estas transformações sejam aquelas no sentido da segmentação. Ou seja, da especificidade do nicho de hospedagem. O campo genérico, de atendimento a todos os tipos de público, encolhe a cada dia, e as demandas seguem estradas bem sinalizadas.

 

Acredita no turismo interno como uma alavanca para a hotelaria? Como atrair mais e mais brasileiros para passar férias nas opções receptivas do Espírito Santo?

O turismo interno, em geral, para ser incentivado, necessita de medidas efetivas e de impacto positivo. Eu me refiro a uma desoneração fiscal e tributária em toda a cadeia, tendo em vista um custo de implementação mais adequado, para se chegar a preços e tarifas justas e competitivas. É muito complicado se cobrar ICMS nos voos internos e desonerar aqueles para o exterior. E, de quebra, ainda ouvir que é mais barato ir para tal lugar fora do País do que ficar por aqui. Este é apenas um exemplo. Só em 2014, o déficit da balança comercial do turismo foi de R$ 25 bilhões — segundo o próprio Ministério do Turismo. Acredito que, após reformas trabalhista, fiscal e tributária, e a extinção de órgãos reguladores que nada regulam, só emperram, incluindo a melhoria da infraestrutura, nosso turismo interno alçará o voo esperado. Aliás, é preciso lembrar, mais de 100 milhões de brasileiros não fazem turismo, segundo pesquisa pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, o Senac, em 2013. E o Estado do Espirito Santo é como uma pérola brasileira no turismo. A nossa vez já chegou, mesmo tendo nosso Departamento Nacional de Produção Mineral, o DNPM, fiscalizando ou não as 1.129 barragens em que se acumulam milhões de toneladas de rejeitos da extração mineral.

 

Quais vantagens enumeraria sobre os diferentes destinos do Estado do Espírito Santo, para o perfil médio do turista brasileiro? Que localidades destacaria?

O Estado reúne praias fantásticas, com temperaturas médias de 27 graus Celsius. Tem montanhas exuberantes a 40 minutos do litoral, por rodovias asfaltadas. Há um mosaico variado de ofertas turísticas, com preços acessíveis ao brasileiro mais e menos exigente. Temos a favor a reduzida distância dos grandes polos emissores. Somos um shopping de ofertas para todos os brasileiros e também para os visitantes oriundos do exterior.