Capital é única no Brasil fundada por franceses. Prestes a completar 405 anos, viveu momentos de apogeu e de derrocada econômicas. Produção de algodão sustentou grande desenvolvimento durante os mais séculos recentes. Hoje, cultura e turismo despontam como atrativos mundiais.

 

Cidade de São Luís: história atrelada a grandes autores

 

O Estado do Maranhão, e sua capital, a Cidade de São Luís, estão sempre associados a grandes nomes da Literatura em Língua Portuguesa: Aluísio de Azevedo, Gonçalves Dias, Graça Aranha, Ferreira Gullar, José Sarney, Nauro Machado e diversos outros.

 

História da Cidade de São Luís reflete mesma trajetória do Estado do Maranhão

Aluísio de Azevedo, Gonçalves Dias, Graça Aranha, Ferreira Gullar, José Sarney e Nauro Machado são alguns dos escritores nascidos no Estado do Maranhão e nomes respeitados até fora do Brasil no âmbito da produção literária em Língua Portuguesa

 

Pode-se dizer ser esta relação bem antiga, iniciada nos primórdios da colonização das terras descobertas por Pedro Álvares Cabral em 22 de abril de 1500. Mais precisamente, em 1534, quando o rei português dom João III formalizou as Capitanias Hereditárias.

Para firmar os domínios sobre o amplo território, incentivou a ocupação das áreas por colonos, repetindo o sistema utilizado com sucesso em três outras colônias de Portugal na região do Oceano Atlântico: Ilha da Madeira, Ilhas de Cabo Verde e Ilha dos Açores.

Assim, a Capitania mais ao Norte, junto à Linha Equinocial, foi doada a João de Barros, o primeiro grande historiador português e pioneiro da gramática da Língua Portuguesa. Ele escreveu a segunda obra a normatizar o idioma, tal como era falado em seu tempo.

 

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O primeiro grande historiador português, João de Barros, capa da gramática produzida por ele e estátua em sua homenagem. A Capitania Hereditária do Maranhão, um prêmio pelos trabalhos em prol da Língua Portuguesa, acabou levando-a à falência financeira

 

Cidade de São Luís: capitania troca de proprietário

 

Este, em parceria com Aires da Cunha, montou uma frota de 10 navios e 900 homens, e zarpou para o Novo Mundo em 1539. Por ignorância dos pilotos, perdeu-se no caminho, e viajou à deriva, até aportar nas Antilhas Espanholas, acabando falido financeiramente.

A Capitania de João de Barros foi repassada a terceiros e renomeada como Capitania do Maranhão. Na década de 1550, estes novos proprietários fundaram a Cidade de Nazaré, provavelmente onde agora é a Cidade de São Luís. Mas o local teve de ser abandonado.

Se existissem documentos capazes de precisar dia, mês e ano em que isto aconteceu, a data poderia passar a ser a da fundação da Cidade de São Luís. Além de tornar a capital do Estado do Maranhão cerca de meio século mais velha, seria das mais antigas do País.

A iniciativa foi abortada devido às dificuldades de acesso à ilha e à forte resistência dos nativos. Assim, o controle português no litoral Norte continuou apenas com navegações esporádicas, inclusive indo bem além dos limites firmados no Tratado de Tordesilhas.

 

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Reprodução de mapa de 1535, quando foram definidas as Capitanias Hereditárias com as quais o reio dom João III deu velocidade à ocupação das terras da nova Colônia. À esquerda, aquela mais ao Norte, está identificada como Capitania de João de Barros

 

Cidade de São Luís: herança da França Equinocial

 

Enquanto isso, para França, Holanda e Inglaterra, atrasadas na expansão europeia pelo planeta a partir do século XIV, anos 1500, num mundo dividido por Espanha e Portugal, só restou a opção de apossar-se de áreas pertencentes às potências da Península Ibérica.

Fizeram isso a partir de investimentos privados e força militar. Empreendimentos sob a forma legal capital e indústria — recursos e mão de obra —, avançaram sobre terras da África, América e Ásia, tomando-as por força tanto de espanhóis quanto de portugueses.

Partes do Brasil Colônia foram ocupadas por duas ações francesas: França Antártica, restrita à Cidade do Rio de Janeiro; e França Equinocial, ao longo da Linha do Equador, com domínios estendendo-se do hoje Estado do Maranhão até o atual Estado do Amapá.

 

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Colônias de Portugal ao redor do mundo por volta de 1550. Ao lado da Espanha, eram as duas potências da época e dividiam o mundo entre si. França, Holanda e Inglaterra, atrasadas no processo de expansão, partiram para invadir territórios já descobertos

 

Cidade de São Luís: história iniciada por simples feitoria

 

A maior herança deixada pelo empreendimento França Equinocial no Brasil é a Cidade de São Luís, atual capital do Estado do Maranhão. Tudo começa em 1594, com Jacques Riffault instalando feitoria na Upaon-Açu, a Ilha Grande, na língua dos nativos locais.

Isto ocorreu oito anos antes da data considerada oficial de fundação da Cidade de São Luís. Aceita esta, a capital do atual Estado do Maranhão completaria 423 anos agora, e não apenas 405, como vai ser bem comemorado no próximo dia 8 de setembro de 2017.

A feitoria, junto ao mar, fortificada, era entreposto para trocas de mercadorias com os naturais da terra e dava apoio às expedições adentrando o território. Estavam assentadas bases para o domínio francês consolidar-se por todo o extenso Norte de América do Sul.

Segundo relatos franceses, viviam ali entre 200 a 600 potiguares. Praticavam agricultura de subsistência, com pequenas plantações de batata-doce e mandioca, e coleta de frutas. Eram também bons caçadores e pescadores, produzindo artefatos de barro bem rústicos.

O espaço protegido ficou aos cuidados de Charles dês Vaux. Amigo dos indígenas, até aprendendo a língua deles, deu segurança ao estabelecimento. E criou condições para viajar à França, buscando novos investimentos e reforços para manter aquele domínio.

Teve sucesso em convencer o rei Henrique IV a mandar Daniel de La Touche, o senhor de La Ravarière, fazer viagem de inspeção. Ele havia cumprido tarefa semelhante, junto ao navegador Jean Mocquet, explorando as costas de onde está hoje a Guiana Francesa.

 

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Rei da França, Henrique IV, e busto de Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière. O primeiro autorizou o segundo a fazer viagem de inspeção pelo Norte da Colônia do Brasil, verificando a viabilidade de se investir numa tomada daquele território português

 

Cidade de São Luís: La Touche e a França Equinocial

 

Entusiasmado com as possibilidades vistas ao Norte do Brasil, retornou à França para viabilizar a ocupação daqueles territórios. E descobriu que, enquanto singrava os mares, aquele monarca com o qual tinha criado proximidades, havia sido assassinado, em 1610.

Como o sucessor, Luís XIII, ainda era criança, o poder foi outorgado. Tornou-se regente Maria de Médicis. Mesmo sem intimidade com este novo Poder, La Touche conseguiu convencê-la a associar-se ao projeto de estabelecer colônia ao Sul da Linha do Equador.

Maria de Médicis o autorizou a oficializar a empreitada, sob a denominação de França Equinocial. Para cálculo dos investimentos iniciais necessários, fixaram um limite de 25 quilômetros, ao longo do litoral, de cada lado do forte a ser erguido no local da feitoria.

O avanço terra a dentro se daria conforme progredisse a posse do território. Assim, em 1612, La Ravardière deixou o Porto de Cancale, na Bretanha, região Noroeste da França, à frente dos navios Charlote, Regente e Saint-Anne, com cerca de 500 colonos a bordo.

 

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Com a morte de Henrique IV, sendo seu sucessor, Luís XIII, ainda muito criança, o Poder foi outorgado à mãe dele, Maria de Médicis, atuando como regente. Daniel de la Touche conseguiu convencê-la a investir na invasão das terras ao Norte do Brasil

 

Cidade de São Luís: fundação em 8 de setembro de 1612

 

No dia 8 de setembro de 1612, os capuchinhos Claude d’Abbeville e Yves d’Évreux, integrantes da expedição, rezaram a primeira missa na feitoria francesa da Upaon-Açu, abençoando o início dos trabalhos de construção da fortificação prevista para o local.

O baluarte foi batizado como Saint Louis, homenagem ao futuro rei da França, Louis XIII. E deram a mesma denominação ao povoado surgindo ao seu redor. Mal havia colocado pés em solo firme, La Touche iniciou o processo de consolidar seus domínios.

E fez isso com extremada competência, extrapolando aqueles limites de 25 quilômetros à direita e à esquerda do Forte Saint Louis, estabelecidos no contrato de constituição da investida comercial, firmado ainda em Paris, antes de deixar a França no sentido Sul.

Rapidamente, deu início a um amplo para programa de estabelecer inúmeras colônias de povoamento. Uma das mais importantes, sobrevivendo até nossos tempos, foi Cametá, na margem esquerda do Rio Tocantins, bem para dentro do território do Estado do Pará.

 

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Na ilustração de Claude d’Abbeville, de 1614, a celebração da primeira missa na Upaon-Açu, marcando a fundação da Cidade de São Luís. Outra localidade fundada em seguida pelos franceses foi a Cidade de Cametá, localizada no interior do atual Estado do Pará

 

Cidade de São Luís: primeiras construções patrimônios históricos

 

Em muito pouco tempo, o território sob controle da França Equinocial se estendia do, atual, litoral do Estado do Maranhão até os, agora, Norte do Estado do Tocantins, quase todo o Leste do Estado do Pará e boa parte do Estado do Amapá, e também ao interior.

Os franceses foram os primeiros a alcançar à foz do Rio Araguaia, na região do Bico do Papagaio, confluência das fronteiras entre o atuais Estado do Maranhão, Estado do Pará e Estado do Tocantins. E fizeram isso em 1613, menos de um após aportado por aqui.

Também foram responsáveis por construções atualmente pertencentes ao Patrimônio Histórico do Estado do Maranhão, da Cidade de São Luís e da humanidade, conferido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura — Unesco.

Uma delas é a Fonte das Pedras, localizada no Centro da Cidade de São Luís, em frente da Rua de São João, ao lado do Rua do Mocambo e Rua da Inveja. Ela é de 1615, ano marcado pela expulsão dos franceses, depois de apenas três anos de ocupação na região.

Outra é o Forte de Santo Antônio da Barra de São Luís, popularmente denominado de Forte do Sardinha e, mais tarde, Forte da Ponta d´Areia. Está no que era apelidado como Ponta de João Dias, atual Ponta da Areia, situada a Sudoeste do Forte de São Marcos.

E, é claro!, o Palácio dos Leões, atual sede do Governo do Estado do Maranhão. Sua localização privilegiada, no alto de um morro, marca exatamente a posição a partir da qual a Cidade de São Luís nasceu e dali foi se expandindo com os passar dos séculos.

 

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A Fonte das Pedras é das construções da época do domínio francês da Cidade de São Luís ainda presente nos tempos atuais. Outras são o Forte de Santo Antônio da Barra de São Luís e o Palácio dos Leões. Todas estão tombadas como patrimônio histórico

 

Cidade de São Luís: portugueses reagem à ocupação

 

O sucesso daquela presença francesa levou à imediata reação portuguesa. Tropas da Capitania de Pernambuco, enviadas por Alexandre de Moura, lideradas por Jerônimo de Albuquerque, começaram a fustigar os invasores, recuperando territórios passo a passo.

Após escaramuças, veio a vitória veio na Batalha de Guaxenduba, em 19 de novembro de 1614. Ela ocorreu próximo onde hoje está Cidade de Icatu, na marguem esquerda da Baía do Arraial. Portugueses e tabajaras, de um lado; franceses e tupinambás, de outro.

Foi importante passo dado pelos portugueses para a expulsão definitiva dos franceses do Estado do Maranhão. Isso demorou um ano para acontecer, em 4 de novembro de 1615. Após, eles deixaram também Estado do Pará, Estado do Amazonas e Estado do Amapá.

Mas conseguiram manter-se no espaço da atual Guiana Francesa. Com o inimigo perto, e a constante ameaça de outros, Portugal incentivou a ocupação das áreas. A partir de 1620, cresce a vinda de colonos de Portugal e das Capitanias, notadamente Pernambuco.

 

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Frente ao sucesso da ocupação francesa no Norte do Brasil, a Colônia Portuguesa logo reagiu, enviando tropas a partir da Capitania de Pernambuco. Após algumas batalhas, a expulsão dos invasores do Estado de Maranhão aconteceu em 4 de novembro de 1615

 

Cidade de São Luís: nova invasão de europeus

 

Jerônimo de Albuquerque, comandando a cidade, recebe o primeiro grupo de açorianos naquele mesmo ano. Eles dão início ao cultivo de cana, para a produção de aguardente e açúcar. Essa torna-se a principal atividade econômica na região durante um bom tempo.

O açúcar era produto de alto valor na Europa. E o Nordeste do Brasil exibia excelentes condições para sua produção. Terra, clima, mão de obra escrava e proximidade com o mercado consumidor. Assim, a Cidade de São Luís começa a crescer significativamente.

Isso se amplia em 1621: a Coroa Portuguesa divide os domínios na América do Sul em duas unidades administrativas. Uma, o Estado do Brasil, com capital na Cidade do Rio de Janeiro. Outra, Estado do Maranhão e Grão-Pará, com capital na Cidade de São Luís.

 

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Mapa de 1629, mostrando a posição da Cidade de São Luís e as demais ocupações ao redor. Detalhes como estes devem ter sido aproveitados no planejamento de uma nova invasão, desta vez pelos holandeses, que já dominavam boa parte do Nordeste brasileiro

 

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Mapa de 1640, trazendo as Capitanias Hereditárias já com suas novas identificações e fronteiras alteradas. No alto, ao centro, a Capitania do Maranhão, cujo limite à esquerda é a linha demarcatória do Tratado de Tordesilhas, nunca respeitado pelos portugueses

 

Cidade de São Luís: holandeses dominam Nordeste brasileiro

 

As coisas iam de bem para melhor quando, em 1641, uma esquadra holandesa com 18 embarcações e cerca de mil soldados toma as águas da Baía de São Marcos. Sitiando a Cidade de São Luís por mar, força a rendição dos defensores, tomando posse do local.

Comandada pelo almirante Jan Cornelisz Lichthart e pelo coronel Koin Handerson, a missão visava expandir a produção de açúcar, ampliando os domínios pelo Nordeste brasileiro, após tomadas a Cidade de Olinda, Cidade de Recife e Cidade de Salvador.

Os moradores deixaram a Cidade de São Luís deserta. O governador português, Bento Maciel Parente, foi aprisionado. Após o hasteamento da bandeira da Holanda, todas as casas foram saqueadas, templos vilipendiados e cinco mil arrobas de açúcar roubadas.

 

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Após tomarem posse da Cidade de São Luís, os holandeses ampliaram seus domínios sobre todo o Nordeste brasileiro. O objetivo deles era aumentar o volume de produção de açúcar, produto extremamente valorizado nos mercados da Europa naquela época

 

Cidade de São Luís: portugueses retomam territórios em 1644

 

Criando uma base sólida no litoral, os holandeses voltaram os olhos para o interior, e avançaram sobre os engenhos lá existentes. No ano seguinte, em 1642, os portugueses iniciaram os movimentos de mobilização e revolta, para expulsar os novos invasores.

Ações de guerrilha durante três anos levaram à destruição da Cidade de São Luís. Mas sua desocupação só se deu em 1644, após violenta batalha, provocando muitas mortes. Mesmo com a economia local destroçada, deu-se início à reconstrução da área urbana.

 

História da Cidade de São Luís reflete mesma trajetória do Estado do Maranhão

Ilustração do holandês Frans Jansz, datada de 1645, mostra a esquadra de 18 navios holandeses sitiando a Cidade de São Luís. A população abandonou suas casas e os invasores saquearam todas elas, inclusive capturando cinco mil arrobas de açúcar

 

Cidade de São Luís: início do comércio internacional

 

A criação da Companhia do Comércio do Maranhão, em 1682, integrou a região ao sistema comercial de Portugal. As plantações de cacau, cana-de-açúcar e tabaco, agora, voltadas à exportação, viabilizaram o investimento em mão de obra escrava africana

A Companhia, privada, passou a gerir a cidade, no lugar da Câmara Municipal. O preço dos importados e diferenças quanto à produção criaram conflitos, gerando a Revolta de Beckman. Esta é considerada a primeira insurreição surgida na Colônia contra Portugal.

Movimento reprimido pelas forças governistas, consolida-se o domínio português. E o destino da Cidade de São Luís é atrelado ao destino da Capitania do Maranhão. Se esta ia bem, a cidade ia bem, também; se, ao contrário, ela decaía, a cidade decaía junto.

 

História da Cidade de São Luís reflete mesma trajetória do Estado do Maranhão

A criação da Companhia do Comércio do Maranhão, em 1682, integrou a região ao sistema comercial de Portugal. As plantações de cacau, cana-de-açúcar e tabaco, agora, voltadas à exportação, viabilizaram o investimento em mão de obra escrava africana

 

Cidade de São Luís: economia fomentada pelo algodão

 

Desde seus primórdios, e durante mais de dois séculos, o Estado do Maranhão teve sua economia baseada numa agricultura voltada à exportação: açúcar, aguardente, algodão, azeite, baunilha, couro, cravo, farinha de mandioca, sal e tabaco, dentre outros produtos.

No fim do século XVIII, anos 1700, o aumento da demanda internacional por algodão para atender às indústrias têxteis inglesas estimulou a produção do Estado do Maranhão. E foi dado início a um período definido como a fase de ouro da economia maranhense.

 

História da Cidade de São Luís reflete mesma trajetória do Estado do Maranhão

Durante mais de dois séculos, o Estado do Maranhão, e a capital, a Cidade de São Luís, viveram da economia proporcionada pela cultura do algodão. Assentada principalmente em obra escrava, escondia baixos índices de produtividade, mas preços compensavam

 

Cidade de São Luís: surge o apelido Atenas Brasileira

 

A Cidade de São Luís passa a viver uma efervescência cultural sem comparação para aquela época, tendo sido a primeira no País a receber uma companhia italiana de ópera. Seus habitantes relacionavam-se mais com capitais europeias que cidades brasileiras.

Famílias de grandes fortunas oriundas do algodão ou do comércio enviavam os filhos para estudar na Europa ou na Cidade de Recife, Cidade de Salvador ou Cidade do Rio de Janeiro. Nessa fase, a Cidade de São Luís passa a ser chamada de Atenas Brasileira.

O apelido decorre do grande número de escritores lá nascidos exercendo um importante papel nos movimentos literários brasileiros, a partir do Romantismo. Aparece, assim, a imagem do povo do Estado do Maranhão falando o melhor Português em todo o Brasil.

Só para se ter ideia, a primeira Gramática da Língua Portuguesa produzida no País foi escrita e editada na Cidade de São Luís, por Francisco Sotero dos Reis. Seu patrimônio cultural exibe riqueza de poemas e romances e escritores conhecidos mundialmente.

 

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Francisco Sotero dos Reis foi um dos intelectuais que contribuíram para a Cidade de São Luís ser identificada como Atenas Brasileira. Além de autor renomado, produziu a primeira Gramática de Língua Portuguesa no Brasil, editada no Estado do Maranhão

 

Cidade de São Luís: cultura negra das mais ricas do País

 

Enquanto os filhos dos senhores eram enviados para estudar fora, na periferia da Cidade de São Luís e nas senzalas das plantações, longe da repressão da Polícia e das elites, os escravos criavam uma cultura negra que vai se mostrar como das mais ricas da Nação.

A Cidade de São Luís perde status em 1737, com a criação do Estado do Grão-Pará e Maranhão, e a Cidade de Belém tornando-se capital. Em 1755, fundada a Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, o Porto da Cidade de São Luís renasce.

Embora esta tenha sido uma decisão do Marquês de Pombal, enquanto ele esteve no poder em Lisboa, de 1755 a 1777, a Cidade de São Luís recebeu investimentos como esgotos canalizados e rede de abastecimento de água atendendo fontes pela cidade.

A entrada e saída de produtos amplia-se: azeite português, cerveja da Inglaterra, livros, móveis e tecidos chegavam do Velho Continente. A proibição de escravizar indígenas e o crescimento das plantações fazem aumentar a importação de negros cativos da África.

 

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No período de 22 anos em que o Marquês de Pombal esteve no poder em Lisboa, de 1755 a 1777, a Cidade de São Luís recebeu investimentos de significativos, como esgotos canalizados e rede de abastecimento de água atendendo fontes pela cidade

 

Cidade de São Luís: guerras ampliam comércio com Europa

 

A Guerra de Independência entre as 13 colônias na América do Norte e a Inglaterra, de 1776 a 1783, interrompendo a produção e exportação de algodão no Atlântico Norte, dá espaço para o Estado do Maranhão fornecer a matéria-prima demandada pelos ingleses.

Em 1780, inaugurada a Praça do Comércio, esta torna-se o centro da ebulição cultural e econômica da Cidade de São Luís. O número de ruas calçadas e com iluminação pública era recorde no País. Novidades da literatura francesa chegavam praticamente todo dia.

A produção agrícola foi, aos poucos, sendo suplantada pela indústria têxtil. Esta, além de matéria-prima, encontrou mão de obra qualificada e mercado na região. A nova atividade levou à expansão da Cidade de São Luís, com surgimento de novos bairros.

Outro forte impulso para a produção de algodão no Estado do Maranhão veio com a Guerra Civil nos Estados Unidos da América, entre 1861 e 1865. O conflito levou os Estados do Sul, maiores produtores, a interromperam suas produções e a exportação.

Empresas como Southampton & Maranham Company e Maranham Shipping Company, de transporte marítimo a vapor, responsáveis pelo transporte do algodão do Estado da Geórgia e do Estado do Alabama, passaram a operar a partir do Estado do Maranhão.

 

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Exportações a partir da Cidade de São Luís, principalmente para Inglaterra, começaram a ser feita por navios movidos a vapor no final do século XIX. Proximidade com Europa e outros mercados barateava os fretes, compensando a baixa produtividade da produção

 

Cidade de São Luís: perda de competividade e decadência

 

Após o fim daqueles combates, retornaram às suas origens. A vitória do Norte sobre o Sul levou à modernização das culturas nos antigos Estados escravagistas e os ganhos de produtividade daí advindos impactaram tanto na qualidade quanto no preço do produto.

Com práticas ultrapassadas, e ainda usando mão de obra escrava, a produção de algodão do Estado do Maranhão perdeu espaço e entrou em decadência. Mesmo assim, até início do século XX, anos 1900, sua exportação pela Cidade de São Luís tinha expressividade.

As cargas, invariavelmente, seguiam para as indústrias da Inglaterra, transportadas por via marítima, pelas empresas Booth Line, Liverpool-Maranham Shipping Company e Red Cross Line. A linha desta última atendia também a Cidade de Iquitos, no Peru.

 

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A cultura e exportação do algodão sustentou a economia da Cidade de São Luís até o início do século XX. Esta vista da Praça do Comércio, em 1910, dá ideia da qualidade de vida desfrutada pelos moradores, com excelentes casas e ruas calçadas e arborizadas

 

Cidade de São Luís: isolamento dura até final dos anos 1960

 

Com a decadência da produção têxtil, a Cidade de São Luís ficou isolada do resto do País, só voltando a se recuperar após a primeira metade do século XX, quando o Estado passou a receber incentivos oriundos de programas criados durante a ditadura militar.

Durante os governos dos generais, o Estado do Maranhão recebeu incentivos, além de ligações férreas, navais e rodoviárias com outras regiões. A Cidade de São Luís ganhou o Porto do Itaqui, segundo em profundidade no mundo, atrás de Rotterdam, na Holanda.

A economia voltou-se para a indústria de transformação de alumínio, produção de alimentos, prestação de serviços e, ultimamente, turismo. Este último é ajudado pelas riquezas cultural, histórica e natural, histórica e cultural de todo o Estado do Maranhão.

 

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Área onde hoje fica o Porto do Itaqui, um dos investimentos realizados pelos governos militares no Estado do Maranhão. O local foi escolhido pela enorme profundidade lá existente, a segundo do mundo, eliminando os altos custos de dragagem periódica

 

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Cerca de 3.500 prédios do Centro Histórico da Cidade de São Luís, revestidos com azulejos portugueses, tornaram-se Patrimônio Cultural da Humanidade, em 1997, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a Unesco

 


 

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Material produzido a partir da participação na edição 2017 do São João de São Luís, a convite da Revista Maranhão Turismo com apoio da Secretaria de Turismo da Prefeitura da Cidade de São Luís.