Em 1494, estabelece-se na Europa que a maior parte do atual Estado do Pará pertenceria à Espanha. Exploradores daquela Nação acamparam onde hoje situa-se a Cidade das Mangueiras de Belém. Portugueses começam a mudar essa realidade a partir do início do ano de 1616.

 

Estado do Pará: história iniciada em 1404, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas

 

O Estado do Pará vem trabalhando bem a diversificação de sua economia, em agricultura, comércio, indústria e serviços. Mas um setor com grande potencial não estava sendo melhor aproveitado. É o turismo, podendo ser explorado de modo sustentável em todas as suas classificações: aventura, compras, cultura, ecologia, educação, esportes, etnologia, eventos, gastronomia, história, lazer, Melhor Idade, natureza, negócios, religioso, saúde…

Para avançar neste segmento, ampliando ainda mais a pauta de atividades com boas capacidades para ampliar geração de riqueza, acelerar a criação de empregos e melhorar a distribuição de renda, foi criado o “Ver o Pará — Plano Estratégico para o Turismo do Estado do Pará”. Nesta matéria e outras cinco que a seguem, vamos rever a trajetória que levou Poder Público, iniciativa privada e sociedade a se unirem com este objetivo.

 

Estado do Pará: espanhóis tateando pelos domínios

 

Estado do Pará: história iniciada em 1404, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas

Pelo Tratado de Tordesilhas, a maior parte do território do atual Estado do Pará, pertencia à Espanha. Mas as dificuldades encontradas pelos primeiros exploradores espanhóis adiaram os projetos para a ocupação das terras, e isso facilitou o avanço dos portugueses para Oeste

 

A região do Rio Amazonas, segundo o Tratado de Tordesilhas, assinado entre Espanha e Portugal, em 1494, pertencia à Coroa espanhola. Sobre o território do que seria o Brasil, o limite Norte entre os domínios das duas nações da Península Ibérica, ao Sul da Europa, se dava justamente lado da sua foz, no Oceano Atlântico. Isso foi descoberto por Vicente Yáñez Pinzón, em fevereiro de 1500, meses antes da chegada de Pedro Álvares Cabral.

Aliás, no mesmo mês de abril em que os portugueses chegavam à região da, agora, Cidade de Porto Seguro, no litoral do que é, atualmente, o Estado da Bahia, outro navegador vindo da Espanha, Diego de Lepe, primo de Vicente Yáñez Pinzón, singrava por aquelas águas, contornando a mais tarde batizada de Ilha do Marajó. Daí em diante, o litoral e o próprio Rio Amazonas foi bastante visitado por piratas, em sua maioria da Holanda e Inglaterra.

Em 1541, os espanhóis Francisco de Orellana e Gonzalo Pizarro, depois de participarem da conquista do Peru, partiram da Cidade de Quito, atual Equador, atravessaram a Cordilheira dos Andes e, em canoas, desceram pelo Rio Solimões e pelo Rio Amazonas, alcançando o Oceano Atlântico em 1542, cerca de dois anos após a partida. A intenção deles era achar a “Terra do Ouro” — ou “El Dorado”, no espanhol —, conhecida pelas lendas dos nativos.

Enquanto aguardavam as naus que os levariam de volta à Espanha, acamparam onde hoje encontra-se a Cidade das Mangueiras de Belém. O relato daquela aventura, feito pelo frei dominicano Gaspar de Carvajal, mostra desafios, dificuldades e perigos vencidos durante a longa trajetória pelo “inferno verde” da Floresta Amazônica. Mesmo sabedor disso, outro grupo refaz o caminho 17 anos depois, também com o objetivo de encontrar o Eldorado.

 

Estado do Pará: história iniciada em 1404, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas

O navegador Vicente Yáñez Pinzón, na imagem como que apontando os limites das terras pertencentes aos portugueses, descobriu a foz do Rio Amazonas em fevereiro de 1500. Ou seja: esteve no Brasil por volta de três meses antes da chegada de Pedro Álvares Cabral

 

Estado do Pará: história iniciada em 1404, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas

Trajeto percorrido pela dupla Francisco de Orellana e Gonzalo Pizarro, saindo de Quito, no atual Equador, em 1541, atravessando a Cordilheira dos Andes e, em canoas, descendo pelo Rio Solimões, chegando ao Rio Amazonas e alcançando o Oceano Atlântico em 1542

 

Estado do Pará: dificuldades adiam ocupação

 

Em 1559, Pedro de Ursúa chefiou um grupo que, saindo do Peru, cruzou as Cordilheiras do Andes e começou a descer o Rio Solimões, para alcançar o Rio Amazonas. Assassinado durante a viagem, a expedição passou a ser comandada por Lope de Aguirre. Assim como seus predecessores, alcançara ao Oceano Atlântico praticamente dois anos depois, em 1561. Aguardaram as naus para voltar à Europa acampados nas proximidades da Ilha do Marajó.

Mais uma vez, as dificuldades da jornada impressionaram seus compatriotas. E acabou atrapalhando as iniciativas de colonização da região pela Espanha. Os financiadores dos projetos de conquista ficaram com receio maior quanto aos possíveis fracassos e preferiram investir em regiões com maior probabilidade de gerar lucros. Essa decisão vai facilitar o avanço dos portugueses para Oeste, desrespeitando os limites do Tratado de Tordesilhas.

 

Estado do Pará: história iniciada em 1404, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas

A expedição de Pedro de Ursúa, morto durante a viagem, e Lope de Aguirre também levou dois anos para cruzar o Oceano Pacífico ao Oceano Atlântico, e o relato das dificuldades enfrentadas levou a que os financiadores dos projetos de ocupação fugissem dos riscos

 

Estado do Pará: portugueses avançam para Oeste

 

Em novembro de 1615, após consolidar a retomada da Cidade Atenas Brasileira de São Luís do Maranhão, antes invadida por franceses, para a Coroa de Portugal, o capitão-mor Alexandre de Moura determina ao seu colega, capitão-mor da Capitania do Rio Grande do Norte, Francisco Caldeira de Castelo Branco, conquistar a boca do Rio Amazonas. Ele parte no dia de Natal, à frente de cerca de 200 homens aglutinados em três embarcações.

A expedição chega à Baía de Guajará em 12 de janeiro de 1616 e, numa pequena extensão de terra à margem esquerda do Igarapé Piri, dá início à construção de pequena fortificação, batizada como Forte do Castelo do Senhor Cristo do Presépio de Belém, mas popularmente conhecido como Forte do Presépio. Destinado a conter ataques dos nativos e corsários, acabou constituindo-se no núcleo de uma povoação, denominada Nossa Senhora de Belém.

Aos poucos, os portugueses foram ampliando seus domínios para Oeste, passando por cima dos limites do Tratado de Tordesilhas. Durante todo o final do século XVII, anos 1600, e a primeira metade do século XVIII, anos 1700, integrada à Capitania do Maranhão, a região da foz do Rio Amazonas viveu período de prosperidade, proveniente do avanço das áreas de lavoura e pecuária. E a Espanha havia perdido por completo o domínio daquelas terras.

 

Estado do Pará: história iniciada em 1404, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas

O capitão-mor Francisco Caldeira de Castelo Branco chegou à Baía do Guajará em 12 de janeiro de 1616 e ergueu uma fortificação batizada como Forte do Castelo do Senhor Cristo do Presépio de Belém, dando origem ao que é a atual Cidade das Mangueiras de Belém

 

 Estado do Pará: Tratado de Madri consolida Brasil

 

Com os limites estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas há muito esquecidos, era hora de se negociar novo acordo de fronteiras. Os espanhóis aceitaram a ideia, mesmo contrariados. Os portugueses entraram nos debates fortalecidos. Afinal, já ocupavam o território a Oeste dos limites de 1494, com diversas aldeias e vilas fundadas. Eram os donos de fato. E esta situação se consolida na final redação de um novo pacto, batizado de Tratado de Madrid.

Os acertos, privilegiando o uso de montanhas e rios na demarcação das áreas, consagrou um princípio vindo do direito romano, do “uti possidetis, ita possideatis”. Ou seja: quem possui de fato deve possuir de direito. Com todo o Oeste brasileiro habitado por gente da Colônia portuguesa, o mapa daí surgido delineou, praticamente, os contornos do Brasil de hoje. Este documento, firmado em 1750, deu as bases para a criação do Estado do Pará.

 

Estado do Pará: história iniciada em 1404, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas

Substituindo o Tratado de Tordesilhas, o Tratado de Madri, firmado em 1750 entre a Espanha e Portugal, foi construído com o princípio do direito romano “quem possui de fato deve possuir de direito”. E deu a conformação das fronteiras que o Brasil tem até hoje

 

Estado do Pará: informações complementares

 

Esta é a matéria 1 de 4, sendo que as outras três complementam o assunto aqui iniciado. Então, se puder, leia também:

 

Matéria 2

• Estado do Pará: ápice com o Marquês de Pombal, decadência até meio dos anos 1800

 

Matéria 3

• Estado do Pará: do esplendor do Ciclo da Borracha ao Plano Estratégico Ver o Pará

 

Matéria 4

• Estado do Pará: 70 projetos para criar o maior polo de visitantes na Amazônia

 


 

Clique sobre os trechos em colorido ao longo do texto para abrir novas guias, trazendo informações complementares ao aqui sendo tratado. Eles guardam links levando para a versão digital do “Ver o Pará — Plano Estratégico Para o Turismo do Estado do Pará”, verbetes da Wikipedia e sites de empresas, entidades, Governos estaduais, Prefeituras etc.

A repetição do termo “Estado do Pará” é intencional. Ele é a principal palavra-chave do conteúdo. E colocá-lo diversas vezes ao longo da postagem é parte das modernas técnicas de Search Engine Optimization — SEO, a otimização para ferramentas de busca. E ajuda a destacar o trabalho na lista apresentada quando se pesquisa com Bing, Google ou Yahoo.

Adotei o critério de, nos meus textos de divulgação de turismo, ao citar uma cidade, fazê-lo em conjunto com seus apelidos. Por isso Cidade das Mangueiras de Belém, Cidade Atenas Brasileira de São Luís, Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, Cidade Presépio de Vitória etc. E, até o momento, Estado do Espírito Belo e Santo e Estado de Santa e Bela Catarina.

Texto produzido a partir de conhecimentos gerais do autor e pesquisas na Internet, a partir da Wikipedia, site do Governo do Estado do Pará e resultados dos mecanismos de buscas. Como fundamenta matéria com fins de divulgação do turismo, e não trabalho científico, pode apresentar erros. Se eles forem apontados, reeditarei o material com as correções.