O início da vigência do Tratado de Madri coincidiu com o surgimento de um período de grande crescimento para a Colônia do Grão-Pará e Maranhão. Esta bonança segue até a queda do Marquês de Pombal. A estagnação econômica vai até a metade do século XIX, anos 1800.

 

Estado do Pará: ápice com Marquês de Pombal, decadência até meio dos anos 1800

 

O Estado do Pará vem trabalhando bem a diversificação de sua economia, em agriculturacomércio, indústria e serviços. Mas um setor com grande potencial não estava sendo melhor aproveitado. É o turismo, podendo ser explorado de modo sustentável em todas as suas classificações: aventura, compras, cultura, ecologia, educação, esportes, etnologia, eventos, gastronomia, história, lazer, Melhor Idade, natureza, negócios, religioso, saúde…

Para avançar neste segmento, ampliando ainda mais a pauta de atividades com boas capacidades para ampliar geração de riqueza, acelerar a criação de empregos e melhorar a distribuição de renda, foi criado o “Ver o Pará — Plano Estratégico para o Turismo do Estado do Pará”. Nesta matéria e outras cinco que a seguem, vamos rever a trajetória que levou Poder Público, iniciativa privada e sociedade a se unirem com este objetivo.

 

Estado do Pará: de Feliz Luzitânia a Grão-Pará e Maranhão

 

Ao chegarem à região da foz do, agora, Rio Amazonas, em meados do século XVI, anos 1500, os portugueses batizaram o local como Feliz Luzitânia. Convivendo com os nativos locais, perceberam estes referirem-se àquelas imensidões de águas como “pa’ra”: “rio mar”, na língua tupi. E passaram a chamar aquilo de “Grão-Pará”: rio grande. Essa denominação passou a identificar a terra do Oceano Atlântico até quase os pés da Cordilheira dos Andes.

Com o Tratado de Madri, assinado entre Espanha e Portugal no ano de 1750, garantindo a posse da maior parte da Amazônia aos domínios dos portugueses, era preciso organizar a expansão para o Oeste. Havia mais de cem anos que os portugueses tratavam suas posses na América como duas colônias distintas. Uma delas era o Brasil, agregando o Nordeste, as Capitanias junto ao litoral do Oceano Atlântico e os territórios agregados no Centro-Oeste.

A outra era o Estado do Maranhão e Grão-Pará, incluindo parte do atual Estado do Ceará, Estado do Piauí, Estado do Maranhão e toda a Amazônia. A capital estava estabelecida na Cidade Atenas Brasileira de São Luís. Um século após, em 1751, o crescimento da Cidade das Mangueiras de Belém e decisão política em Lisboa, capital de Portugal, tomada pelo secretário do reino, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, altera isso.

 

Estado do Pará: ápice com Marquês de Pombal, decadência até meio dos anos 1800

Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, foi um dos maiores estadistas que a história de Portugal já teve, e exerceu o poder como poucos no mundo, brigando inclusive com a Companhia de Jesus e seus jesuítas, sem medo de responde à Inquisição

 

Estado do Pará: opção pessoal do Marquês de Pombal

 

Inverte-se o nome para Estado do Grão-Pará e Maranhão e leva-se a sede para a Baía do Guajará. Mas o Marquês de Pombal vai além. Seu interesse pelo sucesso das mudanças era pessoal. Nomeou um irmão como governante da Colônia, um sobrinho como bispo e vários outros parentes e amigos para cargos de destaque na burocracia. Além disso, promoveu um programa de investimentos, alterando significativamente as estruturas econômica e social.

Encaminhou para Belém centenas de especialistas, como arquitetos, cientistas, desenhistas, engenheiros, geógrafos, militares e naturalistas. Todos deixaram o conforto da Europa com o firme compromisso de ir a campo, viajar para o interior. Ao mesmo tempo em que, com a presença deles, demarcava mais ainda a posse de Portugal naquela imensa terra desabitada, promoveu levantamento científico acurado da região: fauna, flora, hidrografia, nativos etc.

Transferiu 1.700 famílias da África e milhares de habitantes das Ilhas dos Açores com os objetivos de ocupar áreas e dinamizar a economia, incentivando atividades extrativistas ou monoculturas agrícolas, com o cacau, por exemplo. Este passou a constituir uma riqueza importante da região. Após expulsar os jesuítas de Portugal e dos domínios de ultramar, distribuiu todas as propriedades deixadas por estes últimos entre militares fiéis à sua causa.

 

Estado do Pará: ápice com Marquês de Pombal, decadência até meio dos anos 1800

O Marques de Pombal ao centro e seus irmãos: à esquerda, o Patriarca de Lisboa: à direita, o governador da Colônia do Grão-Pará e Maranhão, indicado para cá com totais poderes e recursos para incentivar a ocupação das terras e o desenvolvimento da enorme região

 

Estado do Pará: 39 novas cidades às margens dos rios

 

Confirmou a liberdade dos nativos vivendo nos assentamentos deixados pelos missionários, transformando estes locais em vilas e cidades. Mandou fundar novos núcleos habitacionais ao longo dos cursos dos rios mais importantes. Foram 85 no total — sendo 39 delas dentro do território atual do Estado do Pará. Incrementou o comércio de negros escravos, criando a Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão exclusivamente para este fim.

E também incentivou o embelezamento da Cidade das Mangueiras de Belém: construção do Palácio dos Governadores, agora Museu Histórico do Estado do Pará, e prédios públicos e residenciais; e reconstrução das principais igrejas: Carmo, Sant’Anna, Santo Alexandre, São Joãozinho e Sé. Nessa atividade destacou-se o arquiteto Antônio José Landi, vindo da Cidade de Bolonha, do Norte da Itália, e que decidiu por fixar-se em definitivo na colônia.

Foram duas décadas de grande prosperidade, com a proliferação de lavouras de arroz, café, cana de açúcar, cacau e tabaco, além de muitas fazendas voltadas à criação de gado para o abate. A carne, transformada em charque, era exportada para diversas regiões do Brasil e também para a Europa. Em 1775, o Estado é dividido em duas partes, com a separação de todo aquele território situado a Leste, resultando na criação do novo Estado do Maranhão.

 

Estado do Pará: ápice com Marquês de Pombal, decadência até meio dos anos 1800

Os pontos negros mostram núcleos habitacionais criados por ordem do Marquês de Pombal ao longo dos cursos dos rios mais importantes. Foram 85 no total — sendo 39 delas dentro do território atual do Estado do Pará — contribuindo para a posse definitiva da Amazônia

 

Estado do Pará: perda do Maranhão e morte de Pombal

 

Com aquela perda e, logo após, a deposição do Marquês de Pombal, em 1777, e sua morte, em 1782, iniciou-se um processo de decadência econômica que somente será revertido quase um século mais tarde. E, para piorar, no meio desta trajetória, a Capitania do Grão-Pará toma uma posição que acabou prejudicando-a politicamente. Em 1821, apoia a Revolução Constitucionalista, movimento iniciado na Cidade do Porto, situada ao Norte de Portugal.

O levante acabou reprimido e a derrota levou a castigos para o território da América do Sul. Isso, inclusive, ajudou na decisão de, em 1823, ela se unir ao Brasil independente desde o ano anterior. Até ali, reportava-se diretamente a Lisboa. Livre da ingerência europeia, mas deixada de lado nas decisões da Corte na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, buscou a autonomia e iniciou uma revolta cujos conflitos seguiram por cinco anos, de 1835 a 1840.

Batizada de Cabanagem, como eram conhecidos os grupos de cabanas humildes erguidos às margens dos rios, é o único movimento liderado por camadas populares já ocorrido no Brasil. Gente oriunda de existência marcada por desnutrição endêmica, pobreza extrema e surtos constantes de doenças. Decretaram independência, com instalação de um Governo na Cidade das Mangueiras de Belém. Foram massacrados, com saldo de mortos exorbitante.

 

Estado do Pará: ápice com Marquês de Pombal, decadência até meio dos anos 1800

A revolta da Cabanagem é o único movimento liderado por camadas populares já ocorrido no Brasil. Os amotinados eram, essencialmente, gente cuja existência estava marcada por desnutrição endêmica, pobreza extrema, surtos constantes de doenças, exploração diária…

 

Estado do Pará: perda do Estado do Amazonas

 

Outra consequência negativa da Cabanagem foi perder o território do que é hoje o Estado do Amazonas, tornado autônomo em 1850. Apesar de todos estes problemas, a economia da, agora, Província do Pará passou a crescer rapidamente a partir da metade final do século XIX, anos 1800. E isso vai se prolongar até o início do século XX, anos 1900. Motivo: o crescimento do consumo de borracha, produzida a partir de látex extraído das seringueiras.

Após praticamente 100 anos de abandono e estagnação, a Província do Pará começa a viver um período de fausto como nunca antes ocorrido naquelas paragens. Os recursos vindos da atividade de exportação cresciam ano a ano. O otimismo para com o futuro era total. Esse era o clima vigente na Proclamação da República, em 1989. O agora Estado do Pará parecia fadado a usufruir vida de progresso infinito e sua europeização era só questão de tempo.

 

Estado do Pará: ápice com Marquês de Pombal, decadência até meio dos anos 1800

A Proclamação da República aconteceu no momento em que a economia do Estado do Pará volta aos bons tempos, já estando no auge do que ficou conhecido como Ciclo da Borracha. Este período de bonança vai perdurar até a segunda década do século XX, anos 1900

 

Estado do Pará: informações complementares

 

Esta é a matéria 2 de 4, sendo que as outras três complementam o assunto aqui iniciado. Então, se puder, leia também:

 

Matéria 1

• Estado do Pará: história iniciada em 1494, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas

 

Matéria 3

Estado do Pará: do esplendor do Ciclo da Borracha ao Plano Estratégico Ver o Pará

 

Matéria 4

• Estado do Pará: 70 projetos para criar o maior polo de visitantes na Amazônia

 


 

Clique sobre os trechos em colorido ao longo do texto para abrir novas guias, trazendo informações complementares ao aqui sendo tratado. Eles guardam links levando para a versão digital do “Ver o Pará — Plano Estratégico Para o Turismo do Estado do Pará”, verbetes da Wikipedia e sites de empresas, entidades, Governos estaduais, Prefeituras etc.

A repetição do termo “Estado do Pará” é intencional. Ele é a principal palavra-chave do conteúdo. E colocá-lo diversas vezes ao longo da postagem é parte das modernas técnicas de Search Engine Optimization — SEO, a otimização para ferramentas de busca. E ajuda a destacar o trabalho na lista apresentada quando se pesquisa com Bing, Google ou Yahoo.

Adotei o critério de, nos meus textos de divulgação de turismo, ao citar uma cidade, fazê-lo em conjunto com seus apelidos. Por isso Cidade das Mangueiras de Belém, Cidade Atenas Brasileira de São Luís, Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, Cidade Presépio de Vitória etc. E, até o momento,Estado do Espírito Belo e Santo e Estado de Santa e Bela Catarina.

Texto produzido a partir de conhecimentos gerais do autor e pesquisas na Internet, a partir daWikipedia, site do Governo do Estado do Pará e resultados dos mecanismos de buscas. Como fundamenta matéria com fins de divulgação do turismo, e não trabalho científico, pode apresentar erros. Se eles forem apontados, reeditarei o material com as correções.