Em 21 de fevereiro de 1874, a terra capixaba recebeu 386 trentinos e vênetos, após 45 dias de viagem a bordo do navio de bandeira francesa, movido a velas, La Sofia. Eles vieram para o País com promessas de posse de terra. Mas, chegados aqui, perceberam ter sido enganados pelo empreendedor, o conterrâneo italiano Pietro Tabacchi.

 

Italianos pagariam a terra com toras de Jacarandá

 

Lei federal de 2008 instituiu 21 de fevereiro com o Dia Nacional do Imigrante Italiano no Brasil. Essa data foi escolhida por marcar a chegada da primeira imigração em massa daquela etnia para nosso País. Isso, após árduas e extensas pesquisas, documentação e comprovação do ocorrido.

Na oportunidade, em 1874, desembarcaram no Estado do Espírito Santo 386 trentinos e vênetos após 45 dias de viagem a bordo do navio de bandeira francesa, movido a velas, La Sofia. Todos haviam embarcado dia 3 de janeiro, na Cidade de Gênova, localizada na costa Noroeste da Itália.

Eles deixaram a terra natal convencidos por promessas de outro italiano, o empreendedor Pietro Tabacchi, dono de terras no, então, Município de Santa Cruz, atual Município de Aracruz, situado na costa Nordeste do território capixaba. Sua propriedade era batizada como Monte delle Palme.

 

Em 21 de fevereiro de 1874, desembarcaram no Estado do Espírito Santo 386 trentinos e vênetos após 45 dias de viagem a bordo do navio de bandeira francesa, movido a velas, La Sofia. Todos haviam embarcado dia 3 de janeiro, na Cidade de Gênova, localizada na costa Noroeste da Itália

 

Pietro Tabacchi prometeu 12 hectares para cada família

 

Pietro Tabacchi chegou à região em 1851, atraído pelas possibilidades de progresso do local. Em busca de dinamizar seus investimentos, aproveitou visita do imperador dom Pedro II, em 1860, e iniciou tratativas com o Governo para contratar grande quantidade de trabalhadores pela Europa.

Após longas negociações, em 1873, obteve permissão para trazer 70 famílias do Tirol, situado ao Norte da Itália. Eles iriam povoar e trabalhar na, agora, Colônia Nova Trento. Para convencê-los a deixar a terra natal e abandonar os parentes, ofereceu condições vantajosas, postas em contrato.

Cada família receberia um lote com 12 hectares de área a preço bem favorável. Para quitar, era só desmatar o terreno, entregando toras de madeira. No acerto com o Governo, Pietro Tabacchi tinha direito de exportar 3,5 mil peças de Jacarandá, madeira de alto valor, abundante por toda a região.

 

Cada família receberia um lote com 12 hectares de área a preço bem favorável. Para quitar, era só desmatar o terreno, entregando toras de madeira. No acerto com o Governo, Pietro Tabacchi tinha direito de exportar 3,5 mil peças de Jacarandá, madeira de alto valor, abundante por toda a região

 

45 dias de viagem, 10 de quarentena, horas a pé

 

Após cumprir uma quarentena de 10 dias na Cidade de Vitória, a capital do Estado, toda a turma foi reembarcada no Nossa Senhora da Penha, um patacho, antigo tipo de barco com dois mastros: o da proa sustentava uma vela redonda; o de ré, uma triangular, mais conhecida como vela latina.

Depois de algumas horas de viagem, a embarcação adentrou pelo Rio Piraqueaçu e, avançando quilômetro a quilômetros, lentamente, contra correnteza, chegou a um porto improvisado. Todos saltaram, carregando os poucos pertences, notadamente ferramentas e utensílios de uso agrícola.

Dali, partiram rumo ao destino tão sonhado: faltava apenas uma caminhada de seis horas, a pé, por trilhas em meio a densa aglomeração de árvores formada por espécies desconhecidas por eles. Eram árvores da Mata Atlântica, a floresta mais rica em variedades já existente na face da Terra.

 

Deixando as margens do Rio Piraqueaçu, partiram rumo ao destino sonhado, numa caminhada de seis horas, a pé, por trilhas em meio à aglomeração de espécies completamente desconhecidas por eles. Eram árvores da Mata Atlântica, a floresta mais rica em variedades já existente pela Terra

 

Revolta, abandono e caminhada pela mata

 

Foi só cruzar os limites da Colônia Nova Trento para perceber terem sido enganados por Pietro Tabacchi. Em vez de encaminhar cada família para o pequeno torrão tão sonhado, todos foram amontoados num galpão, obrigando desconhecidos a dividirem o mesmo espaço, sem privacidade.

Diante da revolta dos imigrantes, Pedro Tabacchi imaginou forçá-los a aceitar a situação, pois, em suas palavras, “eles não tinham como voltar para a Itália, além de estarem devendo a ele.” Foi o estopim para a revolta: unidos, colocaram fogo nas instalações e abandonaram a propriedade.

Embrenharam-se pelo mato, direção Sul — quem sabe, imaginando alcançar a Cidade de Vitória e, de lá, tentar retornar à Europa. Não demorou, encontraram sinais de colonização, junto à Vila do Pau Gigante — melhor ainda, Ibiraçu, na língua tupi, atual nome do Município ali instalado.

 

Deixando as terras de Pietro Tabacchi, embrenharam-se no mato, direção Sul — quem sabe, imaginando alcançar a Cidade de Vitória e, de lá, tentar retornar à Europa. Logo, encontraram a Vila do Pau Gigante — melhor, Ibiraçu, na língua tupi, atual nome do Município ali instalado

 

Primeira cidade fundada por imigrantes italianos

 

Uma boa parte ficou por ali mesmo, trabalhando como empregados ou tentando a sorte em terras sem dono. Outra, diante da cadeia de montes à direita, escalaram os morros, buscando locais com temperaturas bem mais amenas. No alto, deparando com um belo vale, por ali se estabeleceram.

Em pouco tempo, ergueram uma pequena vila, origem comprovada do primeiro núcleo urbano fundado pelos imigrantes italianos em solo brasileiro. Trata-se da bela Cidade de Santa Teresa, hoje um dos ícones na atração de turistas da Região de Montanhas do Estado do Espírito Santo.

Sua data oficial de fundação é 26 de junho de 1875. Ou seja: anterior à chegada dos imigrantes vindos ao Brasil pelos projetos oficiais de colonização, dinamizados durante os últimos anos do século XIX, atraindo para cá dezenas de milhares de europeus: alemães, italianos, pomeranos…

 

Em pouco tempo, ergueram uma pequena vila, origem comprovada do primeiro núcleo urbano fundado pelos imigrantes italianos em solo brasileiro. Trata-se da bela Cidade de Santa Teresa, hoje um dos ícones na atração de turistas da Região de Montanhas do Estado do Espírito Santo

 

Mão de obra para fazendas, povoação de áreas ermas

 

Com a iniciativa, o Governo do Império atendia os objetivos de conseguir mão de obra para as fazendas de café no Estado de São Paulo e povoar imensas áreas ermas do Estado do Paraná, Estado de Santa Catarina e Estado do Rio Grande do Sul, além do Estado do Espírito Santo.

Logo, este último recebe duas levas, pelo navio Rivadávia, em 1875, e Colúmbia, 1877. Assim, o presidente da então Província do Espírito Santo, Abreu Lima, organiza os assentamentos, criando o Núcleo Colonial Santa Cruz, próximo ao Rio Piraqueaçu e terras do já falecido Pietro Tabacchi.

Para administrar o processo, é nomeado, como diretor, o general Aristides Guaraná. Recebendo mais e mais imigrantes, as famílias vão ocupando novos espaços. O movimento das pessoas leva ao surgimento de pequenas aglomerações urbanas, mais tarde transformadas em vilas e distritos.

 

A iniciativa do Governo do Império, de buscar imigrantes atendia dois objetivos: mão de obra para fazendas de café no Estado de São Paulo e povoar imensas áreas ermas do Estado do Paraná, Estado de Santa Catarina e Estado do Rio Grande do Sul, além do Estado do Espírito Santo

 

Maior número de descendentes italianos na população

 

Com a instalação da linha de telégrafo entre a Cidade de Vitória, ao Sul, e a Cidade de Linhares, ao Norte, aflora a Vila do Ribeirão, situada a Oeste do território do, atual, Município de Aracruz, estando, hoje às margens da BR 101 e próxima de um ramal da Estrada de Ferro Vitória-Minas.

Em 1911, é elevada a Distrito de Guaraná, em homenagem ao diretor do Núcleo de colonização. E, atravessando o século XX, anos 1900, adentra o século XXI, anos 2000, como a povoação com maior concentração de descendentes de imigrantes italianos no Estado do Espírito Santo.

Testemunhos dessa trajetória estão expressos numa instalação e num evento. A primeira é a Casa de Cultura Angélica Pandolfi, conhecida por Museu Italiano. Ocupando prédio erguido no início do século XX, onde funcionou uma escola, foi montado com pertences doados pela comunidade.

Tendo por objetivo preservar a história local para futuras gerações, retrata costumes e tradições dos imigrantes italianos através de móveis, vestimentas, peças de decoração, enfeites, utensílios domésticos, fogão a lenha, forno a lenha, instalações sanitárias, implementos usados na lavoura…

A segunda é a Festa do Imigrante Italiano de Aracruz Itália Unita, realizada no mês de julho, com programação diversificada: ornamentação das fachadas das residências, missa católica celebrada em italiano, apresentação danças folclóricas, desfile de carros alegóricos e muita culinária típica.

 

Muitos testemunhos da história do Distrito de Guaraná estão expressos na bela Casa de Cultura Angélica Pandolfi, conhecida por Museu Italiano. Ocupando prédio erguido no início do século XX, no qual funcionou uma escola infantil, foi montado com pertences doados pela comunidade

 

Comemoração teve desfile, homenagens, música…

 

No último dia 28 de fevereiro, o Distrito de Guaraná sediou as comemorações relacionadas ao Dia Nacional do Imigrante Italiano referente a 2020. O evento atraiu grupos representativos desta etnia de diversos pontos do Estado do Espírito Santo, reunidos para festejar e fazer homenagens.

Após desfile pelas ruas, representando a chegada do barco La Sofia, seguida por uma cerimônia oficial e diversas apresentações de grupos de danças folclóricas. Ao final, todos os presentes puderam degustar delícias da culinária italiana, como o saboroso capeletti do Distrito de Guaraná.

Além da entrega de publicações abordando a temática da imigração italiana em terras capixabas aos órgãos de Cultura e História do Município de Aracruz, descendentes receberam documentos oficiais atestando a chegada dos seus ascendentes, inclusive do empreendedor Pietro Tabacchi.

Também foram lembrados os 75 anos da vitória na Batalha de Monte Castelo, na Segunda Guerra Mundial, uma conquista da Força Expedicionária Brasileira — FEB na Itália. Dentre milhares de combatentes enviados à Europa naquela oportunidade, dois nasceram no Município de Aracruz.

Um deles, já falecido, é o segundo-tenente Affonso Fracalossi, sendo representado pelo seu filho Luiz Antônio Fracalossi. O outro é o também segundo-tenente Altivo Vêdova. Ele emocionou a todos com sua presença na cerimônia, mostrando-se “altivo”, lúcido, nos seus 100 anos de idade.

 

Um dos homenageados pelos 75 anos da vitória na Batalha de Monte Castelo foi o segundo-tenente Altivo Vêdova. O ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira — FEB emocionou a todos presentes na cerimônia, mostrando-se “altivo”, lúcido, nos seus 100 anos de idade

 

Mais imagens da comemoração no Distrito de Guaraná

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

O post “Estado do Espírito Santo comemora Dia Nacional do Imigrante Italiano no Brasil” foi produzido, por João Zuccaratto, jornalista especializado em Turismo baseado na Cidade de Vitória, a capital do Estado do Espírito Santo, a partir de sua participação na festa relacionada ao Dia Nacional do Imigrante Italiano no Brasil, dia 28 de fevereiro de 2020, no Distrito de Guaraná, pertencente ao Município de Aracruz.

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