Estação inaugurada em 1924 acelerou o progresso da região. Desativada em 1963, abandonada durante muito tempo, acabou cedida à Prefeitura. O passar dos anos levou ao esgotamento do antigo modelo de gestão daquele espaço. Uma parceria público-privada vai mudar esta realidade.

 

Estação Campos de Canella: embrião da moderna Cidade de Canela

 

A Cidade de Canela, situada na Serra Gaúcha, a Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, um dos mais importantes destinos de turismo do Brasil, nasceu de núcleo urbano formado em 1903, quando o coronel João Ferreira Corrêa da Silva se instalou no local.

Durante as duas primeiras décadas do século XX, anos 1900, cresceu vagarosamente, impulsionada pelas atividades de agricultura e de exploração de madeira daquela região. Em 1920, contavam-se cerca de 35 serrarias funcionando no entorno próximo à aldeia.

Este dinamismo econômico levou empresários locais a investirem na construção de um ramal ferroviário unindo os chamados Campos de Canella à capital do Estado, a Cidade de Porto Alegre. Inaugurado em 1924, dá mais celeridade ao forte progresso econômico.

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

Estação Campos de Canella — À esquerda, malha ferroviária cobrindo praticamente todo o Estado do Rio Grande do Sul, na década de 1920. À direita, o ramal atendendo a Serra Gaúcha e, mais especificamente, a região na qual está hoje a Cidade de Canela

 

Estação Campos de Canella: desativada após 40 anos de operação

 

A Estação Ferroviária Campos de Canella torna-se polo agregador de negócios voltados a comércio e serviços. A urbanização transforma a diminuta vila no próspero Município, emancipado em 28 de dezembro de 1944, instalado logo após, em 1º de janeiro de 1945.

A Viação Ferroviária Rio Grande do Sul — VFRGS transporta cargas e passageiros até 1963, quando é desativada. Trechos onde estavam assentados trilhos são aproveitados para a construção da atual rodovia unindo a Cidade de Canela à Cidade de Gramado.

Depois de muitos anos abandonada, a Estação Ferroviária Campos de Canella, cedida à Prefeitura, torna-se um pequeno museu, abrigando a Secretaria de Turismo, Centro de Informações Turísticas, área de eventos e lojinha para venda de artesanato e lembranças.

Passadas três décadas, o modelo de exploração do local com gestão da municipalidade esgotou-se. O espaço entra em decadência, voltando a praticamente ser abandonado. A capacidade de atração de turistas reduz-se a zero, não cumprindo mais suas finalidades.

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

Estação Campos de Canella — Vista geral da pequena vila ao redor da Estação Campos de Canella, em meados dos anos 1920. A foto foi tirada quando a composição, formada por vagões de carga e passageiros puxada por locomotiva a vapor, iniciava uma viagem

 

Estação Campos de Canella: recuperação, restauração, resgate…

 

Era hora de nova virada. Ela começa a acontecer a partir da intenção de propor ao mercado moderna parceria público-privada para gerir aquele patrimônio da população da Cidade de Canela. Edital aprovado e concorrência feita, ganhou solução realmente inovadora.

— Trabalhamos dentro de avançados conceitos de urbanismo e paisagismo, totalmente alinhados com a estética da Cidade de Canela e preparado para funcionar em todas as estações do ano — revela Fernando Bassani, diretor da Incorporadora Novalternativa.

A empresa, vencedora da licitação, apresentou projeto desenvolvido de forma integrada às melhores expectativas para o futuro próximo da Cidade de Canela: recuperação das edificações, restauração dos acervos, resgate da memória e reposicionamento do local.

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

Estação Campos de Canella — Uma das charmosas composições voltadas apenas ao transporte de passageiros, batizadas de Trem Minuano, fabricados pela indústria alemã MAN. Elas passaram a rodar pelas ferrovias do Estado do Rio Grande do Sul em 1954

 

Estação Campos de Canella: subterrâneo abrigará Museu do Trem

 

Pela primeira vez, a Estação Campos de Canella, inaugurada quase um século atrás, em 1924, passará por uma grande reforma. Os serviços serão desenvolvidos de forma a manter e, até mesmo, reviver, as características originais das edificações e instalações.

A locomotiva lá estacionada, completamente revitalizada, será o principal elemento de atração para nova opção cultural da Serra Gaúcha: o Museu do Trem, rememorando a intrínseca relação da fundação da Cidade de Canela com estrada de ferro, trilhos, trens…

O espaço ocupará o subsolo, tendo sido projetado dentro dos mais modernos conceitos de museus interativos da atualidade. Seu foco principal será recontar a secular trajetória do Município, num passeio unindo diversão e informação de forma agradável e lúdica.

Para o desenvolvimento desta fase, a Incorporadora Novalternativa terá a assessoria da equipe do Parque Temático Mundo a Vapor, fundado e mantido pelos descendentes de Ernesto Urbani, pioneiro na manutenção de equipamentos ferroviários naquela região.

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

Estação Campos de Canella — Situação atual da locomotiva a ser recuperada, bem como dos vagões de passageiros acoplados a ela. O processo de revitalização dos bens ferroviária vai contar com a participação da equipe do Parque Temático Mundo a Vapor

 

Estação Campos de Canella: Rua Coberta e Centro de Gastronomia

 

O ponto principal será a revitalização da Estação Férrea — voltando a ser denominada Campos de Canella —, localizada no coração da cidade. A antiga plataforma usada no embarque e desembarque de passageiros, ampliada, tornar-se-á o piso da Rua Coberta.

Ela será o eixo de acesso para ambientes de lazer e espaços de convivência em meio a áreas de comércio, pontos de serviços e Centro de Gastronomia reunindo café, cave de vinhos, cervejaria, pub e restaurante — dando ênfase à degustação de produtos locais.

Detalhe interessante, capaz de se transformar no maior atrativo do complexo: bistrôs instalados nos vagões de passageiros. Decoração do ambiente, denominação das delícias oferecidas e uniformes dos profissionais remeterão à época áurea das viagens de trem.

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

Estação Campos de Canella — A estação em foto de 1928, inaugurada quase um século atrás, em 1924, passará por grande reforma. Os serviços serão desenvolvidos de forma a manter e, até mesmo, reviver, as características originais das edificações e instalações

 

Estação Campos de Canella: espaços para receber eventos diversos

 

Continuarão funcionando Secretaria de Turismo, Posto de Informações Turísticas e loja de artesanato. Um Largo da Fama e um Palco Central — com 600 metros quadrados de área coberta —, terão infraestrutura para acomodar espetáculos, eventos e exposições.

— O objetivo é dotar a nova Estação Campos de Canella com atrativos capazes de atrair tantos moradores quanto turistas e fazer estes últimos permanecerem por mais tempo no local — diz, otimista, Ângelo Sanches, secretário de Turismo da Cidade de Canela.

Com investimentos tanto da Prefeitura quanto do concessionário, as obras devem durar cerca de três anos. O prazo de cessão é de 20 anos. Ao final deste período, benfeitorias realizadas e instalações acrescentadas serão incorporadas ao patrimônio do Município.

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

Estação Campos de Canella — O atrativo tem localização privilegiada, estando situado bem no Centro da Cidade de Canela, destino turístico dos mais procurados no Brasil, inclusive por visitantes vindos das nações vizinhas e de muitas outras partes do mundo

 

Estação Campos de Canella: imagens de um passado recente

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

Estação Campos de Canella: imagens de perspectivas futuras

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

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Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

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Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 

Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas

 


 

Opinião pessoal sobre decadência ferroviária no Brasil

 

Visitando o Museu Ferroviário da Cidade de Jundiaí, localizada a Oeste da Cidade de São Paulo, a capital do Estado de São Paulo, fiquei impressionado com as dimensões das construções lá existentes, abandonadas durante anos, agora sendo reaproveitadas.

 Todas em tijolinhos aparentes, no estilo das instalações das ferrovias da Inglaterra, pois foram erguidas pela São Paulo Railway, companhia inglesa vencedora da concorrência internacional para construir e explorar durante 50 anos o complexo de estradas de ferro.

 Buscando uma explicação para um patrimônio como aquele ter sucumbido ao longo do tempo, recordei a mais popular Teoria da Conspiração utilizada para explicar a falência do sistema de transporte ferroviário em todo o Brasil durante o século XX, anos 1900.

 Tratou-se de grande complô da indústria automobilística internacional, notadamente a dos Estados Unidos de América, aplicado entre nós principalmente após a instalação de montadoras estrangeiras no País, parte do programa de Governo Juscelino Kubitschek.

 Pensava nisso enquanto cruzava a imensidão dos ambientes depredados da oficina de locomotivas erguida pela São Paulo Railway, desviando das grandes quantidades de insumos ferroviários por lá abandonadas, desviando de locomotivas canibalizadas…

 Estas ainda exibindo nas laterais enferrujadas as marcas da última operadora do sistema: Ferrovias Paulistas S.A. — Fepasa. Aí, sintetizei a real razão da ruína daquele sistema de funcionamento perfeito durante seu primeiro meio século e colapso total no segundo.

 Estatização. Os ingleses implantaram ferrovias em território brasileiro a partir dos anos 1800, todas com prazo de concessão definido. Ao fim do período, o patrimônio passava ao domínio público estadual ou federal. Isso começou a ocorrer a partir dos anos 1930.

 Então, em vez de apenas assumir as instalações, lançando editais para novas concessões, o nacionalismo falou mais alto. Com os empregados tornando-se funcionários públicos, as empresas privadas lucrativas transformaram-se em companhias estatais ineficientes.

 Não demorou muito para o conjunto apresentar sinais de falência. Mas, como é comum na área governamental brasileira, em vez de vender tudo o mais rápido possível, uniram tudo num em novos elefantes brancos: a já citada Fepasa e a Rede Ferroviária Federal.

 As duas, transformadas em sorvedouros de recursos gerados pelos pagados de impostos, estão em extinção desde as privatizações do Governo Fernando Henrique Cardoso. Ou seja: sem gerar riqueza alguma, absorvem recursos tão escassos para áreas prioritárias.

 


 

Material produzido a partir da participação na edição do ano passado da Feira Internacional de Turismo de Gramado — Festuris 2017, desenvolvida em duas etapas: dias 4 e 5 de novembro na Cidade de Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, com apoio da Rede Ficare de Hotéis e da Noratur Trade Turismo e Negócios; e, de 6 a 12 de novembro, na Cidade de Gramado, situada na Serra Gaúcha, ao Norte do Estado do Rio Grande do Sul, com apoio da Brocker Turismoe Pousada Vovó Carolina.

Clique nos trechos em colorido ao longo do texto para abrir novas guias, com informações complementares ao aqui sendo tratado. Eles guardam links levando a verbetes da Wikipedia e sites de empresas, entidades, Governos estaduais, Prefeituras etc.

A repetição da expressão “Estação Campos de Canella”, e outras mais, é intencional. Elas são as principais palavras-chave dos conteúdos. Colocá-las várias vezes na postagem faz parte das técnicas de Search Engine Optimization — SEO, ou otimização para ferramentas de busca. Ajuda a destacar o trabalho na lista apresentada quando se pesquisa com BingGoogle ou Yahoo!.

O post “Estação Ferroviária da Cidade de Canela será revitalizada como atrativo de turistas” não é trabalho científico, podendo apresentar erros. Se eles forem apontados, reeditarei o material com as correções. Todas as fotos têm origem identificada. Se o autor de algumas delas discordar do seu uso, basta avisar que será substituída.

Matéria republicada no seguinte veículo:

• Jornal Passaporte, sediado na Cidade de Belém, capital do Estado do Pará.