Um dos apelidos marcantes da Cidade de São Luís, a capital do Estado do Maranhão, é o de Cidade dos Azulejos. Seu Centro Histórico está tomado por edificações exibindo este tipo de acabamento. Outros prédios foram incorporados àquele rico acervo ao longo dos últimos quatro séculos.

 

Completando 405 anos de fundação, a Cidade de São Luís, a bela capital do Estado do Maranhão, é dos mais importantes destinos para visitantes no Nordeste e Norte do País. E oferece diversidade de atrativos turísticos, como cultural, histórico, lazer e natureza.

Possui acervo arquitetônico colonial de cerca de 3.500 prédios, distribuídos por mais de 220 hectares do Centro Histórico, a maior parte Patrimônio da Humanidade, em decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura — Unesco.

Esportes como frescobol, futebol em areia, futevôlei, kitesurf, stand up paddle, surfe e vôlei em areia são populares na Cidade de São Luís em virtude dos 32 quilômetros de extensão de suas praias, algumas alcançando largura de sete quilômetros na maré baixa.

O potencial para turismo científico é enorme com a anunciada internacionalização dos lançamentos de foguetes no Centro de Lançamento de Alcântara, considerado hoje o melhor ponto para se alcançar o espaço, devido estar praticamente na Linha do Equador.

E, mais: a Cidade de São Luís é porta de entrada para dois ícones do turismo mundial: Parque das Chapada das Mesas, no Sudoeste, junto ao Estado do Tocantins, e Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, junto ao litoral Nordeste do Estado do Maranhão.

Outro destaque é o turismo de negócios, graças à presença do seu setor industrial, em constante desenvolvimento. Grandes corporações e empresas de diversas áreas buscam a Cidade de São Luís devido à privilegiada posição geográfica e localização estratégica.

Ela ocupa posição equidistante em relação a grandes centros importadores de produtos do Primeiro Mundo, como os 28 países do Mercado Comum Europeu, a Leste, e Canadá e Estados Unidos da América, a Oeste, além de diversos outros do Caribe, por exemplo.

Considerando apenas pontos na área urbana, identificamos 88 deles, categorizados por Locais, Igrejas, Edificações, MuseusPraçasParques e Praias. Nesse post, abordaremos com imagens e resumos 17 edificações da Cidade de São Luís merecedoras de uma visita.

 

Azulejaria

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

Um dos Sete Tesouros da Cidade de São Luís, ao lado Convento das Mercês, Igreja da Sé, Palácio dos Leões, Praça Gonçalves Dias, Rua Portugal e Teatro Arthur Azevedo. Acervo tombado como Patrimônio Histórico Nacional e definido como Patrimônio da Humanidade.

Durante os séculos XVIII, anos 1700, e XIX, anos 1900, praticamente todas as construções na Cidade de São Luís tinham as paredes de frente cobertas de azulejos importados de Portugal. Afinal, impermeabilizar fachadas era a melhor solução para as condições climáticas da região.

Sendo muito quente durante o verão, e sob um Sol escaldante, as superfícies espelhadas dos azulejos refletem os raios solares com bastante eficiência. Assim, deixam a temperatura do interior mais amena, agradável e bem mais suportável de se viver naqueles amplos imóveis.

As águas das chuvas exageradas no inverno escorrem pelas superfícies vitrificadas, sem deixar desgaste. Além do mais, facilitam a limpeza. Os navios vindos da Europa chegavam carregados daquelas peças cerâmicas e retornavam abarrotados de riquezas da Colônia.

 

Biblioteca Pública Estadual

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

A Biblioteca Pública do Estado do Maranhão surgiu em iniciativa do Barão de Pindaré, Antônio Pedro da Costa. E foi criada em 8 de julho de 1826, sem recursos para instalação. Uma primeira ação neste sentido aconteceu três anos depois, em 17 de junho de 1829.

O presidente da Província do Maranhão, desembargador Cândido José de Araújo, solicitou recursos com esta finalidade ao imperador dom Pedro I. Não teve sucesso, porque a situação financeira do Império não permitia assumir novas despesas além daquelas já no orçamento.

Sem desistir, o presidente sugeriu à Câmara Municipal da Cidade de São Luís aprovar uma subscrição popular, voluntária, para organização da instituição. Sendo vitorioso desta vez, fundada a instituição em 24 de setembro de 1829, então denominada Biblioteca Provincial.

Ocupando a parte superior do Convento do Carmo, abriu ao público em 3 de maio de 1831. Em 1851, é anexada ao Liceu Maranhense. Em 1º de junho de 1866, ao Instituto Literário Maranhense, mudando para onde hoje é a Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão.

Em 4 de abril de 1883, foi reaberta ao público, agora na Igreja da Sé. E retornou ao Convento do Carmo em 1886, onde permaneceu abandonada e esquecida. Passaram-se oito anos, até 1892, para voltar a receber leitores e pesquisadores, em nova sede, agora na Rua Afonso Pena.

O professor José Ribeiro Amaral torna-se o encarregado da Biblioteca em 5 de junho de 1895. Ele foi o responsável por transferir o acervo para a Rua da Paz, onde hoje situa-se a Academia Maranhense de Letras. Apesar dos seus grandes esforços, a entidade volta a cerrar suas portas.

Finalmente, sob direção de Antônio Lobo, a Biblioteca reabre ao público em 25 de janeiro de 1898. Sua administração coincide com uma fase muito atuante na literatura local, surgindo a Academia Maranhense de Letras, Oficina dos Novos e Sociedade Cívica das Datas Nacionais.

Ao mesmo tempo, começam a circular novos jornais e revistas e o espaço torna-se local para encontro de intelectuais, jornalistas e professores. Entretanto, as mudanças de endereço não param. Primeiro, retorna para o antigo prédio da Rua do Egito, onde fica de 1914 até 1927.

De lá, vai para a Rua da Paz, por ordem do governador Magalhães de Almeida. Após quatro anos, muda de endereço na mesma via, para a sede ser reformada, pois o teto ameaça desabar. Estas transferências prejudicaram a integridade do acervo, deixando muitas obras perdidas.

Os orçamentos do Estado do Maranhão não consignavam recursos para compra de livros e as condições de funcionamento eram precárias. Antônio Lobo e Domingos Perdigão passaram a defender a construção de prédio próprio, projetado e adequado para abrigar uma biblioteca.

Assim, em 24 de abril de 1818, o governador José Joaquim Marques sanciona Lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão autorizando o Poder Executivo a adaptar um imóvel já existente, ou erguer um novo, mas nenhuma providência objetiva foi tomada.

O sonho só se materializa por iniciativa do governador Sebastião Archer da Silva. Em 12 de setembro de 1951, inaugura a nova sede, erguida com projeto de Antônio Bayma, engenheiro civil natural do Estado do Maranhão, trazendo o de mais inovador existente naquela época.

Surge na Praça do Panteon, em frente à Praça Deodoro, antigo Campo do Ourique, Largo do Quartel e Praça da Independência, onde antes era o Quartel do Batalhão de Infantaria. Prédio de grandes proporções, escadaria de acesso, cúpula central e janelas encimados por frontões.

No interior, instalações administrativas, espaços para estantes, salões de leitura e auditório com 200 lugares no quarto pavimento da construção. Ali, dois terraços dão vista para o Centro Histórico da Cidade de São Luís, bom pedaço da orla marítima, Rio Bacanga e do Rio Anil.

Em 1958, é denominada Biblioteca Pública Benedito Leite, homenageando o gestor público responsável por sua reorganização. O acervo inclui obras de arte, história política do Estado do Maranhão, jornais locais desde a Independência e manuscritos do século XVIII, anos 1700.

 

Capitania dos Portos

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

Capital da Província do Maranhão, a Cidade de São Luís, por ter porto, ganhou sua Capitania em 1813. Estava vinculada à Divisão Naval do Norte, forma criada pelo príncipe regente dom João VI para melhor fiscalizar o movimento de barcos e navios, ao longo da costa brasileira.

A primeira sede da Capitania dos Portos do Estado do Maranhão ficava no mesmo prédio da Diretoria dos Faróis, na Travessa da Alfândega, esquina com rua da Estrela, na Praia Grande. Mais tarde, mudou para um sobrado na Rua do Ribeirão, esquina com o Beco do Machado.

Dali, veio para o local onde está atualmente, na Praça Dom Pedro II, ocupando um edifício adquirido do espólio de Apolônia Justina da Cruz Fragoso. Como se tratava de imóvel com dois pavimentos, a parte superior servia de moradia para o capitão dos Portos e sua família.

 

Casa Nobre de Ana Jansen

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

Ana Joaquina Jansen Pereira nasceu na Cidade de São Luís, no Estado Maranhão, em 1787. Teve 11 filhos. O primeiro antes do casamento, com o coronel Isidoro Rodrigues Pereira, dos homens mais ricos daqueles tempos, com quem gerou mais seis. Foi mãe mais quatro vezes.

Voltou a casar, com o comerciante Antônio Xavier da Silva Leite, mas, com este, não teve herdeiros. Ana Jansen sofreu calúnias, difamações e intrigas. Chamavam-na de analfabeta, bisonha e prepotente, pela poderosa influência na administração e na política da província.

Exercia o poder com enorme prazer, comprando patentes e títulos de nobreza, elegendo e derrotando políticos, empregando e dispensando servidores públicos, indicando e derrubando magistrados… Mas, apesar de toda a sua força, em momentos, também sofria suas derrotas.

Uma delas foi requerer o título de Baronesa Santo Antônio ao imperador dom Pedro II, e esta honraria lhe ser negada. Faleceu em 1869, aos 82 anos de idade. Deixou uma boa fortuna em dinheiro, além de muitos imóveis. Dentre estes, a Casa Nobre, situada na Rua Rio Branco.

 

Casarão da Rua Portugal

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

Localizado na Rua Portugal, na Praia Grande, caracteriza-se por ser o prédio com a maior fachada conservada de azulejos portugueses, dentre os cerca de 3.500 imóveis do Centro Histórico da Cidade de São Luís. Abriga a Secretaria de Cultura do Estado do Maranhão.

 

Morada das Artes

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

A Morada das Artes, localizada na Praia Grande, é um espaço criado para divulgar o trabalho de artistas da Cidade de São Luís e do Estado do Maranhão. Também contribui para revelação de novos talentos, oferecendo Escola de Pintura em Tela e o local para divulgar a produção.

 

Palacete Gentil Braga

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

Um dos maiores prédios de fachadas azulejadas dos fins do século XVIII, anos 1700. Prédio possui janelas encimadas com bandeiras ogivais, escadarias, porão alto, pátio e torreão. Este último, semelhante aos famosos mirantes, diferencia-se por ser construído separado da casa.

As enormes janelas permitem vistas panorâmicas para o Centro Histórico da Cidade de São Luís, a partir da Rua Grande, esquina com Rua do Passeio. Moradia do poeta Gentil Homem de Almeida Braga, o palacete é parte da história na produção cultural do Estado do Maranhão.

Gentil Homem de Almeida Braga nasceu em março de 1835. Advogado, jornalista e político combativo, é descrito pela literatura da época como arredio e sisudo. Entre suas muitas obras literários, destaques vão para “Entre o Céu e a Terra”, “Parnaso Maranhense” e “Três Liras”.

Sua residência movimentava a sociedade da época com o talento de artistas, escritores, poetas e intelectuais. Hoje, além de marco arquitetônico e cultural, o Palacete Gentil Braga tornou-se símbolo vivo da produção cultural e literária da Cidade de São Luís e do Estado do Maranhão.

Patrimônio da Universidade Federal do Maranhão na década de 1970, depois de ser sede de vários órgãos, transformou-se em espaço cultural privilegiado. Preservando as características mesmas arquitetônicas originais, abriga valioso patrimônio cultural nos seus dois pavimentos.

 

Palácio Cristo Rei

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

O Palácio Cristo Rei, de estilo barroco, remonta ao século XIX, anos 1800. Construído pelo arquiteto Manoel José Pulgão, teve como primeiros moradores a célebre família Belfort. Em 1900, foi vendido ao vice-cônsul dos Estados Unidos da América, Joaquim Baptiste do Prado.

Capitalista e banqueiro, suicidou-se em 1908, por questões de dívida. Na posse da mãe e da esposa, estas leiloam o imóvel. A família Xavier de Carvalho arremata o bem por 37 contos de réis. Em dinheiro de hoje, algo em torno de R$ 37 milhões de reais, um valor significativo.

Em 1920, o bispo diocesano compra o sobrado, e este passa a ser, respectivamente, nos anos 1930, sede da Escola de Jesuítas, sede da Escola de Aprendizes Marinheiros e sede da Escola Normal do Estado. Em 1953, torna-se sede do Arcebispado, recebendo a atual denominação.

Cedido à Fundação Paulo Ramos, abriga a Faculdade de Filosofia do Maranhão. Em 1991, passa por momento crítico, sendo consumido por incêndio. Perdem-se fontes de extrema importância para a sistematização da história do Ensino Superior no Estado do Maranhão.

Ao contrário de situações semelhantes no passado, sem perda de tempo, conseguem-se os recursos para reforma minuciosa, reabilitando o prédio. E, em 21 de outubro de 1992, o Palácio Cristo Rei é reinaugurado, apresentando estrutura arquitetônica fidedigna à anterior.

 

Palácio da Justiça

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

A história do Palácio da Justiça remonta à fundação da Cidade de São Luís, em 1612. Neste mesmo ato, foram instituídos os primeiros ordenamentos jurídicos, especificamente o Código Filipino. Era ele o norteador da Justiça, tanto na Corte quanto em seus domínios ultramarinos.

Isto perdurou até 1777, com a criação da Junta da Justiça, pelo Marquês de Pombal, ministro do rei dom José I, de Portugal. Em 1811, institui-se a Relação Maranhense, a 4 de novembro de 1813, cobrindo do Ceará ao Amazonas, só extinta na Proclamação da República, em 1889.

Na sequência das Cortes colegiadas seguem-se Superior Tribunal de Justiça, 1891; Corte de Apelação, 1934; Tribunal de Apelação, 1937; e, finalmente, Tribunal de Justiça, a partir de 1947.  E, em 1948, o Palácio da Justiça passou a abrigar o Tribunal de Justiça do Maranhão.

 

Palácio das Lágrimas

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

O Palácio das Lágrimas é belo casarão de três pavimentos, na Rua de São João. Defronte à igreja do mesmo nome, em pleno Centro Histórico da Cidade de São Luís, recebeu essa denominação devido às inúmeras lendas girando em torno do edifício há longos tempos.

Uma delas revela dois irmãos portugueses chegando ao Estado do Maranhão com a intenção de fazer fortuna. Um deles, Jerônimo de Pádua, enriqueceu com a atividade de comerciante. Entretanto, segundo comentários, sua melhor fonte de renda provinha do tráfico de escravos.

O outro, malsucedido, não conseguiu sair da pobreza. Inconformado com o fracasso, passou a invejar a sorte do irmão. Este, não sendo casado, amasiado com escrava, os filhos dessa união não seriam herdeiros legítimos. Isso levou o pobre a assassinar o rico, atrás de herdar os bens.

Apossando-se de tudo, o irmão sobrevivente passou a tratar a amásia do falecido e os escravos com bastante crueldade. Esta situação prolongou-se até um dos cativos, filho de Jerônimo de Pádua com a negra, sobrinho daquele fratricida, descobrir o verdadeiro assassino do pai: o tio.

Por isso, o matou, atirando-o de uma das janelas do casarão. Preso, julgado, condenado, antes de ser enforcado diante do sobrado, amaldiçoou o velho edifício: “Palácio que viste o choro de minha mãe e meus irmãos: daqui por diante, serás conhecido como Palácio das Lágrimas.”

A segunda lenda é sobre o amor entre escrava e senhor. Outro escravo da senzala, ciumento, envenenou os filhos do patrão com a negra. Ela, mesmo inocente, acabou condenada à morte, com o assassino. Andando em direção à forca, suas lágrimas molhavam os degraus da escada.

O senhor, ao certificar-se de a amada nada ter a ver com o crime, enlouqueceu. No final do século XIX, anos 1800, o poeta Joaquim de Souza Andrade, tentando criar a Universidade Atlântida, depois Universidade Atenas, queria sediá-la no Palácio das Lágrimas, restaurado.

Mas não conseguiu efetivar o projeto. A primeira Universidade do Brasil viria na década de 1930. Quanto à sua, o Estado do Maranhão precisaria esperar mais 30 anos. Atualmente, no local, funcionam os cursos de Farmácia e Odontologia da Universidade Federal do Maranhão.

 

Palácio dos Leões

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

O Palácio dos Leões é outro dos Sete Tesouros da Cidade de São Luís, perfilando junto com Azulejaria, Convento das Mercês, Igreja da Sé, Praça Gonçalves Dias, Rua Portugal e Teatro Arthur Azevedo. Hoje, o belíssimo edifício abriga a sede do Governo do Estado do Maranhão.

Localizado no Centro Histórico da Cidade de São Luís, sua história começa no início do século XVII, anos 1600. E remonta ao dia 8 de setembro de 1612, com franceses comandados por Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, chegando para criar a França Equinocial.

Iniciaram a construção de um forte, ao qual deram o nome de São Luís, em homenagem ao rei Luís IX, da França. Em 1615, logo após expulsar aqueles invasores, o capitão-mor das forças portuguesas, Jerônimo de Albuquerque rebatizada aquela fortificação, agora Forte São Felipe.

E, dentro dela, inicia a construção de residência para os governadores, erguida com a técnica de taipa de pilão por mão de obra indígena. O novo edifício, assim como a reurbanização do povoado crescendo ao redor, tem projeto do engenheiro militar Francisco Frias de Mesquita.

Em 1624, o governador da Capitania do Maranhão, Francisco de Albuquerque Coelho de Carvalho, determina a reconstrução do Forte de São Felipe e da residência, agora em pedra com argamassa à base cal. Esta última serviu de moradia e sede administrativa até 1762.

Em 1766, o governador Joaquim de Mello e Póvoas determina a demolição do velho Palácio do Governo e ergue novo edifício, para melhor acomodar as famílias dos seus sucessores. O palácio construído por Mello e Póvoas era bem sóbrio, com beirais salientes e o telhado baixo.

A entrada, pelo lado do edifício, foi deslocada para o centro da fachada principal, na reforma de 1857. Durante o período do Império, o Palácio do Governo recebeu melhoramentos, como iluminação a gás, testada em pedra de cantaria portuguesa em 1863 e novos móveis em 1872.

Nem bem havia começado a República, nova reforma, em 1896, durante a administração de Manuel Inácio Belfort Vieira. Outra, em 1906, comandada por Benedito Leite, anexou a ala nos fundos, destinada à residência. Comprou mobiliário e importou novos adornos da Europa.

Em 1911, ao assumir o Governo do Estado do Maranhão, Luís Antônio Domingues da Silva vê o Palácio com pouca mobília e salas necessitando de reparos. Empreende a recuperação, preservando na fachada o estilo colonial e um grande brasão, com leões pintado em azulejos.

Esta imagem, foi usada pelo jornal O Combate para criticar a administração de Magalhães de Almeida, governador entre 1926 e 1929. Usando ironia, comparando os gestores com leões, o apelido pegou, com o povo passando a identificar a sede do Governo por Palácio dos Leões.

 

Palácio Episcopal de São Luís

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

O Palácio Episcopal de São Luís do Maranhão fica na Praça Pedro II, no Centro Histórico da Cidade de São Luís. Ele está ao lado da Igreja da Sé, ou Catedral de São Luís do Maranhão, ou, ainda, Catedral de Nossa Senhora da Vitória. E tem origens no século XVII, anos 1600.

No início, aquele espaço foi ocupado pelo Colégio de Nossa Senhora da Luz, edificado pelos jesuítas da Companhia de Jesus, a partir de 1627. O conjunto colégio e igreja foi ampliado ao longo do século XVII, pela ação decisiva dos padres Antônio Vieira e João Felipe Bettendorf.

As obras foram finalizadas já próximo ao século XVIII, anos 1700. Tudo corria bem até 1759, com a expulsão dos jesuítas do Brasil Colônia. Assim, a igreja da Companhia de Jesus passou a ser a Catedral da Cidade de São Luís. E o edifício do colégio tornou-se o Paço dos Bispos.

Em meados do século XIX, anos 1800, estava em ruínas. Reformado, ganhou a aparência de hoje. Destaca-se, na fachada, o portal em pedra de lioz, com o brasão da Diocese. A criação do Arquidiocese de São Luís, em 1922, o transformou em local de despacho dos arcebispos.

 

Palácio La Ravardière

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

O Palácio La Ravardière foi construído a partir de 1689. Começou como Casa de Câmara e Cadeia e, após sofrer sucessivas reformas, adquiriu as características atuais: dois pavimentos, fachada simétrica, centrada por cartela decorada com concha e folhas de acanto estilizado.

À frente da edificação, calçada de cantaria exibe busto de bronze de Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, fundador da Cidade de São Luís, esculpido por Bibiano Silva. Mas a atual distribuição dos cômodos internos não remete mais às primeiras funções daquele imóvel.

Os vãos do térreo são em arco abatido, com bandeiras de ferro trabalhadas, sem decoração, exceto a principal, recebendo o mesmo tratamento das do segundo pavimento. A escadaria de acesso ao pavimento superior merece destaque pelo seu desenho e os corrimãos balaustrados.

Os vãos do segundo andar, em verga reta, são decorados em estuque, Janelas envidraçadas dão para balcões com sacadas e balaústres, sustentados por suportes, tudo construído à base de argamassa com base em cantaria. Hoje, abriga a sede da Prefeitura da Cidade de São Luís.

 

Solar São Luís

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

O Solar São Luís, com duas fachadas revestidas em azulejos portugueses, nas cores azul e branca, é considerado o maior prédio em estilo colonial, com este acabamento, no Brasil. Uma obra de meados do século XIX, anos 1800, tem três pisos e beiral em telha de faiança.

Destaque para a base dos cunhais, em cantaria. Esta riqueza esteve próxima a desaparecer quando, em 1969, um grande incêndio destruiu completamente seu interior. Em 1976, após restauração, passou a abrigar uma agência da Caixa Econômica Federal, atual proprietária.

 

Teatro Alcione Nazaré

 

Aberto em 1988, o Teatro Praia Grande foi concebido para receber grupos amadores, sendo parte Centro de Criatividade Odillo Costa Filho, ocupando edificações centenárias. Logo, teve objetivos modificados. Em l991, acolheu o pianista Arthur Moreira Lima, de fama mundial.

Durante a década de 1990, foi palco de apresentações de grandes nomes da cultura nacional:  atrizes Aracy Balabanian e Fernanda Montenegro; primeira bailarina do Teatro Nacional da Cidade do Rio de Janeiro, Ana Botafogo; e, grupos de dança, como O Corpo e Balé Stagium.

No dia 7 de julho de 1995, o Teatro Praia Grande foi rebatizado como Teagro Alcione Araújo, homenagem do Governo do Estado do Maranhão à cantora Alcione, lá nascida. Em condições precárias para sua utilização, seguiu recebendo valores artísticos locais e de outros Estados.

Em janeiro de 1997, o Centro de Criatividade Odylo Costa Filho é desativado, retornando em setembro de 1999. Funcionou até final de 2005, sendo novamente desativado, para reformas. Depois de sete meses de trabalhos, reabriu as portas em 6 de julho de 2006 e segue até agora.

 

Teatro Artur Azevedo

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

O Teatro Arthur Azevedo é mais um dos Sete Tesouros da Cidade de São Luís, ao lado da Azulejaria, Convento das Mercês, Igreja da Sé, Palácio dos Leões, Praça Gonçalves Dias e Rua Portugal. E herança da riqueza gerada pela cultura do algodão no Estado do Maranhão.

Em 1815, dois comerciantes portugueses, sonhando assistir apresentações de arte e música com qualidade igual à encontrada em Lisboa e outras cidades da Europa, decidem investir em uma casa de espetáculos de alto nível na Cidade de São Luís, capital do Estado do Maranhão.

Mas não queriam um prédio qualquer. Teria o mesmo porte das melhores casas de óperas do mundo, capaz de receber grandes companhias com tudo o que havia de melhor naquela época. Estes dois sonhadores foram Eleutério Lopes da Silva Varela e Estevão Gonçalves Braga.

Iniciados os trabalhos no ano seguinte, como a planta original previa a fachada principal ao lado da Igreja do Largo do Carmo, os padres embargaram a obra. Alegaram aquilo como uma afronta aos valores católicos, e foram vitoriosos. Solução? Voltar a entrada para a Rua do Sol.

As consequências negativas desta decisão chegaram à atualidade. O prédio, espremido entre edificações, fica ao lado de duas vias com alta circulação de veículos. Além de muito barulho, há dificuldades de estacionamento. Na época, quem poderia prever este futuro de infortúnios?

Ele não seria o primeiro da cidade, pois, entre 1780 e 1816, três outros tinham sido abertos, mas todos de pequeno porte, sem muito espaço e carente dos confortos mínimos necessários. Por tudo isso, o que chamava atenção neste novo empreendimento era sua monumentalidade.

Pronto em um ano, foi aberto ao público em 1817. São dois séculos de existência, e segundo mais antigo do Brasil. Trata-se do único exemplar de arquitetura neoclássica na Cidade de São Luís, aquela recuperadora dos formatos de construção criados pelos antigos gregos e romanos.

É, também, a primeira obra neste estilo, trazido para o Brasil pela Missão Artística Francesa, chamada por dom João VI. Só para se ter uma ideia da importância deste fato, a então capital do País, a Cidade do Rio de Janeiro, só ganhou sua primeira edificação neoclássica em 1819.

Nasce, então, o Teatro União, homenagem à inclusão do Brasil ao Reino Unido de Portugal e Algarves. Seus 800 lugares acomodavam 5% da população local. Ainda em 1817, recebeu o primeiro baile de máscaras da Cidade de São Luís, à época, um evento de grande repercussão.

Mudou de nome em 1852, passando a ser Teatro São Luiz. Em 1854, serviu de maternidade para Apolônia Pinto, filha de uma atriz portuguesa que entrou em trabalho de parto em pleno teatro. Ali no camarim 1, surgiu para o mundo uma das maiores atrizes do teatro brasileiro.

Os restos mortais de Apolônia Pinto estão no piso térreo, em nicho de acesso à plateia. A atriz também é homenageada com busto em bronze e placa alusiva à brilhante trajetória cultural, no próprio camarim 1. Passou a ser Teatro Arthur Azevedo na década de 20 do século passado,

Este novo nome homenageia importante teatrólogo do Estado do Maranhão. Daí em diante, enfrentou fases de crise. Obras, reparos e restaurações malfeitas descaracterizaram muitos dos seus elementos originais. Funcionando como cinema de 1940 a 1966. Depois, foi abandonado.

Depois de quase meio século de completo ostracismo, o Teatro Arthur Azevedo, totalmente recuperado, foi reaberto em 18 de agosto de 2015. De lá para cá, seus 349 lugares vêm sendo disputados por públicos variados, em função das produções ali apresentadas regularmente.

 

Teatro João do Vale

 

Cidade de São Luís: azulejaria e edificações como Patrimônio Mundial da Humanidade

Antigo galpão comercial do Bairro da Praia Grande adaptado para abrigar teatro experimental. Voltado a programações artísticas e culturais, expressas em formas e manifestações diversas. Aberto em dezembro de 2001, homenageia compositor do Estado do Maranhão já falecido.

 


 

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Texto redigido a partir de conhecimentos gerais do autor e  pesquisas na Internet, principalmente Wikipedia e espaços do Governo do Estado do Maranhão, Prefeitura da Cidade de São Luís e entidades ligadas à história e ao turismo do território maranhense presentes na Web. Não é um trabalho científico, podendo apresentar erros. Se eles forem apontados, reeditarei o material com as correções.

Todas as fotos têm origem identificada. Se o autor de algumas delas discordar do seu uso, basta avisar que será substituída.

Material produzido a partir da participação na edição 2017 do São João de São Luís, a convite da Revista Maranhão Turismo com apoio da Secretaria de Turismo da Prefeitura da Cidade de São Luís.