O termo Curitiba é aportuguesamento de palavras indígenas significando terra de muitos pinheiros. Cidade fundada por garimpeiros e ampliada por comerciantes, em três séculos de história tornou-se disputado ponto da convivência para imigrantes de todo o mundo.

 

Cidade de Curitiba: dos grandes pinheirais às grandes inovações na mobilidade urbana

Toda a área onde hoje está situada a Cidade de Curitiba era coberta com muito verde, no qual se destacava uma árvore de características especiais: tronco forte e reto, encimado por uma copa aberta, cujo perfil é de uma taça. Ela é a Araucária, o Pinheiro-do-Paraná

 

Cidade de Curitiba: terra de muitos pinheiros

 

Durante milhões e milhões de anos, a Natureza esculpiu com enorme carinho um grande planalto, distante 100 quilômetros do Oceano Atlântico e 900 metros acima do nível do mar. Ao mesmo tempo, cobriu toda aquela grande extensão de terras com muito verde, no qual se destaca uma árvore de características especiais: tronco forte e reto encimado por uma copa aberta, cujo perfil é de uma taça. Ela é a Araucária, o Pinheiro-do-Paraná.

Durante milênios e milênios de anos, uma infinidade de seres vivendo naqueles campos alimentava-se das sementes da Araucária: o pinhão. Dois ganharam destaque. Primeiro, é a gralha-azul. A lenda diz que ela colhe o pinhão com o bico e o enterra no solo, para consumo posterior. Como faz isso muitas vezes, esquece onde a maior parte foi deixada. Assim, as sementes germinam, gerando novos pinheiros, com floresta sendo renovada.

O segundo ser vivo a se destacar entre as matas de Araucária foram os índios. Além de dar um nome para aquela região — “kuri’yty”, pinheiral, para os guaranis; “ku’ri tuba”, muito pinheiro, para os tupis —, marcaram, por entre as densas florestas, os “peabirus” — em tupi, “pe”, caminho, e “abiru”, grama amassada —, trilhas pelas quais percorriam a pé, sozinhos ou em grupos numerosos, por toda a parte meridional da América do Sul.

 

Cidade de Curitiba: dos grandes pinheirais às grandes inovações na mobilidade urbana

Representação de um Caminho de Peiaburu cortando, de Leste para Oeste, as terras do hoje Estado do Paraná. Este foi percorrido pelo explorador espanhol Alvar Nuñez Cabeza de Vaca, na expedição em que descobriu as Cataratas do Iguaçu e Sete Quedas

 

Cidade de Curitiba: bandeirantes em busca de ouro

 

Utilizando um Caminho de Peabiru — conhecido como Caminho de Queretiba —, os primeiros colonizadores chegaram onde hoje está situada a Cidade de Curitiba. Isso remonta a meados do século XVII, anos 1600. Deixaram a Capitania de São Paulo em direção ao Sul, atrás de ouro e pedras preciosas. Os líderes das três expedições iniciais foram Eleodoro Ébanos Pereira, Baltasar Carrasco dos Reis e Mateus Martins Leme.

Para ficar melhor acomodados enquanto exploravam os arredores, criaram um povoado, ao qual batizaram de Vilinha — mais tarde rebatizado como Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Com a população crescendo, e os problemas legais aumentando, era necessário punir os culpados com mais rigor. Isso levou a que, em 1668, o administrador Gabriel de Lara lá instalasse um pelourinho, equipamento de aplicação da Justiça àquela época.

Para muitos, este momento é considerado o marco inicial da história de Curitiba. Mas o próprio Gabriel de Lara não se considerava fundador, atribuindo este feito a Eleodoro Ébanos Pereira, o primeiro chefe de bandeira lá chegado. Uma curiosidade: ele não era um bandeirante paulista, e sim carioca. Posteriormente, estes pioneiros transferiram-se para outro local, onde hoje ficam a Praça Tiradentes e o Centro Histórico de Curitiba.

 

Cidade de Curitiba: dos grandes pinheirais às grandes inovações na mobilidade urbana

O atual Estado do Paraná fazia parte do território sob o domínio espanhol definido pelo Tratado de Tordesilhas. A expansão promovida pelos bandeirantes, a partir da Capitania de São Paulo, tornou toda esta terra brasileira, segundo o critério ” quem ocupa é dono”

 

Cidade de Curitiba: fundada em 29 de março de 1693

 

Entretanto, até o momento, não foram encontrados documentos ou referências atestando de formas incontestáveis a data exata da fundação da Vilinha, mais tarde Povoado de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais e, posteriormente, Curitiba. Segundo registros de Raphael Pires Pardinho, então ouvidor-geral da Vila em 1721, isto teria acontecido em 1661. Ou seja: uma diferença de sete anos antes, em relação à instalação do pelourinho.

A fundação oficial de Curitiba foi definida como 29 de março de 1693, dia de criação da Câmara. Ela foi instalada pelo capitão-povoador Mateus Martins Leme. Enfatizando “apelos de paz, quietação e bem comum do povo”, promoveu a primeira eleição para a Câmara de Vereadores e instalação da Vila, como exigiam as Ordenações Portuguesas. Assim, estava então fundada a Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba.

Naquele período, começaram a chegar muitos agricultores de subsistência e pecuaristas. Uma mudança importante, porque a descoberta das Minas Gerais provocou forte êxodo em toda a região, com muita gente partindo em busca de fortuna no interior do Brasil. Este fato, a princípio negativo, vai ser o estopim para nova fase de progresso econômico da Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba, durando mais de 100 anos.

 

Cidade de Curitiba: dos grandes pinheirais às grandes inovações na mobilidade urbana

Representações artísticas de bandeirantes, como os que primeiro chegaram ao local onde hoje se situa a Cidade de Curitiba. No destaque, acima, a assinatura de Baltasar Carrasco dos Reis, na Ata de Fundação da cidade, datada de 29 de março de 1693

 

Cidade de Curitiba: parada de tropas de gado

 

Se, no início do século XVIII, anos 1700, pecuária e comércio não tinham capacidade de promover o desenvolvimento necessário, o espantoso crescimento populacional na Capitania das Minas Gerais dava impulso à exportação de alimentos para aquela região. Lá, eles só se dedicavam à extração de ouro e pedras preciosas. Não demorou para os gaúchos tornaram-se os maiores fornecedores de bovinos e muares para os mineiros.

Os animais, tangidos em tropas, saíam do extremo Sul do País para, meses mais tarde, serem vendidos nas localidades integrantes do Circuito do Ouro. E a Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba ficava no trajeto que os tropeiros precisam cumprir. O longo caminho e períodos de intempéries obrigavam as comitivas a fazer longas paradas, as invernadas, à espera do fim do frio rigoroso e das chuvas fortes.

Isso acontecia em fazendas alugadas, como as localizadas nos “campos de Curitiba”. A presença dos tropeiros na região ao longo de todo o século XVIII e boa parte do século XIX, anos 1800, impôs novos costumes, oriundos dos Pampas Gaúchos: degustação do chimarrão, assar carne no espeto sobre fogo acesso no chão, uso de ponchos de lã para se aquecer do frio e o prazer de contar “causos”, forçando o sotaque de fala escandida.

 

Cidade de Curitiba: dos grandes pinheirais às grandes inovações na mobilidade urbana

Monumento ao tropeiro, este localizado no Município da Lapa, no Estado do Paraná. O tropeirismo foi uma das mais importantes atividades para o progresso econômico da Cidade de Curitiba, situada na rota das comitivas entre o Sul do Brasil e Minas Gerais

 

Cidade de Curitiba: importação de hábitos gaúchos

 

Com a cidade crescendo — surgindo lojas, armazéns e escritórios de negócios ligados ao transporte de gado —, aparece a primeira autoridade pública no Brasil preocupada com meio ambiente, inaugurando a tradição pela qual Curitiba é hoje reconhecida em todo o mundo. Em 1721, o ouvidor Raphael Pires Pardinho impõe a todos mais cuidado com os recursos naturais, principalmente corte de árvores apenas em áreas delimitadas.

Curitiba foi elevada à categoria de sede de comarca por meio de Alvará Imperial, de 19 de dezembro de 1812. Durante 1820, recebe a visita do botânico, naturalista e viajante francês Auguste de Saint-Hilaire. Deslumbrado por ter encontrado no Novo Mundo uma cidade no mesmo nível das grandes capitais da Europa, suas anotações remetem a textos modernos de promoção do turismo: os elogios se destacam da primeira à última linha.

Eliminando preconceitos aceitos na época, estão resumidos a seguir, com simplificações adotadas por este redator: “Ruas largas e regulares; praça pública quadrada, grande e coberta de grama; igrejas construídas de pedra; homens pronunciando o Português de modo correto; mulheres com traços mais delicados do que as das outras partes do Império por onde viajei, e que se escondem menos e conversam com desenvoltura.”

 

Cidade de Curitiba: dos grandes pinheirais às grandes inovações na mobilidade urbana

No destaque, imagem do ouvidor Raphael Pires Pardinho, talvez a primeira autoridade pública brasileira a ter preocupações com o meio ambiente. Ele delimitou áreas onde se podiam cortar árvores e determinou a limpeza do Ribeiro, poluído pela população

 

Cidade de Curitiba: emancipação e novo ciclo de progresso

 

Ao mesmo tempo, com o hoje o Estado do Paraná fazendo parte da Capitania de São Paulo, e praticamente esquecido pelos governantes paulistas, entra em período de decadência econômica. Este cenário começa a mudar a partir da Lei Imperial 704, de 29 de agosto de 1853: a Cidade de Curitiba torna-se capital da recém-criada Província do Paraná, desmembrada da Província de São Paulo. Novo ciclo de progresso é iniciado.

No final dos anos 1800, quatro fatores passam a impulsionar a economia: cultura da erva-mate; exploração da madeira; construção da Estrada de Ferro ligando a Cidade de Paranaguá, no litoral, à Cidade de Curitiba; e chegada de imigrantes. Este último, graças ao incentivo do Governo a políticas de colonização. Africanos, asiáticos e europeus contribuíram na formação de nova estrutura populacional, econômica, social e cultural.

Alemães, franceses, italianos, poloneses, suíços e ucranianos conferiram novo ritmo de crescimento ao Estado e à sua capital. Os estrangeiros continuaram a vir ao longo do século XX, anos 1900, influenciando o modo de vida da cidade. O fim do Império e o início da República coincidem com o nascer de uma nova Cidade de Curitiba, exemplo mundial de práticas inovadoras em urbanismo e, principalmente, mobilidade urbana.

 

Cidade de Curitiba: imagens de uma história de três séculos

 

 

Cidade de Curitiba: dos grandes pinheirais às grandes inovações na mobilidade urbana

Gravura de 1820 do naturalista Auguste de Saint-Hilaire. Ele descobriu que, em 1818, havia 1.587 escravos na Cidade de Curitiba. A população total era de 11.014 habitantes. Ou seja: do total, praticamente 15% dos moradores eram formados por negros cativos

 

 

Cidade de Curitiba: dos grandes pinheirais às grandes inovações na mobilidade urbana

Vista da Rua 15 de Novembro, em 1876. Nesta época, Rua das Flores. Entre 1880 e 1889, mudou o nome para Rua da Imperatriz, depois da visita da família imperial à Cidade de Curitiba. Após a Proclamação da República, virou Rua 15 de Novembro

 

Cidade de Curitiba: dos grandes pinheirais às grandes inovações na mobilidade urbana

Rua 15 de Novembro, então Rua das Flores, em 1877. A via era margeada por grandes casarões em ambos os lados, com as edificações respeitando o alinhamento necessário. À esquerda, andaimes e pilha de tijolos revelam obra de construção de mais uma casa

 

Cidade de Curitiba: dos grandes pinheirais às grandes inovações na mobilidade urbana

Vista da Rua 15 de Novembro em 1896. A urbanização da Cidade de Curitiba tinha avançado bastante. Apesar da via ainda sem calçamento, já havia calçadas junto às fachadas dos casarões. Entretanto, ainda não há sinais de iluminação pública

 

Cidade de Curitiba: dos grandes pinheirais às grandes inovações na mobilidade urbana

Planta da Cidade de Curitiba, produzida no ano de 1894. Mesmo numa época em que se dava pouco valor ao planejamento urbano, ela já destacava pela distribuição organizada dos espaços, com ruas largas, retilíneas e conjuntos das edificações em forma retangular

 

Cidade de Curitiba: dos grandes pinheirais às grandes inovações na mobilidade urbana

Fachada do então Theatro Guayra, em 1910. Na época em foi construído, era o maior teatro da América Latina. Chama atenção uma das características pelas quais a Cidade de Curitiba já era bastante conhecida Brasil afora: ter ruas retas e com grande extensão

 

Cidade de Curitiba: dos grandes pinheirais às grandes inovações na mobilidade urbana

Vista frontal do Theatro Guayra em 1915. A Cidade de Curitiba tinha um belo espaço dedicado às artes, com estrutura interna e capacidade de público para receber as mais importantes companhias de teatro daquela época, tanto do Brasil quanto do exterior

 

Cidade de Curitiba: dos grandes pinheirais às grandes inovações na mobilidade urbana

Vista da Cidade de Curitiba em 1920, com a Catedral Metropolitana já se destacando ao centro da foto. No rodapé da imagem, um resumo da população local em diversos anos. Em 100 anos, ela cresceu 38 vezes, passando de 50 mil para cerca de 1,9 milhões

 


 

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