Município passou praticamente a metade dos seus 134 anos de existência isolado do progresso acontecendo no seu entorno. Isso criou uma cápsula do tempo, preservando boa parte dos imóveis construídos há 100 anos. Todos estão tombados como Patrimônio Histórico do Brasil, formando um atrativo de Turismo sem paralelo no mundo.

 

Cidade de Antônio Prado: herança do trabalho dos colonizadores

 

O Município de Antônio Prado, situado na Serra Gaúcha, região de montanhas a Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, pode dividir seu pouco mais de um século de existência em três momentos singulares: início promissor, isolamento econômico e recuperação pelo Turismo.

Nascido em 1876, deixou o século XIX, anos 1801 a 1900, e caminhou para o século XX, anos 1901 a 2000, avançando graças à enorme inventividade dos pioneiros colonizadores italianos, à infindável capacidade de trabalho do seu povo e à resilência de empreendedores.

Entretanto, pouco antes de completar quatro décadas de existência, surgiu o primeiro fator modificador desse panorama: o encerramento do serviço de balsas para cruzar o Rio das Antas, no Passo do Simão. Os veículos passaram a usar a Ponte do Korf, inaugurada em 1907.

Menos carros circulando, menos pessoas consumindo. O faturamento do comércio caiu, assim como criação de empregos, geração de renda, distribuição de riqueza. O cenário de desolação tornou-se mais impactante a partir do início dos anos 1930, com abertura da rodovia BR-116.

Esta estrada, hoje das mais importantes do Brasil, une extremos Sul e Norte do País. Ela tem início, ou fim, no Município de Jaguarão, Estado do Rio Grande do Sul, divisa com Uruguai, e fim, ou início, na Cidade de Fortaleza, capital do Estado do Ceará, no Nordeste Brasileiro.

 

O Município de Antônio Prado deixou o século XIX, anos 1801 a 1900, e adentrou o século XX, anos 1901 a 2000, avançando graças à enorme inventividade dos pioneiros colonizadores italianos, à infindável capacidade de trabalho do seu povo e à resilência de empreendedores

 

Cidade de Antônio Prado: mais de meio século de isolamento

 

Essas condições, aliadas a outras, muitas delas advindas dos efeitos das duas modificações viárias, impuseram ao Município de Antônio Prado uma espécie de isolamento. Enquanto seus vizinhos cresciam nas mais diferentes frentes, ele definhava lentamente, a olhos vistos.

O distanciamento durou décadas, prejudicando agricultura, comércio, indústria, serviços e até mesmo a educação, provocando êxodos rural e urbano. Muitos jovens, sem perspectivas de emprego e crescimento, partiam, buscando uma melhor formação e bem mais oportunidades.

Entretanto, o negativo tornou-se positivo, gerando uma riqueza sem igual para a Cidade de Antônio Prado. A decadência econômica criou ali uma espécie de cápsula na qual o tempo dava a impressão de passar mais vagarosamente, mesmo ante a correria avançando no mundo.

 

Entretanto, o negativo tornou-se positivo, gerando uma riqueza sem igual para a Cidade de Antônio Prado. A decadência econômica criou ali uma espécie de cápsula na qual o tempo dava a impressão de passar mais vagarosamente, mesmo ante a correria crescendo no mundo

 

Cidade de Antônio Prado: preservação dos seus imóveis

 

Com o crescimento populacional praticamente estagnado, as propriedades na área urbana perderam valor, desestimulando novos investimentos, travando, por exemplo, a indústria da construção civil. Como ninguém buscava por novas moradias, nada de novo era construído.

Sem procura por novos imóveis, os existentes mantinham-se ocupados e usados pelos seus proprietários — os poucos vendidos seguiam a mesma cartilha. Isso levou à preservação de grande quantidade de imóveis, erguidos entre o final do século XIX e o início do século XX.

São 48, reunidos no Centro Histórico, exibindo alicerces de pedras e estrutura em madeira; poucas, mais modernas, são em alvenaria. Agrupados, formam o maior conjunto arquitetônico originário da colonização italiana do Brasil — um atrativo de Turismo sem similar no mundo.

 

Sem procura por novos imóveis, aqueles do Centro da Cidade de Antônio Prado mantinham-se ocupados e usados pelos proprietários e poucos eram vendidos. Isso levou à preservação de grande quantidade de imóveis, erguidas entre o final do século XIX e o início do século XX

 

Cidade de Antônio Prado: exemplares também pela Zona Rural

 

Além deles, há outra boa quantidade, dispersa pela bela Zona Rural do Município de Antônio Prado, com iguais características, enriquecendo ainda mais esse singular acervo capaz de, por si só, tornar-se indutor de forte aproveitamento econômico sustentável para futuras gerações.

A importância daquele sítio foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — Iphan durante a década de 1970. No mesmo documento, a instituição solicitava ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul providências para salvaguardar tamanha riqueza.

Isso não ocorreu de imediato, preocupando lideranças ligadas à Cultura, História e Memória locais, estaduais e nacionais. Após idas e vindas, em 1983, surgiu um projeto visando aquela meta. Formou-se grupo de renomados pesquisadores, para melhor fundamentar os objetivos.

 

A importância do acervo existente na Cidade de Antônio Prado foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — Iphan na década de 1970. A instituição pediu ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul providências para salvaguardar tamanha riqueza

 

Cidade de Antônio Prado: perda de referências históricas

 

Depois de estudar e caracterizar em torno de 30 núcleos relacionados às imigrações alemã e italiana no Estado do Rio Grande do Sul, definiram o da Cidade de Antônio Prado como o de maior expressão e mais bem preservado, devendo merecer tratamento de maior prioridade.

Naquela época, o Patrimônio Colonial material não era valorizado pela população, e muito já havia sido degradado, deteriorado, destruído. O descaso se repetia com o imaterial, perdendo-se costumes, hábitos, religiosidade, saberes — tudo caindo, aceleradamente, no esquecimento.

Um, em especial, era o linguístico, representado pelo idioma Talian. Ele aportou no Brasil como dialeto dos imigrantes oriundos da Província de Trento e arredores, no Norte da Itália, embarcando em navios ora pela Cidade de Gênova, a Leste, ora a Cidade de Veneza, a Oeste.

Ao longo dos anos, pelo contato diário com os falares locais — expressões dos nativos das diversas etnias Tupi, e, principalmente, o Português —, somou novos termos ao vocabulário e adquiriu alma e personalidade própria, transformando-se numa das línguas faladas no País.

A pesquisa revelou um dado muito alarmante e outro bastante promissor. Apesar de sofrer desvalorização, sendo abandonado pelos mais jovens, ainda era falado fluentemente por cerca de 90% dos habitantes com mais de 30 anos de idade em todo o Município de Antônio Prado.

 

Pesquisa de 1983 revelou dado muito alarmante e outro bastante promissor. Apesar de sofrer desvalorização, abandonado pelos jovens, o idioma Talian ainda era falado fluentemente por 90% dos habitantes com mais de 30 anos de idade em todo o Município de Antônio Prado

 

Cidade de Antônio Prado: dono pede tombamento da própria casa

 

A situação começa a mudar quando o proprietário da Casa da Neni, das mais emblemáticas do Centro Histórico da Cidade de Antônio Prado, solicita o tombamento do imóvel. O fato teve repercussão positiva entre os interessados pela preservação das outras 47 casas sobreviventes.

Entretanto, foi preciso trabalho para convencer muitos outros donos, pois acreditavam ter seus interesses prejudicados. A vitória chegou em 1987: o Iphan, além de tombar todo o conjunto, transformou a bela área verde ao redor do Centro Histórico como de preservação permanente.

Logo após, o Instituto montou uma exposição do Paço Imperial, na Cidade do Rio de Janeiro, a capital do Estado do Rio de Janeiro, objetivando divulgar e valorizar o acervo. Em meio a painéis com fotos e textos explicativos, fez muito sucesso uma maquete do Centro Histórico.

 

A situação começa a mudar quando o proprietário da Casa da Neni, das mais emblemáticas do Centro Histórico da Cidade de Antônio Prado, solicita o tombamento do imóvel. O fato teve repercussão positiva entre os interessados pela preservação das outras 47 casas sobreviventes

 

Cidade de Antônio Prado: cenário para o filme O Quatrilho

 

De lá para cá, com a realização de ações e atividades de educação patrimonial, resgate da memória, recuperação de documentos históricos, resgate de tradições quase esquecidas a população passou a se orgulhar de conviver com a beleza representada no Centro Histórico.

Fundamental, também, foi a forte revalorização do idioma Talian: além de ganhar o status de língua oficial do Município de Antônio Prado —no mesmo nível do Português —, seu ensino foi inserido no currículo obrigatório cumprido nas escolas de ensino básico do fundamental.

Um parêntesis: esta revalorização do Talian ultrapassou as fronteiras locais. Disseminou-se, primeiro, para outros pontos da Serra Gaúcha e Estado do Rio Grande do Sul. E, logo depois, alcançou outras unidades da Federação cujas colonizações tiveram participação dos italianos.

Ajudou muito o Centro Histórico da Cidade de Antônio Prado tornar-se cenário da película O Quatrilho, em 1995. Tendo as atrizes Glória Pires e Patrícia Pillar nos principais papéis, e direção de Fábio Barreto, o trabalho acabou indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

 

Ajudou muito o Centro Histórico da Cidade de Antônio Prado tornar-se cenário da película O Quatrilho, em 1995. Tendo as atrizes Glória Pires e Patrícia Pillar nos principais papéis, e direção de Fábio Barreto, o trabalho acabou indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

 

Cidade de Antônio Prado: maioria em madeira, algumas em alvenaria

 

O Centro Histórico da Cidade de Antônio Prado se define por praça retangular e algumas ruas do entorno, ao longo das quais estão edificações datando de 1890 a 1940. Misturadas a elas, existem prédios mais modernos, infelizmente, erguidos em substituição às ali antes existentes.

Os dois setores mais íntegros do belíssimo acervo estão localizados em ambos os lados da Avenida Valdomiro Bocchese, exibindo várias unidades contíguas e diversas outras isoladas; e na Praça Garibaldi, espaço público ainda mantendo quase intacta sua configuração original.

Às margens desta última ficam três exemplares com estrutura em alvenaria: Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, Farmácia Palombini e Prefeitura Municipal. As demais são bem ilustrativas do longo Ciclo Econômico da Araucária, o pinheiro nativo da região Sul do Brasil.

Por ser madeira ótima qualidade, esta espécie se mantém em perigo crítico, muito próximo à sua extinção, devido à exploração excessiva, sem controle, até quase ao final do século XX. Sua proteção só começou a ser consolidada depois da aprovação da Constituição de 1988.

 

Os dois setores mais íntegros do belíssimo acervo da Cidade de Antônio Prado estão em ambos os lados da Avenida Valdomiro Bocchese, exibindo unidades contíguas e esparsas, e na Praça Garibaldi, espaço público ainda mantendo quase intacta sua configuração original

 

Cidade de Antônio Prado: apogeu da construção em Araucária

 

Apoiadas sobre bases firmes, a maioria das construções apresenta pavimento térreo e um ou mais andares superiores. Em geral, o primeiro piso abrigava negócios, principalmente de atividades voltadas a comércio; os demais serviam como habitação da família do proprietário.

A arquitetura representada pelos 48 imóveis do Centro Histórico da Cidade de Antônio Prado, produzida pelos imigrantes italianos e seus descendentes, se distingue no contexto brasileiro e também difere em aspectos técnicos das construções ainda existentes em vilas rurais na Itália.

Segundo um dos pesquisadores neste setor, o arquiteto Júlio Posenato, o acervo é da terceira fase, apogeu, da Arquitetura Colonial Italiana no Estado do Rio Grande do Sul. Caracteriza-se pelo seu caráter permanente, pois, nas fases anteriores, tinham, em geral, aspecto provisório.

— O imigrante recém-chegado, sem recursos nem mesmo para manter a família, erguia sua moradia da forma mais simples possível. Assim, nasciam casas bem rústicas, despojadas de qualquer ornamento nas partes externas. As paredes de tábuas lisas iam do piso ao telhado.

— Já essas, tombadas, demonstram um maior conhecimento e domínio das propriedades da madeira da Araucária e seu significado adquirido na comunidade, expressando capacidade pessoal, esforço familiar, identidade cultural, preceitos religiosos e outros valores similares.

 

A arquitetura representada pelos 48 imóveis do Centro Histórico da Cidade de Antônio Prado, produzida pelos imigrantes italianos e seus descendentes, se distingue no contexto brasileiro e também difere em aspectos técnicos das construções ainda existentes em vilas rurais na Itália

 

Cidade de Antônio Prado: acabamentos bem trabalhados

 

Trazem uso de materiais regionais associados a soluções de estruturas plásticas e criativas. O esqueleto de pilares e vigas se use em ângulos retos, de 90 graus, dispensando os tradicionais elementos diagonais de apoio e fixação — ressaltados nas fachadas alemãs estilo Enxaimel.

Isso foi possível com a popularização dos pregos industrializados, tornando-se produtos de consumo em larga escala justamente naquele momento. O uso deste insumo permitiu tonar as tábuas de fechamento das paredes e de regularização dos pisos em mais elementos estruturais.

E o contínuo aperfeiçoamento em carpintaria e marcenaria possibilitou a entrega de ambientes espaçosos, distribuídos em vários pisos, além de rico repertório de acabamentos decorativos, destacando-se balaustradas, balcões, beirais, caixilhos, lambrequins, passadiços e outros mais.

Aplicados e distribuídos de modo equilibrado e racional nas fachadas, mas também nas partes internas, agregam a plasticidade artística de beleza sem perder a austeridade esperada para as residências numa sociedade estruturada sob rígidos padrões morais, controlados o tempo todo.

 

As casas em madeira do Centro Histórico da Cidade de Antônio Prado são testemunhas do aperfeiçoamento em carpintaria e marcenaria, exibindo muitos acabamentos decorativos, destacando-se balaustradas, balcões, beirais, caixilhos, lambrequins, passadiços e outros mais

 

Cidade de Antônio Prado: exemplares íntegros e conservados

 

Muitas edificações se degradaram, devido às mudanças de utilização e períodos de abandono. Assim, perderam elementos artesanais originais, substituídos por industrializados modernos. Entretanto, no geral, apresentam uma boa integridade e razoáveis condições de conservação.

Hoje, o Iphan mantém um escritório em uma das casas preservadas no Centro Histórico da Cidade de Antônio Prado. Dali, estuda, aprova, acompanha e fiscaliza todos os trabalhos de restauro, quando necessário, além de promover ações contínuas de educação e divulgação.

Os quase 135 anos de história da Cidade de Antônio Prado estão detalhados nas mais de 500 peças originais preservadas no Museu Municipal, instalado na Casa da Neni, a primeira a ter seu tombamento requerido — em fato inédito, pois a solicitação foi feita por seu proprietário.

A coleção mistura itens singelos, como enxovais de moças, louças finas, talheres de prata e cálices de cristal, com elementos mais rudes: arado, lampião, roupas masculinas, trituradores para grãos etc. E muitas fotografias relembrando momentos gloriosos de várias comunidades.

 

Os quase 135 anos de história da Cidade de Antônio Prado estão detalhados nas mais de 500 peças originais preservadas no Museu Municipal, instalado na Casa da Neni, a primeira a ter seu tombamento requerido — em fato inédito, pois a solicitação foi feita por seu proprietário

 

Cidade de Antônio Prado: preservação impulsiona o Turismo

 

Vivendo a uma altitude média de 658 metros em relação ao nível do mar, os cerca de 16 mil habitantes do Município de Antônio Prado têm ascendência europeia — a italiana em ampla maioria. Um pequeno grupo da população guarda traços dos nativos e das origens africanas.

Com economia assentada em agricultura relacionada à cultura da uva e indústria correlata, o acervo de casas tombadas está impulsionando o segmento do Turismo: a partir da busca pela Cultura e História ali presentes, acaba beneficiando todos os demais segmentos da atividade.

Das 48 unidades tombadas, 46 estão devidamente identificadas por denominações específicas. Cada uma delas apresenta, junto à fachada, uma pequena placa na qual estão destacados nome e sua história, bem resumida — conteúdo este expresso tanto em Talian quanto em Português.

 

As unidades tombadas estão relacionadas no trabalho acima. Cada uma delas apresenta, junto à fachada, pequena placa na qual estão destacados nome e parte da história de cada uma delas, sempre bastante resumida — conteúdo este expresso em dois idiomas: Talian e Português

 

Cidade de Antônio Prado: conjunto forma museu a céu aberto

 

Imagens e breve descrições dos imóveis tombados como Patrimônio Artístico e Histórico Brasileiro presentes no Centro Histórico da Cidade de Antônio Prado, aqui dispostos na sequência apresentada no livro “Memória & Identidade”, com autoria de Fernando Roveda.

Algumas são seguidas de breve texto, extraído do verbete “Centro Histórico da Cidade de Antônio Prado”, incluído na enciclopédia aberta Wikipedia, estando disponível para consulta, ampliação ou correção. Todos os conteúdos foram adaptados para publicação neste espaço.

 

  • Casa Rotta Figlio
 
  • Casa Antonio Guerra
  • Casa Attilio Fedumenti
  • Casa Carlo Pastore
  • Casa Giovanni Sasset
  • Casa Calvino Palombini
  • Societa del Mutuo Soccorso Vittorio Emanuelle III

Casarão em alvenaria, erguido entre 1911 e 1912, para sediar a Società del Mutuo Soccorso Vittorio Emanuelle III, associação de ajuda aos imigrantes, com assistência médica e serviço social, além de atividades recreativas, desempenhando uma atuação de relevo na comunidade.

Na Segunda Guerra Mundial, em virtude da perseguição a descendentes de italianos por todo o Brasil, com a sede invadida pela Polícia, teve toda a sua documentação sequestrada. Para reabrir, foi obrigada a modificar a denominação para Sociedade Pradense de Mútuo Socorro.

Durante alguns anos, abrigou uma farmácia, pertencente a Vincenzo Palombini, e também cedeu suas instalações para o funcionamento de um Colégio Marista. Nas gravações do filme O Quatrilho, seu edifício representou a sede da Intendência, a Prefeitura da cidade, na época.

  • Casa Giuseppe Deluchi
  • Casa Vicente Palombini — Farmassia

Farmacêutico prático, Vincenzo Palombini imigrou para o Brasil no início do século XX. Foi convidado pelo Governo Brasileiro, para ajudar no combate à pandemia de Gripe Espanhola. De janeiro de 1918 a dezembro de 1920, a epidemia matou 50 milhões de pessoas no mundo.

Logo ao chegar, instalou a farmácia em parte da sede da Società del Mutuo Soccorso Vittorio Emanuelle III. Ficou naquele endereço até 1930, quando concluiu a sede própria, edificação moderna, toda em alvenaria, ricamente ornamentada, tanto na fachada quanto em seu interior.

Como era bem comum naquela época, o prédio também servia como residência para a família, ocupando o pavimento superior. Vicenzo Palombini teve vida pública ativa, sendo secretário do Conselho Municipal, vereador e presidente da Câmara ؙ— além de prefeito, eleito em 1951.

O imóvel apresenta excelente nível de preservação, com toda a sua fachada externa mantendo o estilo original. No seu interior, também sobreviveram grandes vitrines, armários entalhados em madeira, utilizados para guardar os remédios— além de pinturas decorativas nas paredes.

  • Casa Napoleone Dalla Zen
  • Casa Rizziere Tergolina
  • Casa Giuseppe Dotti
  • Casa Luiggi Sgarbi
  • Casa Giovanni Tergolina — Hotel dei Viagianti

O Hotel dos Viajantes foi construído e administrado por Giovanni Tergolina, mas ali também residindo sua família. Inaugurado em 1900, logo tornou-se o preferido dos tropeiros, cruzando pela região com seus muitos animais. Nos sábados à tarde, abria o salão para bailes públicos.

  • Casa Giuseppe Letti
  • Casa Mario Arlindo Valmorbida
  • Casa Giovanni Grazziotin

  • Casa Gregorio Rotta — Bar e Sport
  • Casa Manuel Zaccani
  • Comercio Gregorio Rotta — Macelaria Modelo
  • Casa Francesco Grazziotin
  • Casa Pietro Antonio Giuseppe Grazziotin
  • Casa Pietro Ranzolin
  • Casa da Luigi Poian
  • Casa Giovanni Baggio
  • Casa Pietro Calliari
  • Casa Hilario Andognini
  • Casa Ludovico Marcon
  • Casa Alberto Meyer
  • Casa Giacomo Grezzana

Construída entre 1906 e 1915, por Giacomo Grezzana, para morar com a família. Por ter muitos quartos, serviu como pensão. Um dos filhos a herdou e seguiu vivendo no segundo pavimento. No térreo, funcionou a Exatoria Municipal, repartição para a qual trabalhava.

Pequeno parêntesis: Exatoria era o órgão responsável pela arrecadação de impostos para a Prefeitura; hoje, a Secretaria de Fazenda. A casa sofreu reformas em 1948 e 1952, perdendo seu telhado original, de telhas de madeira rachada. Atualmente, abriga um Centro Cultural. 

  • Ciese Matrise Sacro Core de Jesu

Construída entre 1891 a 1897, substituiu uma capela de madeira, consagrada a Nossa Senhora do Rosário. Por uma iniciativa do primeiro padre do Município de Antônio Prado, Alexandre Pellegrini, quando ficou concluída, a nova igreja foi dedicada ao Sagrado Coração de Jesus.

Seu sucessor, padre Carmine Fasulo, foi responsável por ornamentar a edificação, cujas obras começaram em 1899. O campanário anexo, todo em madeira, datado de 1912, sustenta três grandes sinos, em bronze. Eles chegaram à cidade em 1911, tendo sido importados da Itália.

Reformada entre 1925 e 1928, recebeu vitrais novos e escadaria de acesso. Na década de 1950, as paredes interiores ganharam pinturas do italiano Emilio Benvenutto Zanon. Possui grandes altares, estatuária importante e púlpito entalhado em madeira por Antonio Busetto.

  • Casa Amadeu Bravatti
  • Casota de Sasso
  • Casa Reinaldo Barison
  • Casa Grazziotin Miller
  • Casa Stefano Letti
  • Intendencia — Prefeitura

A atual sede da Prefeitura do Município de Antônio Prado foi construída entre 1896 e 1900, toda em alvenaria, para ser a casa de Vittorio Faccioli, comerciante de grande sucesso. Como de hábito naqueles anos, também pretendia também instalar no térreo a sede de seus negócios.

Nunca foi usada como tal, sendo alugada desde 1899, quando a cidade foi emancipada, para o Executivo Municipal instalar a sede e cadeia pública. Nela, foi realizada a primeira eleição na Cidade de Antônio Prado. Em 1921, o Município comprou o imóvel, por 40 contos de réis.

Parêntesis: um conto de réis significa um milhão de réis. No início do século XX, um milhão de réis valia em torno de 100 mil dólares norte-americanos. Então, foram quatro milhões de dólares. A preços de hoje, cerca de R$ 16 milhões — a meu ver, um valor justo para o imóvel.

Em 1986, o edifício foi bastante reformado, mas sem perder seu visual externo, mantendo os detalhes. Recebeu uma grande ampliação na parte dos fundos, passou a abrigar também a Câmara de Vereadores. Esta permaneceu na casa até 2008, quando mudou para nova sede.

  • Casa Camilo Marcantonio
  • Casa Antonio Bocchese — Casa da Neni

A Casa Antonio Bocchese, sempre referenciada como Casa da Neni, é das mais conhecidas da Cidade de Antônio Prado, e primeira tombada, por iniciativa do seu proprietário, a época. Ela substituiu uma residência mais antiga. As obras de sua construção foram concluídas em 1910.

Como era o costume na época, no térreo funcionava a oficina do ourives Antonio Bocchese. No pavimento superior, morava a família. Uma de suas filhas, Joana Magdalena, apelidada Neni, herdando o imóvel, e sem seguir a atividade do pai, abriu uma loja de artigos religiosos.

O espaço funcionou durante muitos anos, sendo conhecido como Casa da Neni. Depois que Neni faleceu, em 1981, a propriedade passou para Valdomiro Bocchese. Ele trabalhava com vários negócios e continuou com um comércio no térreo. Em 1983, ela foi toda restaurada.

Acionista majoritário do Moinho Nordeste, então maior empresa do Município de Antônio Prado, usou a imagem da casa passou ilustrar rótulos de produtos da indústria. Em 1986, foi escolhida como símbolo das comemorações pelo centenário da colonização italiana na cidade.

  • Casa Pelegrino Grazziotin
  • Casa Marcantonio Grazziotin
  • Casa Antonio Mengatto
  • Casa Luciano Zanella
  • Casa Selene Zanella Grazziotin
  • Casa Laurindo Paim Sobrinho — Vila Olivia

A edificação atual é resultado de grande reforma e ampliação realizada em 1920 pelos irmãos Nodari, em modesta habitação datada de 1918, a mando do seu proprietário, Avelino Paim de Souza, fazendeiro rico, coronel da Guarda Nacional e, por duas vezes, Conselheiro Municipal.

A reforma substituiu o tabuado rústico original por tábuas aparelhadas, acrescentou profusão de lambrequins na fachada, garagem no térreo e banheiro no piso superior, uma comodidade rara na época. Herdada pelo filho Laurindo Paim de Souza, ganhou um ajardinado no terreno.

  • Casa Giuseppe Grazziotin

 


 

O post “Cidade de Antônio Prado é museu a céu aberto com acervo de 48 imóveis tombados” foi produzido por João Zuccaratto, jornalista especializado em Turismo baseado na Cidade de Vitória, a capital do Estado do Espírito Santo,  com apoio da montadora de ônibus Marcopolo, na Cidade de Caxias do Sul, e do historiador e pesquisador Fernando Roveda, na sua Cidade de Antônio Prado.

O post “Cidade de Antônio Prado é museu a céu aberto com acervo de 48 imóveis tombados” nasceu de indicação do entusiasta da recuperação e manutenção da memória da imigração italiana em todo o Brasil, João Otávio de Carli, esforço traduzido na suas contribuições para três entidades relacionadas a este tema: ele é presidente do Circolo Veronesi nel Mondo dell’Espírito Santo — Cives; vice-presidente do Instituto Casa d’Italia do Espírito Santo; e, Conselheiro do Comitato degli Italiani all’Estero no Estado do Rio de Janeiro e Estado do Espírito Santo — Comites RJ & ES.

Clique nos trechos em colorido ao longo do post “Cidade de Antônio Prado é museu a céu aberto com acervo de 48 imóveis tombados” para abrir novas guias, com informações complementares ao aqui sendo tratado. Eles guardam links levando a verbetes da Wikipedia e sites de empresas, entidades, Governos estaduais, Prefeituras etc.

No post “Cidade de Antônio Prado é museu a céu aberto com acervo de 48 imóveis tombados”, a repetição de algumas expressões, como “Cidade de Antônio Prado”, é intencional. Elas são as principais palavras-chave dos conteúdos. Colocá-las várias vezes na postagem faz parte das técnicas de Search Engine Optimization — SEO, ou otimização para ferramentas de busca. Ajuda a destacar o trabalho na lista apresentada quando se pesquisa com BingGoogle ou Yahoo!.

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