Origem da Cidade de Alcântara confunde-se com invasão dos franceses. Região era ocupada por grande número de tribos de nativos. Cidade nasceu no local de uma delas: Tapuitapera. Após três séculos de crescimento e apogeu, decadência está sendo revertida com o incentivo ao turismo.

 

Cidade de Alcântara: franceses fazem amizade com os nativos

 

A fundação da Cidade de Alcântara, situada ao Norte da Baía de São Marcos, no Estado do Maranhão, está ligada às ações dos franceses no início da ocupação do Brasil, logo após a definição do Tratado de Tordesilhas e a descoberta pelos portugueses, em 1500.

Tudo começa em 1594, com Jacques Riffault instalando feitoria na Upaon-Açu, a Ilha Grande, na língua dos nativos locais. Junto ao mar, fortificada, era um entreposto para trocas de mercadorias com os naturais e dar apoio às expedições adentrando o território.

Estavam assentadas bases para o domínio francês consolidar-se por todo litoral Norte da América do Sul. Jacques Riffault logo tornou-se amigo dos indígenas, até aprendendo a língua deles. Com isso, deu segurança ao estabelecimento e às pessoas ali trabalhando.

Com certeza, seu relacionamento abrangia área bem maior que apenas a Upaon-Açu. E a faixa de terra situada ao Norte da Baía de São Marcos estava ao seu alcance. Foi dos primeiros a estabelecer relacionamento com os diversos grupos de pessoas lá vivendo.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

Mapa de 1535 e as Capitanias Hereditárias com as quais o rei dom João III acelerou à ocupação das terras da nova Colônia. À esquerda, aquela ao Norte, está identificada como Capitania de João de Barros, o donatário original da Capitania do Maranhão

 

Cidade de Alcântara: rei da França autoriza viagem de inspeção

 

Quando se viu em condições de viajar à Europa, em buscando de novos investimentos, Jacques Riffault partiu. Deixou o espaço protegido aos cuidados de seu braço-direito, Charles dês Vaux, rumou à França. Lá chegando, correu para Paris, a capital do país.

Nem bem havia chegado à cidade, foi chamado à presença da Corte, para fazer relatos diretamente ao rei. Suas narrativas convenceram o rei Henrique IV a mandar Daniel de La Touche, o Senhor de La Ravarière, em uma viagem de inspeção à promissora região.

Este, já havia cumprido com sucesso tarefa semelhante, recentemente, quando, ao lado do navegador Jean Mocquet, explorou as costas de onde está hoje a Guiana Francesa. Na verdade, iria só ampliar o conhecimento sobre os territórios situados mais ao Sul.

Entusiasmado com as possibilidades vistas ao Norte do Brasil, retornou à França para viabilizar a ocupação daquelas áreas virgens. Mas, enquanto singrava os mares, aquele monarca com o qual tinha criado mais proximidades havia sido assassinado, em 1610.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

Rei da França, Henrique IV, e busto de Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière. O primeiro autorizou o segundo a fazer viagem de inspeção pelo Norte da Colônia do Brasil, verificando a viabilidade de se investir numa tomada daquele território português

 

Cidade de Alcântara: invasores partem para criar França Equinocial

 

Como o sucessor, Luís XIII, ainda era criança, o poder foi outorgado. Tornou-se regente Maria de Médicis. Mesmo sem intimidade com este novo Poder, La Touche conseguiu convencê-la a associar-se ao projeto de estabelecer colônia ao Sul da Linha do Equador.

Maria de Médicis o autorizou a oficializar a empreitada, sob a denominação de França Equinocial. Para cálculo dos investimentos iniciais necessários, fixaram um limite de 25 quilômetros, ao longo do litoral, de cada lado do forte a ser erguido no local da feitoria.

O avanço terra a dentro se daria conforme progredisse a posse do território. Assim, em 1612, La Ravardière deixou o Porto de Cancale, na Bretanha, no Noroeste da França, à frente dos navios Charlote, Regente e Saint-Anne, e com cerca de 500 colonos a bordo.

No dia 8 de setembro daquele mesmo ano, os capuchinhos Claude d’Abbeville e Yves d’Évreux, integrantes da expedição, rezaram a primeira missa na feitoria francesa da Upaon-Açu, abençoando o início da construção da fortificação prevista para o local.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

Com a morte de Henrique IV, sendo seu sucessor, Luís XIII, ainda muito criança, o Poder foi outorgado à mãe dele, Maria de Médicis, atuando como regente. Daniel de la Touche conseguiu convencê-la a investir na invasão das terras ao Norte do Brasil

 

Cidade de Alcântara: região ocupada por cerca de 8 mil nativos

 

O baluarte foi batizado como Saint Louis, homenagem ao futuro rei da França, Louis XIII. E deram a mesma denominação ao povoado surgindo ao seu redor. Mal havia colocado pés em solo firme, La Touche iniciou o processo de consolidar seus domínios.

E fez isso com extremada competência, extrapolando aqueles limites de 25 quilômetros à direita e à esquerda do Forte Saint Louis, estabelecidos no contrato de constituição da investida comercial, firmado ainda em Paris, antes de deixar a França no sentido Sul.

Rapidamente, deu início a um amplo para programa de estabelecer inúmeras colônias de povoamento. E, claro!, as terras logo ali ao lado, a Norte da Baía de São Marcos, faziam parte deste projeto. Não demorou muito, usaram seus navios para cruzar aquelas águas.

Ao saltar nas praias e explorar pelos arredores, encontraram diversas aldeias de nativos, abrigando cerca de 8.000 nativos, segundo cálculos deles mesmos. Todas identificadas por características físicas dos habitantes, terreno ao redor, vegetação predominante etc.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

Ilustração de Claude d’Abbeville, de 1614: celebração da primeira missa na Upaon-Açu, marcando a fundação da Cidade de São Luís. Logo após, os franceses cruzaram a Baía de São Marcos para conhecer os nativos vivendo onde hoje está a Cidade de Alcântara

 

Cidade de Alcântara: origem no local da aldeia da Tapuitapera

 

Como era comum naquelas expedições, escrivães acompanhando as viagens relatavam todos os acontecidos, tudo o encontrado, em diários de bordo a serem conferidos logo no retorno à França. Com estes textos, imortalizaram algumas daquelas identificações.

Arui-ipê, o lugar de sapos; Caaguiria, sombra do mato; Iguaraupaba, porto de canoas; Jenipa-ipê, jenipapo; Miriti-ipê, mata de buritis; Pindotiua, mata de palmeiras; Siriji, Rio do Siri; Tapuitapera, casa dos cabelos compridos; e Tapuí-tininga, casa dos cabelos secos.

A Cidade de Alcântara irá nascer no mesmo local onde estava a Tapuitapera, a partir da colonização dos portugueses, iniciada em 1616, após expulsão dos franceses. Naquele ano, instalaram ali um presídio. Os nativos não concordaram e o destruíram em 1618.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

Neste mapa, de 1629, o terreno abaixo, à direita, é onde hoje está situada a Cidade de Alcântara. Note que em destaque está a Aldeia da Tapuitapera, a “casa daqueles com cabelos compridos”, local em que a cidade vai ser fundada, a 22 de dezembro de 1648

 

Cidade de Alcântara: nasce o Estado do Maranhão e Grão-Pará

 

Corria o ano de 1621 quando, devido à crescente importância econômica e estratégica de toda a Região Norte da sua enorme colônia da América do Sul, a Coroa Portuguesa decidiu dividi-la em duas grandes unidades administrativas independentes uma da outra.

Uma agregava Nordeste, as antigas Capitanias Hereditárias junto ao litoral do Oceano Atlântico e os novos territórios agregados no Centro-Oeste pelos bandeirantes paulistas. Chamada Estado do Brasil, definiu o termo que acabará identificando aquele novo País.

A outra foi batizada como Estado do Maranhão e Grão-Pará. Ele foi formado por parte do atual Estado do Ceará, o atual Estado do Piauí, o atual Estado do Maranhão e toda a atual Amazônia. E durante 100 anos a capital ficou estabelecida na Cidade de São Luís.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

Mapa de 1640, trazendo as Capitanias Hereditárias já com suas novas identificações e fronteiras alteradas. No alto, ao centro, a Capitania do Maranhão, cujo limite à esquerda é a linha demarcatória do Tratado de Tordesilhas, nunca respeitado pelos portugueses

 

Cidade de Alcântara: fundação em 22 de dezembro de 1648

 

Em 19 de março de 1624, Portugal faz uma nova alteração na composição do Estado do Maranhão e Grão-Pará. A Capitania do Maranhão é subdividida, nascendo a Capitania do Cumã. Com isso, transforma aquela pequena Aldeia de Tapuitapera em sua capital.

Governador da Capitania do Maranhão, Francisco Coelho de Carvalho doa a Capitania do Cumã ao irmão, Antônio Coelho de Carvalho. Mas este não tem sucesso na gestão da propriedade, abandonando-a em 1641, logo após a invasão e expulsão dos holandeses.

A situação muda completamente quatro anos mais tarde. Mais precisamente, a 22 de dezembro de 1648, a Aldeia de Tapuitapera foi elevada à Vila de Santo Antônio de Alcântara. Esta é a data de fundação da cidade, prestes a somar 369 anos de existência.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

Ilustração do holandês Frans Jansz, datada de 1645, mostra a esquadra de 18 navios holandeses sitiando a Cidade de São Luís. A população abandonou suas casas e os invasores saquearam todas elas, inclusive capturando cinco mil arrobas de açúcar

 

Cidade de Alcântara: ponte naval entre o Brasil e Portugal

 

O termo “alcântara” é originário do árabe. E significa “a ponte”. Já naquela época, havia uma verdadeira ponte naval entre a região e Lisboa. Ao se deixar a localidade em maré vazante, a correnteza em direção ao alto-mar adiantava a viagem em pelo menos um dia.

A essa época, já existia uma igreja, dedicada a São Bartolomeu. Logo após, iniciou-se a construção do Convento Nossa Senhora dos Remédios, mais tarde rebatizado Convento de Nossa Senhora das Mercês, e, finalmente, de Convento de Nossa Senhora do Carmo.

Uma das cidades mais antigas do agora Estado do Maranhão, contribuiu para todo o seu desenvolvimento econômico o domínio sobre amplo território. Ele compreendia área correspondente a 13 dos atuais 15 Municípios compondo a agora Baixada Maranhense.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

O termo “alcântara” é originário do árabe. E significa “a ponte”. Já naquela época, havia uma verdadeira ponte naval entre a região e Lisboa. Ao se deixar a localidade em maré vazante, a correnteza em direção ao alto-mar adiantava a viagem em pelo menos um dia

 

Cidade de Alcântara: surgem os primeiros engenhos de açúcar

 

O momento daquela emancipação coincidiu com o início do plantio de algodão, arroz e cana de açúcar. Esta última levou à instalação dos primeiros engenhos. A qualidade das terras e o uso de mão de obra escrava vão permitir o crescimento elevado da produção.

A presença de três raças naquele mesmo espaço, reunindo índios, europeus e africanos, dá início também ao lento processo de miscigenização da população local. Quase quatro séculos após, esta é a característica preponderante na população da Cidade de Alcântara.

A povoação somente do litoral consolida a Vila de Santo Antônio de Alcântara como celeiro também da Capitania do Maranhão, condição mantida até o final do século XIX, anos 1800. Os principais produtos eram algodão, arroz, açúcar, farinha, peixe seco e sal.

Além das rotas por mar para Europa e outros pontos do País, liga-se por terra a diversos locais, através de três estradas. A mais importante, denominada Piraú-Açu, “caminho do peixe grande”, permitia a união entre Capitania do Maranhão e Capitania do Grão-Pará.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

Durante mais de dois séculos, o Estado do Maranhão e a Cidade de Alcântara viveram da riqueza proporcionada por culturas como a do algodão. O excessivo uso de mão de obra escrava escondia baixos índices de produtividade, mas preços altos compensavam

 

Cidade de Alcântara: companhia comercial dinamiza economia

 

Passados 100 anos, a Vila de Santo Antônio de Alcântara é importante centro produtor de algodão e arroz. Os recursos daí advindos permitem à sociedade local ostentar nas casas e igrejas, com arquitetura diferenciada e interiores bem trabalhados e decorados.

Em 1754, há uma reorganização administrativas da Capitania do Cumã, com sua divisão em Municípios. O mais importante, a Vila de Santo Antônio de Alcântara. No mesmo momento, os gabinetes de Lisboa geravam novo fator para aquela situação de progresso.

Secretário do Estado do rei dom José I, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, buscando dinamizar ainda mais o Estado do Grão-Pará e Maranhão, cria um novo instrumento para isso: Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

O Marquês de Pombal criou a Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão para dinamizar a produção da Capitania do Grão-Pará, capital na Cidade de Belém, e da Capitania do Maranhão, capital na Cidade de São Luís, ao lado da Cidade de Alcântara

 

Cidade de Alcântara: Norte do Brasil maior fornecedor para Europa

 

Em 1756, Sebastião Francisco de Melo e Póvoas à frente da Capitania do Maranhão, e as bases da prosperidade na região foram alterados significativamente. Assim, tanto esta quanto a Capitania do Grão-Pará entrarem em novo período de esplendor econômico.

Os gestores da empresa praticamente tomaram para si as decisões econômicas, políticas e sociais. Agindo com liberdade quase total, reduzindo burocracia e encurtando o tempo das decisões, conseguiram dinamizar o universo de produção então sob influência deles.

Cresceu a introdução de braços africanos; melhorou a produtividade das plantações de arroz com sementes dos Estados Unidos da América e a introdução de máquinas para o descasque; evoluiu-se a cultura do algodão, com a vinda de ferramentas mais modernas.

Implantou-se uma nova política de adiantamentos de recursos em dinheiro vivo, a serem quitados em prazos dilatados, aceitando o pagamento em produtos. Assim, deu-se mais liquidez aos fazendeiros, permitindo a estes pensarem apenas em produzir mais e mais.

Não demorou, o Norte do Brasil tornou-se o fornecedor em melhores condições para atender às demandas de uma Europa entrando na Revolução Industrial. E ainda veio a ajuda da Guerra de Independência entre as 13 colônias norte-americanas e a Inglaterra.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

Quadro de Johann Moritz Rugendas, retratando interior de navio negreiro. Com a Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão a importação de escravos da África foi ampliada, pois era necessária mão de obra para a ampliação das plantações

 

Cidade de Alcântara: famílias mandam filhos estudar em Portugal

 

A lavoura baseada no escravismo e voltada à exportação tornou a Capitania do Cumã e a Capitania do Maranhão uma das regiões mais ricas do Brasil de então. E, no centro desta prosperidade, em todos os setores, estava a Vila de Santo Antônio de Alcântara.

Lá, viviam a grandes fortunas da época. Passou a habitual, entre famílias ricas, enviar filhos para a Cidade de Coimbra, em Portugal, para ali se educarem. A vila só dispunha de algumas escolas de primeiras letras, prolongando-se essa situação por muito tempo.

Contribuía, também, para aquele costume o número elevado de portugueses lá vivendo, a maioria de origem fidalga. Mais tarde, com a criação do Curso de Direito no Brasil, a Cidade de Olinda, na Capitania de Pernambuco, torna-se o novo destino dos estudantes.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

Vista da Universidade de Coimbra, na Cidade de Coimbra, situada na Região Central de Portugal, entidade com cinco séculos de existência, para a qual as famílias abastadas da Cidade de Alcântara enviavam os filhos homens para se graduar, geralmente em Direito

 

Cidade de Alcântara: início do século XIX e esplendor econômico

 

No final do século XVIII, anos 1700, somente a parte urbana do Vila de Santo Antônio de Alcântara contava com 400 habitantes, atendidos por Casa de Misericórdia. A Cidade de São Luís, a capital da Capitania do Maranhão, tinha pouco mais de 1.000 moradores.

A virada para o século XIX, anos 1800, marca o auge do esplendor econômico local. O polo chegou a reunir mais de 10 mil escravos. Este contingente atendia 81 fazendas de cereais, 24 fazendas de criação de gado, 22 engenhos de açúcar e mais de 100 salinas.

Em 7 de novembro de 1805, é criado o Distrito de Santo Antônio e Almas, logo depois anexado ao Município da Vila de Santo Antônio de Alcântara. Em 28 de fevereiro de 1821, a Coroa Portuguesa reorganiza administrativamente seus territórios de ultramar.

Os direitos dos capitães-donatários são extintos e as Capitanias tornam-se Províncias. A Capitania do Cumã e a Capitania do Maranhão desaparecem e seus domínios são unidos na Província do Maranhão, à qual fica vinculada a Vila de Santo Antônio de Alcântara.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

Portugal extingue os direitos dos capitães-donatários e Capitanias viraram Províncias. A Capitania de Cumã e a Capitania do Maranhão desaparecem. Os domínios foram unidos na Província do Maranhão, à qual fica vinculada a Vila de Santo Antônio de Alcântara

 

Cidade de Alcântara: decadência se instala no final do século XIX

 

A região ganha sua Comarca em 1835, sendo seu primeiro promotor o futuro filósofo e historiador Clóvis Bevilácqua. No dia 5 de julho de 1836, a Vila de Santo Antônio de Alcântara é elevada à categoria de cidade, sob a denominação de Cidade de Alcântara.

Em 23 de julho de 1838, é criado o Distrito de São João Cortes, sendo logo anexado ao Município de Alcântara. A partir da metade do século XIX, lenta, constante e gradual decadência econômica se instala, sendo diversos os motivos para explicar este processo.

O fim da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão é considerado um deles. Outro, uma trajetória irreversível de redução do valor da tonelada de algodão no mercado externo, expondo a precariedade da produção originada no Norte brasileiro.

A baixa produtividade das terras já cansadas do litoral da Província do Maranhão mina as chances de competir no mercado externa frente à produção de novas regiões. Isso tem uma pequena reversão durante a Guerra de Secessão, nos Estados Unidos da América.

Outro fator do declínio veio do avanço da colonização para o interior, com as plantações trocando o litoral da Capitania do Cumã pelas terras do Vale do Rio Itapecuru-Mirim, Vale do Rio Mearim e Vale do Rio Pindaré, região central da Capitania do Maranhão.

Já pelo final do século XIX, o somatório do fim da exportação do algodão do Norte do Brasil para a Europa, a Abolição da Escravatura e a redução continuada na cotação do açúcar puseram ponto final ao período de apogeu econômico da Cidade de Alcântara.

Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1989, as Províncias passam a se chamar Estados, surgindo, então o Estado do Maranhão, mantendo como sua capital a Cidade de São Luís. Isto não alterou a situação de decadência da Cidade de Alcântara.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

Apesar das exportações a partir da Cidade de São Luís, principalmente para Inglaterra, começaram a ser feitas por navios movidos a vapor no final do século XIX, barateando os fretes, esta redução de custos não compensava a baixa produtividade das produções

 

Cidade de Alcântara: século XX marcado por declínio irreversível

 

A região adentra o século XX, anos 1900, em processo de declínio irreversível. Com a estagnação, aqueles de maiores posses procuraram outros locais para morar e investir, abandonando suas propriedades, pois não apareciam mais interessados em comprá-las.

A área urbana foi esvaziada e muitas casas, deixadas ao tempo, acabaram deteriorando-se, restando em pé apenas as paredes mais resistentes. O conjunto de ruínas é hoje um museu a céu aberto, um acervo arquitetônico testemunhando 300 anos do período áureo.

Nos primórdios do século XX, ações políticas e decisões administrativas não reverteram a situação de decadência. Em 1911, o Município de Alcântara possuía cinco distritos: Alcântara, Almas, Jacioca, Raimundo-Su, São João de Côrtes, Jacioca e Santo Antônio.

Em 21 de abril de 1918, desmembrado do Município de Alcântara, o Distrito de Santo Antônio e Almas é elevado à categoria de Município. Em 22 de abril de 1931, é extinto o Município de Godofredo Viana, ex-Bequimão, e anexado ao Município de Alcântara.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o Município de Alcântara aparece com três distritos: Alcântara, Bequimão e São João Cortes. Em 19 de junho 1935, perde o Distrito de Bequimão, com este sendo elevado, novamente, à categoria de Município.

Em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o Município de Alcântara tem apenas dois distritos: Alcântara e São João de Cortes. Os dois também aparecem no quadro para vigorar durante o período indo de 1944 a 1948.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

A área urbana da Cidade de Alcântara foi esvaziada e muitas casas, deixadas ao tempo, acabaram deteriorando-se, restando em pé apenas paredes mais resistentes. O conjunto de ruínas é hoje museu a céu aberto, acervo testemunhando 300 anos do período áureo

 

Cidade de Alcântara: reconhecimento como Monumento Nacional

 

Em 22 de dezembro de 1948, data do tricentenário de sua elevação a Vila, a Cidade de Alcântara é tombada como Cidade Histórica e Monumento Nacional, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, devido ao patrimônio inigualável de ruínas.

Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960, o Município de Alcântara segue constituído pelos distritos de Alcântara e São João Cortes. O Governo Militar instalado a partir de 31 de março de 1964 antevê aproveitamento estratégico para aquela região.

Era início da década de 1980 quando o Município de Alcântara foi escolhido para sediar um Centro de Lançamentos de Foguetes. Isso acontece em razão da privilegiada posição geográfica, muito próximo da Linha do Equador, barateando os custos das operações.

Somaram pontos também para esta importante definição a enorme facilidade para se manter o controle da segurança no local, condições meteorológicas regulares a maior parte do tempo, vizinhança da Cidade de São Luís e existência de complexo portuário.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

Era início da década de 1980 quando o Município de Alcântara foi escolhido para sediar um Centro de Lançamentos de Foguetes. Isso acontece em razão da privilegiada posição geográfica, muito próximo da Linha do Equador, barateando os custos das operações

 

Cidade de Alcântara: turismo como porta de saída do ostracismo

 

Hoje, o Município de Alcântara tem limites com a Baía de São Marcos e o Oceano Atlântico, pelo Nordeste; a Baía do Rio Cumã e o Município de Guimarães, pelo Oeste; o Município de Bequimão, pelo Sudoeste; e o Município de Cajapió, pelo Sudeste.

Parte da Área de Proteção Ambiental das Reentrâncias Maranhenses, a região é muito rica em biodiversidade e recursos naturais. O sítio arqueológico da Ilha do Cajual, com fósseis de espécies da África, comprova a união dos continentes milhões de anos atrás.

A população em torno de 25 mil habitantes se distribuí por área de 1.458 quilômetros quadrados. Cerca de 80% dos seus habitantes vivem na zona rural, ocupando-se com agricultura, pesca e extrativismo, praticados de forma artesanal, bastante sustentável.

Ocupam fazendas abandonadas e doadas aos escravos que nelas trabalhavam ao serem libertados pela Lei Áurea. Estes espaços são identificados como “Terras de Preto”. As que foram deixadas por ordens religiosas, “Terras de Santo” ou “Terras de Santíssimo”.

Estas áreas, identificadas como Remanescentes de Quilombos, abrigam mais de 100 comunidades pelo Município de Alcântara. As mais conhecidas são Baracatatiua, Brito, Canelatiua, Itapera, Mamuna, Mamuninha, Mato Grosso, Ponta de Areia e Retiro.

A Constituição Brasileira de 1988 garantiu a estes grupos a posse dos territórios por eles ocupados, reconhecendo a importância cultural e histórica dos mesmos na formação da sociedade brasileira. Alguns vêm recorrendo à Justiça para dar validade a esse direito.

São eles os maiores responsáveis pelo incremento do turismo nas últimas décadas, pois detentores de um valioso acervo de lendas e tradições. As mais importantes são a Festa do Divino Espírito Santo, ou, simplesmente, Festa do Divino, e a Festa de São Benedito.

 

Cidade de Alcântara, no Norte do Estado do Maranhão, exibe seus 400 anos de história

A Constituição Brasileira de 1988 garantiu aos Remanescentes de Quilombolas a posse dos territórios por eles ocupados, reconhecendo a importância cultural e histórica dos mesmos na formação da sociedade brasileira, como os muitos da Cidade de Alcântara

 


 

Clique nos trechos em colorido ao longo do texto para abrir novas guias, com informações complementares ao aqui sendo tratado. Eles guardam links levando a verbetes da Wikipedia e sites de empresas, entidades, Governos estaduais, Prefeituras etc.

A repetição da expressão “Cidade de Alcântara”, e outras mais, é intencional. Elas são as principais palavras-chave dos conteúdos. Colocá-las várias vezes na postagem faz parte das técnicas de Search Engine Optimization — SEO, ou otimização para ferramentas de busca. Ajuda a destacar o trabalho na lista apresentada quando se pesquisa com BingGoogle ou Yahoo.

Texto redigido a partir de conhecimentos gerais do autor e pesquisas na Internet, principalmente Wikipedia e espaços do Governo do Estado do Maranhão, Prefeitura do Município de Alcântara, entidades ligadas à história e ao turismo do território maranhense presentes na Web e blogs diversos, voltados à cultura e história da Cidade de Alcântara e a viagens.

Não se trata de trabalho científico, podendo apresentar erros. Se eles forem apontados, reeditarei o material com as correções. Informações corretas sobre a história da Cidade de Alcântara podem ser pesquisadas nos dois trabalhos a seguir, dos quais muitas das informações aqui publicadas foram extraída. Basta clicar em qualquer dos títulos para abrir as publicações em PDF:

 

• Turismo, Cultura e a Festa do Divino em Alcântara — MA: Meu Canto não Pode Parar
• Planejamento Turístico: o Caso do Município de Alcântara

 

Todas as fotos têm origem identificada. Se o autor de algumas delas discordar do seu uso, basta avisar que será substituída.

Material produzido a partir da participação na edição 2017 do São João de São Luís, a convite da Revista Maranhão Turismo com apoio da Secretaria de Turismo da Prefeitura da Cidade de São Luís.