Manifestação e personagem expressam heranças de nativos tupis e tupiniquins, imigrantes europeus e cativos africanos. Evento homenageia Nossa Senhora da Penha, padroeira católica do Estado do Espírito Santo. Festa acontece na área rural do Município de Cariacica. Evento e personagem, agora, são Patrimônios Imateriais.

 

Carnaval de Congo de Máscaras e João Bananeira: patrimônios

 

O Carnaval de Congo de Máscaras da Comunidade de Roda d’Água, e o principal personagem daquela festa, João Bananeira, agora estão registrados como Patrimônios Imateriais do Município de Cariacica. As duas manifestações populares são as primeiras elevadas a essa nova condição.

O decreto da Prefeitura, com a oficialização do registro do Carnaval de Congo de Máscaras da Comunidade de Roda d’Água, torna obrigatório o cumprimento de uma série de procedimentos voltados à preservação, proteção e valorização dessa riqueza. Eles podem ser assim resumidos:

  • Data de realização móvel, marcada de acordo com a comemoração da Páscoa;
  • Manutenção da estrutura, organização e modos tradicionais de fazer o festejo;
  • Protagonismo das bandas de congo do Município de Cariacica, as fazedoras da festa;
  • Presença de imagem de Nossa Senhora da Penha no cortejo, missa e local dos festejos;
  • Cortejo cumprindo roteiro saindo da casa do festeiro em direção à missa campal;
  • Missa campal com a participação ativa de todos os grupos de congo presentes;
  • Encontro das bandas de congo do Município de Cariacica com as demais presentes; e,
  • Presença indispensável dos personagens tradicionais: mascarado, burrinha e João Bananeira.

O mesmo acontece com o personagem destacada daquela festividade, o João Bananeira. Seu instrumento legal de registro também especifica ser obrigatório seguir e cumprir procedimentos de preservação, proteção e valorização. Eles estão relacionados na lista reproduzida a seguir:

  • Modos de fazer os trajes de folhas secas de bananeiras, amarradas em formato de saia;
  • Obrigatoriedade do uso dos trajes, de modo a esconder partes do corpo do brincante;
  • Formas de produzir as máscaras coloridas: papel e cola ou grude sobre carranca de barro;
  • Obrigatoriedade do uso das máscaras, para esconder a identidade do brincante;
  • Manutenção de sigilo quanto à identidade da pessoa que incorpora e representa o brincante;
  • Características dos brincantes fingirem assustar as crianças, correndo atrás delas; e,
  • Características dos brincantes dançarem com foliões durante o Carnaval de Congo de Máscaras.

Por fim, o ícone João Bananeira, agora bem de valores cultural, histórico, patrimonial e social, deverá ser reconhecido por todas as instituições municipais públicas e privadas, e seu estudo ser incluído na grade curricular de todas as escolas em funcionamento no Município de Cariacica.

 

Agora, tanto a manifestação, o Carnaval de Congo de Máscaras da Comunidade de Roda d’Água, quanto seu personagem principal, João Bananeira, estão registrados como Patrimônios Imateriais do Município de Cariacica. Os dois são os primeiros a serem agraciados com essa nova condição

 

Patrimônio Imaterial do Brasil: acervo inestimável

 

O procedimento de registro oficial cria um conjunto de instrumentos legais fundamentais e necessários para preservação, reconhecimento e valorização dos bens relacionados à formação da sociedade brasileira, cujo conjunto forma o acervo descrito como Patrimônio Imaterial do Brasil.

E este pode ser resumido em artes, celebrações, cancioneiros, conhecimentos, expressões, músicas, práticas, representações, saberes e técnicas desenvolvidas e guardadas, ao longo dos séculos, por grupos sociais diversos, formados tanto por nativos quanto negros ou brancos.

Assim, as possibilidades de serem registrados novos Patrimônios Imateriais, tanto no Município de Cariacica quanto em todos os outros do território nacional são praticamente infinitas. Passo posterior é buscar a elevação dessa condição, transformando-os em Patrimônio Imaterial do País.

No Estado do Espírito Santo, até o momento, apenas o método de produção das panelas de barro da comunidade do Bairro de Goiabeiras, na Cidade de Vitória, a capital capixaba, alcançou esse patamar. Outro com enormes condições de chegar lá é o modo de preparo da moqueca capixaba.

 

O acervo do Patrimônio Imaterial reúne artes, celebrações, cancioneiros, conhecimentos, expressões, músicas, práticas, representações, saberes e técnicas desenvolvidas e guardadas, ao longo dos séculos, por grupos sociais formados tanto por nativos quanto negros ou brancos

 

Congo: dança e música trazida por escravos africanos

 

Congo é um dos muitos conjuntos de danças e músicas trazidas pelos escravos para o Brasil no Período Colonial. É particularmente caracterizada pelo uso de tambores rústicos, em vários tamanhos, trajes em cores vivas e coreografias típicas — além de cânticos invocando deuses.

Nos dois últimos séculos, evoluiu para uma manifestação folclórica e religiosa. Desenvolve-se durante todo o ano, em várias regiões do País, homenageando quatro representações relacionadas ao catolicismo: Nossa Senhora da Penha, Divino Espírito Santo, São Benedito e São Sebastião.

As festas em homenagem ao Divino Espírito Santo da Cidade de Alcântara, vizinha à Cidade de São Luís, a capital do Estado do Maranhão, e da Cidade de Pirenópolis, situada a 20 quilômetros a Nordeste da Cidade de Goiânia, a capital do Estado de Goiás, são das mais famosas do Brasil.

 

Congo é um dos muitos conjuntos de danças e músicas trazidas pelos escravos para o Brasil no Período Colonial. É particularmente caracterizada pelo uso de tambores rústicos, em vários tamanhos, trajes em cores vivas e coreografias típicas — além de cânticos invocando deuses

 

Congo: ritmo identificado com o Estado do Espírito Santo

 

As mais representativas em relação a São Benedito, São Sebastião e Nossa Senhora da Penha estão circunscritas ao espaço geográfico da Região Metropolitana da Grande Vitória — seis Municípios situados no entorno da Cidade de Vitória, a capital do Estado do Espírito Santo.

Ao Norte, o Município de Fundão e o Município de Serra; a Oeste, o Município de Cariacica e o Município de Viana; e, ao Sul, o Município de Vila Velha e o Município de Guarapari. Devido a essa concentração, o congo, praticamente, tornou-se ritmo característico do território capixaba.

A forte influência sobre o cancioneiro local está exemplificada pelo sucesso de “Madalena”, de Martinho da Vila, e trabalhos das bandas nativas de rock Casaca e Maninal. Acordes iniciais de uma criação desta primeira serviu de senha para acionar uma sonda enviada ao planeta Marte.

No Município de Serra, ao Norte, e no Município de Vila Velha, ao Sul, há festas dedicadas a São Benedito. Cortejo por ruas da cidade, animado pelo ritmo e cantoria do congo, escolta um tronco de madeira até o local dele ser fincado ao solo, exibindo estandarte da figura do santo.

 

A influência do congo sobre o cancioneiro do Estado do Espírito Santo está exemplificada no sucesso “Madalena”, de Martinho da Vila, e trabalhos das bandas nativas de rock Casaca e Maninal. Acordes iniciais de criação desta primeira serviu de senha para acionar sonda em Marte

 

Congo: diferenciais criados no Município de Cariacica

 

No Município de Cariacica, a manifestação do congo tem diferenciais únicos: a devoção é por Nossa Senhora da Penha, a padroeira do Estado do Espírito Santo; o cortejo reúne grupos vindos de todos os outros Municípios vizinhos; e não há escolta nem, muito menos, fincada de mastro.

Após concentração na entrada da Comunidade de Roda d’Água, na Zona Rural, um seguindo o outro, saem cantando e dançando, até um espaço onde acontece uma missa. Durante a celebração, em vez de assistentes passivos, integram-se ao ritual, abrilhantando-o com intervenções musicais.

Nessas oportunidades, destacam-se a simplicidade dos versos e rimas criados pelos mestres das bandas e os acordes afinados, nascidos do manuseio com maestria de instrumentos rústicos, feitos à mão pelos próprios integrantes: apitos, tambores diversas e reco-recos esculpidos em madeira.

Finda a parte solene, nova movimentação, uma banda em seguida a outra, diferenciando-se pelas vestimentas próprias, geralmente em cores berrantes: todos cantando, porta-bandeira evoluindo à frente, participantes dançando e músicos tocando, sob a forte e continuada regência dos mestres.

E seguem até outra grande área, onde acontece o evento traduzido pelo nome da festa: Carnaval de Congo de Máscaras da Comunidade de Roda d’Água, um Distrito do Município de Cariacica, espraiando-se aos pés do Monte do Mochuara, um ícone do Turismo do Estado do Espírito Santo.

 

No Município de Cariacica, a manifestação do congo tem diferenciais únicos: a devoção é por Nossa Senhora da Penha, a padroeira do Estado do Espírito Santo; o cortejo reúne grupos vindos de todos os outros Municípios vizinhos; e não há escolta nem, muito menos, fincada de mastro

 

Carnaval de Congo de Máscaras: origem na religiosidade

 

A origem e o formato dessa manifestação secular, agregando cultura e religiosidade oriundas dos nativos tupis e tupiniquins, imigrantes europeus e cativos africanos, perdeu-se durante o passar do tempo. Mas isso importa pouco para a popularidade do evento, em ritmo crescente ano a ano.

O Carnaval de Congo de Máscaras da Comunidade de Roda d’Água nasceu das dificuldades dos moradores locais querendo participar das missas, procissões e romarias em homenagem a Nossa Senhora da Penha, realizadas na Cidade de Vila Velha e na Cidade de Vitória, bem distantes.

Assim, eles criaram a sua própria procissão, com a romaria dos fiéis cruzando com fervor as estradas de chão daquela região. Isso é bem provável de ter acontecido mesmo, devido à forte religiosidade católica da maioria dos habitantes do Estado do Espírito Santo até os dias atuais.

 

O Carnaval de Congo de Máscaras da Comunidade de Roda d’Água nasceu das dificuldades dos moradores locais querendo participar das missas, procissões e romarias em homenagem a Nossa Senhora da Penha, realizadas na Cidade de Vila Velha e na Cidade de Vitória, bem distantes

 

Carnaval de Congo de Máscaras: João Bananeira

 

Não demorou, definiu-se um personagem central para a festa: João Bananeira. Há muitas lendas a respeito dele: só aparece no dia da comemoração, nasce do vento, tem a ver com demônios etc. Rosto escondido por máscara de barro, vestido com folhas de bananeira, entra mudo, sai calado

Sua figura esdrúxula extrapolou os limites do Carnaval de Congo de Máscaras da Comunidade de Roda d’Água. Hoje, é parte do dia a dia de todos os habitantes do Município de Cariacica — cujo nome veio da expressão tupi “cari-jaci-caá”, com significado de “chegada do homem branco.”

Durante os debates para a construção de uma legislação específica para regular o financiamento público das produções culturais naquela cidade, um ponto não teve discussões: sua identificação. E, assim, foi aprovada a Lei de Incentivo à Cultura do Município de Cariacica João Bananeira.

 

A figura do personagem João Bananeira extrapolou os limites do Carnaval de Congo de Máscaras da Comunidade de Roda d’Água. Hoje, é parte do dia a dia de todo o Município de Cariacica — denominação vindo da expressão tupi “cari-jaci-caá”, significando “chegada do homem branco”

 


 

O post “Carnaval de Congo de Máscaras e João Bananeira tornam-se Patrimônios Imateriais” foi produzido, originalmente, para o jornal Turismo & Serviços, veículo de comunicação on line, sediado na Cidade de Vila Velha, localizada no litoral do Estado do Espírito Santo.

O post “Carnaval de Congo de Máscaras e João Bananeira tornam-se Patrimônios Imateriais” foi elaborado por João Zuccaratto, jornalista especializado em Turismo, baseado na Cidade de Vitória, a capital do Estado do Espírito Santo.

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