Hábito saudável que mantenho há quase 30 anos, caminhar bem no início da manhã, carrego comigo sempre que viajo. Assim, já andei por cidades dos Estados do Pará, Ceará, Pernambuco, Bahia, Tocantins, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

 

Há quase 30 anos, caminho na Praia de Camburi, situada na frente do bairro onde resido, Jardim da Penha, no Município de Vitória, capital do Estado do Espirito Santo. Se estou na cidade, e não está chovendo, por volta das 5:30 horas da manhã saio de casa descalço, indo até à areia. E dou minhas passadas durante mais ou menos 90 minutos, cobrindo um segmento da orla, dividida em três partes após aterros visando barrar o avanço da maré.

Ida e volta, são cerca de cinco quilômetros, contribuindo para iniciar o dia com bem mais disposição. E já faz algum tempo que faço o mesmo nos destinos para a qual viajo. Se for possível, é só amanhecer para deixar o hotel e começar minhas voltas por lugares nunca d’antes cruzados. Havendo local específico para isto, tudo bem. Caso contrário, crio um roteiro na hora, cumprido religiosamente durante o período de estada no local.

Recentemente, estive em Foz do Iguaçu, cidade localizada no extremo Oeste do Estado do Paraná, na região da Tríplice Fronteira: Argentina, Brasil e Paraguai. Fui participar da edição 2015 do Festival de Turismo das Cataratas. Levei tênis, camiseta e bermuda, inutilmente. Estava tudo contra: local não amistoso para este tipo de atividade, demora muito para o Sol abrir, muito frio intenso e, em alguns dias, chuva intermitente.

 

Rastros em diversos Estados

 

Assim, vindo do Norte para o Sul — em alguns, apenas uma vez; em outros, diversas vezes —, deixei meus rastros pelo Estado do Pará: em Belém, a capital, e Barcarena, no interior. O mesmo aconteceu em Fortaleza, capital do Estado do Ceará. No Estado de Pernambuco, na capital, Recife, na vizinha Olinda e em Porto de Galinhas. No Estado da Bahia, no litoral Norte da capital Salvador, pelas praias de Catussaba, Flamengo e Stela Maris.

Isto se repetiu em quatro áreas Centrais: uma vez em Palmas, capital do Estado do Tocantins: e diversas vezes em Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, e São Paulo, capital do Estado de mesmo nome; além de Bento Gonçalves, Canela e Gramado, nas serras do Estado do Rio Grande do Sul. Na cidade do Rio de Janeiro, capital do Estado de mesmo nome, em dois belíssimos cenários: Praia de Copacabana e Aterro do Flamengo.

No interior do Estado de São Paulo, em Quatis, Município próximo às localidades de Resende e Volta Redonda, ao lado da Via Dutra. E, o motivo deste texto, na Praia Central, principal cartão-postal da cidade de Balneário Camboriú, ponto turístico do litoral Nordeste do Estado de Santa Catarina. Estive lá a última vez agora em maio, participando da edição 2015 da BNT Mercosul, acontecida dias 22 e 23 daquele mês.

 

Local excelente para caminhar

 

Chegando à orla por volta das seis da manhã, ainda estava bem escuro, devido ao recuo do litoral brasileiro em relação à Região Sudeste, na qual vivo, e às proximidades do período de inverno. Esta situação se mantinha durante mais ou menos 30 minutos, com a iluminação artificial a todo vapor. Vista da ponta Norte para a Barra Sul, quanto o contrário, a Praia Central lembra um colar de luzes apagando momento a momento.

Ela é excelente para se caminhar, com seu piso de areia compactada pelas águas do mar. Aliás, nos momentos em que estas alcançavam meus pés, mostravam-se extremamente frias, não podendo ser diferente naquele momento. Escolhida a direção para seguir em primeiro lugar, aproveito o tempo para ir observando os detalhes sucedendo-se junto à calçada da Avenida Atlântica, cerceada por uma parede de prédios mais altos do Brasil.

Urbana, e com excelente infraestrutura de barracas, bares e restaurantes, a Praia Central tem por volta de sete quilômetros de extensão. Durante todo o ano, mas bem mais nos meses de verão, é frequentada por banhistas e surfistas praticamente o dia todo. Quadras para prática de futevôlei e vôlei ocupam a parte interna da areia, ao longo de toda ela. Quiosques, barracas diversas e postos de salva-vidas complementam parte do cenário.

 

Barcos dos pescadores de tainha

 

Chamam atenção alguns paióis e diversos barcos, pertencentes a grupos de pescadores de tainhas, remanescentes do período em que não havia construções de alvenaria por toda aquela extensão tomada por vegetação de restinga. Expulsos para as ruas internas da imensa cidade ali formada, mantém a tradição de deixar tudo preparado para, quando os cardumes forem avistados, se lançar ao oceano, buscando sustento para suas famílias.

Ainda sobram poucas edificações dos primeiros anos da ocupação desenfreada: casas baixas e prédios de dois, três, no máximo quatro pavimentos. Na Barra Sul, próximo às instalações do Parque Unipraias, empresa que explora bondes aéreos com acesso aos remanescentes de Mata Atlântica do Morro da Aguada e à vizinha Praia de Laranjeiras, há alguns terrenos, já reservados para várias torres com o objetivo de alcançar os céus.

Conforme vai clareando, mais pessoas aparecem para fazer atividades físicas. Em maioria, caminhando ou correndo na faixa de areia. Outros, movimentando-se sob a supervisão de personal trainings, fazendo ioga ou desenhando no ar os movimentos do tai chi chuan. Concluído meu percurso, por volta das 7:30 horas, no retorno ao hotel cruzo ruas surpreendentemente desertas de uma cidade com atividades 24 horas por dia.

 

Imagens da Praia Central, produzidas por mim durante a caminhada do amanhecer do dia 22 de maio último

 

Quando cheguei à areia, estava bem mais escuro. Por isso, esperei o dia clarear, para tirar fotos com o celular

Quando cheguei à areia, estava bem mais escuro. Por isso, esperei o dia clarear, para tirar fotos com o celular

 

Como a claridade junto à Avenida Atlântica ainda não era suficiente, os sensores mantiveram as luzes acesas durante bom tempo

Como a claridade junto à Avenida Atlântica ainda não era suficiente, os sensores mantiveram as luzes acesas durante bom tempo

 

O templo nublado mantinha a Barra Sul sob uma espécie de cone de penumbra, mesmo com o lado Norte já totalmente claro

O templo nublado mantinha a Barra Sul sob uma espécie de cone de penumbra, mesmo com o lado Norte já totalmente claro

 

Vista de toda a orla, a partir da Barra Sul, ainda com quase ninguém aventurando-se pelas areais

Vista de toda a orla, a partir da Barra Sul, ainda com quase ninguém aventurando-se pelas areais

 

A água estava bastante fria, em virtude do templo nublado e devido à aproximação do período de inverno

A água estava bastante fria, em virtude do templo nublado e devido à aproximação do período de inverno

 

Com o dia mais claro, mais e mais pessoas iam aparecendo para desfrutar de toda aquela beleza

Com o dia mais claro, mais e mais pessoas iam aparecendo para desfrutar de toda aquela beleza

 

Como a areia é solada, o piso, além de resistir ao peso das pessoas, é ótimo para corridas, mesmo usando tênis

Como a areia é solada, o piso, além de resistir ao peso das pessoas, é ótimo para corridas, mesmo usando tênis

 

Barcos usados na pesca da tainha, preparados para irem ao mar se um cardume for avistado na baía

 

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