Governo Federal vai lançar novo leilão para privatização da BR 262. Vencedor da concessão deverá conduzir as obras de duplicação da via. Assim, é chegada a hora de tirar a estrada de dentro das áreas urbanas da Vila de Pedra Azul e da Cidade de Venda Nova do Imigrante.

 

BR 262 fora de Pedra Azul: atenção constante da imprensa

 

Vira e mexe, a rodovia da BR 262, cortando o Estado do Espírito Santo de Leste para Oeste, é assunto da imprensa capixaba. Afinal, essa via é um dos mais importantes eixos de logística rodoviária do Brasil — tanto em termos de cargas quanto na sua importância para o Turismo.

Em momento algum, é lembrado sobre os 200 quilômetros da Cidade de Vitória, a capital do Estado, até à fronteira com o Estado de Minas Gerais, serem sempre considerados um dos trechos de rodovias federais brasileiras mais belos do País — apesar de todos os problemas.

O mais comum são notícias sobre acidentes, infelizmente. Acontecem praticamente todo dia, uns piores que os outros. Entretanto, dois outros temas vão e voltam, periodicamente: obras de duplicação — ora começando, ora parando — e leilão de concessão para iniciativa privada.

 

Construção da BR 262 no Estado do Espírito Santo, próximo da divisa com Estado de Minas Gerais, fins dos anos 1940 ou início dos 1950. A rodovia, na época identificada como BR 31, foi entregue para uso com piso de terra. O asfalto sé chegou no final dos anos 1960

 

BR 262 fora de Pedra Azul: contribuição para Audiências Públicas

 

Duplicar é muito importante: vai reduzir significativamente o número de acidentes (mas não os eliminar, porque, sabe, o ser humano não tem jeito mesmo). Privatizar, mais ainda! Além de possibilitar acelerar a duplicação, permitirá oferecer manutenção constante para a rodovia.

Assim, esse texto tem o intuito de contribuir com as Audiências Públicas previstas para, além de esclarecer sobre o processo do leilão, acolher sugestões de melhorias a serem incorporadas ao conteúdo do edital de concorrência pública a ser divulgado, breve, pelo Governo Federal.

Tentei fazer isso pelo site da Agência Nacional de Transportes Terrestres — ANTT, mas foi impossível. Apesar do sistema informar ser necessário fazer um cadastro antes, não achei o link ou o formulário para isso. Se alguém descobrir, e me informar, ficarei muito agradecido.

 

Proprietário e motorista Sílvio Uliana, junto do ônibus usado na ligação do Distrito de Pedreiras a Distrito de Alto do Jucu — via Campinho de Santa Isabel (sede atual do Município de Domingos Martins. A maior parte do trajeto era sobre o piso de terra da BR 262

 

BR 262 fora de Pedra Azul: obras descaracterizadoras da paisagem

 

Vou tratar especificamente da duplicação das pistas, no trecho cortando a Vila de Pedra Azul e o Centro da Cidade de Venda Nova do Imigrante. Na minha opinião, já passou da hora de se tirar o trânsito pesado daquela rodovia — das margens da primeira e de dentro da segunda.

Na Cidade de Venda Nova do Imigrante, as obras não vão impactar tanto: a faixa de domínio da BR 262 dentro da cidade é bem ampla, está completamente desimpedida, não ocasionando intervenções capazes de modificar significativamente a paisagem. Ali, é para reduzir tráfego.

Mas, em na Vila de Pedra Azul, será necessário serviço de terraplenagem, tanto de um lado quanto de outro. À direita de quem vai no sentido Oeste, escavações no morro entre o ponto de início da Rota do Lagarto até próximo ao trevo de entrada para área urbana no lado Sul.

À esquerda, aterros mais ou menos no mesmo intervalo. Essas obras vão implicar em forte descaracterização da paisagem atualmente existente, após corte de árvores, criação de taludes, demolição de construções, adaptações para os acessos a diversos empreendimentos etc.

 

Caminhão de transporte de mercadorias entre Distrito de Aracê e outras localidades — talvez, até à capital do Estado do Espírito Santo, a Cidade de Vitória, e seu entorno. Imagine o veículo, carregado, rodando pela BR 252 sem asfalto, em dias de chuva

 

BR 262 fora de Pedra Azul: novo traçado, ao Norte do atual

 

A solução é mudar o trajeto da BR 262, transferindo-o a outra posição. Talvez para o traçado original da via, um pouco ao Norte do atual. No sentido Oeste, ele começava onde agora está o desvio para o Distrito de Paraju, e passava por fora da Cidade de Venda Nova do Imigrante.

Descobri essa informação ao produzir a edição 8, de abril de 2004, do Informativo Dia a Dia Pedra Azul. Nela, incluí um pequeno perfil do engenheiro civil Dido Fontes de Faria Brito, proprietário de terras no Distrito de Aracê — no qual está situada a belíssima Pedra Azul.

Ele, conhecedor das potencialidades locais para o Turismo, funcionário do Ministério dos Transportes, atuando como primeiro diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Espírito Santo — DER-ES, fez trabalho de bastidor para alterar aquela situação.

 

Reprodução da matéria sobre o engenheiro Dido Fontes de Faria Brito, página 6 da edição 8, abril de 2001, do Informativo Dia a Dia Pedra Azul. Ele atuou para mudar o traçado original da BR 262, fazendo-a passar pelo Distrito de Aracê, ao lado da Pedra Azul

 

BR 262 fora de Pedra Azul: sucesso na alteração no traçado inicial

 

O sucesso da vitória do doutor Dido Fontes de Faria Brito pode ser visto na realidade atual. A vizinhança da Vila de Pedra Azul e a Cidade de Venda Nova do Imigrante são dos destinos mais procurados tanto por moradores quanto por visitantes do nosso Estado do Espírito Santo.

Assim, não dependem mais só dessa artéria vital para continuar se desenvolvendo. E não há motivos para manter, num mesmo ambiente, gente atrás de ar puro, paz e tranquilidade junto à sempre perigosa circulação de veículos pesados, poluindo a atmosfera com barulho e fumaça.

O segmento da atual BR 262, dispensado pela nova BR 262, poderia ser estadualizado, sendo transformado em rodovia-turística. Com velocidade máxima permitida reduzida, convidaria aqueles nelas se deslocando a esquecer o acelerador e apreciar melhor as paisagens ao redor.

Aos poucos, o piso das partes cruzando áreas habitadas ou trevos de interseções para outras vias, com curvas perigosas e à frente de atrativos turísticos podem ter o asfalto retirado, com a troca por blocos intertravados, paralelepípedos ou outra solução cerceadora de apressadinhos.

E também ter suas margens progressivamente ajardinadas, ocupadas por plantas ornamentais em meio a elementos da vegetação nativa. Portais de entrada e de saída, nas extremidades, e sinalização correta ao longo do trajeto, indicariam todas as atrações dos locais mais próximos.

É isso! Se os moradores da Vila de Pedra Azul e da Cidade de Venda Nova do Imigrante concordarem com essa ideia, está na hora de movimentarem-se para chamar a atenção das autoridades, exigindo novo traçado para a BR 262 quando de sua duplicação e privatização.

Vitoriosos nessa luta, conseguirão ampliar ainda mais os índices de qualidade de vida já tão superiores nas duas localidades. E o Turismo, grande impulsionador das economias locais e dos arredores, terá nova injeção de ânimo, trazendo melhores resultados aos empreendedores.

 

O segmento BR 262, dispensado pela novo traçado, seria estadualizado e transformado em rodovia-turística. Suas extremidades poderiam receber portais semelhantes a este, no início da estrada de acesso à sede do Município de Domingos Martins

 

BR 262 fora de Pedra Azul: informações sobre a rodovia

 

A BR-262, rodovia federal brasileira, interliga, de Leste a Oeste, Estado do Espírito Santo, Estado de Minas Gerais, Estado de São Paulo e Estado de Mato Grosso do Sul. Nona mais extensa do País, tem 2.213 quilômetros, indo do Oceano Atlântico até à fronteira da Bolívia.

Começando na Cidade de Vitória, cruza por outros aglomerados urbanos importantes, como Cidade de Manhuaçu, Cidade de Belo Horizonte, Cidade de Araxá, Cidade de Uberaba, Cidade de Três Lagoas e Cidade de Campo Grande, até alcançar a Cidade de Corumbá.

Percorre 200 quilômetros no Estado do Espírito Santo; 1.000 no Estado de Minas Gerais, 320 no Estado de São Paulo e 800 no Estado de Mato Grosso do Sul. A primeira marcação de seu traçado, com levantamentos topográficos do solo, foi feita durante o final da Ditadura Vargas.

As obras de construção de alguns de seus trechos, com piso de terra, começaram no Governo de Eurico Gaspar Dutra e concluídas no Governo de Juscelino Kubitschek. O asfaltamento só ocorreu no final dos anos 1960, com os programas de desenvolvimento da Ditadura Militar.

De lá para cá, na parte cortando o Estado do Espírito Santo, recebeu ampla reforma no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, com alargamento das faixas de rolamento, melhoria dos acostamentos, implantação de terceira pista em aclives e total modernização da sinalização.

Suportando hoje um volume de trânsito bem superior aos limites máximos estabelecidos em seu projeto, a BR 262 precisa ser urgentemente duplicada. Isso, além de reduzir o número de acidentes, contribuirá para melhorar a logística do transporte rodoviário de carga no Brasil.

 

Ocupantes do Jeep parado às margens de trecho da BR 262, ainda com piso de terra. Pelo modelo do veículo, e por já ser em cores, a foto deve ser do final dos anos 1960, bem próximo do momento da rodovia federal passar por obras e receber revestimento asfáltico

 

BR 262 fora de Pedra Azul: Dido Fontes de Faria Brito

 

Dido Fontes de Faria Brito nasceu no Estado do Rio de Janeiro. Em 1932, formou-se como engenheiro civil e entrou para o Ministério dos Transportes. Logo a seguir, veio pela primeira vez ao Estado do Espírito Santo, a trabalho. E teve paixão à primeira vista pela terra capixaba.

Retornou em 1940, ficando à disposição da, agora, Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE. Fez o mapeamento das coordenadas geográficas das divisas do Estado do Espírito Santo com Estado da Bahia, Estado de Minas Gerais e Estado do Rio de Janeiro.

Morando por aqui, viajando constantemente pelo interior quando não havia estradas, percebeu a importância de o Governo investir nesse setor. Do alto de sua experiência, participou da criação do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Espírito Santo — DER-ES.

Era o ano de 1946 e acabou nomeado primeiro diretor da nova repartição pública. Também esteve ao lado dos criadores da Faculdade de Engenharia, a qual também dirigiu, sendo responsável pela construção da sua sede, no bairro de Maruípe, ao Norte da Ilha de Vitória.

Amigo do engenheiro agrônomo Júlio Pinho, então à frente da Fazenda do Estado, a Estação Experimental Mendes da Fonseca, comprou terras no Distrito de Aracê, nas proximidades da Pedra Azul. Não demorou muito para tornar-se um dos mais importantes produtores de frutas.

Em sua propriedade, desenvolveu culturas de marmelo, pera, pêssego e uva. Chegou a ser o maior produtor da uva variedade Itália do Estado do Espírito Santo. Além do potencial para a agricultura, foi dos primeiros a perceber as possibilidades turísticas daquele pedaço de chão.

 

Dido Fontes de Faria Brito cultivou marmelo, pera, pêssego e uva. Chegou a ser o maior produtor da uva variedade Itália do Estado do Espírito Santo. Além do potencial para agricultura, foi dos primeiros a perceber as possibilidades turísticas da Pedra Azul

 

BR 262 fora de Pedra Azul: imagens antigas envolvendo a BR 262

 

Foto rara das instalações da oficina São Lourenço Diesel — o pequeno galpão à direita da casa onde vivia o proprietário —, de frente para o piso de terra da BR 262, visto ao pé da imagem. Hoje, este espaço faz parte do Centro da Cidade de Venda Nova do Imigrante

 

Embrião do Posto dos Morangos e loja Transverde. Empreendimento comercial do senhor Álvaro Manoel da Silva Aroso, dono do caminhão à frente, usado na entrega de material de construção e transporte de hortigranjeiros até à Ceasa, na Cidade de Cariacica

 

Antiquário Pedra Azul, até hoje situado às margens da BR 262, no trecho entre entrada da Rota do Lagarto e trevo de acesso à Vila de Pedra Azul. Deve ter sido produzida no início dos anos 1970, pois o asfalto da BR 262, bem novo, pode ser visto ao pé da imagem

 

Foto do final dos anos 1976: solenidade de lançamento das obras de asfaltamento da via de acesso à Cidade de Afonso Cláudio, à frente do Posto Dois Irmãos, até hoje ali em funcionamento. O asfalto da BR 262, ao pé da imagem, estava prestes a completar 10 anos

 


 

O post “BR 262, duplicada, privatizada, mas fora de Pedra Azul e de Venda Nova do Imigrante” foi produzido por João Zuccaratto, jornalista especializado em Turismo baseado na Cidade de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo.

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