Autor capixaba leva 50 anos para concluir seu livro mais recente. Teve o insight para a obra no final da década de 1960 e, durante meio século, perguntava a Deus e o mundo “Qual música de Roberto Carlos marcou sua vida?” Usou meia centena no trabalho.

 

Depoimentos de anônimos e celebridades

 

Recentemente, revisei e editorei um livro bastante interessante. Foi “Roberto Carlos: as canções que você fez pra mim”. O autor, Maciel de Aguiar, dispendeu meio século para concluí-lo. Teve a ideia em 1969 e, de lá para cá, veio trabalhando na formatação final.

Incessantemente, passou a perguntar às pessoas qual a música do Rei havia marcado a vida delas. Conversando com anônimos e celebridades pelo Brasil, reuniu um imenso acervo de textos. E escolheu 50 deles para compor a obra, lançada no início de 2020.

Há capixabas, como o “Patrono da Ecologia”: Augusto Ruschi; o “Sabiá da Crônica”: Rubem Braga; o “Cafajeste dos Cafajestes”: Carlos Imperial; e, o cantor e compositor Sérgio Sampaio — além da mãe mais famosa do Brasil, conhecida como Lady Laura.

Dentre os nacionais, tricampeão de Fórmula 1: Ayrton Senna da Silva; “Atleta do Século”, outro Rei: Pelé; “Anjo das Pernas Tortas”: Garrincha; “Maior Cronista Brasileiro”: Carlos Drummond de Andrade; “Gênio da Arquitetura”: Oscar Niemeyer

Durante os processos de revisão e editoração, fiquei pensando se algum trabalho de Roberto Carlos teve efeito similar comigo. Recordei dois, mas devido a situações relacionadas às atividades profissionais exercidas por mim: jornalismo e publicidade.

A primeira, Amigo, autoria dele, homenageando Erasmo Carlos, parceiro de inúmeras obras-primas — como na criação da segunda, Sentado à beira do caminho. Memórias de uma e outra estão resumidas a seguir, seguidas pelos versos das canções respectivas.

 

Papa João Paulo II recepcionado com Amigo

 

Era janeiro de 1979, quando o papa João Paulo II fez sua primeira viagem internacional, visitando Bahamas, República Dominicana e México. Na capital deste último, a Cidade do México, ao entrar no Estádio Azteca, foi surpreendido por um mega coral, com cerca de 200 mil crianças.

Todas cantavam, a uma voz, Amigo, em espanhol. Encantado com aquela homenagem, João Paulo II pediu a alguém uma cópia da letra e juntou sua voz ao inimaginável coro. Nossa! Lembrando disso 40 anos depois, para produzir este texto, ainda me emociono.

Com o fato tendo ampla repercussão internacional, editores da revista Time, na época, a publicação de maior circulação tanto nos Estados Unidos da América quanto no mundo, impressionados com tal manifestação, correram para descobrir sobre o autor da canção.

E, fato inédito na vida da publicação, na qual ser citado em pequena nota era o auge para qualquer um, dedicaram uma página inteira para descrever um brasileiro com enorme sucesso no mundo latino, e ainda desconhecido no mercado norte-americano.

Amigo não figura em “Roberto Carlos: as canções que você fez pra mim”. Ninguém a deve ter relacionado como a “música da minha vida”, como todos fizeram. Assim, seus versos deixaram de ser entremeados ao longo de meia centena de histórias ali presentes.

Isso aconteceu com todas as outras incluídas naquelas páginas. Maciel de Aguiar tomou o cuidado de estruturar os parágrafos encaixando as estrofes adequadamente. Por isso, aqui, tomo a liberdade de reproduzir os belos versos de Amigo, para deleite dos leitores.

 

Amigo

 

Você meu amigo de fé, meu irmão camarada,

Amigo de tantos caminhos e tantas jornadas,

Cabeça de homem, mas o coração de menino,

Aquele que está do meu lado em qualquer caminhada.

 

Me lembro de todas as lutas, meu bom companheiro,

Você, tantas vezes, provou que é um grande guerreiro.

O seu coração é uma casa de portas abertas,

Amigo você é o mais certo das horas incertas.

 

Às vezes, em certos momentos difíceis da vida,

Em que precisamos de alguém pra ajudar na saída,

A sua palavra, de força, de fé e de carinho,

Me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho.

 

Você, meu amigo de fé, meu irmão camarada,

Sorriso e abraço festivo da minha chegada,

Você que me diz as verdades com frases abertas,

Amigo você é o mais certo das horas incertas.

 

Não preciso nem dizer,

Tudo isso que eu lhe digo,

Mas é muito bom saber,

Que você é meu amigo.

 

Não preciso nem dizer,

Tudo isso que eu lhe digo

Mas é muito bom saber

Que eu tenho um grande amigo

 

Não preciso nem dizer

Tudo isso que eu lhe digo

Mas é muito bom saber

Que você é meu amigo.

 

Comercial de TV baseado em Sentado à beira do caminho

 

Corriam os anos 1990 quando a WBrasil, talvez a agência de propaganda mais criativa da história da publicidade brasileira, rompeu a inércia dos comerciais de televisão com 30 ou 60 segundos de duração: uma tradição à qual ninguém tinha coragem de ir contra.

Criou peças baseadas em sucessos da Música Popular Brasileira, ocupando até cinco minutos de horários nobres. Um deles, dos mais famosos, foi para o detergente Pinho Bril Plus, da Bombril, com a canção Pense em Mim, sucesso de Leandro e Leonardo.

Outro foi para a Rede São Paulo, de postos de combustíveis, nanica do setor, frente às grandes da época: Atlantic, Esso, Ipiranga, Petrobrás, Shell, Texaco etc. Tendo, como seu fundo musical, Sentado à beira do caminho, traduzia com humor a realidade do anunciante.

Mostrava três frentistas em um posto vazio, sentados, um ao lado do outro. Ao ouvir o ruído de um carro aproximando-se, abriam largos sorrisos, levantavam correndo para fazer o atendimento do cliente, mas o veículo passava direto, sem nem se aproximar

Eles voltavam a sentar, amuados, decepcionados, tristes. Enquanto a canção continuava a ser interpretada por Roberto Carlos, a cena se repetia, várias vezes. Ao final, baixava o som da música, entrava uma bela locução vendendo o atendimento diferenciado da rede.

O conjunto traduzia de forma magistral aquele espírito de “não somos os maiores, mas somos os melhores, venha experimentar”. Ou seja: completamente em sintonia com o refrão enfatizado pela canção, “lembrar que eu existo, eu existo, eu existo, eu existo…”

Situação da marca no mercado, cenário de abandono junto a uma rodovia movimentada, atitude dos atores, tudo, mas tudo mesmo, estava de acordo com a primorosa criação de Erasmo Carlos e Roberto Carlos. Nota 100 para os criadores terem percebido a ligação.

Também fico emocionado de recordar aquele trabalho, premiadíssimo no Brasil e no exterior. Sentado à beira do caminho faz parte do conteúdo do livro, relacionada a longo trecho da vida de um rapaz derrubado ao chão após uma forte decepção amorosa.

 

Sentado à beira do caminho

 

Eu não posso mais ficar aqui,

A esperar!

Que um dia, de repente,

Você volte para mim…

 

Vejo caminhões

E carros apressados,

A passar por mim.

Estou sentado à beira

De um caminho,

Que não tem mais fim…

 

Meu olhar se perde na poeira,

Dessa estrada triste,

Onde a tristeza,

E a saudade de você,

Ainda existe…

 

Esse sol que queima

No meu rosto,

Um resto de esperança,

De ao menos ver de perto

O seu olhar,

Que eu trago na lembrança…

 

Preciso acabar logo com isso,

Preciso lembrar que eu existo,

Que eu existo, que eu existo, que eu existo…

 

Vem a chuva, molha o meu rosto

E então eu choro tanto.

Minhas lágrimas

E os pingos dessa chuva

Se confundem com o meu pranto…

 

Olho prá mim mesmo e procuro,

E não encontro nada.

Sou um pobre resto de esperança,

À beira de uma estrada…

 

Preciso acabar logo com isso,

Preciso lembrar que eu existo,

Que eu existo, que eu existo, que eu existo…

 

Carros, caminhões, poeira,

Estrada, tudo, tudo, tudo

Se confunde em minha mente.

Minha sombra me acompanha

E vê que eu

Estou morrendo lentamente…

 

Só você não vê que eu

Não posso mais

Ficar aqui sozinho,

Esperando a vida inteira

Por você,

Sentado à beira do caminho…

 

Preciso acabar logo com isso,

Preciso lembrar que eu existo,

Que eu existo, que eu existo, que eu existo…

 

Larararará, lararará!

Larararará, lararará!

Larararará, lararará!

Larararará, lararará…

 

Os interessados em adquirir exemplares de “Roberto Carlos: as canções que você fez pra mim” devem falar diretamente com a Memorial Editora, através do DDD 27 e celular 9-9988-1257 ou e-mail [email protected], para obter as orientações necessárias

 


 

O post “Amigo e Sentado à beira do caminho: músicas de Roberto Carlos marcantes na minha carreira de jornalista e publicitário” foi produzido por João Zuccaratto, jornalista especializado em Turismo baseado na Cidade de Vitória, a capital do Estado do Espírito Santo, com apoio da Rede Ficare de Hotéis, através da sua unidade Guarita Park Hotel, situada na Cidade de Torres, localizada no litoral Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul.

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