Malta parece pequena no mapa, mas guarda uma quantidade impressionante de experiências: praias de água azul-turquesa, cidades históricas, vilarejos tranquilos, fortalezas, passeios de barco e uma mistura cultural que atravessa séculos. Para uma viagem em família, o arquipélago maltês tem uma vantagem especial: as distâncias são curtas e, com um bom planejamento, é possível combinar dias de descanso com aventuras que agradam tanto às crianças quanto aos adultos.
Localizada no coração do Mediterrâneo, entre a Sicília e o norte da África, Malta é formada principalmente por três ilhas habitadas ou visitadas com frequência: Malta, Gozo e Comino. Cada uma tem seu ritmo e sua personalidade. A ilha principal concentra a maior parte das atrações e da infraestrutura; Gozo oferece paisagens rurais e um ambiente mais sossegado; Comino é famosa pela Blue Lagoon, um dos cenários mais fotografados do país.
Nas próximas linhas, compartilho um guia prático para organizar uma viagem à Ilha de Malta em família, com dicas de transporte, hospedagem, praias, alimentação e passeios que funcionam bem com crianças.
Qual é a melhor época para visitar Malta com crianças?
Malta tem clima mediterrâneo, com verões quentes e secos e invernos amenos. Os meses de junho a setembro são os mais procurados por quem deseja aproveitar o mar, mas também são os mais quentes e movimentados. Em julho e agosto, as temperaturas podem passar facilmente dos 30 ºC, e algumas praias ficam bastante cheias.
Para famílias, maio, junho, setembro e início de outubro costumam oferecer um equilíbrio muito agradável. O clima ainda permite nadar, os dias são longos e a quantidade de turistas tende a ser menor do que no auge do verão. Setembro, em especial, pode ser uma ótima escolha: o mar permanece quente e o calor costuma ser um pouco mais confortável.
Entre novembro e abril, o clima é mais fresco e pode haver vento e chuva. Ainda assim, esse período é interessante para quem prefere conhecer museus, igrejas, sítios arqueológicos e cidades históricas sem enfrentar filas. Apenas não conte com dias garantidos de praia.
Quantos dias são ideais para conhecer Malta?
Com quatro dias, já é possível visitar Valletta, conhecer algumas praias e fazer um passeio até Comino. Porém, para viajar com calma e incluir Gozo no roteiro, o ideal é reservar de seis a oito dias.
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4 dias: Valletta, as Três Cidades, uma praia e a Blue Lagoon.
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6 dias: acrescentando Mdina, Rabat, Marsaxlokk e um dia inteiro em Gozo.
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8 dias ou mais: tempo para explorar praias diferentes, fazer passeios de barco e incluir momentos livres, indispensáveis quando se viaja com crianças.
Uma dica de mãe viajante: não tente encaixar todas as atrações no mesmo dia. Em Malta, um passeio histórico pela manhã pode terminar com um mergulho no mar à tarde, mas as crianças talvez prefiram brincar na praia a visitar uma terceira igreja barroca. O Mediterrâneo continuará lá no dia seguinte.
Como chegar e como circular pela ilha
O Aeroporto Internacional de Malta fica perto de Valletta e recebe voos de várias cidades europeias. Quem viaja desde o Brasil geralmente precisa fazer conexão em algum país da Europa. Ao chegar, é possível utilizar táxis, transfers, ônibus ou alugar um carro.
O transporte público cobre boa parte da ilha e pode ser uma alternativa econômica. Os ônibus chegam a Valletta, Sliema, St. Julian’s, Mdina, Marsaxlokk e muitas praias. Entretanto, durante o verão, eles podem ficar lotados e os trajetos nem sempre são rápidos. Com carrinho de bebê, malas e crianças cansadas, essa experiência pode exigir um pouco de paciência.
Alugar um carro oferece mais liberdade, especialmente para visitar Gozo e praias menos centrais. Malta dirige pela mão inglesa, portanto é preciso atenção redobrada para quem não está acostumado. As ruas em algumas cidades são estreitas, há pouco espaço para estacionar e o GPS pode indicar caminhos que parecem ter sido desenhados por uma cabra montanhesa.
Para famílias que desejam conforto, uma boa opção é combinar ônibus e táxi ou contratar transfers para os deslocamentos mais longos. Ferries também conectam Valletta a Sliema e às Três Cidades, proporcionando um passeio bonito e prático.
Onde ficar em Malta com a família
A escolha da hospedagem depende do ritmo da viagem. Valletta é excelente para quem gosta de história, arquitetura e restaurantes próximos, mas suas ruas de pedra e ladeiras podem ser menos convenientes para carrinhos de bebê. Em compensação, ficar na capital permite sair caminhando para muitas atrações.
Sliema tem boa oferta de hotéis, apartamentos e restaurantes, além de um calçadão agradável para caminhar no fim do dia. É uma região prática para famílias e possui conexão de ferry com Valletta. St. Julian’s também oferece bastante infraestrutura, mas parte da área é conhecida pela vida noturna, especialmente em Paceville. Nesse caso, vale escolher a hospedagem com cuidado para evitar barulho.
Bugibba e Qawra, no norte da ilha, costumam agradar a quem procura hotéis maiores, piscinas e um ambiente mais voltado para férias. Já Mellieha é uma escolha interessante para quem deseja ficar perto de algumas das melhores praias de Malta, como Mellieha Bay.
Em Gozo, a atmosfera é mais tranquila. Victoria, Xagħra, Marsalforn e áreas próximas a praias oferecem pousadas e apartamentos charmosos. Para uma família, apartamentos com cozinha e máquina de lavar podem fazer uma grande diferença, principalmente em viagens mais longas.
As melhores praias para crianças
Nem todas as praias maltesas têm areia. Muitas são plataformas de pedra ou pequenas enseadas acessíveis por escadas. Por isso, é importante verificar o tipo de acesso antes de sair com crianças pequenas.
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Mellieha Bay: uma das melhores opções para famílias, com faixa de areia, águas rasas e estrutura de barracas, banheiros e lanchonetes.
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Golden Bay: praia ampla e bonita, cercada por colinas. É ótima para o fim da tarde, quando a luz deixa o cenário ainda mais especial.
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Għajn Tuffieħa: mais tranquila e selvagem, mas o acesso inclui uma escadaria. Leve água e tenha atenção com crianças pequenas.
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Paradise Bay: uma enseada pequena, com mar cristalino e ambiente agradável para nadar.
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Ramla Bay, em Gozo: conhecida pela areia de tom alaranjado e pelo mar convidativo. É uma das praias mais bonitas do arquipélago.
Leve sempre protetor solar, chapéu, camiseta com proteção UV, água e calçados apropriados. Nas áreas rochosas, sapatilhas aquáticas ajudam bastante. O sol mediterrâneo é encantador, mas não perdoa quem esquece o protetor depois do almoço.
O que fazer em Valletta
Valletta é pequena, mas concentra uma enorme riqueza histórica. Caminhar por suas ruas é como atravessar diferentes capítulos da história europeia, com edifícios dourados, varandas coloridas, igrejas imponentes e vistas para o mar.
A Co-Catedral de São João impressiona pelos interiores decorados e pelas obras de Caravaggio. Para crianças menores, a visita pode ser cansativa, então vale fazer um passeio breve e intercalar com uma parada para sorvete.
Os Upper Barrakka Gardens oferecem uma das melhores vistas do Grand Harbour. O elevador panorâmico que liga os jardins à parte baixa da cidade costuma ser uma atração por si só para os pequenos. De lá, é fácil pegar um ferry para as Três Cidades: Vittoriosa, Senglea e Cospicua.
O Malta 5D e o National Aquarium, localizado em Qawra, são alternativas interessantes para dias muito quentes ou quando a família precisa de um programa mais leve. Outra sugestão é visitar o Malta National Aquarium, que apresenta espécies marinhas do Mediterrâneo em ambientes bem organizados.
Mdina e Rabat: um passeio que parece conto de fadas
Conhecida como a “Cidade Silenciosa”, Mdina é uma antiga cidade murada com ruas estreitas, palácios e uma atmosfera quase cinematográfica. Seus muros oferecem vistas amplas da ilha, e o centro histórico pode ser explorado em algumas horas.
Com crianças, o passeio fica mais interessante quando transformado em uma pequena caça ao tesouro: procurar portas coloridas, brasões, janelas diferentes e os melhores mirantes. Assim, elas participam da descoberta em vez de apenas acompanhar os adultos pelas ruas.
Ao lado de Mdina está Rabat, onde é possível visitar catacumbas e conhecer um pouco mais sobre a história antiga de Malta. Algumas áreas subterrâneas podem não ser adequadas para crianças muito pequenas ou para quem se sente desconfortável em espaços fechados. Consulte as condições antes da visita.
Blue Lagoon e a ilha de Comino
A Blue Lagoon, em Comino, tem águas de um azul quase irreal. O passeio costuma ser um dos momentos mais esperados da viagem, mas é preciso planejar bem. Durante a alta temporada, a região fica lotada, especialmente entre o fim da manhã e o meio da tarde.
É possível chegar de barco a partir de Cirkewwa, Marfa ou por meio de excursões que saem de outras regiões. Algumas empresas oferecem passeios em embarcações menores, com paradas para nadar e conhecer outras grutas. Para famílias, vale conferir se há sombra, banheiro e espaço suficiente no barco.
Leve lanche, água, toalhas e proteção solar. Na ilha, a oferta de alimentos pode ser limitada e os preços costumam ser mais altos. Crianças que ainda não nadam bem devem usar colete, pois as áreas de acesso ao mar podem ser escorregadias e movimentadas.
Um dia em Gozo
Gozo tem um ritmo mais lento e paisagens que parecem pertencer a outro tempo. O trajeto de ferry a partir de Malta leva cerca de 25 minutos, e a travessia é simples. Para conhecer a ilha com crianças, alugar um carro ou contratar um passeio guiado pode ser mais confortável do que depender dos ônibus.
Victoria, a capital de Gozo, abriga a Cittadella, uma fortificação com vistas magníficas. Também vale conhecer a Basílica de Ta’ Pinu, a baía de Xlendi e a praia de Ramla Bay. Em Dwejra, as formações rochosas e o mar criam um cenário belíssimo, embora algumas áreas exijam cuidado por causa das pedras e do vento.
Gozo é o tipo de lugar em que o melhor momento pode acontecer entre uma atração e outra: uma conversa com um morador, uma parada para experimentar queijo local ou uma estrada cercada por campos. É justamente esse ritmo sem pressa que torna a ilha tão especial.
Comidas que agradam a família
A culinária maltesa tem influências italianas, árabes e mediterrâneas. Pastizzi, pequenos folhados recheados com ricota ou pasta de ervilha, são um lanche barato e fácil de encontrar. As crianças geralmente gostam, especialmente quando descobrem que podem comer algo saboroso sem esperar muito.
Também aparecem com frequência massas, pizzas, peixes, batatas e saladas. O fenek, coelho preparado de diferentes maneiras, é um prato tradicional para os adultos mais curiosos. Para sobremesa, experimente o imqaret, doce recheado com tâmaras, ou simplesmente aproveite um gelato diante do mar.
Famílias com restrições alimentares encontram restaurantes vegetarianos, opções sem glúten e supermercados bem abastecidos. Quem viaja com bebês pode considerar reservar uma hospedagem com cozinha, facilitando o preparo de refeições simples.
Dicas práticas para uma viagem tranquila
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Reserve hospedagem e passeios com antecedência nos meses de julho e agosto.
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Confira se o hotel possui elevador, ar-condicionado, piscina e berço, caso esses itens sejam importantes para sua família.
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Tenha sempre água na mochila e faça pausas durante os passeios históricos.
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Use calçados confortáveis: as ruas de Malta são lindas, mas muitas têm pedras, escadas e ladeiras.
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Verifique horários de ferries e atrações antes de sair, pois mudanças por causa do vento são possíveis.
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Leve documentos, seguro-viagem e medicamentos de uso habitual.
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Considere comprar um cartão de transporte se planejar utilizar muitos ônibus.
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Evite programar praia, passeio de barco e visita histórica intensa no mesmo dia.
Um roteiro familiar de sete dias
Dia 1: chegada, instalação no hotel e caminhada tranquila pela região da hospedagem.
Dia 2: Valletta, Upper Barrakka Gardens, Co-Catedral de São João e ferry para as Três Cidades.
Dia 3: Mellieha Bay pela manhã e passeio pela região de Popeye Village ou outra atração próxima.
Dia 4: excursão à Blue Lagoon e Comino, com tempo para nadar e descansar.
Dia 5: Mdina e Rabat, terminando o dia em Golden Bay para assistir ao pôr do sol.
Dia 6: travessia para Gozo, visitando Victoria, Ramla Bay e Xlendi.
Dia 7: manhã livre para repetir a praia preferida, fazer compras ou simplesmente tomar um café sem olhar o relógio.
Malta combina mar, história e pequenas descobertas de uma maneira muito particular. É uma viagem que pode ser animada, cultural e relaxante ao mesmo tempo, desde que o roteiro deixe espaço para o inesperado. Em família, talvez vocês não consigam visitar cada igreja, museu ou enseada do arquipélago — e tudo bem. Muitas vezes, a lembrança mais forte será aquela tarde em que todos ficaram descalços, dividindo um gelato, enquanto o sol desaparecia no horizonte azul do Mediterrâneo.
