Há lugares que parecem ter saído de um livro antigo. Matera, no sul da Itália, é assim: casas de pedra empilhadas nas encostas, igrejas escavadas na rocha e ruelas que convidam a caminhar sem pressa. Ao chegar, a paisagem dos Sassi — os antigos bairros construídos na pedra — faz a gente parar por alguns instantes só para olhar. E então vem a pergunta: por onde começar?
Neste guia, reúno o que vale a pena conhecer, sugestões de onde ficar e dicas práticas para organizar a viagem. Matera combina história, boa comida e vistas inesquecíveis, mas tem escadas, ladeiras e caminhos de pedra para levar em conta. Com um pouco de planejamento, dá para aproveitar cada detalhe sem transformar o passeio numa maratona.
Onde fica Matera e por que ela é tão especial?
Matera fica na região da Basilicata, no sul da Itália, não muito longe da Apúlia. A cidade é conhecida principalmente pelos Sassi di Matera: bairros históricos formados por casas, cavernas e igrejas escavadas na rocha calcária. Em alguns pontos, o telhado de uma construção serve de rua ou de pátio para outra. É um cenário tão singular que parece desafiar a nossa ideia de arquitetura.
A história do lugar é longa. A ocupação das cavernas remonta à Antiguidade, e os Sassi foram habitados por famílias até o século XX. As condições de vida eram bastante difíceis e, nos anos 1950, muitos moradores foram transferidos para bairros novos. Depois de um período de abandono, a região histórica passou por recuperação e ganhou reconhecimento internacional. Matera foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1993 e, em 2019, tornou-se Capital Europeia da Cultura.
O passado não está guardado apenas em museus: ele aparece nas paredes, nas portas e nas escadas gastas pelo tempo. Caminhar por Matera é conhecer uma cidade viva, não apenas admirar um cenário bonito.
O que fazer em Matera
Explorar os bairros Sasso Caveoso e Sasso Barisano
Os Sassi são o coração da visita. Sasso Caveoso e Sasso Barisano formam os dois grandes bairros históricos, ligados por ruelas e escadarias. Não existe um único percurso perfeito: vale seguir por uma rua, virar quando a paisagem chamar e aceitar que, de vez em quando, será preciso voltar pelo mesmo caminho.
Use calçados confortáveis e reserve tempo para as pausas. Uma escadaria que parece curta no mapa pode ficar mais exigente sob o sol ou depois de algumas horas de caminhada. Em compensação, cada subida costuma revelar uma nova vista dos telhados e das ravinas ao redor.
Visitar uma casa-caverna
Para entender como era o cotidiano nos Sassi, entre em uma casa-caverna aberta à visitação. Algumas preservam ambientes mobiliados e explicam como as famílias dividiam o espaço com animais, utensílios e recursos limitados. É uma experiência simples, mas ajuda a enxergar além da beleza das fachadas.
Também vale conhecer uma igreja rupestre. A Chiesa di Santa Maria de Idris, integrada à rocha, chama a atenção pela posição e pelas vistas. Há várias igrejas escavadas na região, cada uma com características próprias. Como horários e regras de acesso podem mudar, confira as informações atualizadas antes de sair.
Admirar Matera do outro lado da ravina
Para uma das vistas mais marcantes da viagem, atravesse a ravina até o Parco della Murgia Materana. Do outro lado, os Sassi aparecem como um conjunto de luzes, pedra e telhados encaixados na encosta. No fim da tarde, quando o sol suaviza, a paisagem ganha tons dourados. É um daqueles momentos em que a câmera trabalha bastante — e em que guardar o celular por alguns minutos também faz sentido.
O acesso ao parque inclui trilhas e trechos irregulares. Verifique as condições do caminho e escolha um percurso adequado ao seu preparo físico. Se preferir não caminhar por conta própria, uma visita guiada pode ser uma boa maneira de conhecer a área com mais contexto.
Conhecer o centro histórico e a Piazza Vittorio Veneto
Matera não se resume aos bairros escavados. No centro histórico, a Piazza Vittorio Veneto é um bom ponto para começar ou terminar o passeio. A partir dali, é possível seguir por ruas comerciais, encontrar cafés e acessar mirantes. A praça também ajuda a perceber como a cidade antiga e a parte mais moderna se conectam.
Se o tempo permitir, procure mirantes em diferentes horários. A luz da manhã, o brilho do meio-dia e a iluminação noturna transformam a mesma paisagem. Matera sabe fazer uma segunda impressão — e uma terceira também.
Provar os sabores da Basilicata
Uma viagem por Matera também passa pela mesa. Experimente o pão de Matera, famoso por sua crosta dourada e miolo macio, além de massas locais, como orecchiette, e pratos preparados com ingredientes da região. O peperone crusco, um pimentão seco e crocante, aparece em várias receitas e merece atenção de quem gosta de descobrir sabores diferentes.
Para uma refeição tranquila, escolha um restaurante fora dos pontos mais movimentados ou reserve com antecedência na alta temporada. E não se preocupe em transformar cada refeição numa busca pelo prato “mais típico”: às vezes, o melhor achado é simplesmente sentar, pedir algo da região e deixar a conversa se estender.
Onde ficar em Matera
A escolha da hospedagem muda bastante o ritmo da viagem. Dormir nos Sassi é uma experiência especial: muitos hotéis e pousadas ocupam construções históricas, algumas instaladas em antigas cavernas. Os quartos podem ser charmosos e frescos, mas nem sempre têm elevador ou acesso fácil para malas. Antes de reservar, confira a localização exata, a presença de escadas e a distância até o estacionamento ou ponto de táxi.
O centro histórico, perto da Piazza Vittorio Veneto, é uma alternativa prática para quem quer ficar bem localizado e ter restaurantes e serviços por perto. Já a parte mais moderna costuma oferecer acesso mais simples de carro e, em alguns casos, tarifas mais econômicas. A escolha depende do que você valoriza: atmosfera, praticidade ou orçamento.
Em qualquer área, leia com atenção as avaliações recentes e confirme se a hospedagem pode receber hóspedes que chegam de carro. Algumas ruas dos Sassi têm acesso limitado, e as zonas de tráfego restrito podem causar confusão para quem não conhece as regras locais.
Como chegar a Matera
O aeroporto mais prático para muitos viajantes é o de Bari, na Apúlia. De lá, é possível seguir para Matera de ônibus, trem ou carro alugado. A ligação ferroviária da linha Ferrovie Appulo Lucane conecta Bari a Matera, mas não é a mesma estação principal usada pelos trens nacionais. Confira com cuidado o nome da estação, os horários e eventuais mudanças de serviço antes de viajar.
Também há ônibus entre Bari e Matera, com partidas que podem variar conforme o dia e a época do ano. Comprar a passagem antecipadamente é uma boa ideia, sobretudo em períodos movimentados. De carro, o trajeto oferece mais liberdade para conhecer outros lugares da região, mas é importante planejar onde estacionar: o centro histórico tem áreas de acesso limitado e ruas estreitas.
Se você estiver viajando por outras cidades italianas, compare os horários de trem e ônibus até Bari e organize a conexão com margem suficiente. Uma ligação apertada pode transformar um dia de passeio em uma corrida entre plataformas.
Quantos dias reservar?
Um dia inteiro permite conhecer os principais pontos, mas pode deixar a visita corrida. Para passear com calma, dormir na cidade e observar os Sassi em diferentes momentos do dia, duas noites são uma ótima escolha. Com três dias, dá para incluir trilhas na Murgia ou explorar os arredores sem sacrificar o tempo no centro histórico.
Se tiver apenas algumas horas, priorize os bairros Sassi, uma casa-caverna ou igreja rupestre e um mirante. Evite tentar atravessar a cidade inteira de um lado ao outro em pouco tempo: as distâncias podem parecer pequenas no mapa, mas escadas e desníveis tornam o caminho mais lento.
Quando ir e o que levar
Primavera e outono costumam oferecer temperaturas mais agradáveis para caminhar, além de uma luz bonita para fotografar. No verão, o calor pode ser intenso, especialmente nas horas centrais do dia. Planeje as visitas ao ar livre para a manhã ou o fim da tarde, leve água e procure uma pausa à sombra quando necessário. No inverno, o clima pode ser frio e chuvoso, mas a cidade fica menos concorrida.
Leve sapatos firmes, com boa aderência: o piso de pedra é irregular e pode ficar escorregadio quando molhado. Uma garrafa de água, proteção solar e uma bolsa leve também ajudam. Se viajar com malas grandes, confirme antes se a hospedagem oferece ajuda com a bagagem ou se é possível chegar perto da entrada.
Dicas para aproveitar melhor a visita
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Baixe um mapa que funcione sem internet; nas ruas estreitas, o sinal pode falhar e as orientações nem sempre são óbvias.
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Reserve com antecedência a hospedagem e as visitas guiadas em datas concorridas, como feriados e meses de verão.
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Confira os horários de museus, igrejas e transportes no dia anterior. Eles podem variar conforme a estação.
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Respeite os moradores: muitos edifícios dos Sassi são casas e estabelecimentos em funcionamento, não cenários vazios.
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Se dirigir, pesquise as regras das zonas de tráfego restrito e escolha o estacionamento antes de chegar.
Matera pede curiosidade e um ritmo sem pressa. Entre uma escadaria e outra, pare para observar os detalhes: uma porta antiga, uma janela aberta para a ravina, o cheiro de pão vindo de uma padaria. Com bons calçados, uma hospedagem bem escolhida e espaço na agenda para se perder um pouquinho, a cidade revela muito mais do que belas fotografias. E talvez seja esse o melhor plano de viagem: chegar com um roteiro, mas deixar que Matera escolha alguns caminhos por você.
